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Archive for the ‘Crônicas’ Category

(NOT A WONDERFUL WORLD)

Já faz um bom tempo que não escrevo uma linha sequer. Não sinto vontade. Não é que falte assunto ou ideia. Por diversas vezes, muitas, a ideia veio, sentava-me em frente ao computador e, após alguns minutos, fechava o arquivo, sem nunca mais abri-lo. Uma espécie de desânimo tomava conta de mim e durante vários meses nem uma linha foi para o papel.

Os últimos seis meses foram de grande transformação em minha vida. Depois de quarenta anos morando em Ilhéus, completados em setembro, decidi me mudar. Não foi nada planejado e por muitas vezes ensaiei escrever uma crônica contando minha decisão, mas não consegui fazer o que faço agora.

De repente achei que não havia mais espaço para mim em Ilhéus, não tinha mais o que fazer aí. Por tanto tempo viajando para Salvador, enquanto fazia o doutorado, percebi o quanto a cidade encontra-se estagnada, eu precisava buscar novos horizontes. Tive muitas decepções com os políticos locais, não quero mais saber de política partidária, é muita sujeira, muito interesse pessoal em detrimento do interesse da população. Às vezes penso que esta mudança pode demonstrar covardia da minha parte, fuga. Não sei, pode ser. Mas acho que tenho que fazer coisas que me dão prazer, e eu já não me sentia feliz em, por exemplo, escrever sobre a rica história desta cidade, sobre sua cultura, e não adiantar nada, pois nosso patrimônio histórico e cultural está se acabando. Fui traída por pessoas em quem confiava e em quem acreditei; fui enganada.

Outro ponto que me deixou triste e influiu em minha decisão foi em relação à UESC, instituição onde construí minha carreira acadêmica. Meu trabalho acadêmico jamais foi reconhecido pela instituição, que manteve, sempre, suas portas fechadas para mim. O último evento foi negarem, de forma duvidosa, a homologação da minha inscrição em um concurso. Em contrapartida, a UNEB, onde fiz meu doutorado, me abriu as portas, convidando-me a trabalhar no Mestrado Profissional, onde posso fazer o que gosto. Por isto serei eternamente grata, já que, estou naquela fase da vida onde percebemos que o Brasil não tem respeito pelo idoso. Essa descoberta pessoal tem me incomodado bastante. E aí é que a gente pode compreender o que tantos já disseram sobre o assunto. A gente estuda, estuda e, quando tem oportunidade de compartilhar o que aprendeu, é simplesmente descartado.

Em Ilhéus tenho muito a agradecer, pelo carinho de um número muito grande de pessoas, sobretudo pelos leitores das minhas matérias, por aqueles que me encontram nas ruas e me cobram a falta delas; gostaria muito de não decepcioná-las, mas tem sido mais forte que eu. Perdi a vontade de escrever sobre a história da cidade porque não acredito que o que já fiz esteja servindo para alguma coisa. Agradeço ao carinho imenso dos meus alunos muito queridos.

Confesso que estou cansada. De repente caiu a cortina dos sonhos e vejo um mundo muito feio construído pelos seres humanos em um planeta azul e maravilhoso. A obra de Deus é linda, mas o mundo dos homens não é maravilhoso como diz a música de Louis Armstrong (What a wonderfull world), tão tocadas nos últimos tempos.

Encontro-me em uma fase da vida que começa a ver o mundo de modo mais crítico e sem muita esperança de que possa ver alguma mudança. Tenho refletido muito sobre este ser, do qual faço parte, e que se diz humano. Humano? Como?

Assistir aos jornais na TV equivale a uma seção de sadomasoquismo. A Cidade Maravilhosa, eterna “capital do Brasil”, vem matando por nada e por qualquer coisa (a moda agora é matar com faca); as pessoas estão “sobrando” em seus países e não encontram onde ficar, simplesmente para viver, algo que parece tão simples. Ninguém as quer. Acontece isso na África e em países da Ásia. O tráfico de pessoas é intenso e não muito diferente da época maldita da escravidão. Tenho visto tanta coisa feia realizada pelos humanos que sinto vergonha de ser um deles. Sinto muita pena das crianças que estão nascendo, sem ao menos poderem compreender o que vão encontrar. Não dá para falar em ética, porque a corrupção está por toda parte; tanto no alto escalão da política nacional, como também em nosso dia a dia, nas relações mais simples. As pessoas perderam o respeito às normas, às leis, às outras pessoas. Bagunçou geral.

Apesar do desânimo… Quando tudo isso é evidente, a TV traz uma notícia que demonstra que nem tudo está perdido, ainda podemos ter esperança (?). Um piloto de táxi aéreo, de pequenos aviões, chamado Osmar Frattini, num lampejo de calma e sangue frio, portador de muita luz, é capaz de colocar o avião no chão, salvando a si mesmo e mais oito pessoas. Muito diferente do louco “alemão” Andreas Lubitz, que optou por se matar e a mais 149 pessoas que queriam viver.

Nossa diferença em relação a outros seres é que podemos escolher entre o bem e o mal, entre ser bom ou ser mau, conscientes do que estamos fazendo. Eis o mistério do ser-humano, sua miséria e sua grandeza.

 

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QUAL DAS DUAS? A ESCOLHA É NOSSA.

ESTOU DE VOLTA. ESCREVER É PRECISO.

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Quando Lu me ligou avisando que você havia passado no vestibular da UFBA, a primeira sensação foi de alegria, uma alegria enorme; depois veio uma sensação de alívio, aquela coisa: ela conseguiu! Que bom!

Depois foi um filme que passou em minha cabeça. Retornei ao passado, até o dia do seu nascimento, até mesmo antes, quando sua mãe me ligou dizendo: “Mãe, Luiza vai chegar”.

