(Série Vultos Históricos)
Quem foi Milton Santos?
Será que as gerações mais novas sabem alguma coisa a respeito deste baiano, negro e geógrafo, conhecido em muitas partes do mundo?
Apesar de conhecê-lo pela fama alcançada, foi com surpresa que fiquei sabendo de sua passagem por Ilhéus, quando fiz minha pesquisa sobre o IME. Mas afinal, quem foi Milton Santos? Por que homenageá-lo, qual a sua importância?
Para falar um pouco sobre este brasileiro cidadão no mundo, fui buscar socorro na Internet. Os sites se multiplicam, existe muita informação sobre ele. Mas escolhi aquelas passadas pelo professor Wagner Costa Ribeiro, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).
Diz o professor Ribeiro que: “Discutir a obra de um intelectual com as qualidades de Milton Santos exige um esforço coletivo e abrangente. Coletivo dada a diversidade de disciplinas que fazem uso de suas idéias. Abrangente graças aos diversos aspectos que ele abordou durante uma carreira que alcançou mais de 50 anos”.
Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, em 03 de maio de 1926, e ganhou o mundo. Porém, soube manter seus olhos nos arranjos sociais contemporâneos para construir uma teoria original que serve à interpretação do mundo que parte da geografia, do território, envolvendo os habitantes dos lugares. Concluiu o curso de Direito em 1948, mas veio para Ilhéus ministrar aulas de Geografia no ensino médio. Daí seu interesse pela disciplina que o lançou ao mundo das idéias e da reflexão política.
Em 1958 obteve o título de Doutor em Geografia, na Universidade de Strasbourg (França), passando a ensinar na Universidade Católica de Salvador e, depois, na Universidade Federal da Bahia, na década de 1960. Sua habilidade com as palavras e seu texto vigoroso rendeu-lhe a participação em jornais, como A Tarde, em Salvador na década de 1960 e na Folha de São Paulo, em 1990.
Homem de ação política, aceitou o convite para participar de governos no início da década de 1960 que culminou com sua prisão em 1964 por ocasião do golpe de estado implementado pelos militares ao Brasil. Foram 3 meses difíceis. Ao sair da prisão carregava consigo uma decisão: era preciso partir. O geógrafo ganhava o mundo.
O começo de sua carreira internacional forçada ocorreu na França, onde trabalhou em diversas universidades, como as de Toulouse (1964-1967), de Bourdeaux (1967-1968) e de Paris (1968-1971). Durante esses anos realizou estudos sobre a geografia urbana dos países pobres e produziu vários livros como Dix essais sur les villes des pays-sous-dévelopés (1970), Les villes du Tiers Monde (1971) e L’espace partagé (1975, traduzido como O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana, em 1978). Este último marca a expressão de uma de suas idéias originais: a existência de dois circuitos da economia. O primeiro constituído pelas empresas, pelos bancos e firmas de seguros, ao qual chamava de rico. O segundo expressado pela economia informal, por meio do comércio ambulante e dos demais circuitos pobres da economia.
Da França partiu para vários outros países, vivendo de maneira itinerante e como professor convidado. Atuou em centros universitários, da América do Norte (Canadá, University of Toronto – 1972-1973; Estados Unidos, Massachusetts Institute of Technology, Cambridge – 1971-1972 e Columbia University, Nova York – 1976-1977), da América Latina (Peru, Universidad Politécnica de Lima – 1973; Venezuela, Universidad Central de Caracas – 1975-1976) e da África (Tanzânia, University of Dar-es-Salaam – 1974-1976).
Seu retorno ao Brasil decorreu de um acontecimento especial ao geógrafo baiano: a gravidez de sua segunda esposa, Marie Hélene Santos. Milton queria que seu segundo filho, Rafael dos Santos, nascesse baiano, como seu primogênito, o economista Milton Santos Filho, que faleceu poucos anos antes que o pai.
Em 1978 estava de volta à vida universitária brasileira. Mas trazia na bagagem uma obra que marcou sobretudo aos geógrafos marxistas do país:Por uma geografia nova, que foi traduzida para vários idiomas em diversos países. Neste trabalho Milton Santos preconiza uma geografia voltada para as questões sociais.
