Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Crônicas’ Category

O MUNDO NÃO É MATERNAL

“É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é

adulto. Quando se é adolescente pensa que viveria melhor sem

ela, mas é erro de cálculo. Mãe é bom em qualquer idade.

Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome.

Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos

acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu,

não o nosso. O mundo quer que a gente fique horas no telefone,

torrando dinheiro. Quer que a gente case logo e compre um

apartamento que vai nos deixar endividado por 20 anos. O mundo quer

que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente

tenha boa aparência, e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais

preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos

ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue,

que a gente fume, que a gente beba.

O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através.

Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento.

O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos, para enfeitar

ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta.

O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece

um pedaço de bolo feito em casa. O mundo quer nosso voto mas não

quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda

com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem

doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir. O mundo pergunta

quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de

instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das

nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego.

Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se

trumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e

estatísticas…

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista,

parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até

corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Mãe sofre no

lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as

nossas vontades.

Enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima,

seleciona os mais bem dotados e cobra caro pelo seu tempo. Mãe é de

graça!”

OBS: mensagem retirada da internet

Anúncios

Read Full Post »

BIG BROTHER BRASIL

Poucos programas televisivos me transmitem a sensação de pobreza espiritual e intelectual quanto o BBB. A única satisfação que o mesmo me dá é a de desligar a TV na hora que entra no ar.

Esta semana recebi pela internet um texto que é atribuído a Luis Fernando Veríssimo. Se não for, peço desculpas e se for da autoria de outra pessoa, peço que se identifique, para que eu possa fazer a correção.

O texto diz o seguinte:

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço… A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, héteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE…
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha, mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e
escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.
Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados.
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos
telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro
estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à
criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia
se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia,
alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar…, ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins…, telefonar para um amigo… , visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e a destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade

Read Full Post »

O Prof. Paulo Freire fala sobre o Homem Novo, a Mulher Nova e a Educação. Diz ele que: “uma das qualidades mais importantes do homem novo e da mulher nova é a certeza que têm de que não podem parar de caminhar e a certeza de que cedo o novo fica velho se não se renovar”. A educação das crianças, dos jovens e dos adultos tem uma importância fundamental na formação deste novo ser humano.

Mas qual educação? A que está aí, à disposição de nossas crianças? Qual? Segundo ele a educação também deve ser nova. Diz muitas coisas mais, reflexões de toda uma vida sobre sua prática na Educação. Uma educação pelo trabalho, que estimule a colaboração e não a competição. Sempre que falo sobre o ser humano que somos, lembro-me dos ensinamentos de Jesus Cristo, da lei do amor. Tornar-se humano nada mais é do que aprender a amar o outro, a colocar-se no lugar do outro.

Quando leio jornal, assisto TV e vejo tanta desumanidade, tanta maldade, fico descrente de que seja possível um mundo melhor. Quantas pessoas, representantes religiosos, matam em nome de Deus, quanta maldade espalhada pelo mundo. Esta semana fiquei profundamente chocada com a notícia de uma criança de dois anos, que foi espancada e morta pelo próprio pai. Não foi do outro lado do mundo, não foi em outro país; foi em nossa região, na vizinha cidade de Uruçuca. E este, lamentavelmente, é apenas um caso, que não é isolado.

Às vezes fico a me perguntar que mundo queremos construir, que sociedade queremos, por que, afinal todos temos uma parcela de culpa: quando elegemos pessoas incapazes como nossos representantes, quando nos calamos diante das coisas feias que nossos semelhantes fazem, quando nos omitimos. E, em muitas outras situações.

Segundo o Diário de Ilhéus (27/01), a Bahia ocupa o terceiro lugar no ranking de homicídios em nosso país, atrás apenas do Rio e de São Paulo. A saúde está doente. Os hospitais estão lotados, com atendimento abaixo de qualquer crítica, e os políticos fazendo-nos sentir vergonha dos atos que promovem sem nenhum pudor. Onde já se viu(?), os deputados perderam a vergonha de aumentar seus salários em níveis estratosféricos, enquanto aumentam o salário mínimo em apenas trinta reais, “para não quebrar a previdência”. Os proventos dos aposentados com mais de um salário mínimo estão com tendência a diminuir tanto, que um dia vão virar salário mínimo. E esta, de governador ter direito a aposentadoria depois de quatro anos de mandato, de apenas um ano e até de alguns dias. Será que este dinheiro sai de onde? Não é problema para a previdência?

