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Archive for the ‘Escritores grapiúnas’ Category

5ª EDIÇÃO

Na última quinta-feira, a Editora Via Literarum, a Academia de Letras de Ilhéus e o Colégio Fênix promoveram o lançamento da 5ª edição do livro Notícia Histórica de Ilhéus do professor Carlos Roberto Arléo Barbosa, o professor Arléo.

Este livro, que contém os principais fatos relativos à história de Ilhéus, tem grande importância, não só para o conhecimento desta história, mas também, para os pesquisadores que procuram se aprofundar neste conhecimento. Quando escrevi meu livro Passeio por São Jorge dos Ilhéus, por exemplo, a leitura da obra Ilhéus foi de fundamental importância para a concretização do meu trabalho.

Professor Arléo é como todos o conhecemos. Sua prática no magistério vem de longas datas, e sua esposa Cláudia afirma que Arléo é professor por vocação, pois sempre sonhou em exercer esta atividade. Para atuar como professor foi iniciado por Dr. Diógenes Vinhais, “grande mestre nos anos cinquenta e sessenta”, que o fez discípulo, mostrando-lhe “o caminho de mestre escola”, dando-lhe aula de didática, ensinando-o em como tratar os educandos, o que ele aprendeu muito bem. Já ouvi de muitos de seus alunos e ex-alunos que uma aula sua é como uma viagem no tempo e na história, sem dúvida, sua grande paixão.

Em 1959, Arléo com apenas 20 anos iniciou sua carreira em sala de aula, no Ginásio 7 de setembro atual Colégio Diógenes Vinhais, em Itajuípe. Pouco tempo depois, fez o curso da CADES, em Salvador e foi aprovado, o que lhe deu direito ao registro definitivo no Ministério da Educação, na disciplina História do Brasil.

Arléo nasceu em Jequié, mas mora em Ilhéus desde a adolescência. Tem enormes serviços prestados a nossa cidade, como professor, mas também pelo tempo em que trabalhou no Banco do Brasil, com formação de pessoal como instrutor de Relações Humanas durante muitos anos, de onde se aposentou.

Nosso amigo, motivo desta crônica, é professor especialista em História Regional, em História Contemporânea e em Educação Brasileira e Mestre em Educação, na linha de História e Cultura. A cidade que o ama e admira não foi ingrata, mas reconhece a qualidade do seu trabalho. Por isso outorgou-lhe sua principal honraria, a Comenda de São Jorge dos Ilhéus e o Título de Cidadão Ilheense, por serviços prestados à cidade. Ele é membro da Academia de Letras de Ilhéus e do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus. É professor aposentado como titular de História da Bahia e de História Regional, da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.

Como historiador e escritor, é autor das seguintes obras: “Monaquismo e Educação” (1972); “Nhoesembé” (1973); “Ilhéus” em parceria com Horizontina Conceição (1976); “Notícia Histórica de Ilhéus” (1981), edição comemorativa do Centenário da Cidade, atualmente na 5ª edição; como resultado do mestrado em educação, escreveu “A Rede Pública de Ensino Médio em Ilhéus: análise de um trajeto histórico” (2000); participou do livro “Múltiplos Olhares sobre a região cacaueira do sul da Bahia”, organizado por mim e publicado em 2010, e do livro “Mejigã e o contexto da escravidão” organizado pelo Prof. Ruy do Carmo Póvoas.

Foi presidente da Fundação Cultural de Ilhéus e do Conselho Municipal de Cultura; atualmente é Diretor do Colégio Fênix/Objetivo, em Ilhéus.

A quinta edição do livro Notícia Histórica de Ilhéus é dedicada aos seus entes mais queridos, aqueles que já partiram: seus pais, sua irmã, um dos filhos e uma neta; e aos que têm a alegria de conviverem com ele: seus cinco filhos, netos e um bisneto, além da esposa Cláudia.

Na introdução à quarta edição o autor coloca o pensamento de Lucien Febvre que, ao comentar a obra de Marc Bloc, diz: “O tempo não se detém e que os compêndios de história precisam ser discutidos, saqueados, contraditos e continuamente revistos. O conhecimento histórico é mutável e sempre provisório”.

E eu, em minha humilde opinião, costumo dizer que tudo muda, inclusive a história, pois muda nosso olhar sobre ela.