No dia 19 de abril, vai completar 17 anos, eu já estava em Salvador esperando sua chegada, naquela ansiedade – será que é hoje? Mas você, como sua mãe, parecia não ter pressa, lá dentro deveria estar tão bom, não é mesmo? Numa sexta-feira seus pais saíram para mais um exame de rotina, para ver o que o médico iria dizer. Foi quando Tina me ligou ansiosa: “Mãe, pega minhas coisas e vai para o hospital, pois Luis (o médico) disse que vai operar agora. Ah! Liga para minhas amigas (colegas médicas) a avisa, pois Paula vai fotografar o parto e Ana Paula vai filmar”.

Quem já passou por isso sabe a agonia que dá. Você entra e sai, pega uma coisa e esquece outra, não enxerga o que está na sua frente e até sair vai e volta um montão de vezes. Ah!, eu não podia esquecer de ligar para as amigas, que eram mais do que as duas citadas. Liguei para a primeira, para a segunda, muito firme, falando rápido, pois tinha pressa. A última a ser comunicada foi Ana Paula, a pediatra. Aí eu desabei, já não tinha mais firmeza nenhuma. O nó da garganta que eu havia segurado com tanta firmeza, desatou, e, com a voz embargada, comuniquei-lhe sua incumbência. Depois ela contou o fato a Tina, e que havia perguntado a sua mãe: “Por que a mãe de Tina está chorando?” No que recebeu como resposta: “Um dia você vai ter filhos… e quando nascerem seus netos você vai entender”. Continuo afirmando que a emoção de ter um neto, só pode compreender quem já passou por isso.

Aí, depois que você nasceu eu chorei muito mais; tudo e qualquer coisa era um motivo. Você foi crescendo e uma amizade muito forte e inexplicável foi nascendo entre nós. Inexplicável porque você morava em Salvador e eu em Ilhéus. Eu ia lhe ver com frequência, mas, estava distante. Quando eu chegava lá você grudava comigo, e queria me mostrar tudo que para você era novidade. Isso com apenas, pouco mais de um ano.

Lembrei do seu aniversário de quatro anos, quando você já sabia ler muitas palavras, pois, desde os três e meio, já demonstrava uma enorme curiosidade. Falava muito explicado, e ficava perguntando a sua mãe os nomes das lojas: “o que está escrito ali?” Uma vez obtida a resposta, ficava fotografada em sua memória. Quando via novamente já mostrava, apontando, e repetia o que já havia aprendido. Um pouco antes do seu aniversário de quatro anos liguei para perguntar o que você queria de presente de aniversário. Ao que você me respondeu: “um livro”. Até bem pouco tempo atrás isso se repetiu. Você reservava para que eu lhe desse, como presente de aniversário, um ou mais livros. Você sempre teve muita intimidade com as letras e com os números.

Outra lembrança que me veio à memória foi a historinha da matemática. Você já sabia ler, mas ainda não havia aprendido as operações matemáticas. Tina passava exercícios para que você treinasse, e quando você não gostava do que havia sido solicitado, você ficava brava. Nós ríamos muito.

Pensei também na primeira vez que você ficou aqui para passar as férias. Seus pais foram embora chorando, quando você ficou muito bem comigo, acenando com a mãozinha.

Minha filha querida, você sabe do imenso amor que tenho por você. Sabe que lhe desejo tudo de melhor. Agradeço a Deus pelos dons que lhe deu e, como na parábola bíblica, peço a Ele que você saiba, sempre, multiplicá-los, como tem feito até agora.

Peço a Deus que lhe ilumine sempre, e que jamais permita que você se torne convencida de qualquer coisa, que saiba que, por mais que estudemos, nunca sabemos o suficiente, muito mais há para se aprender. A humildade é grande companheira. O respeito pelo outro, pelo direito do outro, a ética e a generosidade são qualidades de um bom profissional; são estas qualidades que lhe dão a verdadeira competência. Mais do que as conquistas conseguidas são os valores que nos tornam humanos.

Você, apesar da pouca idade, já demonstra a mulher que vai ser: educada, bonita, dedicada ao estudos, determinada. Se mamãe estivesse aqui, ficaria orgulhosa de você.

Obrigada pela felicidade que tem nos proporcionado, ao longo desses 17 anos.

Que Deus lhe abençoe sempre!

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MÉDICO E PROFESSOR

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Em 15 de outubro comemora-se o “Dia do Professor”; no dia 18 deste mesmo mês, comemora-se o “Dia do Médico”. Embora possamos até contestar estas comemorações, e muitas outras, como sendo jogadas comerciais, entendo que é muito importante realçarmos a importância destes profissionais. Nestas minhas conversas semanais tenho escrito sobre a saúde e sobre a educação. Saúde e educação são conceitos teóricos cuja prática é realizada pelos profissionais que nelas atuam.

Lamentavelmente em nosso país, as políticas públicas para estas duas imensas necessidades do ser humano, como indivíduo e como ser social, estão necessitando de muitos ajustes, de mudança de rumo.

Sobre a saúde, podemos lamentar, de novo, a situação de nossos hospitais que, quando procurados no final de semana, lá não encontramos o profissional de saúde adequado. Se tem cirurgião falta anestesista, se tem médico, não tem leito; e muitos outros tipos de deficiências, sem contar a Maternidade Santa Isabel, fechada há tanto tempo, onde encontrávamos o conforto que precisávamos. Mesmo em uma época aonde a tecnologia não chegava perto do que existe hoje. E o São José necessitando de ajuda e até de campanhas públicas para se manter funcionando.

Por outro lado, as escolas estão em situação de descalabro; não há manutenção, os professores devem trabalhar no improviso, “na criatividade”, sem receber o respeito do aluno e de sua família.

Nem sempre foi assim. No meu ponto de vista a situação piorou. É verdade que não foi só em Ilhéus, ela existe em todo o país. É, portanto, uma situação nacional e não local.

Vejamos nossas escolas antigas. O General Osório, quando de sua construção foi um primor; está próximo de completar cem anos – correndo o risco de desabar. O IME também foi construído com todo esmero, licitação pública, para o que havia de melhor no Rio de Janeiro; também o CEAMEV, além de muitas outras que foram surgindo. Insisto que precisamos repensar nosso sistema educacional e o de saúde. A situação nos deixa envergonhados.