Sobre este assunto, diz uma leitora da Folha de São Paulo: “Senhores, a imoralidade não está em reivindicar este direito, está, sim, em haver no país uma legislação que permita usufruir desse direito”. (Lucília Magalhães – Acre)

E sobre a Educação?

Na revista Veja diz Lya Luft: “Sobre educação a gente deve ler Gustavo Ioschpe, e refletir até o fim dos tempos. Envergonhar-se e chorar, ou ter uma derradeira esperança. Eu, em geral otimista, até considerada ingênua, nesse assunto continuo cética. Basta ver o lugar que ocupamos nas melhores avaliações internacionais, atrás de países nos quais eu nem cogitaria, tratando-se de educação. Estamos abaixo da esmagadora (literalmente) maioria. Não seria preciso a opinião de bons institutos internacionais ou nacionais, está debaixo do nosso nariz, e cheira muito mal: nossa educação está abaixo de qualquer crítica. E pode piorar, pois temos um ensino cada vez mais relaxado, uma autoridade mais inexistente; agora se pensa em não reprovar mais ninguém nos primeiros anos, isto é, vamos lhes mentir que estão aprendendo, como disse uma autoridade em ensino”.

Na mesma revista citada acima, J.R. Guzzo comenta que as coisas ficam mais complicadas “quando se constata que 50% dos brasileiros não conseguem entender um texto simples de leitura, e 70% não são capazes de resolver questões primárias de matemática”. Ou seja, diante de conhecimentos elementares, e sem os quais fica impossível ir um pouco adiante em qualquer atividade, as duas categorias se sobrepõem.

Eu não vou dizer que a salvação está na educação, porque depende do tipo de educação que se dá. Mas, afirmo com convicção, que podemos mais; que, se quisermos, é possível melhorar. É preciso seriedade e uma cobrança por parte da sociedade organizada; é preciso que a educação seja prioridade de todos para todos. Educação e não, números, sofismas, enganação.

E Educação (sempre com letras maiúsculas) para a humanização, para a convivência harmoniosa, sem exploração do outro e sim com cooperação.

Encerro este desabafo com palavras de Nádia Fialho: “A caminhada pela humanização se faz pela educação. Educar e humanizar são vetores da cidadania, compromissos da contemporaneidade ao dar sentido às práticas produtivas, sociais e simbólicas”. Vir a ser humano é uma travessia. Não é bastante o equipamento genético privado de relações afetivas e sociais. Relações que educam; que alargam o sentido do termo – educação – e alertam sobre a precariedade desse ser, que poderá ou não vir a ser. Ser humano é, no melhor dos sentidos, um lugar onde é possível chegar; não é um ponto de partida.

SERÁ APENAS UM SONHO?

Read Full Post »

terra

Nosso planeta recebeu o nome de Terra – Gaia, criado pelos gregos. Os romanos, ao se apropriarem da cultura grega, mudaram para terra, que é o mesmo que “solo, território, chão”, ou seja, terra.

Até a bem pouco tempo achava-se que a água era um bem inesgotável, e ainda é considerável o número de pessoas que pensam assim. Como a quantidade de água que ocupa o planeta é bem maior que o de terra, e como estão ocorrendo problemas em relação a este precioso líquido, fonte sustentadora da vida, diversas pessoas passaram a chamar a nossa casa, o nosso planeta, de planeta água.

Muitas coisas passam pela minha cabeça quando falo sobre esta questão da água, e vejo nosso rio Cachoeira, o “rio de minha infância” tão deteriorado e sujo. Penso que foi nele que aprendi a nadar e como sentíamos medo de sua fúria, em época de temporal.

Lembro muito bem, é tudo muito claro na minha memória, do tempo que saía do Rio de Janeiro e vinha passar as férias aqui em Ilhéus. E não queria perder um só dia na cidade, queria mesmo era ir para a Fazenda Guaracy, de meus avós Natan e Maria Luiza. Lá, minha programação era intensa. Gostava de frequentar o pomar, onde podia colher diretamente no pé, frutas que pareciam mais saborosas, porque o prazer de colhê-las alterava o sabor das carambolas, das mangas, jabuticabas e muitas outras.