Em 1983 ingressou no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. A produção intensa desenvolvida no Departamento de Geografia da USP resultou na indicação para receber o prêmio Vautrin Lud, que é considerado o Prêmio Nobel no âmbito da Geografia. Em 1994 Milton Santos foi o primeiro intelectual de um país pobre e o primeiro que não tinha o inglês como língua pátria agraciado com tal distinção.
Considero que a cidade de São Jorge dos Ilhéus tem uma grande dívida com este professor que viveu em nossa cidade, como professor catedrático de Geografia, no Ginásio de Ilhéus (atual IME), na década de 1940.
Informações obtidas no site www.ub.es/geocrit

Povo Baiano precisa eatá uido afim de solicitar do Governo ffderal e estadual,as publicações de todos livros etc. doPatrono Brasíleiro, Doutor,Professor, Investigador, Pesquisador Geógrafo Milton Almeda Santos,e aonde esteja em todas as escolas e Bibliotrcas do País http;//onegronobrasil1980.blogspot.com
Prezada professora Maria Luiza Heine,
escreve Fernando Conceição, jornalista e professor da Faculdade de Comunicação da UFBA. Coordeno um grupo de pesquisa que está levantando dados sobre a vida e as idéias de Milton Santos. O resultado será a publicação da biografia autorizada dele, sob minha responsabilidade. Como ele residiu e foi professor em Ilhéus, pretendo ir a esse município agora em março de 2009 buscar dados e todo e qualquer tipo de informação sobre assunto, inclusive documentos e imagens.
Sei que a senhora poderia colaborar conosco nesse sentido. Dessa forma, gostaria de saber de sua disponibilidade em nos apoiar quando da presença de nossa equipe em Ilhéus. Gostaria de conversar com a senhora e mesmo realizar uma entrevista gravada em vídeo. Bem como com outras pessoas que, se ainda vivas, foram contemporâneas de Milton Santos, colegas dele no professorado, funcionários, amigos e mesmo adversários. .
Aguardo com ansiedade a sua resposta, bem como indicações de pessoas que poderiam complementar a nossa busca de informações sobre a presença de Milton Santos em Ilhéus. Há arquivos da escola, das aulas, sobre alunos dele etc?
Agradeço,
Fernando Conceição.
Waldimiro, agradeço sua participação, e concordo com o que diz.
Maria Luiza
Ola! Professor Fernando Conceição,
A universidade federal da Bahia, junto com a sua militância e sua amizade com o Doutor Milton Almeida Santos está resgatando a importância da referencia mundial da obra de Milton. No entanto os políticos não entenderam ainda, na sua grande maioria nem sabe da sua existência. Pela sua experiência de jornalista e acadêmico, será que podemos realizar um simpósio ou um seminário internacional no congresso nacional e que a Bahia faça as honras do seu filho mais importante. Fica a sugestão do blog onegronobrasil1980.blogspot.com
Parabéns ao povo de Ilhéus, às escolas e universidades e, especialmente, a senhora Maria Luiza Heine juntamente com o Professor Fernando Conceição e a Universidade Federal da Bahia por resgatar toda a contribuição que Milton Santos deixou para a Bahia, o Brasil e a humanidade. Inciativas dessa sorte dá à juventude brasileira motivo de se tornar mulheres e homens com sua responsabildade de construir uma nova civilização.
Sr. Waldimiro,
Obrigada por sua participação em nosso blog.
Maria Luiza Heine
Carissima colega
Tenho o prazerem entrar em contato, pois sou amigo do Waldimiro, e por ser baiano me interesso pela contribuição deixada pelo ilustre mestre Milton Santos que tive a honra de ler alguns de seus artigos no Jornal A Tarde nos idos da década de 70.
Sou de Feira de Santana, onde estudei na UEFS, no curso de Estudos Sociais e Direito na Ufba de 1976 a 1983, fiz parte da juventude universitária baiana e membro do Projeto Rondon, quando tive a oportunidade de conhecer a Amazônia, estou tentando me engajar nos movimentos de resgates da juventude através de trabalhos junto a pessoas que tenham o mesmo objetivo.
resido hoje desde 1983 no DF onde leciono no ensino médio.