Deixando o desabafo, fica o meu respeito pelo médico e pelo professor, que têm que improvisar para conseguir cumprir sua missão, para conseguir desempenhar a profissão que escolheram. E nem sempre são reconhecidos.

Gostaria de relembrar aqui o nome de alguns médicos e professores que dignificaram suas profissões, e ajudaram a escrever a história da cidade de São Jorge dos Ilhéus. Peço perdão pelos que ficaram esquecidos, por desconhecimento ou por esquecimento.

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RAIMUNDO PACHECO LEOPOLDO CAMPOS MONTEIRO
SOARES LOPES JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO FILHO
JOSÉ MOURA COSTA MILTON SANTOS
NELSON D’OLIVEIRA SANTOS WASHINGTON LANDULFO
ARISTEU CAMPOS GILVAN QUEIRÓZ
HERNANI SÁ MÁRIO FERNANDES
MÁRIO PESSOA   OSVALDO RAMOS

Médicos

 

Professores

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“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”

Martin Luther King

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Estamos chegando ao tempo da política; ano que vem teremos eleições, este compromisso bienal que temos, de cumprir nosso “dever cívico”, de exercer “nossa cidadania”. A coisa funciona da seguinte maneira: em um ano prepara-se a eleição, no seguinte, a mesma acontece. Não se pensa em outra coisa, talvez seja por este motivo que quase nada se faz de concreto.

É muito comum ligarmos a TV e encontrarmos um político falando. O mundo do qual eles falam é maravilhoso, é a Ilha da Fantasia. E isso não é só no Brasil, acontece em todos os cantos do mundo, em todos os continentes. Se acreditarmos no que eles dizem, com aquele ar de que já está tudo resolvido, deixa qualquer pessoa de boa fé entusiasmada, pois nada de ruim nos acontecerá com um “defensor” daqueles.

E aí eu fico me perguntando: o que tem o poder que transforma tanto as pessoas? Ou elas já enganavam quando faziam promessas?

Quando minhas filhas eram pequenas, eu gostava de viajar na fantasia delas e o mundo delas era real, porque existia em suas cabeças. Certa vez, quando Tina estava com cerca de três anos, Rui achava um absurdo enganar as crianças com a história de Papai Noel. E disse a ela claramente que tudo aquilo era invenção, que Papai Noel não existe. Foi muito complicado, pois quando, no Natal fomos ao Shopping, ela ficou maravilhada e chegou em casa contando a grande novidade: “Papai Noel existe, eu vi!”. Aprendi muito com essa história. O mundo real da criança é diferente do nosso, mas não é feito de mentira, é algo que já impressionava os filósofos gregos, quando falavam de mundo real e mundo ideal, o mundo das idéias.

Mais tarde, foi a vez de Lu, minha filha mais nova, que tinha um cachorrinho imaginário, que a acompanhava por todo lugar. É evidente que ele existia. Ela costumava sentar no chão para almoçar e, a cada colher que ia até sua boca, outra era colocada no chão para que o cachorro se alimentasse. Esse animalzinho durou um bom tempo e do jeito que nasceu, foi embora, sem traumas e sem sequelas.

Com Luiza convivi menos, mas vivemos várias fantasias juntas, pois nunca me senti no direito de podar a imaginação das crianças; nem das minhas filhas, nem de qualquer outra. Agora é com Letícia. Quando ela está fazendo birra, brutalidade, em vez de brigar, de bater, começo a conversar com ela e nossa fantasia vai longe. Ninguém sabe, só nós duas sabemos, que existe um tubarão ruim que sai da baía do Pontal e vem tomar banho na piscina da pousada, mas vem também um golfinho que é amigo e o tubarão foge morrendo de medo. E, muitas vezes, ela dorme me ouvindo contar essas histórias que vou inventando na hora. Tudo isso é fantasia, é saudável, estimula a criança e desenvolve sua imaginação.

Por outro lado, na Bíblia está escrito: “…E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”. A verdade é um caminho para a Liberdade, outro conceito difícil de ser compreendido, e estes conceitos representam duas buscas filosóficas do ser humano.

A contradição humana me intriga e me inquieta. Por que o homem sonha com a verdade, e mente o tempo todo? A Verdade como meta filosófica fica distante e inalcançável quando vemos o dia-a-dia das pessoas. Quem é verdadeiro o tempo todo? Os políticos mentem mais, mas o próprio contexto social é falso e mentiroso. As pessoas usam máscaras para não revelar o que pensam e gostam e seguem a máxima de “negar sempre”. As pessoas mentem e a negação acaba virando verdade.

Longe de mim achar que sou dona da verdade. Tudo que escrevo, não pretende ser, de forma nenhuma, a verdade absoluta; são reflexões de uma pessoa cujo prazer maior está em ler e refletir sobre o que lê e sobre o que vê, e tem uma necessidade enorme de saber mais e de compreender o mundo dos homens e a cabeça das pessoas.

Mas causa revolta assistir de camarote ao que está acontecendo em nosso país. A falta da verdade, enganar as pessoas, fazer com que elas pensem que devem ter muitos filhos para ingressar nos programas assistencialistas do governo é algo muito forte.

Eu acredito na possibilidade de um mundo melhor. Mas não no caminho que estamos trilhando. Nesse mundo de miséria, de fome, com tráfico de drogas, com a pouca vergonha dos políticos que, visivelmente, superfaturam as contas públicas e promovem o auto-enriquecimento ilícito. Será que essas pessoas não têm consciência? Será que elas não sentem nada, quando assistem a miséria e a fome batendo na porta de milhões de brasileiros?

E aí eu me lembrei de uma passagem de Terras do Sem Fim, onde um personagem pergunta: você não sente nada? Não sente nada por dentro?

Que mundo é esse em que se valoriza mais o TER que o SER?

Esta crônica é uma homenagem àquelas pessoas que dignificaram o ser humano: Gandhi, Luther King, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, e muitos outros mais.