Sinto muita saudade das fazendas de minha infância. Das fazendas de cacau que ocupavam toda a região. Podíamos caminhar pelos pastos onde ficavam os muares e cavalos. Eu gostava muito da vida no campo, de passear montada na mula Boneca, a mais lerda que tinha na fazenda, para garantir minha segurança de “amazonas” do asfalto. Gostava muito de brincar com os filhos dos trabalhadores, ora de picula, ora de jogar bola com Peba, Paulo e Luis. De ouvir as estórias de Zeca e de conversar com seu João sobre os pássaros dos viveiros. Naquela época não havia televisão nas fazendas e nos reuníamos após o jantar para conversar e ouvir estórias. Os agregados mais próximos, aqueles que chegavam à fazenda ainda jovens e nunca saíam de lá, também vinham.

O dia que visitávamos a Fazenda Primavera, de tio Virgilio era uma festa, ou então quando íamos assistir filmes na Fazenda Progresso, de Nicodemos Barreto, avô de Lindaura Kruschewsky. Era um tempo muito bom e eu tenho muita saudade.

Muitas vezes estávamos lá muito bem, brincando, fazendo planos para o dia seguinte, quando o céu empretecia, a chuva começava a cair, e os adultos ficavam alvoroçados, fazendo as malas rapidamente: – corre! vamos embora, o rio está enchendo! E ai de nós se demorássemos a sair de lá. A água tomava a estrada muito depressa…

Hoje fico assustada é com a possibilidade da falta de água. Incrível, é que já ouvi na academia, em um mestrado de Educação Ambiental, alguém dizer como se tivesse descoberto uma grande novidade que “a água não acaba, muda de lugar”, como se isso não se constituísse em problema sério. Vejam o que diz a notícia a seguir. O volume de água retirado do subsolo ao redor do mundo alcançou níveis tão altos que já provocou uma elevação perceptível do nível dos oceanos. Segundo estudo desenvolvido por pesquisadores holandeses, publicado na revista Geophisical Rewiew Letters cerca de 25% do aumento do nível do mar registrado até agora refere-se a água extraída do subsolo que, após ser utilizada em alguma atividade humana, acabou escoando para algum corpo de água que deságua no oceano. Como a retirada de água ocorre em ritmo mais acelerado do que a recarga dos aquíferos subterrâneos, que seguem os ritmos dos ciclos naturais, mais água fica disponível na superfície, principalmente nos mares.

De acordo com a matéria, este é um dos problemas ambientais mais preocupantes, a elevação do nível do mar, justamente porque a maior parte da população mundial habita estas áreas que poderão ser alagadas. Algumas ilhas do Pacífico correm risco de ficarem submersas, de desaparecerem ainda neste século.

E a gravidade do problema é maior por conta das regiões áridas e semi-áridas que são habitadas e dependem da água subterrânea para o cultivo da terra. Estas estão na Califórnia, na China, no Nordeste brasileiro. Segundo o autor da matéria “ainda que o uso dessa alternativa seja insustentável no longo prazo, a captação dessa água deverá aumentar para suprir a demanda da produção de alimentos para uma população cada vez maior em países como Índia, Paquistão e China”.

 

  Áustria Nos Alpes austríacos as geleiras estão sendo cobertas por tecido branco para diminuir a ação do calor do sol

 

Nos países de clima frio o problema da falta de água vem das geleiras que estão diminuindo. A Bolívia corre sério risco de ficar sem água; nos Alpes europeus as geleiras estão encolhendo; também na China e em todos os lugares onde há geleiras, fonte de água para os rios daquelas regiões. Nosso rio Amazonas nasce nas geleiras dos Andes e a neve do Kilimanjaro está com os dias contados.

Nós podemos nos considerar pessoas privilegiadíssimas. Em nossa região as chuvas diminuíram, mas ainda são frequentes. Ainda podemos utilizar água em abundância. Mas, eu pergunto: até quando? Não deveríamos estar preocupados com nossos rios que foram transformados em esgotos a céu aberto?

rio_cachoeira_poluicao
Rio Cachoeira
  coraci_rio_almada
Rio Almada

 

Cena muito chocante de se ver: na África dois sudaneses bebem água do pântano com tubos plásticos, especialmente concebido para este fim; com filtro para filtrar as larvas flutuantes, responsáveis pela enfermidade da lombriga de Guiné. O programa distribuiu milhões de tubos e já conseguiu reduzir em 70% esta enfermidade debilitante.

