No dia 14 de novembro, comemora-se a data de nascimento do poeta Sosígenes Costa. Ele nasceu em Belmonte, no ano de 1901 e faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de novembro de 1968. Em sua cidade natal fez o curso primário e foi mestre-escola.
Segundo Valdomiro Santana, que assina a “orelha” do livro Poesia Completa, publicado pela Fundação Cultural no governo Jabes Ribeiro, “era um homem de temperamento retraído – o que contrasta com sua aparência de dândi, segundo o testemunho de James Amado”.
Sosígenes morou em Ilhéus grande parte da sua vida, e foi onde escreveu a maior parte da sua obra. Aqui trabalhou como telegrafista do Departamento dos Correios e Telégrafos e como secretário da Associação Comercial de Ilhéus. Mas, mesmo morando distante, ligou-se a um grupo boêmio-literário, a Academia dos Rebeldes, na cidade do Salvador, de 1927 a 1931. Era amigo de Jorge Amado e frequentava a casa do coronel João Amado, localizada na antiga rua 28 de Junho.
Em vida publicou apenas o livro Obra Poética, pela Editora Leitura, do Rio de Janeiro, em 1959, depois de muita insistência dos amigos. A segunda edição deste livro foi publicada em 1978 pela Cultrix, de São Paulo, em convênio com o Instituto Nacional do Livro. A edição foi revista e ampliada pelo ensaísta José Paulo Paes. No ano seguinte, foi publicada, também pela Cultrix, a Iararana, “um longo poema que cria um mito de origem para o cacau sul baiano”, com prefácio de Jorge Amado e ilustrações e capa de Aldemir Martins.
De acordo com o crítico José Paulo Paes, “a ter como certas as datas de composição das peças enfeixadas na primeira parte da Obra Poética, quando ainda andava acesa a campanha dos modernistas contra o soneto em prol da institucionalização do verso livre, entretinha-se o poeta a escrever seus ‘Sonetos Pavônicos’, todos rigorosamente rimados e metrificados, nos quais são perceptíveis traços parnasianos e, sobretudo, simbolistas, ainda que tais sonetos nada tenham de passadistas, caracterizando-se antes por uma modernidade que se patenteia, como a de Quintana, na exploração criativa das possibilidades expressionais dessa forma fixa, então esclerosada pela prática mecânica e abusiva.”
Segundo Santana, percebe-se extremo apuro na criação poética de Sosígenes Costa: “nos sonetos pavônicos, em que, dada a profusão de imagens-símbolos, esplende o remoto passado oriental; no tratamento paródico de episódios e personagens do estilo bíblicos, bem como grandiloquente de Castro Alves”. Diz ele ainda que o poeta, na evocação da infância, sempre vem à tona o nonsense e o humor; nos poemas descritivos de um Brasil antigo e da vida popular da Bahia de seu tempo, é possível encontrar a presença tão marcante do candomblé. Ainda segundo o prefaciador, no lirismo político e social, não acolhe a demagogia nem qualquer indução ideológica; na singular percepção de mitos, que anima e transforma em sua imaginação – porém de tal modo que o real e o fantástico, embora sempre distintos, ficam indiscerníveis.
A obra de Sosígenes, na opinião dos especialistas, é intencionalmente sutil, como toda obra de arte, lembrando o jogo de espelhos refletidos.
O poeta grapiúna legou-nos uma obra poética que ainda hoje perturba e se impõe pelo arrojo com que soube criar o seu verbo próprio e inconfundível. É ele a história de uma alma que sofria por coisas estranhas e requintadas, sobretudo pela tão estranha sensibilidade, só poderia dar-nos versos estranhos e, antes de tudo, impressionantemente belos. (Gilfrancisco)
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Duas festas no mar (1934) Uma sereia encontrou Quando a sereia leu Freud E no outro dia a sereia Tirou então a coroa E houve outra festa no mar. In: Poesia completa (2001) |