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Fotos retiradas da internet

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A igreja da Vitória é um belo prédio do nosso patrimônio cultural, inclusive pela localização, mas não está entre os monumentos considerados importantes, pois ela foi completamente modificada depois que sofreu vários incêndios. Segundo os historiadores e segundo os conceitos mais modernos de patrimônio cultural, pode-se afirmar que esta igreja representa um patrimônio cultural de singular valor, pois traz toda uma lenda que envolve a fé cristã dos colonos portugueses à época das invasões francesa e holandesa no Brasil e uma tradição de fé que perdura até nossos dias.

Segundo Macedo e Ribeiro (1999): “A igreja de Nossa Senhora da Vitória possui uma tradição de ser um dos mais antigos templos católicos do Brasil. Segundo o Orbe Seráfico, de Jaboatão, o templo erguido em meados do século XVI, tem sua origem ligada ao início dos confrontos armados entre os colonos de Ilhéus e a nação Aimoré”. Borges de Barros (1981) afirma que essa igreja está entre os templos mais antigos da Vila de São Jorge e já foi chamada de Nossa Senhora da Neves; depois é que teve seu nome trocado.

Os aimorés entraram em luta com os colonos na capitania de Porto Seguro e se apoderaram da mesma, estendendo seus ataques até a zona rural de Ilhéus, destruindo plantações e engenhos e matando diversas famílias. Os colonos que habitavam a vila de São Jorge reagiram, resistiram e conseguiram afastar os indígenas. Vencer a luta, fato que parecia impossível, fez com que as famílias dos colonos atribuíssem a vitória a uma mulher muito branca, que foi vista por muitas pessoas, inclusive por alguns indígenas, lutando ao lado dos colonos. Na luta com os franceses, os habitantes da cidade eram em menor número, mas, chefiados pelo mais valente, um mameluco chamado Antonio Fernandes, que tinha por alcunha, o Catucadas, por causa da forma como abatia o inimigo. De acordo com Borges de Barros, vinte ilheenses abateram cinquenta e sete franceses.

Historicamente a igreja da Vitória serviu de fortaleza aos ilheenses, quando ocorreram ataques por piratas à vila: franceses, em 1595, e holandeses, em 1638. O dia 15 de agosto é comemorado pela tradição católica como o dia da Assunção de Nossa Senhora, a mãe de Jesus. Nesse dia, é comemorado na cidade de Ilhéus, o dia de Nossa Senhora da Vitória, uma das padroeiras da cidade.

O frei Agostinho de Santa Maria, no “santuário mariano”, conta fatos e fornece informações sobre as imagens da Virgem existentes na vila. Diz ele que, como a imagem primitiva que existia na vila estivesse muito estragada, foi mandada fazer outra em Lisboa, no ano de 1680. Esta imagem teria chegado estragada em Ilhéus, porque a embalagem não havia sido bem feita. Ela teria sido mandada esculpir por um morador da vila de nome Manoel da Costa. Nessa mesma época, um outro devoto, chamado Manoel Dias Filgueiras, rico negociante em Salvador, arrematante do imposto do sal, mandou construir uma nau em Ilhéus. Ao sair da perigosa barra, a embarcação não naufragou por pouco, após ele invocar a ajuda de Nossa Senhora. Em agradecimento ele enviou a imagem danificada para Lisboa, para ser consertada, e ela voltou em perfeitas condições.

No ano de 1887, um incêndio destruiu a igreja com suas imagens, inclusive aquela trazida de Lisboa no século XVII. A imagem que existe atualmente na igreja foi entalhada em Salvador e data do século XIX. A igreja passou um tempo abandonada e foi ficando em ruína, foi quando o coronel Domingos Fernandes da Silva custeou sua recuperação e a obra foi concluída em 1905, tendo sido seu estilo completamente modificado. Em 1913 foi realizada uma nova intervenção, patrocinada pelo mesmo coronel Fernandes.

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Igreja de Nossa Senhora da Vitória, na década de 1940. Fonte: (PINILOS/NAZAL, s/d)

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DA VITÓRIA

A festa da padroeira de Ilhéus, Nossa Senhora da Vitória, representa a fé e a crença de um povo, e dura mais de 400 anos. O prédio da igreja, um patrimônio edificado nos primórdios da vila, não pode ter perdido seu valor em função de reformas e incêndios, pois existe notícia, além do citado, no século XIX, de outro ocorrido no final do século XVI. O conjunto edificado, Igreja da Vitória com o cemitério anexo, e a festa da padroeira, com suas procissões e suas devoções, representam, sem dúvida, a fé do povo ilheense que sempre buscou ajuda divina, principalmente nos momentos mais difíceis, quando o cacau entrava em crises profundas.

Faz parte do patrimônio cultural de um povo não só seu patrimônio edificado, mas tudo que diga respeito aos hábitos e costumes deste povo. Sendo assim, pode-se considerar a devoção dos fiéis católicos à representação da mãe de Jesus, que recebeu o nome de Nossa Senhora da Vitória e que atravessou os séculos até os dias atuais, um patrimônio cultural da cidade de Ilhéus. Como tal, precisa ser valorizado como atrativo turístico-cultural. Este “pode ser um estudioso de Ciências Sociais, ou ainda que não o seja, deseja saber o significado dos rituais que compõem as festas”.

Existe, no país, e em muitos lugares do mundo, um forte apelo religioso, seja católico ou de outras religiões, que atrai turistas de todas as partes. No caso específico da cidade de Ilhéus, entende-se que reforçar as festas existentes, tornando-as parte do calendário turístico, é um ponto a mais na instalação de um turismo cultural efetivo, pois entende-se que as festas devem ser um motor para o turismo nacional, constituindo, assim, um dos grandes patrimônios culturais de nosso país. Atualmente valoriza-se demasiadamente as festas profanas, principalmente aquelas ligadas ao carnaval, mas as religiosas ficam restritas aos grupos de pessoas ligadas à religião.

