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Archive for the ‘Bataclan’ Category

Bataclan

Há mais ou menos dois anos, um amigo muito querido, Adson Nobre me procurou em nome da direção do Espaço Cultural Bataclan, com a proposta de que eu escrevesse um texto para um pequeno livro que eles gostariam de publicar, como peça de propaganda do empreendimento, para os turistas levarem como lembrança. Fiquei muito feliz, gosto destes trabalhos, destes desafios. Mas não foi fácil.

Na época procurei o saudoso e querido Barão de Popof pedindo-lhe que me concedesse uma entrevista. O amigo, também um contador de histórias, me disse que, quando chegou a Ilhéus, ainda criança, o Bataclan não existia mais. Falou-me do prédio, que estava dividido em duas partes, onde no piso térreo havia um armazém que guardava a carga trazida pelos navios e que tinha como destino o interior. O meio de transporte para esta carga era o trem, cuja ferrovia, a “The State of Bahia South Western Railway Company Limited”, funcionou até o início dos anos 1970.

Pois bem, há quem diga que o Bataclan nunca existiu. Não sei, mas desconfio que não mesmo, afinal jamais encontrei qualquer vestígio dele. Do Vesúvio, que também foi assunto de uma pesquisa que fiz, e cujo texto está pronto há bastante tempo, esperando publicação, os jornais noticiam muitas coisas, desde sua fundação. Mas, do Bataclan, nada. Isto me faz desconfiar que o Bataclan de Ilhéus seja uma criação do grande escritor Jorge Amado, que possuía a capacidade de transformar fantasia em realidade. Recentemente, quando da tragédia terrorista em Paris na boate Bataclan, acendeu uma luz em minha cabeça. Seria este nome copiado do estabelecimento francês, que é anterior à obra Gabriela, escrita em 1959? Jorge morou na França e devia conhecer Paris muito bem. Não sei se acharei alguém que possa me dar esta resposta.

Uma coisa é certa. Entretanto, se o Bataclan de Ilhéus existiu, quem lhe deu todo aquele glamour foi, sem dúvida o escritor grapiúna.

Escrevi o texto e soube que o livro seria lançado no final do mês de janeiro, mas não fui comunicada, a não ser pela ligação que recebi de Adson, fiel amigo. Nem sei mesmo se o lançamento ocorreu de fato.

Estive em Ilhéus no início de janeiro, passei poucos dias, fui ver minha tia querida. Foi muito rápido, mas não deixei de passar no Bataclan, queria adquirir o livro, queria ver o resultado do meu trabalho. Gostei. Ficou muito bonito o trabalho gráfico da Via Literarum. E linda a capa de Goca Moreno.

Sobre o Bataclan escrevi o seguinte em janeiro de 2012: “Portanto, o espaço destinado a exposições, o quarto idealizado por Jorge Maron, e o que mais lá tiver, estão em perfeita harmonia com um espaço turístico moderno e bem aparelhado, que veio enriquecer em muito nosso equipamento destinado ao turismo cultural. Além disso, parece que ele veio também para mexer com nossas frustrações referentes ao declínio da cultura cacaueira e, mexendo com isso, nos ajudar a recuperar nossa autoestima”.

O livro tem cerca de 50 páginas e conta um pouco sobre o que apuramos de sua enigmática história. O restante, encontramos no livro Navegação de Cabotagem, de Jorge Amado. Ele conta diversas passagens acontecidas no espaço.

A esta altura do campeonato, não importa se o Bataclan existiu ou não, importa que ele exista e seja bem cuidado para enriquecer o patrimônio cultural de Ilhéus.

Está pronto o livro do Vesúvio, esperando vir a ser publicado. Não sei se o será, mas, acredito que, sobre a história de Ilhéus, não sairá mais nada. Meu blog, “Ilhéus com amor” não sairá do ar, continuarei respondendo às perguntas feitas pelos leitores, mas deixarei de alimentá-lo com matérias. E continuará a ser útil a quem quiser conhecer Ilhéus, a Terra do Sem Fim de Jorge Amado.

Estou começando minha história em Aracaju, com novos temas, novos assuntos e já está no ar um novo blog: Educação, Cidadania e Meio Ambiente, onde publicarei meus novos trabalhos.

Todos estão convidados a acessá-lo no site mlheine.com.br.

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Enviado por Adson Nobre*

Bataclan

Na última quinta-feira, foi apresentado no Bataclan, espaço cultural e gastronômico, o Projeto Cultural “Amar Amado – Festival Literário e Artístico de Ilhéus” em comemoração ao centenário de Jorge Amado e que contará com os eventos “Beber Amado, Ler Amado, Ouvir Amado, Ver Amado e Amar Amado”. O evento acontecerá entre os dias 04 e 12 de Agosto, no Centro Histórico de Ilhéus e será realizado pela Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural do Município e da Maná Produções, em parceria com o Desenbahia, Banco Nacional do Nordeste, Sky e Tam Viagens.