Sudão

Fotos retiradas da internet

Read Full Post »

(PANORAMA DA NOVA POESIA GRAPIÚNA)

Capa_Diálogos_3D  

 

Sentado à margem deste rio,

onde me sinto um peregrino,

revejo as nuvens no infinito

e por instantes sou menino;

eu solto pipa, jogo bola,

rodo pião à espanhola;

e como sou aquele infante

sentado à margem deste rio,

em meu olhar um diamante:

o sorriso da minha filha

e uma lágrima maltrapilha.

 

A região sul da Bahia foi Capitania Hereditária. Sua vila capital, São Jorge dos Ilhéus foi fundada ainda na primeira metade do século XVI. A vila, apesar de sua importância para a Coroa Portuguesa, só se desenvolveu a partir das plantações de cacau com fins comerciais, no século XIX.

Com a chamada “civilização do cacau” surgiram muitos escritores, sendo os mais conhecidos internacionalmente, Jorge Amado e Adonias Filho.

A região grapiúna, cujas cidades mais importantes são Ilhéus e Itabuna, é conhecida mundialmente pela produção de cacau, mas também viu nascerem poetas de fundamental importância para a literatura baiana, como Sosígenes Costa, Adelmo Oliveira, Ildásio Tavares, Abel Pereira e Florisvaldo Mattos, apenas para citar alguns.

É conhecida uma resposta dada, por Adonias Filho, a um interlocutor, que queria saber, o que, além de cacau, produzia sua região.

Ele prontamente respondeu: escritores.

A saga continua. Calcados nessa forte tradição, uma nova geração de poetas grapiúnas foram apresentados em Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna (Ilhéus/Itabuna: Via Litterarum/Editus, 2009), obra organizada pelo poeta e ensaísta Gustavo Felicíssimo. Aos dez antologiados da primeira edição – Edson Cruz, Heitor Brasileiro Filho, Noélia Estrela, Piligra, George Pellegrini, Rita Santana, Fabrício Brandão, Daniela Galdino, Mither Amorim e Geraldo Lavigne – juntam-se, agora, em segunda edição, mais dois poetas – André Rosa e Marcus Vinícius Rodrigues – dessa vez com sete poemas cada um, contra cinco da primeira edição. São doze poetas (alguns deles bastante premiados) que já estão inseridos entre aqueles que produzem a melhor poesia baiana, quiçá brasileira, deste início de século.

Como afirma o crítico de arte Henrique Wagner, “a segunda edição de um livro de poemas é acontecimento incomum, infelizmente, em nossos dias – e em verdade sempre o foi, mas tem sido cada vez mais incomum, a ponto da primeira edição já ser, ela mesma, uma raridade. Se tal acontece, é porque um milagre chegou perto de acontecer, se não aconteceu, de fato”.

A segunda edição, revista e ampliada, de Diálogos, será lançada no próximo dia 11 de dezembro, às 18 horas, na Academia de Letras de Ilhéus, oportunidade em que haverá um bate-papo sobre a poesia baiana contemporânea com Jorge de Souza Araújo (prefaciador da obra), Aleilton Fonseca (Membro da Academia de Letras da Bahia) e Gustavo Felicíssimo (organizador da obra). Na oportunidade, todos os antologiados, com exceção de Edson Cruz, estarão presentes para seção de autógrafos.

Vamos prestigiar nossos poetas.

cfoto_gustavo

Poeta Gustavo Felicíssimo

Read Full Post »

É muito comum ligarmos a TV e encontrarmos um político falando. O mundo do qual eles falam é maravilhoso. O sargentão George W. Bush, defensor da humanidade quando fala, com aquele ar de que já está tudo resolvido, deixa qualquer pessoa de boa fé entusiasmada, pois nada de ruim nos acontecerá com um defensor daquele naipe.

Aqui na terra dos tupiniquins não é diferente. Nosso Luis Inácio, aquele cujo lema foi: a esperança vai vencer o medo, enganou meio mundo, entre brasileiros e habitantes de outras plagas. Agora sim, nós podíamos esperar, pois o pior já havia passado, ele e sua troupe chegavam ao poder para resolver todos os nossos problemas. Ainda hoje ele não perdeu o ar de campanha, afinal há muito que vem batalhando pela reeleição.

A aí eu fico me perguntando: o que tem o poder que transforma tanto as pessoas? Ou elas já enganavam quando faziam promessas?