Quero estar junto com os baianos e Entidades ligadas a educação e planejamento no resgate da identidade do nosso povo, seguindo os passos do mestre Milton Santos.
A vosso dispor, coloco-me neste momento na esperança que seja apenas o início de uma frutífera relação de amizade e que possa eu apreender bastante e continuar nossa pesquisa.
Deixo aqui os votos de felicidades.
Ivan Carvalho Boccanera
ivanboccanera@bol.com.br
Prezado Ivan,
É claro que tenho interesse em trocarmos conversa sobre assunto que nos interessam. Muito grata pela sua mensagem.
Abraços,
Maria Luiza Heine
Em homenagem a este blog, estou anexando o resumo do VIII encontro nacional sobre Milton Santos.
Encontro discute o Pensamento do geógrafo Milton Santos
O evento acontece no campus central até a próxima sexta-feira, 15/05
James Rafael, aluno da UFAL, ainda com as malas no auditório para não perder a abertura do encontro.
Começou hoje, às 10h, no auditório do Campus Natal-Central do IFRN, o VIII Encontro Nacional e I Encontro Internacional com o Pensamento de Milton Santos, com a presença de autoridades locais e congressistas de todas as regiões do país.
Com o objetivo de mostrar a contribuição que a geografia pode dar no nosso cotidiano, através de análises geográficas, o Departamento de Pós-graduação em Geografia da UFRN, em parceria com o Departamento de Geografia do IFRN, organizaram o evento com o tema “Lugar-mundo: Perversidades e solidariedades” que acontece no auditório do Instituto todas as manhãs e tardes dos dias 13, 14 e 15/05.
Milton Santos foi um geógrafo/filósofo, cujo pensamento tem influenciado a geografia brasileira e outras áreas das ciências humanas. Escreveu mais de 40 livros e 300 artigos, aliando em seus estudos os aspéctos físicos ao humano.
De acordo com o coordenador geral do evento, o professor da UFRN Aldo Dantas, Milton Santos foi um pensador preocupado com os efeitos perversos da globalização e com a análise geográfica dos países de terceiro mundo e “este é o motivo da realização do encontro e dos temas Globalização e Lugares, que representam as temáticas trabalhadas por Milton. Ele fazia ciência voltada para o terceiro mundo, sabia que as políticas trabalhadas aqui deviam ser diferentes das trabalhadas nos países de primeiro mundo”.
O encontro teve mais de mil e duzentos inscritos, estudantes, professores e interessados no tema de todo o país. Vários participantes chegaram hoje em Natal com muitas expectativas com relação ao evento. James Rafael dos Santos, estudante de geografia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), está pela primeira vez em Natal e se apresenta ansioso quanto ao encontro: “Espero aprender muito com as palestras e conferências realizadas por pessoas experientes no estudo das obras de Milton Santos, pois as obras são muito complexas e ricas”, disse.
Hoje aconteceu o credenciamento dos participantes, seguido pela intervenção teatral do ator Rodrigo Bico que, com muito bom humor, encenou textos que falam sobre o meio ambiente, globalização e territórios, além da conferência inaugural com o professor Paul Claval, da Universidade de Paris.
À tarde, a partir das 14h, acontece a sessão de depoimentos de ex-alunos e amigos de Milton Santos e, às 16h, haverá palestra com a professora Lia Osório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o tema Globalização.
CAROS COLEGAS – FERNANDO CONCEIÇÃO E MARIA LUIZA, quero participar da pesquisa que estão realizando no estado da Bahia e, gostaria de informar que o Wagner foi amigo de Milton Santos e ambos amigos de Waldimiro, assim como eu.
Contribuição de Jorge Luiz Lucas de Paiva, Consultor especilista em elaboração de projetos – mestrando em educação e trabalho – UNB, pedadogo pela UDF
Publicação do Jornal de Uberaba – 2701/2008.
Uberabense busca resgate da cultura negra
O empresário Sinfrônio José da Silva Júnior é presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil/Moçambique. Ele tem desenvolvido diversas negociações para que os empresários brasileiros possam investir no continente africano. O empresário pretende levar o nome de Uberaba através do agronegócio e os investimentos da cana-de-açúcar para a África. Aos 40 anos, Silva foi projetado pelo ex-prefeito e ex-deputado Wagner do Nascimento. Trabalhou na Secretaria de Assistência Social na gestão de WN e também foi assessor parlamentar dele, em Brasília (DF). Coincidentemente, ele estava em Brasília, no mês de setembro, na ocasião da morte do ex-prefeito, e veio a Uberaba trazer o companheiro para ser velado e enterrado na cidade.
JORNAL DE UBERABA – Há quanto tempo o senhor está à frente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil/Moçambique?
Sinfrônio José da Silva Júnior – Há um ano.
JU – Como é o processo de escolha para este cargo?
Sinfrônio – É feita uma eleição entre os empresários.
JU – De que forma Uberaba é beneficiada com sua presença nesta instituição?
Sinfrônio – Eu trouxe a sede da Câmara para Uberaba. Antes, era em São Paulo.
JU – Em que negociações o senhor comandou para favorecer esta integração entre a África e o Brasil? Como é feito esse trabalho?
Sinfrônio – Várias negociações. Trabalho para implantar usinas de etanol na África, venda de caminhões, máquinas agrícolas e estamos levando consultorias empresariais para os países africanos. Tudo é desenvolvido através de uma ação privada. A Câmara é uma instituição exclusiva para defender os interesses dos empresários brasileiros no continente africano. Nós temos a Vale, que está fazendo o maior inves-timento em Moçambique. São US$ 3 bilhões. Nós sempre participamos através de apoios. A Construtora Odebrecht está presente no continente.
JU – Existe algum projeto que você pretende desenvolver em favor da África?
Sinfrônio – Eu quero ajudar aquele povo a erradicar a pobreza naquele país.
JU – Qual a observação que tirou sobre a África com as viagens que fez pela Câmara de Comércio e Indústria?
Sinfrônio – É um continente em franco desenvolvimento, embora tenha muita pobreza. Resumindo, está tudo para fazer e falta um empenho maior dos países desenvolvidos para auxiliar o crescimento da África. É preciso fazer o desenvolvimento tecnológico. Só desta forma o continente africano vai se desenvolver.
JU – E a relação cultural entre os dois países? O senhor tem trabalhado esta troca de valores?
Sinfrônio – Há o sentimento de raça dos africanos e dos africanos diásporas – que são aqueles que estão fora do continente. Todo negro é africano. Todos sabem da luta dos africanos no Brasil e nós reconhecemos a luta dos negros naquele continente. A luta de liberdade dos negros no Brasil foi em 1888, enquanto a liberdade na África começou nos anos 60 e só ocorreu em 1975. Agora que a África está formando governo e nação.
JU – No Brasil, a maior parte da população tem a miscigenação de todas as raças. Entretanto, o negro ainda sofre com o racismo. O senhor acha que este preconceito pode ser revertido no país?
Sinfrônio – Só há uma solução: através dos políticos. Deve ter um avanço educacional. Não é só formação superior. É preciso fazer uma política voltada para a profissionalização. Assim, as pessoas podem ser absorvidas pelo mercado. O Brasil precisa ter técnicos nas áreas operacionais e técnicas. O país precisa produzir. É claro que temos necessidade de ter bons profissionais nas áreas de direito e medicina, mas é preciso investir nas áreas tecnológicas. É o mesmo problema na África. O continente manda todos os seus quadros para a Europa e Estados Unidos para fazerem faculdades, mas é necessário formarem a população para as áreas de tecnologia. As leis contra o racismo no Brasil são as mais rígidas, porém, é preciso criar mecanismos para serem bem aplicadas. Eu acredito que o maior preconceito é contra o ser humano.
JU – O senhor é a favor da cota para negros nas universidades brasileiras?
Sinfrônio – Sim. É um reconhecimento da dívida que o governo brasileiro tem para com os negros. Sou a favor.
JU – O ex-prefeito Wagner do Nascimento foi um homem que sempre lutou pela valorização do negro na sociedade; o senhor concorda?
Sinfrônio – A primeira vez que Uberaba foi conhecida pelos africanos foi no governo dele. Só estudantes de Gana, vieram mais de 20 para Uberaba. Eu sempre trabalhei com ele nesta proposta de valorizar a raça. Wagner do Nascimento, como deputado, criou ainda o consulado de Senegal e foi uma ação em que eu também tive participação direta.
