A cidade de São Jorge dos Ilhéus é conhecida em boa parte do mundo, por ter seu nome associado ao cacau e ao chocolate, e também, por causa de sua cultura própria, relatada para o Brasil e para o mundo por uma literatura pujante e em especial por um escritor, romancista, que nasceu junto aos cacauais de Ferradas (Itabuna), chamado Jorge Amado.
A vila de São Jorge dos Ilhéus foi fundada no Outeiro de São Sebastião, na primeira metade do século XVI; foi criada como vila-capital da capitania dos Ilhéus, doada pelo rei de Portugal, D. João III, a Jorge de Figueiredo Correia, fidalgo da corte portuguesa, em junho de 1534. A vila chegou a possuir alguns engenhos de açúcar e teve grande importância para a corte portuguesa, do final da década de 1540, até o final da década seguinte. Entretanto, seu desenvolvimento só veio a acontecer com o crescimento da cultura cacaueira, a partir da segunda metade do século XIX. No início do século XX, com o dinheiro do cacau, a cidade cresceu extraordinariamente e seus habitantes construíram suas casas na cidade, formando o patrimônio histórico e cultural que a mesma possui.
Foi o dinheiro gerado pelo cacau que propiciou o surgimento das cidades da região e o crescimento de São Jorge dos Ilhéus. As cidades passaram a ser uma extensão das roças, e algumas delas nasceram nas sedes das fazendas.
Entre os anos de 1816 e 1823, chegaram à região muitos estrangeiros, principalmente alemães, que vieram em busca de uma vida melhor para si e suas famílias. Foram estas pessoas que incrementaram o plantio do cacau, substituindo gradativamente a cana-de-açúcar pela nova cultura. Porém, o crescimento mais expressivo da lavoura ocorreu a partir de 1860, quando o chocolate passou a ser realmente consumido na Europa, após a adição de açúcar feita pelos espanhóis.
No final do século XIX é que a ocupação das terras, por causa do cacau, cresceu extraordinariamente, segundo a pesquisadora Angelina Garcez. A autora compara a ocupação das terras do cacau às de mineração, tal era o número de pessoas que vinha para cá. Todos corriam em busca de um pedaço de terra para plantar e o governo doava e incentivava a ocupação das terras devolutas.
De acordo com a Lei nº 198, de 21 de agosto de 1897, eram consideradas terras devolutas, pertencentes ao Estado, as terras que não estivessem sob domínio particular legítimo; as que não se achavam aplicadas ao uso público; as posses que não se fundassem em títulos capazes de legitimação ou revalidação; os terrenos das aldeias de índios, extintas pelo abandono ou por lei; as sesmarias não revalidadas devidamente, entre outras.
O aspecto da vila, segundo diversos relatos, era muito simples, possuindo apenas algumas ruas, com casas muito simples, um misto da construção simples dos colonos, com as casas de construção temporária, feitas pelos indígenas. Foi com o crescimento da lavoura cacaueira que a região se desenvolveu, que a cidade começou a crescer e a materializar a riqueza gerada pelos frutos de ouro.
Assim, no dia 28 de junho de 1881, através da Lei Provincial nº 2.187, a Assembléia Legislativa Provincial enviou ao Presidente da Província, anexo a um memorando, a Resolução que elevava a Vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade, permanecendo com o mesmo nome. A Resolução foi assinada por João Lustosa da Cunha Paranaguá, mais tarde, Marquês de Paranaguá. O Marquês, que hoje é nome de rua, foi “Conselheiro de Estado, Senador do Império, Veador* de S.M. a Imperatriz, Dignatário da Ordem da Rosa, Comendador de São Gregório Magno, Desembargador aposentado e Presidente da Província da Bahia”, segundo o livro de Leis e Resoluções da Bahia.
Segundo Silva Campos, no começo do século vinte, a cidade fervilhava de pessoas novas e cheias de projetos que viriam a transformá-la na Princezinha do Sul, na principal cidade do sul do estado da Bahia, numa capital em miniatura. Apesar disso, a maior concentração populacional, estava nas fazendas, pois era tempo de plantar cacau.
De tudo que foi lido, podemos concluir que, no final do século XIX, a cidade não apresentava prédios com valor arquitetônico relevante, nem plano de urbanização significativo. Foi no início do século XX, quando o cacau, efetivamente, gerou riqueza, que começou a ser construído o patrimônio arquitetônico que subsiste nos dias atuais. O primeiro prédio verdadeiramente imponente, a ser construído na cidade de São Jorge dos Ilhéus, foi o do Paço Municipal, o Palácio Paranaguá.
O apogeu econômico da cidade de Ilhéus aconteceu no início do século XX, até o início da década de 1980, com a exploração da monocultura cacaueira. Depois da crise estabelecida com a chegada da doença chamada vassoura-de-bruxa, a situação do cacau ficou muito difícil.
Desejamos, em mais um ano de cidadania, que a cidade de São Jorge dos Ilhéus reencontre seu caminho de desenvolvimento, propiciando uma vida melhor para todos os seus munícipes.
* Como está no texto da Lei. Significa vedor (olheiro).

Olá professora,
Em seu texto você cita a Lei nº 198, de 21 de agosto de 1897. Gostaria de saber onde encontrá-la na íntegra?
Grato pela atenção.
Olha Clóvis,
Esta lei encontra-se no Arquivo Público do Estado da Bahia, em Salvador. Eu tenho uma cópia. Vou procurar onde está e mando para você. Tenha só um pouco de paciência… vou procurar.
Obrigada pela sua mensagem.
Maria Luiza