Quando minhas filhas eram pequenas, eu gostava de viajar na fantasia delas e o mundo delas era real, porque existia na cabeça delas. Certa vez, quando Tina estava com cerca de três anos, Rui achava um absurdo enganar as crianças com a história de Papai Noel. E disse a ela claramente que tudo aquilo era invenção, que Papai Noel não existe. Foi muito complicado, pois quando, no Natal fomos ao Shopping, ela ficou maravilhada e chegou em casa contando a grande novidade: “Papai Noel existe, eu vi!”. Aprendi muito com essa história. O mundo real da criança é diferente do nosso, mas não é feito de mentira, é algo que já impressionava os filósofos gregos, quando falavam de mundo real e mundo ideal, o mundo das idéias.

Mais tarde, foi Lu, que tinha um cachorrinho imaginário, que a acompanhava por todo lugar. É evidente que ele existia. Ela costumava sentar no chão para almoçar e, a cada colher que ia até sua boca, uma outra era colocada no chão para que o cachorro se alimentasse. Esse animalzinho durou um bom tempo e do jeito que nasceu, foi embora, sem traumas e sem sequelas.

Com Luiza convivi menos, mas vivemos várias fantasias juntas, pois nunca me senti no direito de podar a imaginação das crianças; nem das minhas filhas, nem de qualquer outra. Agora é com Letícia. Quando ela está fazendo birra, brutalidade, em vez de brigar, de bater, começo a conversar com ela e nossa fantasia vai longe. Ninguém sabe, só nós duas sabemos, que existe um tubarão ruim que sai da baía do Pontal e vem tomar banho na piscina da pousada, mas vem também um golfinho que é amigo e o tubarão foge morrendo de medo. E, muitas vezes, ela dorme me ouvindo contar essas histórias que vou inventando na hora. Tudo isso é fantasia, é saudável, estimula a criança e desenvolve sua imaginação.

Por outro lado, na Bíblia está escrito: "…E A VERDADE VOS LIBERTARÁ". A verdade é um caminho para a Liberdade, outro conceito difícil de ser compreendido, e estes conceitos representam duas buscas filosóficas do ser humano.

A contradição humana me intriga e me inquieta. Por que o homem sonha com a verdade e mente o tempo todo? A Verdade como meta filosófica fica distante e inalcançável quando vemos o dia-a-dia das pessoas. Quem é verdadeiro o tempo todo? Os políticos mentem mais, mas o próprio contexto social é falso e mentiroso. As pessoas usam máscaras para não revelar o que pensam e gostam e seguem o que o Presidente tem feito com muita convicção: negar sempre! Fazem e negam. Se ninguém souber torna-se verdadeiro.

Longe de mim achar que sou dona da verdade. Tudo que escrevo, não pretende ser, de forma nenhuma, a verdade absoluta; são reflexões de uma pessoa cujo prazer maior está em ler e refletir sobre o que lê e sobre o que vê, e tem uma necessidade enorme de saber mais e de compreender o mundo dos homens e a cabeça das pessoas.

Mas causa revolta assistir de camarote ao que está acontecendo em nosso país. Eu acredito nas possiblidades do ser humano; e não vejo nenhuma vantagem em deixar as pessoas passando fome para depois nos trancarmos atrás de grades que não protegem. Causa-me revolta a miséria, a fome, o tráfico de drogas, a pouca vergonha dos políticos que, visivelmente, superfaturam as contas públicas e promovem o auto-enriquecimento ilícito. Será que essas pessoas não têm consciência? Será que elas não sentem nada, quando assistem a miséria e a fome batendo na porta de mais de cinquenta milhões de brasileiros?

E aí eu me lembrei de uma passagem de Terras do Sem Fim (Jorge Amado), onde um personagem pergunta: você não sente nada? Não sente nada por dentro?

Que mundo é esse em que se valoriza mais o TER que o SER?

De vez em quando bate uma enorme tristeza de saber que a mentira é transformada em verdade, e quem busca a verdade fica sempre com cara de bobo. Mas ainda tenho esperança de que um dia a Verdade prevalecerá. Eu creio em Deus e não acredito que a morte seja o fim.

 

OBS: Esta crônica foi escrita em 2006, mas continua valendo.

