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BATACLAN – A HISTÓRIA…

Bataclan

Há mais ou menos dois anos, um amigo muito querido, Adson Nobre me procurou em nome da direção do Espaço Cultural Bataclan, com a proposta de que eu escrevesse um texto para um pequeno livro que eles gostariam de publicar, como peça de propaganda do empreendimento, para os turistas levarem como lembrança. Fiquei muito feliz, gosto destes trabalhos, destes desafios. Mas não foi fácil.

Na época procurei o saudoso e querido Barão de Popof pedindo-lhe que me concedesse uma entrevista. O amigo, também um contador de histórias, me disse que, quando chegou a Ilhéus, ainda criança, o Bataclan não existia mais. Falou-me do prédio, que estava dividido em duas partes, onde no piso térreo havia um armazém que guardava a carga trazida pelos navios e que tinha como destino o interior. O meio de transporte para esta carga era o trem, cuja ferrovia, a “The State of Bahia South Western Railway Company Limited”, funcionou até o início dos anos 1970.

Pois bem, há quem diga que o Bataclan nunca existiu. Não sei, mas desconfio que não mesmo, afinal jamais encontrei qualquer vestígio dele. Do Vesúvio, que também foi assunto de uma pesquisa que fiz, e cujo texto está pronto há bastante tempo, esperando publicação, os jornais noticiam muitas coisas, desde sua fundação. Mas, do Bataclan, nada. Isto me faz desconfiar que o Bataclan de Ilhéus seja uma criação do grande escritor Jorge Amado, que possuía a capacidade de transformar fantasia em realidade. Recentemente, quando da tragédia terrorista em Paris na boate Bataclan, acendeu uma luz em minha cabeça. Seria este nome copiado do estabelecimento francês, que é anterior à obra Gabriela, escrita em 1959? Jorge morou na França e devia conhecer Paris muito bem. Não sei se acharei alguém que possa me dar esta resposta.

Uma coisa é certa. Entretanto, se o Bataclan de Ilhéus existiu, quem lhe deu todo aquele glamour foi, sem dúvida o escritor grapiúna.

Escrevi o texto e soube que o livro seria lançado no final do mês de janeiro, mas não fui comunicada, a não ser pela ligação que recebi de Adson, fiel amigo. Nem sei mesmo se o lançamento ocorreu de fato.

Estive em Ilhéus no início de janeiro, passei poucos dias, fui ver minha tia querida. Foi muito rápido, mas não deixei de passar no Bataclan, queria adquirir o livro, queria ver o resultado do meu trabalho. Gostei. Ficou muito bonito o trabalho gráfico da Via Literarum. E linda a capa de Goca Moreno.

Sobre o Bataclan escrevi o seguinte em janeiro de 2012: “Portanto, o espaço destinado a exposições, o quarto idealizado por Jorge Maron, e o que mais lá tiver, estão em perfeita harmonia com um espaço turístico moderno e bem aparelhado, que veio enriquecer em muito nosso equipamento destinado ao turismo cultural. Além disso, parece que ele veio também para mexer com nossas frustrações referentes ao declínio da cultura cacaueira e, mexendo com isso, nos ajudar a recuperar nossa autoestima”.

O livro tem cerca de 50 páginas e conta um pouco sobre o que apuramos de sua enigmática história. O restante, encontramos no livro Navegação de Cabotagem, de Jorge Amado. Ele conta diversas passagens acontecidas no espaço.

A esta altura do campeonato, não importa se o Bataclan existiu ou não, importa que ele exista e seja bem cuidado para enriquecer o patrimônio cultural de Ilhéus.

Está pronto o livro do Vesúvio, esperando vir a ser publicado. Não sei se o será, mas, acredito que, sobre a história de Ilhéus, não sairá mais nada. Meu blog, “Ilhéus com amor” não sairá do ar, continuarei respondendo às perguntas feitas pelos leitores, mas deixarei de alimentá-lo com matérias. E continuará a ser útil a quem quiser conhecer Ilhéus, a Terra do Sem Fim de Jorge Amado.

Estou começando minha história em Aracaju, com novos temas, novos assuntos e já está no ar um novo blog: Educação, Cidadania e Meio Ambiente, onde publicarei meus novos trabalhos.

Todos estão convidados a acessá-lo no site mlheine.com.br.

