Passei por muitas etapas, ao longo da minha trajetória em busca do conhecimento da história de Ilhéus. Tudo começou com a idéia de transformar minha casa em pousada. Os turistas queriam saber de nossa história e, como eu não tinha nada para contar, por desconhecê-la, resolvi ir em busca deste conhecimento.
A história de Ilhéus é muito rica, afinal foi esta uma das primeiras vilas a ser fundada no Brasil, mas foi o cacau que propiciou o seu desenvolvimento, no período compreendido entre o final do século XIX até o início da década de 1980. Após a grave crise que se abateu sobre a região cacaueira, no final dos anos oitenta, faz-se necessário buscar alternativas econômicas viáveis, tendo uma delas, surgido naturalmente pela própria estrutura da cidade, o turismo. No início dos anos oitenta, Porto Seguro e Ilhéus começaram juntas a promover o turismo, disputando inclusive o posto de segundo pólo do Estado. A primeira possui, atualmente, um número de leitos dos mais significativos do país, uma organização voltada para o turismo bem estruturada, enquanto Ilhéus aparenta ter regredido.
Durante estes 15 últimos anos, em que me dediquei ao estudo da história local, pude encontrar muitos documentos interessantes. Assim é que, fazendo buscas em meus arquivos, encontrei em um Guia Turístico publicado em 1991, edição especial para a Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (ABAV), uma matéria sobre o turismo local, dizendo que Ilhéus estava “decidida a se tornar o segundo principal pólo turístico da Bahia, depois de Salvador” e que, para isso, crescia a passos largos. E o artigo diz que: “dona de uma beleza natural deslumbrante, a cidade exibe um cenário urbano onde o novo e o antigo convivem harmoniosamente”. Pois é isso, naquele ano ainda havia uma disputa e, digo mais, não tem sido fácil se manter na disputa, posto que, muitas outras localidades despontaram com grande pujança, como Itacaré e Morro de São Paulo.
Pois bem, nosso grande trunfo é nosso patrimônio cultural. Tem horas que me sinto repetitiva, mas, tenho que dizer muitas vezes para conseguir ser ouvida. Nós temos a combinação perfeita para colocar o turismo em evidência. Praias, a Baía do Pontal, cachoeiras, turismo ecológico; mas nosso grande patrimônio é nossa história e a chamada “civilização do cacau”. Não podemos esquecer que Jorge Amado nos deu um grande “empurrão”, contou para o mundo dessa cidade e dessa história. E nós não estamos aproveitando todo este patrimônio, nem o edificado, nem o imaterial.
Se no início da década de noventa, Ilhéus e Porto Seguro disputavam a preferência dos turistas, havia uma expectativa maior em relação a Ilhéus, pois esta possuía uma boa infra-estrutura com porto, aeroporto, hospitais e, hotéis e pousadas estavam sendo construídos. Porto Seguro, no início dos anos 80, era apenas um vilarejo sem essa organização necessária que requer o turismo. Eunápolis, àquela época, vila que pertencia a Porto Seguro, que se emancipou no final daquela década, possuía população maior que a sede e um considerável comércio. Por estas razões apostava-se, sem medo, no crescimento turístico de Ilhéus, que foi sendo perdido.
Aconteceu em Porto Seguro o mesmo fenômeno observado em Guarujá (SP), Búzios (RJ) e muitas outras cidades no Brasil e no mundo: pessoas de fora se apaixonaram pelo local e se mudaram para lá fazendo grandes investimentos econômicos de forma bastante profissional. Ao passo que em Ilhéus a opção do turismo veio como solução para a grave crise que assolou a região no final dos anos oitenta, por diversas razões, sendo a principal delas, a chegada da vassoura de bruxa.
O turismo chegou como “a grande saída”, mas deparou-se com um problema: as pessoas estavam acostumadas a ser servidas, e turismo é basicamente serviço. Pessoas que estavam acostumadas a receber muito dinheiro sem necessidade de ir às fazendas, não souberam mudar de atitude, como se fazia necessário.
Se, ao longo do século vinte, foi construído um significativo patrimônio, representado pelas belas casas, pelas praças bem planejadas, também muita coisa foi demolida, des-construída, modificada, “modernizada”. A cidade mudou de aspecto. É importante o trabalho fotográfico realizado por José Nazal, quando mostra o antes e o agora, para que possamos compreender a extensão do estrago.