Assim, essa contínua revisão e ampliação da obra Notícia Histórica de Ilhéus, realizada pelo seu autor Carlos Roberto Arléo Barbosa, segue a mais pura orientação dos maiores escritores de história da atualidade. Parabéns ao editor, Agenor Gaspareto, pelo presente com que nos brinda, em mais uma bela edição, de um grande livro.

 

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Como prometi na semana passada, hoje transcrevo para vocês uma crônica sobre Jorge Amado, escrita sobre sua tradutora para o russo. Aproveito para chamar atenção sobre a qualidade do seu português, como também, reforçar a importância do nosso escritor maior em várias partes do mundo, neste caso não só na Rússia, mas nos países do bloco chamado União Soviética.

 

são jorge dos ilheus2   são jorge dos ilheus3

 

Jorge Amado como a locomotiva das relações literárias russo-brasileiras

Elena Beliakova

Ao estudar todo o corpo de traduções da literatura brasileira para o russo, podemos chegar à conclusão de que a história de percepção da literatura brasileira pelos russos divide-se precisamente em 3 períodos: período pré-amadiano, período de Jorge Amado e o pós-amadiano.

O primeiro período durou desde 1826 até 1947, porém, em 120 anos, foram traduzidas somente 15 obras de autores brasileiros. A maioria dos leitores russos ainda não imaginava que a literatura brasileira existia.

A segunda etapa nas relações literárias entre nossos países foi determinada por completo pelas obras e atividades políticas de Amado. Essa etapa teve início em 1948, quando foi publicada a primeira tradução de Jorge Amado para a língua russa (São Jorge dos Ilhéus), e terminou em 1991, com a mudança radical da política editorial na ocasião da derrocada da união Soviética. Em 33 anos os leitores russos conheceram a obra de 132 escritores brasileiros: prosaicos, poetas e dramaturgos. Nesse período, foram editados 68 livros de autores brasileiros, desses 8 antologias em prosa e versos, obras reunidas de contos, crônicas e lendas (sem considerar os livros de Amado). Foram traduzidas todas as obras mais significativas tanto de clássicos como de contemporâneos que contribuíram com o desenvolvimento da literatura brasileira. Nesse período, os leitores russos podiam julgar os autores brasileiros não por trechos e alguns contos, mas por romances traduzidos na íntegra, coletâneas de contos, antologias poéticas. Os autores mais destacados foram apresentados por algumas grandes obras. Isso se refere aos clássicos, fundadores da literatura brasileira, como aos contemporâneos: José de Alencar, Aloísio Azevedo, Castro Alves, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, José Lins do Rego e muitos outros. O aumento do interesse pela literatura brasileira pode ser explicado só pelos esforços de Jorge Amado. Ele divulgou ativamente a obra de autores brasileiros (principalmente de companheiros de partido, de escritores comunistas); levou escritores brasileiros a URSS como membros de delegações, indicou livros de seus amigos aos tradutores e, finalmente, escreveu prefácios para livros. O resultado foi a publicação de traduções em russo de quase todos os autores brasileiros. Nenhum livro saía na época sem a benção de Jorge Amado. Caso o prefácio não fosse escrito por ele, havia obrigatoriamente menção a sua opinião. Na época soviética todo o sistema editorial encontrava-se sob o controle rígido do partido e para os funcionários do partido a indicação de Amado era a garantia ideológica por um autor desconhecido na União Soviética. Para o tradutor ou redator interessado na publicação de algum autor bastava trazer um parecer positivo de Amado para receber a permissão para edição do livro. Mas, muito frequentemente, as referências a Amado eram necessárias para atrair a atenção do leitor. Para a massa de leitores soviéticos os nomes dos autores brasileiros mais famosos não diziam absolutamente nada. O único escritor brasileiro amplamente conhecido em nosso país era e permanece Jorge Amado. Para todos os receptores da literatura brasileira: tradutores, pesquisadores, leitores – Jorge Amado é uma certa pedra angular, o fundamento sobre o qual está a literatura brasileira.

E como se sabe que todas as traduções de literatura soviética nos anos 40-50 eram feitas pela editora Paz dirigida por Amado, podemos afirmar que Jorge foi a locomotiva verdadeira das relações literárias entre nossos países.