ESTRANHO, ESTRANHO MUNDO

(NOT A WONDERFUL WORLD)

Já faz um bom tempo que não escrevo uma linha sequer. Não sinto vontade. Não é que falte assunto ou ideia. Por diversas vezes, muitas, a ideia veio, sentava-me em frente ao computador e, após alguns minutos, fechava o arquivo, sem nunca mais abri-lo. Uma espécie de desânimo tomava conta de mim e durante vários meses nem uma linha foi para o papel.

Os últimos seis meses foram de grande transformação em minha vida. Depois de quarenta anos morando em Ilhéus, completados em setembro, decidi me mudar. Não foi nada planejado e por muitas vezes ensaiei escrever uma crônica contando minha decisão, mas não consegui fazer o que faço agora.

De repente achei que não havia mais espaço para mim em Ilhéus, não tinha mais o que fazer aí. Por tanto tempo viajando para Salvador, enquanto fazia o doutorado, percebi o quanto a cidade encontra-se estagnada, eu precisava buscar novos horizontes. Tive muitas decepções com os políticos locais, não quero mais saber de política partidária, é muita sujeira, muito interesse pessoal em detrimento do interesse da população. Às vezes penso que esta mudança pode demonstrar covardia da minha parte, fuga. Não sei, pode ser. Mas acho que tenho que fazer coisas que me dão prazer, e eu já não me sentia feliz em, por exemplo, escrever sobre a rica história desta cidade, sobre sua cultura, e não adiantar nada, pois nosso patrimônio histórico e cultural está se acabando. Fui traída por pessoas em quem confiava e em quem acreditei; fui enganada.

Outro ponto que me deixou triste e influiu em minha decisão foi em relação à UESC, instituição onde construí minha carreira acadêmica. Meu trabalho acadêmico jamais foi reconhecido pela instituição, que manteve, sempre, suas portas fechadas para mim. O último evento foi negarem, de forma duvidosa, a homologação da minha inscrição em um concurso. Em contrapartida, a UNEB, onde fiz meu doutorado, me abriu as portas, convidando-me a trabalhar no Mestrado Profissional, onde posso fazer o que gosto. Por isto serei eternamente grata, já que, estou naquela fase da vida onde percebemos que o Brasil não tem respeito pelo idoso. Essa descoberta pessoal tem me incomodado bastante. E aí é que a gente pode compreender o que tantos já disseram sobre o assunto. A gente estuda, estuda e, quando tem oportunidade de compartilhar o que aprendeu, é simplesmente descartado.

Em Ilhéus tenho muito a agradecer, pelo carinho de um número muito grande de pessoas, sobretudo pelos leitores das minhas matérias, por aqueles que me encontram nas ruas e me cobram a falta delas; gostaria muito de não decepcioná-las, mas tem sido mais forte que eu. Perdi a vontade de escrever sobre a história da cidade porque não acredito que o que já fiz esteja servindo para alguma coisa. Agradeço ao carinho imenso dos meus alunos muito queridos.

Confesso que estou cansada. De repente caiu a cortina dos sonhos e vejo um mundo muito feio construído pelos seres humanos em um planeta azul e maravilhoso. A obra de Deus é linda, mas o mundo dos homens não é maravilhoso como diz a música de Louis Armstrong (What a wonderfull world), tão tocadas nos últimos tempos.

Encontro-me em uma fase da vida que começa a ver o mundo de modo mais crítico e sem muita esperança de que possa ver alguma mudança. Tenho refletido muito sobre este ser, do qual faço parte, e que se diz humano. Humano? Como?

Assistir aos jornais na TV equivale a uma seção de sadomasoquismo. A Cidade Maravilhosa, eterna “capital do Brasil”, vem matando por nada e por qualquer coisa (a moda agora é matar com faca); as pessoas estão “sobrando” em seus países e não encontram onde ficar, simplesmente para viver, algo que parece tão simples. Ninguém as quer. Acontece isso na África e em países da Ásia. O tráfico de pessoas é intenso e não muito diferente da época maldita da escravidão. Tenho visto tanta coisa feia realizada pelos humanos que sinto vergonha de ser um deles. Sinto muita pena das crianças que estão nascendo, sem ao menos poderem compreender o que vão encontrar. Não dá para falar em ética, porque a corrupção está por toda parte; tanto no alto escalão da política nacional, como também em nosso dia a dia, nas relações mais simples. As pessoas perderam o respeito às normas, às leis, às outras pessoas. Bagunçou geral.

