O verão está chegando e, com ele a chamada alta temporada do turismo. Duas perguntas ficam no ar: 1) Por que o turismo de Ilhéus não deslancha? 2) Que tipo de turismo se pode fazer aqui?
É óbvio que se eu tivesse a resposta, talvez estivesse ganhando dinheiro com consultoria, talvez estivesse rica…
Que a cidade é bonita, ninguém tem dúvidas, mas, não é só beleza que atrai o turista; que tem muito a oferecer ao turista, também não se pode negar. O que é então que está faltando? Não vou tentar responder, vou deixar a pergunta no ar, para que cada um tire suas conclusões. Vou apenas falar de alguns “produtos” que temos para oferecer ao turista.
Entre os anos de 2002 e 2004 fiz minha pesquisa para o Mestrado, que fala da possibilidade do turismo cultural na cidade de Ilhéus. Na época encontrei um guia turístico publicado pela Bahiatursa, em 1991, edição especial para a Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (ABAV), que tem uma matéria sobre Ilhéus dizendo o seguinte: “Decidida a tornar-se o segundo principal polo turístico da Bahia, depois de Salvador, Ilhéus cresce a passos largos. Dona de uma beleza natural deslumbrante, a cidade exibe um cenário urbano onde o novo e o antigo convivem harmoniosamente” (p. 155). Confesso que fiquei perplexa quando li esta notícia. No meu imaginário, na década de noventa, Porto Seguro já havia deixado nossa cidade para trás.
Naquela época havia uma expectativa maior em relação a Ilhéus, pois a mesma possuía uma boa infra-estrutura com porto, aeroporto, hospitais; hotéis e pousadas estavam sendo construídos, além de todo o suporte necessário para atender ao turista. Porto Seguro, no início dos anos 80, era apenas um vilarejo sem essa organização necessária que requer o turismo.
Não se pode falar em turismo como uma coisa única, fechada em si mesma. Existem segmentos de turismo que podem ser utilizados por uma cidade, dependendo de suas possibilidades. A cidade de Aparecida, em São Paulo, tem como fonte de renda um turismo religioso muito forte. Em Bonito, no Mato Grosso do Sul, a atração está nas belezas naturais, como também na Chapada Diamantina.
O que Ilhéus possui para oferecer ao turista? O maior litoral de praias da Bahia. Esse é um ponto muito forte e, de certa forma, nem precisa ser formatado. Mas precisa de cuidados, de boas barracas que ofereçam bom serviço.
A Baía do Pontal é outro ponto interessante que poderia ser explorado com pequenas embarcações levando e trazendo pessoas; a utilização de jet sky, wind surf, dentre outras práticas náuticas de pequeno porte.
No interior do município as possibilidades são muitas, sendo a Lagoa Encantada a principal delas, com as cachoeiras, o ribeirão das Caldeiras e as lendas que povoam o imaginário popular. O povoado do Rio do Engenho com uma das capelas mais antigas do Brasil, simples, é verdade, mas uma autêntica capela rural do Brasil colonial. O sítio histórico, local onde existiu o Engenho de Santana, que existiu por mais de trezentos anos, o que é considerado um feito empresarial raro, à época.
Entretanto, acredito que nosso maior tesouro é nossa história ligada ao cacau, que foi o que promoveu o desenvolvimento local. Não devemos esquecer nosso patrimônio cultural, como importante vetor para o turismo.
Existem outras modalidades de turismo, o de eventos, que é hoje um ponto forte de qualquer cidade que queira assumir esta vertente. Não é uma ação fácil, mas nada está fácil nos dias atuais. Deve haver uma ação conjunta entre o poder público e a iniciativa privada. A imagem que me vem é a de uma orquestra; para que haja harmonia é preciso que todos toquem a mesma música. Se cada componente tocar uma música diferente, simplesmente não há música.
A educação deve entrar como fator determinante. Não pode haver desenvolvimento sem educação. É fundamental ensinar às crianças que preservar o acervo cultural do seu grupo social é tarefa de toda a comunidade, pois este é revelador, é referencial para a construção da identidade histórico-cultural de cada membro do grupo. A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, traz em seu texto uma nova preocupação com o patrimônio cultural de todas as regiões do país. Já não deverão ser preservados só os prédios considerados excepcionais, mas todos aqueles que a comunidade julgar importantes. PRESERVAR É NÃO DERRUBAR.
Portanto… vamos à luta!