O terceiro período, pós-amadiano, que teve início com a derrocada da União Soviética estende-se até os dias de hoje. Junto com o país desmoronou também o sistema estatal de publicação de livros. As velhas editoras estatais desapareceram, caíram as tiragens (se na União Soviética a tiragem de 500 mil exemplares era um fenômeno comum, agora 5 mil é uma boa tiragem), decaiu a cultura de publicação de livros, e finalmente, moveu-se em 180 graus a estrutura ideológica: o comunismo foi proibido. Tudo isso podia não refletir-se nas traduções de autores brasileiros para a língua russa.

Jorge Amado deixou de ser persona grata. Claro que os livros de Amado são editados, pois os leitores russos não deixaram de lê-los, mas para a publicação são escolhidas as obras menos ideológicas Dona Flor, Tereza Batista, Sumiço da Santa. Tantas obras como O Cavaleiro da Esperança ou Subterrâneos da Liberdade são expulsos dos planos editoriais.

Infelizmente o outro escritor brasileiro é mais desejado pelos editores; e este escritor é Paulo Coelho. A tiragem dos livros dele já superou a de Jorge Amado.

Mas na verdade o único valor de Coelho é que ele é do país de Jorge Amado.

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Mais um para a lista de Adonias Filho*.

Gustavo2

No último dia 4 de maio, a Academia de Letras de Ilhéus abriu suas portas para um evento bastante especial: Gustavo Cunha, o conhecido médico infectologista lançou seu livro “Chácara das Tormentas”. A ALI ficou pequena diante do grande número de pessoas que atendeu ao convite.

Gustavo nasceu em Ilhéus e muito cedo seguiu para Salvador, onde ingressou na Faculdade de Medicina e Saúde Pública. Tendo concluído o curso, foi aprovado no curso de doenças infecto-contagiosas e doenças tropicais no Instituut Voor Tropische Geneeskunde, em Antuérpia, na Bélgica. Quando retornou ao Brasil especializou-se em saúde pública pela Universidade de Ribeirão Preto, em São Paulo.

O médico Gustavo Cunha afirma que: “Primogênito de uma família de 05 irmãos, teve a sorte de ser apresentado aos livros pela mãe professora, desde muito cedo”. Suas obras preferidas são “A Metamorfose” de Kafka e “Crime e Castigo” de Dostoiévski, clássicos da literatura mundial. Aprecia, também, Cecília Meireles e Florbela Espanca, na poesia, além de filósofos como Niestzsche, Schopenhauer e o existencialista francês Jean-Paul Sartre.

O ROMANCE

A história narrada por Gustavo Cunha tem início na Alemanha, no final da Segunda Guerra Mundial. Começa em Dusseldorf e termina em Salvador, mas tem como cenário frequente a região do cacau. Sua forma de narrar os acontecimentos é rica e densa, levando o leitor à ânsia de chegar ao parágrafo e ao capítulo seguinte.

A narrativa inclui a história da formação desta região sul da Bahia, denominada por longo tempo, de região cacaueira. Logo no início do livro ele se refere a Faisqueira, nome da atual cidade de Ubaitaba, quando esta começou a ser formada, em 1783.

Na crítica escrita pelo poeta Fabrício Brandão, está posto que:

Ao nos depararmos com as páginas de “Chácara das Tormentas”, vemos ali uma estruturação narrativa que remonta ao arquétipo consagrado do romance, qual seja o de erguer uma trama em que os personagens materializam uma esfera de atuações notadamente psicossocial. Some-se a esse fato a noção de que a condução da história assume proporções inerentes ao gênero, aspecto reforçado pelo modo de apresentar uma sucessão de relatos projetados ao longo de um tempo que se pretende relativamente extenso.

E o tempo aqui é artifício criativo valioso nas mãos de Gustavo Cunha, continua Brandão. Embora a sucessão dos fatos seja registrada em dias e anos, cumprindo um rito cronológico, os instantes que demarcam a vinda exasperada do imigrante alemão Heinrich Hess ao Brasil, incluindo aí todas as situações associadas a uma trajetória de vida mesclada por algumas virtudes e significativas desventuras, são costurados pela presença maciça do tempo psicológico. À medida que tomamos ciência das caracterizações individuais dos personagens, percebemos que, ao autor coube a tarefa de nos conduzir por entre as revelações urgentes dos sinais de vida ali retratadas.