Apesar do desânimo… Quando tudo isso é evidente, a TV traz uma notícia que demonstra que nem tudo está perdido, ainda podemos ter esperança (?). Um piloto de táxi aéreo, de pequenos aviões, chamado Osmar Frattini, num lampejo de calma e sangue frio, portador de muita luz, é capaz de colocar o avião no chão, salvando a si mesmo e mais oito pessoas. Muito diferente do louco “alemão” Andreas Lubitz, que optou por se matar e a mais 149 pessoas que queriam viver.

Nossa diferença em relação a outros seres é que podemos escolher entre o bem e o mal, entre ser bom ou ser mau, conscientes do que estamos fazendo. Eis o mistério do ser-humano, sua miséria e sua grandeza.

 

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QUAL DAS DUAS? A ESCOLHA É NOSSA.

ESTOU DE VOLTA. ESCREVER É PRECISO.

DOE MEDULA ÓSSEA

O hemoba estará em Ilhéus no próximo final de semana. Não custa muito este ato de solidariedade.

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diz Antonio Nobre

01/11/2014  PAGINA DA IHU- UNIVERSIDADE VALE DOS SINOS- UNISINOS-RS

Antonio Donato Nobre é um dos nossos melhores cientistas, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e um especialista em questões amazônicas. É  mundialmente conhecido como  pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Sustenta que o desmatamento para já, inclusive o permitido por lei sem prejuízo do agronegócio que deve incorporar fatores novos da falta de água e das secas prolongadas. Enfatiza: “A agricultura consciente, se soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas e plantando árvores em sua propriedade”. Publicamos aqui sua entrevista aparecida no IHU de 31 de outubro de 2014, dada a urgência do tema e seus efeitos maléficos notados no Sudeste, especialmente na metrópole de São Paulo.

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Quanto já desmatamos da Amazônia brasileira?

Só de corte raso, nos últimos 40 anos, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro. A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo. A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estou falando de degradação florestal.

Essa é a “guilhotina de árvores” que o senhor menciona?

Foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto. É o clima que sente cada árvore que é retirada da Amazônia. O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa.

O sr. pode explicar?

Os cientistas que estudam a Amazônia estão preocupados com a percepção de que a floresta é potente e realmente condiciona o clima. É uma usina de serviços ambientais. Ela está sendo desmatada e o clima vai mudar.

A mudança climática…

A mudança climática já chegou. Não é mais previsão de modelo, é observação de noticiário. Os céticos do clima conseguiram uma vitória acachapante, fizeram com que governos não acreditassem mais no aquecimento global. As emissões aumentaram muito e o sistema climático planetário está entrando em falência como previsto, só que mais rápido.

No estudo o sr. relaciona destruição da floresta e clima?

A literatura é abundante, há milhares de artigos escritos, mais de duas dúzias de projetos grandes sendo feitos na Amazônia, com dezenas de cientistas. Li mais de 200 artigos em quatro meses. Nesse estudo quis esclarecer conexões, porque esta discussão é fragmentada. “Temos que desenvolver o agronegócio. Mas e a floresta? Ah, floresta não é assunto meu”. Cada um está envolvido naquilo que faz e a fragmentação tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a síntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situação.

Qual é a situação?

A situação é de realidade, não mais de previsões. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima já mudou. Lá está aumentando a duração da estação seca e diminuindo a duração e volume de chuva. Agricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva não chegou. Ano após ano, na região leste e sul da Amazônia, isso está ocorrendo. A seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amazônia já é realidade. O sistema está ficando em desarranjo.

A seca em São Paulo se relaciona com mudança do clima?

Pegue o noticiário: o que está acontecendo na Califórnia, na América Central, em partes da Colômbia? É mundial. Alguém pode dizer – é mundial, então não tem nada a ver com a Amazônia. É aí que está a incompreensão em relação à mudança climática: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destruição de florestas. A consequência não é só em relação ao CO2 que sai, mas a destruição de floresta destrói o sistema de condicionamento climático local. E isso, com as flutuações planetárias da mudança do clima, faz com que não tenhamos nenhuma almofada.

Almofada?

A floresta é um seguro, um sistema de proteção, uma poupança. Se aparece uma coisa imprevista e você tem algum dinheiro guardado, você se vira. É o que está acontecendo agora, não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a “costa quente” da Amazônia. A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais.

O sr. fala em tapete tecnológico da Amazônia. O que é?

Eu queria mostrar o que significa aquela floresta. Até eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microscópio, a floresta é a hiper abundância de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada. O tapete tecnológico da Amazônia é essa assembleia fantástica de seres vivos que operam no nível de átomos e moléculas, regulando o fluxo de substâncias e de energia e controlando o clima.

O sr. fala em cinco segredos da Amazônia. Quais são?

O primeiro é o transporte de umidade continente adentro. O oceano é a fonte primordial de toda a água. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na América do Sul, entra 3.000 km na direção dos Andes com umidade total. O segredo? Os gêiseres da floresta.

Gêiseres da floresta?

É uma metáfora. Uma árvore grande da Amazônia, com dez metros de raio de copa, coloca mais de mil litros de água em um dia, pela transpiração. Fizemos a conta para a bacia Amazônica toda, que tem 5,5 milhões de km2: saem desses gêiseres de madeira 20 bilhões de toneladas de água diárias. O rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a água doce nos oceanos, despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia. Esse fluxo de vapor que sai das árvores da floresta é maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração das árvores e se mantém úmido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa é uma característica das florestas.

É o que faz falta em São Paulo?

Sim, porque aqui acabamos com a Mata Atlântica, não temos mais floresta.

Qual o segundo segredo?

Chove muito na Amazônia e o ar é muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas são muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das árvores. Esses odores vão para atmosfera e quando têm radiação solar e vapor de água, reagem com o oxigênio e precipitam uma poeira finíssima, que atrai o vapor de água. É um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais gás e o sistema se mantém.

E o terceiro segredo?

A floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E na Amazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos.

Como tudo isso se relaciona à seca de São Paulo?

No quarto segredo. Estamos em um quadrilátero da sorte – uma região que vai de Cuiabá a Buenos Aires no Sul, São Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da América do Sul. Se olharmos o mapa mundi, na mesma latitude estão o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Mas aqui, não, essa região era para ser um deserto. E no entanto não é, é irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? A Amazônia exporta umidade. Durante vários meses do ano chega por aqui, através de “rios aéreos”, o vapor que é a fonte da chuva desse quadrilátero.

E o quinto segredo?

Onde tem floresta não tem furacão nem tornado. Ela tem um papel de regularização do clima, atenua os excessos, não deixa que se organizem esses eventos destrutivos. É um seguro.

Qual o impacto do desmatamento então?

O desmatamento leva ao clima inóspito, arrebenta com o sistema de condicionamento climático da floresta. É o mesmo que ter uma bomba que manda água para um prédio, mas eu a destruo, aí não tem mais água na minha torneira. É o que estamos fazendo. Ao desmatar, destruímos os mecanismos que produzem esses benefícios e ficamos expostos à violência geofísica. O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinha que ter parado com o desmatamento há dez anos. E parar agora não resolve mais.

Como não resolve mais?

Parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem. A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade.

E se não fizermos isso?

Veja pela janela o céu que tem em São Paulo – é de deserto. A destruição da Mata Atlântica nos deu a ilusão de que estava tudo bem, e o mesmo com a destruição da Amazônia. Mas isso é até o dia em que se rompe a capacidade de compensação, e é esse nível que estamos atingindo hoje em relação aos serviços ambientais. É muito sério, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.

O que o sr. está dizendo?

Agora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. Não adianta mais dizer “vamos reduzir a taxa de desmatamento anual.” Temos que fazer frente ao passivo, é ele que determina o clima.

Tem quem diga que parte desses campos de futebol viraram campos de soja.

O clima não dá a mínima para a soja, para o clima importa a árvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, não tem dossel, tem raiz curta, não é capaz de bombear água. Os sistemas agrícolas são extremamente dependentes da floresta. Se não chegar chuva ali, a plantação morre.

O que significa tudo isso? Que vai chover cada vez menos?

Significa que todos aqueles serviços ambientais estão sendo dilapidados. É a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu – aí não tem mais eletricidade. É de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amazônia. É essa a dimensão dos serviços que estamos perdendo. Estamos perdendo um serviço que era gratuito que trazia conforto, que fornecia água doce e estabilidade climática. Um estudo feito na Geórgia por uma associação do agronegócio com ONGs ambientalistas mediu os serviços de florestas privadas para áreas urbanas. Encontraram um valor de US$ 37 bilhões. É disso que estamos falando, de uma usina de serviços.