Read Full Post »

  MC3

No último sábado, a Academia de Letras de Ilhéus realizou a sessão da saudade, dedicada ao seu ilustre membro, Manoel Carlos Amorim de Almeida. A palestra foi proferida pela acadêmica Eliane Sabóia Ribeiro e reuniu a viúva Sara, o irmão César, filhos e netos do homenageado, além de muitos amigos. Bonitas e carinhosas as palavras do filho Guilherme, em nome da família. Bonito ver os netos, desde os mais velhos, como Júlia já com o filhinho, como os pequenos, de Renée(zinha), que era como Manoel Carlos a chamava, para diferenciar da tia Renée Albagli Nogueira, também presente, com sua filha Cláudia, menina por quem tenho a maior admiração; educada, inteligente e cortês com os mais velhos. E a pequena de Renéezinha, autografando muito compenetrada? Estava uma graça! Também uma palavra muito especial para o querido primo (que é como nos tratamos) Isaac Albagli Filho, também na mesa, distribuindo autógrafos e mensagens, em nome do avô, objeto das homenagens daquela noite, que contou com a presença de muitos acadêmicos.

A reunião teve dois momentos: o primeiro, já tratado; e o segundo, o lançamento do livro Os Maximilianos e outras histórias, escrito por Manoel Carlos e de conteúdo muito precioso para os historiadores. Foi editado pela Editus, da UESC. Toda a equipe responsável pela editoração, chefiada pela também acadêmica, Baísa Nora, estava presente, com a finalidade de homenagear o autor.

O livro, cujo assunto abordado é muito interessante para o conhecimento de nossa história, teve como prefaciador, o acadêmico e presidente do Instituto Histórico e Geográfico, doutor em História, André Luiz Rosa Ribeiro. Diz André, e nós concordamos: “Manoel Carlos Amorim de Almeida é desses homens cuja maturidade não faz perder o viço da inquietação, quanto a ser útil à sociedade em que nasceu, viveu, casou e criou os seus”. Nós lamentamos muito que tenha partido quando ainda poderia fazer muito por esta cidade que tanto amou. Mas, temos certeza, pelo que conhecemos, de que seus filhos e netos não deixarão morrer o seu trabalho.

Sobre o livro, podemos dizer que os ensaios e artigos foram publicados no Caderno Cultural do jornal A Tarde, de Salvador e no Diário de Ilhéus. A ideia de escrever sobre os Maximilianos veio da observação de que havia certa confusão quando se falava sobre um ou outro. Devo confessar que, em certa ocasião, eu também tive esta dúvida, porque falava-se sobre Maximiliano, sem especificar o sobrenome. Lembro bem que certa vez perguntei-lhe sobre este assunto. Afinal Maximiliano esteve em Ilhéus em 1817 ou em 1860? Foi aí que ele me explicou a diferença: não era um, eram dois.

O príncipe alemão Maximiliano de Wied-Neuwied esteve em Ilhéus em 1817. Sobre esta viagem escreveu o livro Viagem ao Brasil, toda feita a pé, a partir do Rio de Janeiro, cuja finalidade foi observar a fauna, a flora e as gentes que habitavam toda esta região. O príncipe enfrentou grandes dificuldades como “estradas péssimas ou inexistentes, chuvas, falta de víveres, cansaço da tropa de burros e dos carregadores”, enfim, uma série de problemas que somente com persistência conseguiu vencer.

O Maximiliano alemão atravessou as terras do Rio de Janeiro, Espírito Santo e extremo sul da Bahia (Alcobaça, Prado, Porto Seguro e Belmonte), chegando às terras de Vila Nova de Olivença, limite do território de Ilhéus. Sobre a vila de Ilhéus o príncipe descreveu o que viu. Dos prédios existentes citou a igreja de N. S. da Vitória, dentro de uma mata próxima, a de São Jorge e a capela de São Sebastião, já demolida.

O príncipe alemão Maximiliano Neuwied pesquisou os índios em Ferradas, foi à Lagoa Encantada e sua viagem demorou certo tempo.

O arquiduque Maximiliano da Áustria esteve em Ilhéus no ano de 1860, numa viagem curta, durou apenas sete dias; seu livro sobre esta viagem recebeu o nome de Mato Virgem e está em vias de ser lançado pela Editus. Ele foi procurar conterrâneos seus que moravam em fazendas próximas. Foram eles, Ferdinand Von Steiger-Mussingen e Henrique Berbert.

Manoel Carlos fala da festa em homenagem a São Sebastião presenciada por Maximiliano, bem diferente da atualidade, bem mais próxima da forma como é realizada em Portugal.

Gostei muito do livro. Vale a pena ler.

Manoel Carlos partiu, não está mais entre nós, mas sua obra permanecerá.

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »