AMILTON IGNÁCIO DE CASTRO
(Série Vultos Históricos)
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“Permaneci entre vós, docendo dicitur, ensinando e aprendendo. Aprendendo mais, na minha ignorância, do que ensinando, na minha singela vocação de servir”. (Amilton Ignácio de Castro) |
Neste 17 de abril de 2009, a Universidade Estadual de Santa Cruz, a Academia de Letras de Ilhéus, a Ordem dos Advogados do Brasil – subseção de Ilhéus, a Câmara Municipal de Ilhéus e a família Castro realizam, no Centro de Arte e Cultura Paulo Souto, na UESC, a solenidade do centenário de nascimento do grande ilheense, Professor Amilton Ignácio de Castro.
Sobre ele escreveu o professor Soane Nazaré de Andrade: “A educação haveria de constituir uma preocupação constante ao longo de toda a vida de Amilton. Para ele, sempre devotado à cultura, nenhuma maneira de servi-la traria mais dividendos à sociedade do que os resultantes do empenho na educação em todos os seus níveis”.
E disse mais: “Quando, portanto, trouxemos a Ilhéus a idéia de criação de uma universidade de âmbito regional, a partir da instalação de uma Faculdade de Direito, a presença de Amilton foi constante em todos os encontros e reuniões que passamos a promover. A sua participação era sempre séria, leal, criativa e pronta”.
Segundo conta o Prof. Soane, desde o primeiro encontro que tiveram para pensar a Faculdade de Direito de Ilhéus, um núcleo foi formado. Dele faziam parte, Amilton Ignácio de Castro, Francolino Neto, Henrique Cardoso e Silva, José Cândido de Carvalho Filho e Alves de Macedo. Os três últimos formavam a força política necessária para dar suporte ao projeto. “Henrique – ou Henriquinho, como o chamavam todos os ilheenses – era o prefeito eleito no último pleito; José Cândido era o deputado estadual, e Alves de Macedo o deputado federal. Todos eram meus amigos e estavam comprometidos com a idéia de criação da universidade regional”.
Para dar andamento ao processo foi criada a Sociedade Sul-Baiana de Cultura, sob a presidência do bispo diocesano Dom Frei Caetano Antônio Lima dos Santos.
No dia dois de março de 1961 foi realizada a aula inaugural, proferida pelo professor Soane Nazaré, com a presença do Governador Juracy Magalhães e no dia onze de dezembro de 1965, diplomou-se a primeira turma de Bacharéis em Direito, em solenidade realizada no Instituto Nossa Senhora da Piedade.
Na Política. “Homem público por natureza, Amilton Ignácio de Castro haveria de participar dos embates políticos da cidade e emprestar o seu nome às disputas eleitorais. Não era dado à violência verbal nem às explosões de ódio que tanto alimentam as paixões partidárias. Sereno, mas firme, escolhia a sua trincheira e se entregava ao combate sem vacilações. Era um democrata.
Em abril de 1967 tomou posse como vereador eleito. Voltaria à Câmara Municipal para a legislatura nos períodos de 1971 a 1974, tendo sido eleito pelos seus pares como presidente da Câmara. Foi reeleito no período de 1973 a 1976.
“A atuação eleitoral de Amilton espelhava o seu perfil. Não saía a pedir votos em proveito próprio. Em sua casa, recebia amigos e eleitores e conversava sobre as coisas da cidade. E agradecia cavalheirescamente a promessa do apoio”. Foi vereador numa época em que estes não recebiam proventos.
A Literatura. Amilton amava os historiadores, a literatura ficcional e a poesia. Lia e, no pouco tempo que lhe sobrava, escrevia crônicas e contos, deixando tudo inédito e de difícil consulta. Um de seus romances tem o nome de Maria Bonita. “O espírito gregário e o gosto pelas belas letras fizeram-no imortal, membro que era da Academia de Letras de Ilhéus”. Ocupou a cadeira 31, da qual é patrono Napoleão Level.
A homenagem realizada é um justo tributo a quem muito honrou sua passagem pela terra dos homens.
OBS.: Material cedido pela EDITUS (UESC)
| Jorge Amado, o prefeito Antonio Olimpio e Amilton Ignácio de Castro |