As pessoas em São Paulo estão preocupadas com a seca.

Sim, mas quantos paulistas compraram móveis e construíram casas com madeira da Amazônia e nem perguntaram sobre a procedência? Não estou responsabilizando os paulistas porque existe muita inconsciência sobre a questão. Mas o papel da ciência é trazer o conhecimento. Estamos chegando a um ponto crítico e temos que avisar.

Esse ponto crítico é ficar sem água?

Entre outras coisas. Estamos fazendo a transposição do São Francisco para resolver o problema de uma área onde não chove há três anos. Mas e se não tiver água em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a região que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geográfico e vire deserto? Vamos buscar água no aquífero?

Não é uma opção?

No norte de Pequim, os poços estão já a dois quilômetros de profundidade. Não tem uso indefinido de uma água fóssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. É um estoque, como petróleo. Usa e acaba. Só tem um lugar que não acaba, o oceano, mas é salgado.

O esforço de guerra é para acabar com o desmatamento?

Tinha que ter acabado ontem, tem que acabar hoje e temos que começar a replantar florestas. Esse é o esforço de guerra. Temos nas florestas nosso maior aliado. São uma tecnologia natural que está ao nosso alcance. Não proponho tirar as plantações de soja ou a criação de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as Áreas de Proteção Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. Não só na Amazônia. Aqui em São Paulo, se tivesse floresta, o que eu chamo de paquiderme atmosférico…

Como é?

É a massa de ar quente que “sentou” no Sudeste e não deixa entrar nem a frente fria pelo Sul nem os rios voadores da Amazônia.

O que o governo do Estado deveria fazer?

Programas massivos de replantio de reflorestas. Já. São Paulo tem que erradicar totalmente a tolerância com relação a desmatamento. Segunda coisa: ter um esforço de guerra no replantio de florestas. Não é replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto não tem este papel em relação a ciclo hidrológico, tem que replantar floresta e acabar com o fogo. Poderia começar reconstruindo ecossistemas em áreas degradadas para não competir com a agricultura.

Onde?

Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em áreas íngremes. Em vales onde só tem capim, tem que plantar árvores da Mata Atlântica. O esforço de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais rápida forma possível.

E o desmatamento legal?

Nem pode entrar em cogitação. Uma lei que não levou em consideração a ciência e prejudica a sociedade, que tira água das torneiras, precisa ser mudada.

O que achou de Dilma não ter assinado o compromisso de desmatamento zero em 2030, na reunião da ONU, em Nova York?

Um absurdo sem paralelo. A realidade é que estamos indo para o caos. Já temos carros-pipa na zona metropolitana de São Paulo. Estamos perdendo bilhões de dólares em valores que foram destruídos. Quem é o responsável por isso? Um dia, quando a sociedade se der conta, a Justiça vai receber acusações. Imagine se as grandes áreas urbanas, que ficarem em penúria hídrica, responsabilizarem os grandes lordes do agronegócio pelo desmatamento da Amazônia. Espero que não se chegue a essa situação. Mas a realidade é que a torneira da sua casa está secando.

Quanto a floresta consegue suportar?

Temos uma floresta de mais de 50 milhões de anos. Nesse período é improvável que não tenham acontecido cataclismas, glaciação e aquecimento, e no entanto a Amazônia e a Mata Atlântica ficaram aí. Quando a floresta está intacta, tem capacidade de suportar. É a mesma capacidade do fígado do alcoólatra que, mesmo tomando vários porres, não acontece nada se está intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resiliência que tínhamos, com a floresta, fique perdida.

Aí vem uma flutuação forte ligado à mudança climática global e nós ficamos muito expostos, como é o caso do “paquiderme atmosférico” que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, não aconteceria, porque a floresta resfria a superfície e evapora quantidade de água que ajuda a formar chuva.

O esforço terá resultado?

Isso não é garantido, porque existem as mudanças climáticas globais, mas reconstruir ecossistemas é a melhor opção que temos. Quem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harmônica, de serviços agroecossistêmicos. Não tem nenhuma razão para o antagonismo entre agricultura e conservação ambiental. Ao contrário. A agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas. E, por iniciativa própria, replantaria a floresta nas suas propriedades.