Optando por uma narrativa concisa e de forte apelo imagético, Gustavo flerta com um viés cinematográfico, fazendo seu texto aproximar-se bastante ao de um roteiro e envolvendo o leitor rumo a uma construção até certo ponto autônoma, tanto na caracterização dos personagens quanto nos cenários que abrigam o desenrolar da trama. O autor elege pontos de tensão e os distribui ao longo do livro, promovendo uma ruptura na linearidade dos acontecimentos. Com isso, a imprevisibilidade toma conta de muitas passagens da obra, conferindo-lhe um diferencial.

Gustavo1

O romance não se pretende histórico, mas fala de modo inequívoco da história desta região, dos migrantes e imigrantes que a formaram. Mas, mais do que isso fala dos dramas pessoais de cada ser humano, das suas alegrias, das suas angústias e desventuras. É um livro de leitura agradável, que vale a pena ser lido.

*Para quem não entendeu. Certa vez, ao perguntarem ao grande escritor grapiúna Adonias Filho, o que esta região produzia, além de cacau, ele respondeu: escritores.

Gustavo3

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HAI-KAIS

de Abel Pereira

RUÍNAS

Sulcos bem cavados

no rosto. Tons de sol-posto

nos Templos largados

  academia5

CHAMPANHA

Ao cristal embaça…

Oh! Fosse a vida assim: doce

No final da taça

   

INCONQUISTÁVEL

Não só para mim

alguma coisa passa a uma

distância sem fim

   

 

CANTO DE AMOR

Janete Mendonça Badaró

Janete Badaro

Foto de Janete Badaró com a filha Jane Hilda

o perpassar

do vento

brincando

lá fora

 
 

aquele canto

dos insetos

lá na mata

e o barulho

do carro

no asfalto

 
 

fazendo

orquestra

com os nossos ais…

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Ojuobá

No carnaval 2012, ano do centenário de nascimento de Jorge Amado, foram muitas as homenagens, merecidas homenagens. Começou em Salvador, cujo tema foi a obra e os personagens do nosso escritor; mas isso era de se esperar, pois Jorge viveu grande parte de sua vida na capital da Bahia. Depois foi a vez de São Paulo com a escola Mocidade Alegre, cujo tema enredo Ojuobá foi baseado no livro Tenda dos Milagres. Foi a escola campeã. No Rio de Janeiro, ícone dos desfiles das escolas de samba, foi a vez da Imperatriz Leopoldinense, que abriu o desfile com os meninos de Capitães de Areia, e encerrou com o Pelourinho e a Fundação Casa de Jorge Amado abrigando a família do escritor, tendo à frente João Jorge e Paloma, vestidos a caráter.

“Briguei pela boa causa, a do homem e a da grandeza, a do pão e a da liberdade, bati-me contra os preconceitos, ousei as práticas condenadas, percorri os caminhos proibidos, fui o oposto, o vice-versa, o não, me consumi, chorei e ri, sofri, amei, me diverti.”
Jorge Amado (Navegação de Cabotagem, 1992)

"Jorge, Amado Jorge"

Ave Bahia! Bahia sagrada! 
1912. A lua prateada banha o céu de axé…
Eis a coroa de Oxalá, o Senhor da Bahia! 
Venha nos proteger, meu Senhor do Bonfim!
Vem do mar a esperança… Litoral de magia… Iemanjá! Oferendas à rainha do mar! 
“Ela é sereia, é a mãe-d’água, a dona do mar, Iemanjá”
Velas bailam ao som do vento baiano. Veleiros, canoinhas e jangadas, deixem-se levar.
“…cerca o peixe, bate o remo, puxa corda, colhe a rede
Canoeiro puxa rede do mar…”
Jorge, Amado Jorge… Eis aqui sua história, vida e memória!
Vai, criança baiana; descubra os segredos dessa terra.
Jorge conheceu fazendas, ruas, vielas,
Becos e guetos, tipos e jeitos.
– Quem quer flores? Frutas? – grita o vendedor.
– Olha o acarajé! – oferece a velha baiana. 
Águas de Oxalá! Venha ver a Lavagem do Bonfim! 
As letras lhe chegam num sopro. Um vento de liberdade em defesa do povo.