Em clima de descontração, iniciou-se uma contagem regressiva para o centenário de um dos mais importantes autores do país, e com obras reconhecidas em todo o mundo, que eternizou São Jorge dos Ilhéus em seus romances, de forma “poética”, contando a história da cidade através da saga dos coronéis do cacau. O grupo teatral Maktub, representando o Coronel Horácio da Silveira e as meninas de Maria Machadão, recepcionou os convidados, levando-os a uma viagem até o cenário que serviu de inspiração para que Jorge Amado pudesse descrever em uma de suas obras primas, Gabriela Cravo e Canela, a casa na qual os coronéis da década de 20 se divertiam em uma das cidades mais ricas do país. A cantora Gabriela Maia, que em Agosto estreia seu show “De Gabriela para Seu Amado”, encantou o público presente, com um repertório que contemplou clássicos da música baiana, com uma participação pra lá de especial de um dos maiores talentos da região, Anne de Cidra, que emocionou os convidados com Resposta ao Tempo, de Nana Caymmi e Explode Coração, de Maria Bethânia. Entre as iguarias servidas, os convidados puderam degustar, além dos já tradicionais acarajé e cocadinhas, um menu especial, com kibe cru de peixe e moqueca de jaca com pitu, acompanhado de arroz de coco, assinado pelo chef do Bataclan Paulinho Martins, um dos grandes nomes da gastronomia nacional.

Entre os convidados, o prefeito da cidade, Newton Lima, o diretor da Maná produções, André Guimarães, um dos responsáveis pelas comemorações do Centenário em Ilhéus, a gerente de marketing da Sky, Claudia Benevut, a Reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz, Adélia Melo Pinheiro, o presidente da Fundação Cultural de Ilhéus, Maurício Corso, os representantes da família Amado, João Jorge e Jorge Amado Neto, João Carlos Oliveira, chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Turismo.

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“O projeto será o ápice das comemorações em homenagem a Jorge Amado. A cidade de Ilhéus com seus casarões, igrejas, histórias e imagens é, sem dúvidas, o palco ideal para celebrar os 100 anos de um dos mais importantes escritores da literatura brasileira”, ressalta André Guimarães.

A anfitriã da noite, Taís Tomich, responsável pelo Bataclan, externou sua felicidade e emoção em fazer parte do centenário de um autor que conheceu através dos livros, mas que diariamente, através do seu trabalho, ela revive as estórias amadianas. Para os produtores culturais e consultores de Marketing da casa, Adson Nobre e Telma Camargo, o Bataclan irá fazer um convite ao público presente no centenário para conhecer a obra amadiana através da gastronomia e da cultura. “Nós estamos nos preparando para fazer um festival para Jorge e por isso existe todo um empenho em mostrar à cidade, e ao mundo, um Bataclan que não só esteve presente nos livros, mas que permanece vivo para quem quiser ver, sentir, ouvir e saborear”, afirma Adson Nobre.

Dentre as ações previstas para a Semana de Jorge Amado está a revitalização do quarteirão Jorge Amado, com obras de restauro, mudança de fluxos e troca de fiação aérea, por subterrânea. A agenda do evento é extensa e irá promover, além de shows musicais e festival gastronômico, mostra de cinema e dança, festival de teatro e feira literária. A Fundação Cultural de Ilhéus estará lançando editais de seleção e premiação de artistas nas categorias: artes cênicas, música, dança e artes plásticas e visuais. Entre as atrações musicais confirmadas estão Margareth Menezes, a Orquestra Sinfônica da Bahia, a Família Caymmi e Caetano Veloso. Já no campo literário, estão entre os convidados, os autores Ruy Espinheira, Marina Colasanti, João Ubaldo Ribeiro e Affonso Romano.

Com certeza Ilhéus será digna de uma programação à altura de Jorge, tão merecida homenagem, tanto ao autor quanto ao cenário de seus livros, uma vez intitulada cidade romance do Brasil, cujos cartões postais, imortalizados nas obras daquele autor, foram palco de tantas estórias que hoje fazem a história tão rica dessa cidade, orgulhar aqueles que aqui nasceram ou que aqui descobriram o seu amor por ela. Quem ama Ilhéus é Amado. E para finalizar, deixo que o próprio Jorge afirmou: “É de Ilhéus que nasce o que de mais puro e sensível, o que de mais belo possa ter o que escrevi. Ilhéus como tema me inspirou, marcou de forma profunda o que escrevi de alma e corpo, as coisas que quis dizer em todo o meu trabalho literário da decorrência de toda a minha vida, onde tantas coisas aconteceram e acontecem com aspectos tão diferentes e diversos à realidade mais distante e, por consequência, a realidade fundamental em Ilhéus”.

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*Assessor de Comunicação e Marketing & Produtor Cultural – Bataclan

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