Depoimentos do cientista Antonio Nobre, em video

** Antóniio Nobre TED X Amazônia: www.youtube.com/watch?v=HYcY5erxTYs

**Antônio Nobre: a tecnologia da floresta é insubstituível” : https://www.youtube.com/watch?v=26HRlaxDqkw

 

A DENÚNCIA É MUITO GRAVE E PRECISAMOS NOS POSICIONAR, SE NÃO FOR PENSANDO EM NÓS MESMOS, PENSANDO NAS CRIANÇAS QUE ESTÃO AÍ E NAS QUE ESTÃO NASCENDO.

FELIZ NATAL!

POEMA DE NATAL

Marcos Luedy

Disse-me a fada madrinha

ao recortar as asas

do meu trenó estrelado:

– Vai, Noel, desce

àquele cruel descampado

e cumpra a sua sina

torna seu corpo, pesado

beija essa terra de insanos

sofra como eles sofrem

e anda como eles andam…

 

E eu, tão acostumado

aos voos interplanetários

tomei das suas mãos, minhas penas

e mergulhando-as em lágrimas

desci e tinturei de cores

e brilhos e risos e poemas

e presenteei de amores

– uma vez, a cada ano –

a noite de todos os homens.

 

Faz tempo que não escrevo, nem para o blog, nem para o jornal. Alguma coisa se transformou e, embora sinta vontade de escrever, as palavras ficam dentro de mim. Grandes mudanças estão acontecendo em meu ser.

Hoje tive vontade de desejar a todos vocês um Natal Feliz, um ano melhor, mas minha desesperança em nossos governantes me impede de fazê-lo.

Perdi a crença em nossos políticos. Acredito que eles só queiram tirar vantagem na relação que têm com o povo. E pegar muito dinheiro… Mas, deixa eles prá lá.

Desejo tudo de melhor para todos vocês.

Pensem em construir um mundo melhor, pensem que podemos ajudar as pessoas e fazer deste mundo um lugar melhor para se viver.

Assim estaremos construindo um FELIZ NATAL!

20 DE SETEMBRO DE 2014

 

No último dia 20 de setembro um grupo e pessoas se reuniu em Olivença para limpar as praias da localidade. A iniciativa não é novidade, mas, é sempre bom lembrar desta necessidade, já que, as pessoas acabam esquecendo que, melhor que limpar as praias é não sujá-las.

A iniciativa é baseada em um projeto da ONG Center for Marine Conservation (CMC). A CMC é uma ONG Americana criada em 1972 e realizou seu primeiro dia de limpeza de praias em 1986. Na ocasião 2.800 voluntários participaram da coleta de 124 toneladas de entulho do litoral do Texas, USA. Em 1988 o evento se tornou nacional, com a participação de 47.500 voluntários, e já no ano seguinte se tornava internacional com a participação de voluntários do Canadá e do México. Em 1998 o evento teve a participação de mais de 340.000 voluntários em mais de 75 países, sendo que no Brasil 1.446 pessoas participaram recolhendo 8.169 quilos de lixo em 94,6Km de praias.

Durante este evento, que sempre ocorre no terceiro sábado de setembro, os voluntários vão às praias coletar o lixo lá depositado diretamente pelos usuários locais ou por descargas no mar por navios ou por rios. Cada voluntário além de coletar o lixo anota em um formulário padrão as quantidades recolhidas de cada ítem que compõem o lixo sólido. Estes dados são utilizados pela CMC para fazer estatísticas que retratem o estado de poluição dos oceanos de nosso planeta. Isto é necessário para que se possa fiscalizar se as nações signatárias da Convenção Internacional de Prevenção de Poluição advinda de Navios (International Convention for the Prevention of Pollution from Ships), mais conhecida como MARPOL, estão cumprindo este tratado, que trata do lixo sólido. A Organização das Nações Unidas (ONU) apóia este evento, como instrumento de fiscalização.

(fonte: http://www.praiaseca.com.br/ambiente/cleanday/apresent.htm – acesso em 05 de setembro de 2014)).

O evento contou com o apoio das seguintes instituições:

Escolas Jorge Calmon, Escola Nucleada de Olivença, Centro Cultural de Olivença, COOLimpa, Cabana Canoa, Projetos Escolinha de Surf e Onda da Leitura.

Parabéns aos organizadores e participantes.