Desta forma Funari (2003) afirma que: “A beleza das festas que celebram as vidas dos santos nem sempre conservam a autenticidade de suas origens devocionais, mas constituem-se num dos principais atrativos turísticos do Brasil, tanto nos grandes centros como nas cidades mais simples.

O jornal O Correio de Ilhéus (15 ago. 1922) traz uma matéria sobre a festa de Nossa Senhora da Vitória. Existem outras edições do mesmo jornal, como também do Diário da Tarde, fundado em 1928. As notícias falam de novenário, missa festiva, apresentação de filarmônica ou banda, terminando sempre com procissão seguida por centenas de pessoas e bênção do Santíssimo Sacramento.

O Diário da Tarde (16 ago. 1933) publica a seguinte notícia:

  A Senhora das Vitórias. O dia religioso de ontem na cidade. O dia de ontem é para o culto católico da cidade um dos de maior projeção de comemoração mais tradicional destes que o povo guarda e identifica na exaltação de sua fé. A festa de Nossa Senhora das Vitórias data de longos anos na cidade, repetindo-se sempre com a mesma solenidade no antigo santuário que domina, do alto da Conquista, a cidade e seus bairros. A pequena igreja da colina tem a sua tradição histórica e religiosa, e daí é que vem o prestígio de sua padroeira, também padroeira do bairro, no espírito e de nossa população católica. O cerimonial religioso de ontem, como dos anos anteriores, marcou mais um grande dia para os anais festivos do tradicional santuário da Conquista.  

A festa consagrada a Nossa Senhora da Vitória faz parte do calendário religioso desta cidade, mas, mais do que isso faz parte do patrimônio imaterial da cidade de São Jorge dos Ilhéus.

OBS: Este texto faz parte da minha Dissertação de Mestrado concluída em 2004.

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Itabuna tem sido uma fonte rica como temática para o poema e a prosa. Já podemos falar em uma literatura itabunense?

por Antonio Nahud Júnior

 

“Minha terra natal! Que te abrasas e inunda 
De tanto sol! Assim entre agrestes vedores 
Do Cachoeira escutando os bravios rumores, 
Como a Iara gentil destas águas profundas! 
Oh! Como sou feliz e me sinto orgulhoso 
De um dia ter nascido em seu seio faustoso 
Sob o esplendor de um céu de beleza tão rara”

(“Itabuna”, de José Bastos”)

 

Nada mais oportuno quanto necessário do que se recuperar a história da literatura itabunense, levando em conta que nossa cidade está fazendo 101 anos de emancipação política (?) e pouco se sabe de seus escritores e poetas. Com o intuito de não se incorrer em mera repetição do que, em outra época, a respeito já se escreveu, chamo a atenção do leitor para o curto espaço disponível, portanto direcionarei o texto para uma avaliação minimalista e pessoal, absorvendo apenas o que realmente marcou-me. Não cabe aqui discutir os problemas envolvidos nesta trajetória árdua; o que importa é observar que a nossa literatura, concebida à beira da sofrida Mata Atlântica e das águas outrora gloriosas do Rio Cachoeira, num universo cultural habitado de lendas e relatos mágicos, não reflete nenhuma dúvida quanto a sua validez. Pelo contrário, os escritores nativos encontraram nela o instrumento incomparável que lhes permitiu expressar o mistério e a maravilha de uma região única em que vivem (ou viveram) juntamente com seus pássaros, seus frutos, suas árvores, peixes, cotias, tatus etc. Isto sem falar nos seres invisíveis que se tornaram visíveis graças à escrita e ao talento dos artesões da palavra, reafirmando o depoimento do historiador Oscar Ribeiro Gonçalves em seu livro “O Jequitibá da Taboca” (1960): “Itabuna é terra de artistas natos”. 

         Mas a esta altura do comentário, devemos levar em conta um dado que, embora óbvio, passa-nos despercebido: um dos maiores e mais populares escritores do Brasil, Jorge Amado, nasceu nesta terra ingrata, sem memória. Numa narrativa breve, “A Descoberta da América pelos Turcos” (1992), o autor homenageia Itabuna, descrevendo a contribuição dos descendentes de árabes na civilização do cacau, durante a época em que coronéis e jagunços disputavam as terras virgens. O divertido caso do sírio Jamil Bichara, a quem é oferecida a mão de Adma, retoma elementos de obras anteriores, sobretudo de “Tocaia Grande(1984). Ambos os livros estão entre os romances do contador de histórias que tematizam o universo da cultura cacaueira, dentre as quais se destacam também “Cacau” (1933), “Terras do Sem-Fim” (1943), “São Jorge dos Ilhéus (1944), “Gabriela, Cravo e Canela (1958) e “O Menino Grapiúna(1982). Valendo-se da fama internacional de Jorge Amado, a literatura local teve grande prestígio nas décadas de 60 e 70, sendo divulgada calorosamente na mídia e estudada por acadêmicos. Nesta leva encantadora, passamos a conhecer Hélio Pólvora (“O Menino do Cacau”, 1975), Sonia Coutinho (“Os Venenos de Lucrécia”, 1979), Telmo Padilha (“Vôo Absoluto”, 1977), Valdelice Pinheiro (“Pacto”, 1977), Firmino Rocha (“O Canto do Dia Novo”, 1968), Cyro de Mattos (“Canto a Nossa Senhora das Matas”, 2004), o cronista Plínio de Almeida e o cordelista Minelvino. Certamente, para expressar a magnitude do fenômeno, eles se apoderaram da linguagem regional, ganhando não somente um instrumento de expressão, mas também de invenção de seu mundo e de si mesmos. Os temos expostos em seus romances, contos e poemas são quase todos derivados da experiência de vida e da cultura desses habitantes das terras-do-sem-fim. E tudo transfigurado, iluminado de intensidade, harmonizados com a essência local. Trabalhos povoados por árvores e plantas típicas, flores e frutos, memória e invenção, sangue e suor, tudo tocado de inesperada originalidade e realismo. Segundo Hélio Pólvora, “os autores formados no sul da Bahia refletem algumas características do viver e do sentir do grapiúna, mas não chegam a configurar uma escola ou movimento literário distinto, autônomo. A terra é rica tematicamente porque em torno do cacau houve um processo econômico e social até certo ponto civilizador, gerando muitos conflitos, ambições e sonhos. As pessoas que lidam com cacau são sofridas, ciclotímicas: ou nadam em euforia ou afundam em depressões. Maior que a propalada riqueza do cacau é a riqueza de tipos humanos e relatos”.