JU – É sua pretensão retomar esta luta em favor da raça negra em Uberaba?
Sinfrônio – Nós queremos transformar Uberaba na cidade mais conhecida no Senegal. Nós estamos retomando este projeto.
JU – O que o senhor acha que Uberaba perdeu com a morte repentina de Wagner do Nascimento?
Sinfrônio – A cidade perdeu muito. Os negros tiveram um ponto positivo e um negativo na história de Uberaba. O positivo foi tê-lo como prefeito. Todos nós esperávamos que Wagner do Nascimento chegasse a ser novamente o prefeito de Uberaba, para dar continuidade aos projetos da comunidade negra.
JU – A viúva dele, Isabel do Nascimento, declarou nesta semana ao JORNAL DE UBERABA a intenção de ser candidata a prefeita para dar continuidade aos projetos do marido. O senhor acredita que a comunidade negra possa aceitá-la como candidata em substituição a Wagner do Nascimento, havendo até uma transferência de votos?
Sinfrônio – É uma análise que eu ainda não fiz. Ele foi a maior liderança política da raça negra no país. Ele tinha carisma e prestígio, características difíceis de transferir no voto. Mas existe o sentimento de perda de muitas pessoas da comunidade negra que pode resultar na transferência de votos para ela.
JU – Como está a situação do conselho representativo da comunidade negra em Uberaba?
Sinfrônio – Houve a eleição na nova diretoria em que eu apoiei o candidato eleito, Evaldo Alves Cardoso, o Saruca, que obteve a maioria dos votos. Nós vencemos o pleito de outras duas facções grandes que representam a raça em Uberaba. Isto credenciou um grupo forte da comunidade negra na entidade. Porém, nós nos unimos para lutar em prol da raça negra. Agora, o conselho está mudando um pouco o foco dos objetivos para se reestruturar.
JU – Os políticos reconhecem o conselho e desenvolvem projetos voltados para a raça?
Sinfrônio – O deputado Paulo Piau fez uma emenda parlamentar de R$ 200 mil e o presidente da Câmara Municipal, Lourival dos Santos, fez outra emenda de R$ 50 mil. A intenção é construir a nova sede da entidade. A Prefeitura Municipal vai doar o terreno, no conjunto Elza Amuí. Nós vamos tentar construir uma sede equipada com auditório, sala de aula para montarmos uma escola da história da África. Nós também queremos aproveitar o espaço para resgatarmos a língua africana. Recentemente, o último que falava africano faleceu, o Zinego. Para mim, é muito importante para a relação cultural da raça. Hoje, alguns falam pouco a língua.
JU – E quanto ao Centro Nacional de Cidadania Negra (Ceneg)?
Sinfrônio – Sei que foi construído para desenvolver cursos profissionalizantes, mas não sei como anda este projeto. Sei que a idéia foi do doutor Odo Adão, para criar um centro de valorização da raça negra. Ele estava ali imbuído de muita responsabilidade com este espaço, porém, nunca fiz parte da diretoria e não tenho conhecimento dos trabalhos feitos lá.
JU – Hoje existe a valorização da raça em Uberaba?
Sinfrônio – Existem alguns segmentos da sociedade, principalmente da área empresarial, que valorizam a raça negra. Por outro lado, eu vejo um descaso grande porque a raça poderia ter uma valorização maior no que tange aos projetos da comunidade. É difícil as instituições da República nos níveis municipais, estaduais e federal desenvolverem ações para a raça. Acredito que as parcerias públicas e privadas poderiam ser melhores. Eu adianto que estamos levando para a África cerca de 20 negros. Todos anciãos. Os convites estão sendo feitos pelo presidente do conselho. O doutor Odo Adão será convidado para fazer parte da delegação. A intenção é realizar resgate cultural. Nós vamos voltar à terra mãe para conhecer nossa história.
JU – Qual a opinião do senhor sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
Sinfrônio – Particularmente, eu acredito que foi o governo que mais valorizou a raça negra no país. Não tenho partido político e nem quero exercer cargo público. A política não está resultando em benefício para o povo. Só fazem em benefício próprio e não para a coletividade. É preciso que haja mudança.
JU – E o que o senhor acha da administração do prefeito Anderson Adauto?
Sinfrônio – (longa pausa) Não tenho acompanhado de perto. Pelo menos ele está colocando em prática um dos projetos que o doutor Wagner tinha, que é o de construir as entradas da cidade.
Daniela Brito
Parabenizo a biblioteca nacional pela oportunidade de divulgar o trabalho do professor milton santos, gênio que o Brasil ainda está por descobrir. sou jornalista na Câmara dos Deputados e aprecio pessoas admiradoras de Santos, como Waldimiro de souza, cuja vida reflete os pensamentos e o entusiasmo do gigante negro que o país pariu. Solicito apublicação das obras do professor milton santos, para possibilitar às futuras gerações um pouco mais de luz.
Escrito por Alessandra Gondim em 11 de agosto de 2009
Pois é, Alessandra. Ainda devemos muito a Milton Santos. Ilhéus, cidade onde ele foi professor de geografia no ginásio público municipal, ainda deve uma homenagem ao gênio que ele foi.
Obrigada pela sua mensagem.
Maria Luiza Heine
Olá Maria Luiza,
Uma certa angústia me abate vez ou outra, pela sensação de que ainda não estamos fazendo tudo que podemos para clarear nossos caminhos. alterantivas surgem quando seres brilhantes se expressam e deixam rastros para que possamos seguir mais facilmente. Milton santos fez isso e cabe a nós falar para o mundo o que ele descobriu. E assim deve ser com tudo que é bom, belo e útil.
indo a ilhéus, gostaria de conhecer o trabalho que vocês desenvolvem aí.
estamos todos juntos,
abs
alessandra
Quando vier a Ilhéus me procure. Vou ter muito prazer em conhecê-la.
Maria Luiza
SEMINÁRIO IRÁ DEBATER A OBRA DO GEÓGRAFO MILTON SANTOS
A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira, dia 1º de dezembro, às 14 horas, no Plenário 10 do Anexo II da Casa, um Seminário para debater a obra do geógrafo Milton Santos. A autora do requerimento é a Deputada Lídice da Mata (PSB/BA), com o apoio e a subscrição das Deputadas Maria do Rosário (PT/RS) e Alice Portugal (PcdoB/BA) e dos Deputados Emiliano José (PT/BA) e Ruy Pauletti (PSDB/RS).
Eis a programação do Seminário
Expositores e temas:
1 – Professor Aldo Dantas – UFRN
Milton Santos – Teoria Geográfica, Globalização e Terceiro Mundo
2 – Professor Fernando Conceição – UFBA
Milton Santos – Negro e Intelectual
3 – Professora Amália Inêz Geraiges de Lemos – USP
A Obra Revolucionária de Milton Santos
4 – Professor Edilson Nabarro – UFRGS
Milton Santos e a Negritude.
Perfil:
Apesar de graduado em Direito, Milton Santos é considerado o mais importante geógrafo brasileiro, reconhecimento este que se estende às suas qualidades de intelectual que vão além das fronteiras nacionais.
Natural do município baiano de Brotas de Macaúbas, Milton Santos, aos 13 anos já dava aulas de matemática no ginásio em que estudava, o Instituto Baiano de Ensino. Aos 15, passou a lecionar geografia. Ingressou na faculdade de Direito e atuou no movimento estudantil, chegando a ser eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Em 1948, formou-se pela Universidade Federal da Bahia, mas não deixou de se interessar pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático no Colégio Municipal de Ilhéus com o objetivo de lecionar esta disciplina.
Nesta cidade dedicou-se à atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda. Retornou para Salvador e tornou-se professor na Faculdade Católica de Filosofia e foi editorialista do “A Tarde”, onde publicou diversos artigos de geografia. Em 1958, concluiu doutorado (com a tese “O Centro da Cidade de Salvador”) na Universidade Estrasburgo (França).
Tendo viajado pela Europa e pela África, publicou em 1960 o estudo “Mariana em Preto e Branco”. Defendeu com brilhantismo a tese “Os Estudos Regionais e oFuturo da Geografia” na Universidade Federal da Bahia, da qual foi um dos fundadores do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais.
Com o golpe militar de 1964, Milton Santos foi preso e depois exilado. Como professor convidado lecionou durante três anos na Universidade de Toulouse (França). Na década de 1970 estudou e trabalhou em universidades no Peru, na Venezuela e nos EUA, onde foi pesquisador no Massachusetts of Technology.
Retornou ao Brasil em 1977, trazendo consigo a obra “Por uma Geografia Nova”. Anos depois galga o posto de professor titular da Universidade de São Paulo (USP). Recebeu, em 1994, o Prêmio Vautrim Lud, considerado “o Nobel da geografia”. Foi consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos(OEA).
Milton Santos acrescentou importantes discussões na geografia, como a retomada da leitura de autores clássicos, além de ter sido um dos expoentes do movimento de renovação crítica da disciplina numa perspectiva holística.
Debater e estudar a obra deste que é um dos mais importantes intelectuais do Brasil, homem que não só superou preconceitos de cor e de classe social, mas que também foi pioneiro na análise crítica da globalização e suas conseqüências desiguais para grande parcela da população mundial, é um dever da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados que, com essa iniciativa, visa resgatar e difundir uma obra tão importante e grandiosa.
Prezado Waldimiro,
Sua mensagem constitui-se em uma verdadeira matéria sobre o nosso grande Milton Santos. Você permite que eu o publique como matéria, dando o devido crédito?
E o prof. Fernando, já concluiu o livro? Nunca mais tive contato com ele.
Obrigada por ter escrito.
Grande abraço,
Maria Luiza Heine
Maria Luiza Heine ,amiga esse trabalho e oficial do comissão de esducação do cultura da camera dos deputados, da lavra do jonalista João Tavares ,para divugação, amiga pode reproduzi a divugação do siminario sobro obras do Milton Santos e requerido pela deputada Lidice da mata estamos sua despuzição
abraço, Waldimiro
Maria Luiza Heine ,amiga esse trabalho e oficial do comissão da educação e cultura da câmara dos deputados, da lavra do jonalista João Tavares ,para divugação, amiga pode reproduzi a divulgação do siminario sobro obras do Milton Santos e requerido pela deputada Lidice da mata estamos sua despuzição
abraço, Waldimiro
A minha amiga Maria Luiza Heine.
Aviso de cancelamento
O Excelentíssimo Senhor Michel Temer, Presidente da Câmara dos Deputados, perdeu a oportunidade de liberar o plenário que, simboliza a representação do poder legislativo, berço da democracia que atuou e atua com dignidade nas decisões em horas capitais da história brasileira, para a promoção do Evento denominado: Seminário Milton Santos – Vida e Obra, programado para 01/12/2009 às 14:30h. Professor e Cientista reconhecido por meio do voto, diga-se, das duas casas do congresso como patrono brasileiro. Evento que engrandeceria o poder civil e daria maior significado à ação parlamentar, não só para o Brasil, assim como uma proposta de releitura das ações políticas para a humanidade, pela causa estampada em sua obra reconhecida e premiada internacionalmente, pedimos o apoio da humanidade.
BLOG: onegronobrasil1980.blogspot.com
Reproduzimos o documento cancelamento abaixo:
Sr. Waldimiro,
Segue para seu conhecimento, e-mail da Comissão de Educação informando o CANCELAMENTO do Seminário Milton Santos.
Assessoria da Deputada Lídice da Mata
________________________________________
De: Comissão de Educação e Cultura/PROPOSIÇÃO
Enviada em: segunda-feira, 30 de novembro de 2009 11:25
Para: Comissão de Educação e Cultura/PROPOSIÇÃO
Cc: Anamélia Ribeiro C. de Araújo
Assunto: Cancelamento do Seminário Milton Santos – Vida e Obra
Prioridade: Alta
Of. CEC/Sec. nº 232/09_Circular
Brasília, 30 de novembro de 2009.
Senhor(a) Deputado(a),
De ordem da Senhora Presidente desta Comissão, Deputada Maria do Rosário, comunicamos a Vossa Excelência o cancelamento do Seminário Milton Santos – Vida e Obra, que estava previsto para esta terça-feira, 1º/12/09, às 14h30, no Plenário 10, Anexo II;
Atenciosamente,
ANAMÉLIA RIBEIRO CORREIA DE ARAÚJO
Secretária