Tenho buscado, através de trabalho intenso, passar para as pessoas a importância de conhecer e proteger nosso patrimônio; minha dissertação de mestrado teve como tema a importância do patrimônio cultural de Ilhéus para o turismo. É um trabalho de formiguinha, mas que tem valido a pena. Muita coisa caminhou nestes 15 anos.
Recentemente, o prefeito Newton Lima determinou a utilização do brasão de Ilhéus, um dos nossos símbolos, portanto patrimônio, em tudo que se refere à prefeitura e às obras municipais. Bem mais importante utilizar o brasão, um trabalho do professor Leopoldo Campos Monteiro, do que motes ou frases que dizem do governo, mas não da cidade.
Tenho buscado comprovar que é viável promover turismo cultural, além do turismo de praia em nossa cidade. Tendo percebido a pouca importância dada ao nosso patrimônio cultural, tenho estudado e divulgado a necessidade de todos conhecerem-no, pois é do nosso olhar que vai acontecer o olhar do turista sobre o patrimônio; isto depende da comunidade. “O turismo cultural, tal qual o concebemos atualmente, implica não apenas a oferta de espetáculos ou eventos, mas também a existência e preservação de um patrimônio cultural representado por museus, monumentos e locais históricos” afirma Rodrigues. E poderia complementar, acrescentando o patrimônio imaterial representado por festas e comemorações.
Por outro lado, não podemos admitir que, no século XXI, se pense em realizar qualquer ação que exclua a idéia da sustentabilidade, pois segundo Salvati, em entrevista concedida ao Jornal Agora em 2002: “o turismo é uma das mais promissoras fontes econômicas do planeta. Ele contribui para o desenvolvimento socioeconômico e cultural de um país, mas se for conduzido apenas com enfoque econômico, sem um planejamento baseado nas características biológicas, físicas, econômicas e sociais das localidades, ele pode gerar um desequilíbrio ecológico e social”.
Portanto minha proposta é que cada ilheense conheça, ame e proteja nosso patrimônio cultural, pois é ele que fala de nossa história, de nossas tradições e dos nossos costumes.
| Igreja de São Jorge (séc. XVII) |

Olá, incluí seu blog na lista de blogs recomendados do meu Diário de Alcobaça-Bahia. Será possível você incluir um link para o meu blog aqui?
Abraço,
Fabio
Certamente que sim. Vou providenciar.
Maria Luiza
Olá Maria Luiza… Parabéns pelo site. Já tinha visto um livro seu que tenho – Passeio Histórico na Capitania de São Jorge dos Ilhéus (1994). Descobrir uma coisa parecida entre nós, a paixão por Ilhéus! Estou fazendo meu projeto para momnografia, faço Turismo na Uneb de Salvador, e fazendo umas pesquisas encontrei seu site. Pretendo escrever algo relacionado a descaracterização do centro histórico de Ilhéus, mas estou decidindo pelo título ainda. Gostaria muito de continuar mantendo contato com você para adquirir alguns conhecimentos sobre a nossa querida cidade. Boa sorte pra você nessa luta por conscientização da importância do patrimônio cultural de Ilhéus!
Olá Valeriana,
Fico feliz de poder estar ajudando, com meu trabalho, às pessoas que querem conhecer a história desta cidade que está tão maltratada.
Meu e-mail é mlheine@oi.com.br. Quando quiser pode me escrever, que terei imenso prazer em ajudar.
Abraços,
Maria Luiza
Amo minha Cidade.Ilhéus terra boooa
estimada maria luiza heiner, lendo seu lindo comentario a respeito de ilhéus, coloco-me ao seu inteiro dispor em aracaju-se no que for possivel, estarei revendo os documentos de pai que falam da nossa cidade,se for oportuno para ti,entre em contato. abraços e recomendações. johnsonbernardino@gmail.com
Prezado Johnson,
Fico feliz em receber sua mensagem. Saiba que tenho enorme consideração por seu pai e por tudo que ele fez pela educação desta cidade. Tudo que você tiver sobre Ilhéus e quiser me enviar eu publicarei dando os devidos créditos.
Grande abraço,
Maria Luiza Heine
oi a todos, escribo desde argentina, visitare ilheus y stou procurando ayuda de os moradores em ilheus, deixo meu e-mail.
magaray@speedy.com.ar
obrigado migueu