Ah… O Rio de Janeiro… Nova casa do rapaz escritor. 
Graduado na vida e na universidade. 
Na política, com o “coração vermelho”, se engajou.
É a vida na capital. Amigos, papos e mulheres… 
Ah… As mulheres… Vida perfumada e sensual…
Bares e cabarés… Eis a malandragem, o primeiro livro: o “país do carnaval”.
Primeiros romances. Romances da guerreira e apimentada Bahia, sua eterna paixão.
O ciclo do cacau, grande inspiração. 
Viver nas areias da história e sonhar em ser capitão. 
Um ideal. O valor do homem. O reconhecimento da valente alma do povo.
Vivência e personagens se confundem. Verdadeiros baianos traduzidos nos folhetins.
Onde está a liberdade? 
Essa é a “Bahia de todos os santos”, de toda gente! Gente brasileira.
Doce amor, doce flor. Amiga, companheira, parceira de letras e caminhadas
Que o segue fielmente pelo “sem fim” do mundo. 
Retornar a sua origem… Os passos rumo à alvorada da literatura.
Rumo à consagração: premiado e Amado. De farda e fardão.
Busca no tempero de Gabriela os sabores da vida. O aroma da crônica do interior.
A brisa que balança as madeixas da morena embala palavras ao encontro de Dona Flor.
Tieta do “chão dos prazeres”, do agreste. Tereza Batista, “fonte de mel”. 
Mulheres e “milagres” do Nordeste.
Jogue a rede, pescador! Traga do mar de memórias as palavras inspiradoras.
Hoje o capitão é Jorge Amado. Capitão de sua navegação. “Navegação de Cabotagem”.
Misticismo e miscigenação, a alma desse chão.
Que Exu nos permita caminhar! “Se for de paz, pode entrar.”
Okê Arô Oxossi! Salve todos os Orixás! Joga búzios, canta a reza!
Kaô kabesilê! Kaô meu pai Xangô! Jorge é obá no Ilê Axé Opô Afonjá!
Ora iê iê Oxum! Mãe de Mãe Menininha do Gantois, amiga na fé, axé!
É festa na ladeira do Pelô! É festa na Bahia! Fervilha a mestiça terra de Jorge!
A Magia dos Filhos de Ghandi… É energia do sangue nordestino…
Tocam atabaques e alabês. O Pelourinho estremece! Vem descendo o Ilê Aiyê!
É o tambor! É a força do ritmo! É o som do Olodum! 
Venham, amigos queridos! Amada família do escritor, venha conosco cantar!
100 anos do nascimento de Jorge Amado… Comemora a Imperatriz Leopoldinense!
De alma e coração, vamos todos brindar ao mestre das letras!
Sentadas sob a sombra da copa de uma grande árvore, suas palavras vão para sempre descansar… 
Jorge, Amado Jorge… 
Muito obrigado! 
Hoje, a ti canto e me declaro:
sou mais um gresilense apaixonado!

Presidente: Luiz Pacheco Drumond
Carnavalesco: Max Lopes
Direção de Carnaval: Wagner Araújo
Texto e desenvolvimento: Max Lopes e Gabriel Haddad

Nós, que amamos e moramos em Ilhéus, estamos orgulhosos.

Retirado do site http://www.imperatrizleopoldinense.com.br/carnaval/index.html

OBS: A letra do samba é a história de Jorge Amado.

 

Mocidade

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Mario 2

O que dizer do homem Mário de Castro Pessoa? Do amigo Mário, Mariozinho, Marujo? Do homem apaixonado pelo trabalho do pai – intendente e prefeito de nossa cidade – Mário Pessoa da Costa e Silva, e pelo avô, “coronel dos coronéis”, Antonio Pessoa da Costa e Silva, do acadêmico?

Mário Pessoa nasceu no dia 28 de maio de 1925, quando seu pai era o intendente de Ilhéus e nos deixou no último dia três de setembro. Filho de tradicional família ilheense, sua mãe era Dona Dejanira Berbert de Castro Pessoa, filha do Coronel Ramiro Idelfonso de Araújo Castro.

Mário de Castro Pessoa foi bacharel em direito e professor universitário da USP. Em São Paulo trabalhou no departamento Jurídico do Banco Itaú, na General Motors, Pirelli, Deca e Banco Comercial de São Paulo. Na década de 1970 recebeu o título de melhor advogado trabalhista do Estado de São Paulo.

Quando se aposentou retornou para sua cidade, reencontrando os amigos que aqui deixara. Dedicou-se à pesquisa da história de Ilhéus, principalmente aquela relativa à sua família. Publicou seus escritos em duas obras – No tempo de Mário Pessoa e O Coronel dos Coronéis. Candidatou-se a uma vaga na Academia de Letras de Ilhéus, tendo ocupado a cadeira número 23, cujo Patrono foi Gutenberg Berbert de Castro e o fundador e último ocupante, Ramiro Berbert de Castro.

Sobre ele, disse o saudoso Tom Lavigne, na orelha do livro O Coronel dos Coronéis:

Mário de Castro Pessoa é um ilheense dos bons, ama profundamente este chão sagrado onde nasceu. Discreto e ferino, no bom sentido, espírito crítico e aguçado, fala com seriedade dos acertos e erros dos que fazem nossa História, sem atingir as pessoas, mas a obra no interesse da coletividade.

Fala da História de Ilhéus, mas, principalmente de um passado recente e dos dias atuais. Vê o futuro, dando alfinetadas bem ao seu feitio, mas com muito amor e, sobretudo confiança no porvir grandioso de nossa terra comum.

Mário de Castro Pessoa nos dá uma grande lição. O dever que temos de preservar nossa memória histórica. A história com fatos reais, sem mentiras. Contada sem invenções e sem recalques romanceados. A História contada História.

No prefácio do citado livro, o acadêmico e grande professor da história de Ilhéus, Leopoldo de Campos Monteiro, diz que “Ler O Coronel dos Coronéis é experimentar uma dupla e agradável satisfação: conhecer uma prova de amor filial e recordar um tempo de grandeza na História de Ilhéus”.

Uma vez de retorno a Ilhéus, para não mais sair, encontrou o amor outonal na vizinha cidade de Canavieiras. Sobre ela disse o seguinte, na dedicatória e agradecimentos do livro citado anteriormente: “Todo o esforço dedicado à formação deste livro, devo à afeição, paciência, fé e solidariedade de Ângela Maria Martins Vasconcelos, minha leal companheira e admirável protetora”.

Mário deixou muitos amigos que o amam fraternalmente. Principalmente na Academia de Letras, local que nunca deixou de frequentar, mesmo quando era um dos poucos que se faziam presentes nas reuniões. Gostava muito de conversar sobre as coisas da cidade. Muitas vezes comunicava-se comigo por e-mail, mas também, quando me convidava para ir à sua casa dar opiniões sobre o que escrevia. Sei que também gostava muito de conversar com André Rosa, presidente do Instituto Histórico sobre as coisas da História de Ilhéus.

Vamos sentir sua falta, mas, temos certeza de que já se reencontrou com aqueles que muito amou.

Desejamos muita PAZ.

Mário na Academia   Mario Pessoa e Leo

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Itabuna tem sido uma fonte rica como temática para o poema e a prosa. Já podemos falar em uma literatura itabunense?

por Antonio Nahud Júnior

 

“Minha terra natal! Que te abrasas e inunda 
De tanto sol! Assim entre agrestes vedores 
Do Cachoeira escutando os bravios rumores, 
Como a Iara gentil destas águas profundas! 
Oh! Como sou feliz e me sinto orgulhoso 
De um dia ter nascido em seu seio faustoso 
Sob o esplendor de um céu de beleza tão rara”

(“Itabuna”, de José Bastos”)

 

Nada mais oportuno quanto necessário do que se recuperar a história da literatura itabunense, levando em conta que nossa cidade está fazendo 101 anos de emancipação política (?) e pouco se sabe de seus escritores e poetas. Com o intuito de não se incorrer em mera repetição do que, em outra época, a respeito já se escreveu, chamo a atenção do leitor para o curto espaço disponível, portanto direcionarei o texto para uma avaliação minimalista e pessoal, absorvendo apenas o que realmente marcou-me. Não cabe aqui discutir os problemas envolvidos nesta trajetória árdua; o que importa é observar que a nossa literatura, concebida à beira da sofrida Mata Atlântica e das águas outrora gloriosas do Rio Cachoeira, num universo cultural habitado de lendas e relatos mágicos, não reflete nenhuma dúvida quanto a sua validez. Pelo contrário, os escritores nativos encontraram nela o instrumento incomparável que lhes permitiu expressar o mistério e a maravilha de uma região única em que vivem (ou viveram) juntamente com seus pássaros, seus frutos, suas árvores, peixes, cotias, tatus etc. Isto sem falar nos seres invisíveis que se tornaram visíveis graças à escrita e ao talento dos artesões da palavra, reafirmando o depoimento do historiador Oscar Ribeiro Gonçalves em seu livro “O Jequitibá da Taboca” (1960): “Itabuna é terra de artistas natos”. 

         Mas a esta altura do comentário, devemos levar em conta um dado que, embora óbvio, passa-nos despercebido: um dos maiores e mais populares escritores do Brasil, Jorge Amado, nasceu nesta terra ingrata, sem memória. Numa narrativa breve, “A Descoberta da América pelos Turcos” (1992), o autor homenageia Itabuna, descrevendo a contribuição dos descendentes de árabes na civilização do cacau, durante a época em que coronéis e jagunços disputavam as terras virgens. O divertido caso do sírio Jamil Bichara, a quem é oferecida a mão de Adma, retoma elementos de obras anteriores, sobretudo de “Tocaia Grande(1984). Ambos os livros estão entre os romances do contador de histórias que tematizam o universo da cultura cacaueira, dentre as quais se destacam também “Cacau” (1933), “Terras do Sem-Fim” (1943), “São Jorge dos Ilhéus (1944), “Gabriela, Cravo e Canela (1958) e “O Menino Grapiúna(1982). Valendo-se da fama internacional de Jorge Amado, a literatura local teve grande prestígio nas décadas de 60 e 70, sendo divulgada calorosamente na mídia e estudada por acadêmicos. Nesta leva encantadora, passamos a conhecer Hélio Pólvora (“O Menino do Cacau”, 1975), Sonia Coutinho (“Os Venenos de Lucrécia”, 1979), Telmo Padilha (“Vôo Absoluto”, 1977), Valdelice Pinheiro (“Pacto”, 1977), Firmino Rocha (“O Canto do Dia Novo”, 1968), Cyro de Mattos (“Canto a Nossa Senhora das Matas”, 2004), o cronista Plínio de Almeida e o cordelista Minelvino. Certamente, para expressar a magnitude do fenômeno, eles se apoderaram da linguagem regional, ganhando não somente um instrumento de expressão, mas também de invenção de seu mundo e de si mesmos. Os temos expostos em seus romances, contos e poemas são quase todos derivados da experiência de vida e da cultura desses habitantes das terras-do-sem-fim. E tudo transfigurado, iluminado de intensidade, harmonizados com a essência local. Trabalhos povoados por árvores e plantas típicas, flores e frutos, memória e invenção, sangue e suor, tudo tocado de inesperada originalidade e realismo. Segundo Hélio Pólvora, “os autores formados no sul da Bahia refletem algumas características do viver e do sentir do grapiúna, mas não chegam a configurar uma escola ou movimento literário distinto, autônomo. A terra é rica tematicamente porque em torno do cacau houve um processo econômico e social até certo ponto civilizador, gerando muitos conflitos, ambições e sonhos. As pessoas que lidam com cacau são sofridas, ciclotímicas: ou nadam em euforia ou afundam em depressões. Maior que a propalada riqueza do cacau é a riqueza de tipos humanos e relatos”.

        Nos anos 80, quando comecei a escrever, conheci todos esses citados acima e muito aprendi com eles, mestres que sonhavam com a riqueza cultural distribuída entre os deserdados de sua terra natal. Nessa década efervescente, criativa, de traços muitos especiais, se comparada à mornidão literária das décadas seguintes, reconheceu-se a força literária. Tempo de colunistas culturais (Pedro Ivo Bacelar, Raimundo Galvão, Luis Wilde e Joselito Reis) e do Projeto de Atividades Culturais Cacau (PACCE), onde herdeiros de uma tradição moderna, os novos escribas, se desdobraram em tendências marcantes, da dramaturgia à poesia, deixando sua contribuição para a riqueza cultural de uma cidade. Na origem dessas experiências, estava o questionamento que, de um lado negava a fantasia em favor da racionalidade e, de outro, negava a linguagem realista em função da autonomia do intimismo, deixando de se referir ao mundo exterior. Neste alvoroço positivo, onde o injustamente esquecido Hélio Pitanga xerocava sua própria criação, transformando-a em livros artesanais e vendendo-os de mão em mão, e a professora Maria de Lurdes Netto Simões incentivava os jovens autores através de elaboradas antologias poéticas e artigos críticos, parecia concebível que determinada literatura, em determinado contexto ou tradição, evoluísse em riqueza ou complexidade morfológica, sintática e semântica. Inclusive, era bastante conhecida uma resposta dada, por Adonias Filho (da vizinha Itajuípe), a um interlocutor, que queria saber, o que, além de cacau, produzia sua região. Ele prontamente respondeu: “Escritores”. Calcados nessa forte tradição, surgiu uma nova geração de ficcionistas e poetas: Jorge de Souza Araújo, Ruy Póvoas, Antônio Lopes, Kleber Torres, Genny Xavier, José Delmo (nascido em Macuco, mas com atuação expressiva em Itabuna), Dimas Braga, e mais adiante, Adylson Machado, Piligra, George Pellegrini, Zélia Possidônio, Gustavo Atallah Haun, Iolanda Costa, Ivan Carlos, Sérgio Brandão, Ulisses Góes, Milena Paladino, Antonio Nunes e Daniela Galdino. Além deles, duas editoras dignamente mapearam a literatura itabunense: a Editus/UESC e a Via Litterarum.

        O certo é que escrever é um ofício solitário, somente recomendado para guerreiros. É raro ser reconhecido em vida – principalmente na nossa cidade natal. Sempre o silêncio é o trunfo maior, superado vez ou outra por armadilhas inesperadas. É preciso grande força de vontade para não desistir, afinal a maioria das pessoas não leva a sério qualquer gênero de arte e a mídia prefere celebrar políticos e fatos criminais escabrosos e descartáveis. Todos esperam a morte do escritor para declarar publicamente o seu talento, a sua dedicação, a falta que ele faz. A comédia humana necessita do artista defunto para exaltá-lo. Sendo assim, afogados em dificuldades perenes, muitos deixaram de escrever, outros ainda escrevem, mas guardam seus escritos. Alguns perderam a identidade, saciados pela nova cultura globalizada provocada por imagens televisivas, navegação eletrônica ou trânsito de pessoas, dentre outros fatores  que, de certo modo, esmagam as culturas locais e as diferenças culturais. Os saraus minguaram e o espaço na mídia praticamente desapareceu, restando um ou outro talento acossado pela mediocridade generalizada. O que nos causa, como itabunenses, desalento e vergonha, é que obras de qualidade escritas por autores da cidade estão esquecidas, ignoradas, encerradas em bibliotecas sombrias como se nada representassem. Todo esse tesouro deveria ser habitualmente consultado e estudado, como os países alfabetizados fazem com a sua literatura.

        Mas isso, eu sei, vai demorar muito, pelo menos enquanto os políticos nativos continuarem a utilizar as verbas em proveito eleitoreiro, para engordar suas fortunas secretas e seus cérebros ocos. Por eles, nunca passaremos de uma cidade em desenvolvimento. Afinal, a política continua sendo uma arte tão difícil quanto suspeita. Portanto, meus caros itabunenses, lembrem-se que é preciso mais cuidado ao votar. Ortega y Gasset – para quem o homem é a sua circunstância -, teorizou a necessidade de um poder culto, bem informado, não sendo assim, os vencedores terão uma governabilidade plena sem direcionamento, sem preocupação com a história, a educação ou a benção da arte. Evidencia-se a necessidade do político bem informado, aquele que tem em consideração as distintas culturas (ou seja, o cosmopolita), que venha a ser elo na cadeia de transmissão das qualidades da sociedade itabunense; de interpretação e respeito  à cultura local. Pois, muito bem, pense nisso. Vamos votar em quem gosta de livros, de música e cinema de qualidade, em quem se preocupa com o intelecto, a estética e a ética, só assim os nossos escritores serão respeitados e admirados. Só assim muita gente aprenderá que literatura é permanência, é um investimento sem risco, de valorização garantida.

Abraços,

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(¸.·´ (¸.·` *ANTONIO NAHUD JÚNIOR

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Não podemos deixar de publicar as belas palavras de Antonio Nahud Júnior, este apaixonado e valente escritor grapiúna.

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