        Nos anos 80, quando comecei a escrever, conheci todos esses citados acima e muito aprendi com eles, mestres que sonhavam com a riqueza cultural distribuída entre os deserdados de sua terra natal. Nessa década efervescente, criativa, de traços muitos especiais, se comparada à mornidão literária das décadas seguintes, reconheceu-se a força literária. Tempo de colunistas culturais (Pedro Ivo Bacelar, Raimundo Galvão, Luis Wilde e Joselito Reis) e do Projeto de Atividades Culturais Cacau (PACCE), onde herdeiros de uma tradição moderna, os novos escribas, se desdobraram em tendências marcantes, da dramaturgia à poesia, deixando sua contribuição para a riqueza cultural de uma cidade. Na origem dessas experiências, estava o questionamento que, de um lado negava a fantasia em favor da racionalidade e, de outro, negava a linguagem realista em função da autonomia do intimismo, deixando de se referir ao mundo exterior. Neste alvoroço positivo, onde o injustamente esquecido Hélio Pitanga xerocava sua própria criação, transformando-a em livros artesanais e vendendo-os de mão em mão, e a professora Maria de Lurdes Netto Simões incentivava os jovens autores através de elaboradas antologias poéticas e artigos críticos, parecia concebível que determinada literatura, em determinado contexto ou tradição, evoluísse em riqueza ou complexidade morfológica, sintática e semântica. Inclusive, era bastante conhecida uma resposta dada, por Adonias Filho (da vizinha Itajuípe), a um interlocutor, que queria saber, o que, além de cacau, produzia sua região. Ele prontamente respondeu: “Escritores”. Calcados nessa forte tradição, surgiu uma nova geração de ficcionistas e poetas: Jorge de Souza Araújo, Ruy Póvoas, Antônio Lopes, Kleber Torres, Genny Xavier, José Delmo (nascido em Macuco, mas com atuação expressiva em Itabuna), Dimas Braga, e mais adiante, Adylson Machado, Piligra, George Pellegrini, Zélia Possidônio, Gustavo Atallah Haun, Iolanda Costa, Ivan Carlos, Sérgio Brandão, Ulisses Góes, Milena Paladino, Antonio Nunes e Daniela Galdino. Além deles, duas editoras dignamente mapearam a literatura itabunense: a Editus/UESC e a Via Litterarum.

        O certo é que escrever é um ofício solitário, somente recomendado para guerreiros. É raro ser reconhecido em vida – principalmente na nossa cidade natal. Sempre o silêncio é o trunfo maior, superado vez ou outra por armadilhas inesperadas. É preciso grande força de vontade para não desistir, afinal a maioria das pessoas não leva a sério qualquer gênero de arte e a mídia prefere celebrar políticos e fatos criminais escabrosos e descartáveis. Todos esperam a morte do escritor para declarar publicamente o seu talento, a sua dedicação, a falta que ele faz. A comédia humana necessita do artista defunto para exaltá-lo. Sendo assim, afogados em dificuldades perenes, muitos deixaram de escrever, outros ainda escrevem, mas guardam seus escritos. Alguns perderam a identidade, saciados pela nova cultura globalizada provocada por imagens televisivas, navegação eletrônica ou trânsito de pessoas, dentre outros fatores  que, de certo modo, esmagam as culturas locais e as diferenças culturais. Os saraus minguaram e o espaço na mídia praticamente desapareceu, restando um ou outro talento acossado pela mediocridade generalizada. O que nos causa, como itabunenses, desalento e vergonha, é que obras de qualidade escritas por autores da cidade estão esquecidas, ignoradas, encerradas em bibliotecas sombrias como se nada representassem. Todo esse tesouro deveria ser habitualmente consultado e estudado, como os países alfabetizados fazem com a sua literatura.

        Mas isso, eu sei, vai demorar muito, pelo menos enquanto os políticos nativos continuarem a utilizar as verbas em proveito eleitoreiro, para engordar suas fortunas secretas e seus cérebros ocos. Por eles, nunca passaremos de uma cidade em desenvolvimento. Afinal, a política continua sendo uma arte tão difícil quanto suspeita. Portanto, meus caros itabunenses, lembrem-se que é preciso mais cuidado ao votar. Ortega y Gasset – para quem o homem é a sua circunstância -, teorizou a necessidade de um poder culto, bem informado, não sendo assim, os vencedores terão uma governabilidade plena sem direcionamento, sem preocupação com a história, a educação ou a benção da arte. Evidencia-se a necessidade do político bem informado, aquele que tem em consideração as distintas culturas (ou seja, o cosmopolita), que venha a ser elo na cadeia de transmissão das qualidades da sociedade itabunense; de interpretação e respeito  à cultura local. Pois, muito bem, pense nisso. Vamos votar em quem gosta de livros, de música e cinema de qualidade, em quem se preocupa com o intelecto, a estética e a ética, só assim os nossos escritores serão respeitados e admirados. Só assim muita gente aprenderá que literatura é permanência, é um investimento sem risco, de valorização garantida.

Abraços,

*´¨)
¸.·´¸.·*´¨) ¸.·*¨)
(¸.·´ (¸.·` *ANTONIO NAHUD JÚNIOR

Acesse o meu blog:
www.ofalcaomaltes.blogspot.com

 

Não podemos deixar de publicar as belas palavras de Antonio Nahud Júnior, este apaixonado e valente escritor grapiúna.

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Desde sua fundação, em 24 de julho de 1999, o Diário de Ilhéus tem procurado, através de seus proprietários, funcionários e colaboradores, entre os quais me incluo, fazer jornalismo de qualidade, apesar das grandes dificuldades que se apresentam. Ninguém pode imaginar, se não tiver conhecimento do fato, a dificuldade que significa fazer um jornal circular diariamente, mesmo que seja em cinco dias da semana. Mas os proprietários deste jornal fizeram deste desafio um motivo para suas vidas.

A cidade de Ilhéus não possui emissoras ou retransmissoras de TV; possui emissoras de rádio AM e FM. Possui alguns jornais e o Diário de Ilhéus pode ser considerado seu principal veículo de comunicação. Ele tem origem no Diário da Tarde, jornal fundado em 1928, que circulou até fevereiro de 1999, quando foi fechado. Três antigos funcionários tomaram emprestadas algumas máquinas ultrapassadas de outro jornal e, em de julho de 1999, fundaram o Diário de Ilhéus. Este começou a circular com quatro páginas, depois foi sendo modernizado e a partir de 2002 foi adquirido maquinário para impressão em off set. Apesar das dificuldades, o jornal tem crescido. Desde setembro de 2003 foi criado o Caderno de Cultura e Lazer, na busca de torná-lo um jornal que informasse ao público leitor, também o aspecto histórico e cultural da cidade. Desde o começo do Segundo Caderno que, semanalmente, estou presente, escrevendo sobre a história de Ilhéus e muitos outros assuntos.

O lançamento do “novo” jornal – Diário de Ilhéus – aconteceu na Associação Atlética Banco do Brasil, na presença de jornalistas, radialistas, empresários, comerciantes, e de representantes de diversos segmentos da sociedade ilheense.

Após o fechamento do Diário da Tarde, segundo artigo escrito por Ed Camargo em 2005, “em todas as rodas de discussões sobre comunicação, o assunto era a necessidade da criação de um jornal diário em Ilhéus, mas os sonhos e os projetos muitas vezes esbarravam-se na coragem de tocar esse desafio, afinal a história da cidade já mostrara que manter uma empresa jornalística não era um ramo economicamente rentável, mas sim, uma missão”.

Realizar este sonho não foi tarefa fácil. Era preciso unir pessoas que tivessem experiência no ramo. Os quatro diretores fundadores já possuíam experiência em jornais diários. Foram eles: a diretora comercial Damiana Gomes, o jornalista Marcos Correa e o linotipista Getúlio Pinto que tinham larga experiência do trabalho no Diário da Tarde. Uniu-se ao grupo o artista plástico e diagramador Carlos Moura (Makalé), que já havia passado por jornais regionais. Para completar a equipe, foi convidado para a função de supervisor, “o eficiente Carlos Gomes, que trouxe para o Diário de Ilhéus a experiência de uma vida inteira dedicada a jornais diários”.

Nestes 12 anos muita coisa mudou na forma de confeccionar o jornal. No início o jornal era tipográfico, confeccionado quase de forma artesanal. Os textos eram esculpidos em uma máquina antiga onde os metais eram derretidos numa temperatura de até 600 graus centígrados. Da confecção artesanal passou para off set, mudando completamente o seu aspecto. Mais tarde seus proprietários adquiriram maquinário moderno, possibilitando maior dinamismo e eficiência. Atualmente enviamos as matérias por e-mail acompanhadas de fotos, coisa impossível nos primeiro tempos.

No início da minha colaboração no Diário, quando ainda era esporádica, tinha que levar a matéria datilografada para ser montada em bandeja de madeira. Hoje a diagramação é feita em computador, a partir do e-mail enviado e o trabalho não demora de ser realizado.

Atualmente a equipe está consolidada, como também o jornal. Das pessoas que fundaram o Diário de Ilhéus, seu diretor Carlos Gomes já não se encontra entre nós; partiu para a eternidade em 2008. Faz muita falta sua presença, sua simplicidade, sua forma equilibrada de agir. Ao comemorarmos os 12 de existência do Diário de Ilhéus, não poderíamos deixar de homenagear aquele que foi um baluarte da sua fundação. O sergipano Carlos Gomes veio para Ilhéus com seis anos de idade e se tornou ilheense. Foi trabalhar no Diário da Tarde com 22 anos de idade. Durante a Segunda Guerra serviu em Canavieiras, ao lado de Wallacce Perrrucho, seu amigo ao longo de 70 anos.

Sempre ligado à imprensa escrita, trabalhou, durante um período, no jornal O Dia, do Rio de Janeiro. De volta a Ilhéus trabalhou nos jornais Diário da Tarde, Jornal da Manhã, Diário de Itabuna e O Intransigente. Aposentou-se aos 35 anos de serviço, mas continuou trabalhando até o final de sua vida.

Possuía imenso amor ao Diário; mantê-lo em funcionamento é continuar realizando seu sonho.

AO DIÁRIO DE ILHÉUS O RECONHECIMENTO DE NOSSA GENTE!

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O MUNDO NÃO É MATERNAL

“É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é

adulto. Quando se é adolescente pensa que viveria melhor sem

ela, mas é erro de cálculo. Mãe é bom em qualquer idade.

Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome.

Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos

acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu,

não o nosso. O mundo quer que a gente fique horas no telefone,

torrando dinheiro. Quer que a gente case logo e compre um

apartamento que vai nos deixar endividado por 20 anos. O mundo quer

que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente

tenha boa aparência, e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais

preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos

ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue,

que a gente fume, que a gente beba.

O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através.

Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.

O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos, para enfeitar

ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.

O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece

um pedaço de bolo feito em casa. O mundo quer nosso voto mas não

quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda

com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem

doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir. O mundo pergunta

quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de

instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das

nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego.

Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se

trumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e

estatísticas…

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista,

parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até

corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Mãe sofre no

lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as

nossas vontades.

Enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima,

seleciona os mais bem dotados e cobra caro pelo seu tempo. Mãe é de

graça!”

OBS: mensagem retirada da internet

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BIG BROTHER BRASIL

Poucos programas televisivos me transmitem a sensação de pobreza espiritual e intelectual quanto o BBB. A única satisfação que o mesmo me dá é a de desligar a TV na hora que entra no ar.

Esta semana recebi pela internet um texto que é atribuído a Luis Fernando Veríssimo. Se não for, peço desculpas e se for da autoria de outra pessoa, peço que se identifique, para que eu possa fazer a correção.

O texto diz o seguinte:

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço… A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, héteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE…
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha, mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e
escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.
Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados.
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos
telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro
estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à
criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia
se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia,
alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar…, ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins…, telefonar para um amigo… , visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e a destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade

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O Prof. Paulo Freire fala sobre o Homem Novo, a Mulher Nova e a Educação. Diz ele que: “uma das qualidades mais importantes do homem novo e da mulher nova é a certeza que têm de que não podem parar de caminhar e a certeza de que cedo o novo fica velho se não se renovar”. A educação das crianças, dos jovens e dos adultos tem uma importância fundamental na formação deste novo ser humano.

Mas qual educação? A que está aí, à disposição de nossas crianças? Qual? Segundo ele a educação também deve ser nova. Diz muitas coisas mais, reflexões de toda uma vida sobre sua prática na Educação. Uma educação pelo trabalho, que estimule a colaboração e não a competição. Sempre que falo sobre o ser humano que somos, lembro-me dos ensinamentos de Jesus Cristo, da lei do amor. Tornar-se humano nada mais é do que aprender a amar o outro, a colocar-se no lugar do outro.

Quando leio jornal, assisto TV e vejo tanta desumanidade, tanta maldade, fico descrente de que seja possível um mundo melhor. Quantas pessoas, representantes religiosos, matam em nome de Deus, quanta maldade espalhada pelo mundo. Esta semana fiquei profundamente chocada com a notícia de uma criança de dois anos, que foi espancada e morta pelo próprio pai. Não foi do outro lado do mundo, não foi em outro país; foi em nossa região, na vizinha cidade de Uruçuca. E este, lamentavelmente, é apenas um caso, que não é isolado.

Às vezes fico a me perguntar que mundo queremos construir, que sociedade queremos, por que, afinal todos temos uma parcela de culpa: quando elegemos pessoas incapazes como nossos representantes, quando nos calamos diante das coisas feias que nossos semelhantes fazem, quando nos omitimos. E, em muitas outras situações.

Segundo o Diário de Ilhéus (27/01), a Bahia ocupa o terceiro lugar no ranking de homicídios em nosso país, atrás apenas do Rio e de São Paulo. A saúde está doente. Os hospitais estão lotados, com atendimento abaixo de qualquer crítica, e os políticos fazendo-nos sentir vergonha dos atos que promovem sem nenhum pudor. Onde já se viu(?), os deputados perderam a vergonha de aumentar seus salários em níveis estratosféricos, enquanto aumentam o salário mínimo em apenas trinta reais, “para não quebrar a previdência”. Os proventos dos aposentados com mais de um salário mínimo estão com tendência a diminuir tanto, que um dia vão virar salário mínimo. E esta, de governador ter direito a aposentadoria depois de quatro anos de mandato, de apenas um ano e até de alguns dias. Será que este dinheiro sai de onde? Não é problema para a previdência?

Sobre este assunto, diz uma leitora da Folha de São Paulo: “Senhores, a imoralidade não está em reivindicar este direito, está, sim, em haver no país uma legislação que permita usufruir desse direito”. (Lucília Magalhães – Acre)

E sobre a Educação?

Na revista Veja diz Lya Luft: “Sobre educação a gente deve ler Gustavo Ioschpe, e refletir até o fim dos tempos. Envergonhar-se e chorar, ou ter uma derradeira esperança. Eu, em geral otimista, até considerada ingênua, nesse assunto continuo cética. Basta ver o lugar que ocupamos nas melhores avaliações internacionais, atrás de países nos quais eu nem cogitaria, tratando-se de educação. Estamos abaixo da esmagadora (literalmente) maioria. Não seria preciso a opinião de bons institutos internacionais ou nacionais, está debaixo do nosso nariz, e cheira muito mal: nossa educação está abaixo de qualquer crítica. E pode piorar, pois temos um ensino cada vez mais relaxado, uma autoridade mais inexistente; agora se pensa em não reprovar mais ninguém nos primeiros anos, isto é, vamos lhes mentir que estão aprendendo, como disse uma autoridade em ensino”.

Na mesma revista citada acima, J.R. Guzzo comenta que as coisas ficam mais complicadas “quando se constata que 50% dos brasileiros não conseguem entender um texto simples de leitura, e 70% não são capazes de resolver questões primárias de matemática”. Ou seja, diante de conhecimentos elementares, e sem os quais fica impossível ir um pouco adiante em qualquer atividade, as duas categorias se sobrepõem.

Eu não vou dizer que a salvação está na educação, porque depende do tipo de educação que se dá. Mas, afirmo com convicção, que podemos mais; que, se quisermos, é possível melhorar. É preciso seriedade e uma cobrança por parte da sociedade organizada; é preciso que a educação seja prioridade de todos para todos. Educação e não, números, sofismas, enganação.

E Educação (sempre com letras maiúsculas) para a humanização, para a convivência harmoniosa, sem exploração do outro e sim com cooperação.

Encerro este desabafo com palavras de Nádia Fialho: “A caminhada pela humanização se faz pela educação. Educar e humanizar são vetores da cidadania, compromissos da contemporaneidade ao dar sentido às práticas produtivas, sociais e simbólicas”. Vir a ser humano é uma travessia. Não é bastante o equipamento genético privado de relações afetivas e sociais. Relações que educam; que alargam o sentido do termo – educação – e alertam sobre a precariedade desse ser, que poderá ou não vir a ser. Ser humano é, no melhor dos sentidos, um lugar onde é possível chegar; não é um ponto de partida.

SERÁ APENAS UM SONHO?

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