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Archive for the ‘História de Ilhéus’ Category

Bataclan

Há mais ou menos dois anos, um amigo muito querido, Adson Nobre me procurou em nome da direção do Espaço Cultural Bataclan, com a proposta de que eu escrevesse um texto para um pequeno livro que eles gostariam de publicar, como peça de propaganda do empreendimento, para os turistas levarem como lembrança. Fiquei muito feliz, gosto destes trabalhos, destes desafios. Mas não foi fácil.

Na época procurei o saudoso e querido Barão de Popof pedindo-lhe que me concedesse uma entrevista. O amigo, também um contador de histórias, me disse que, quando chegou a Ilhéus, ainda criança, o Bataclan não existia mais. Falou-me do prédio, que estava dividido em duas partes, onde no piso térreo havia um armazém que guardava a carga trazida pelos navios e que tinha como destino o interior. O meio de transporte para esta carga era o trem, cuja ferrovia, a “The State of Bahia South Western Railway Company Limited”, funcionou até o início dos anos 1970.

Pois bem, há quem diga que o Bataclan nunca existiu. Não sei, mas desconfio que não mesmo, afinal jamais encontrei qualquer vestígio dele. Do Vesúvio, que também foi assunto de uma pesquisa que fiz, e cujo texto está pronto há bastante tempo, esperando publicação, os jornais noticiam muitas coisas, desde sua fundação. Mas, do Bataclan, nada. Isto me faz desconfiar que o Bataclan de Ilhéus seja uma criação do grande escritor Jorge Amado, que possuía a capacidade de transformar fantasia em realidade. Recentemente, quando da tragédia terrorista em Paris na boate Bataclan, acendeu uma luz em minha cabeça. Seria este nome copiado do estabelecimento francês, que é anterior à obra Gabriela, escrita em 1959? Jorge morou na França e devia conhecer Paris muito bem. Não sei se acharei alguém que possa me dar esta resposta.

Uma coisa é certa. Entretanto, se o Bataclan de Ilhéus existiu, quem lhe deu todo aquele glamour foi, sem dúvida o escritor grapiúna.

Escrevi o texto e soube que o livro seria lançado no final do mês de janeiro, mas não fui comunicada, a não ser pela ligação que recebi de Adson, fiel amigo. Nem sei mesmo se o lançamento ocorreu de fato.

Estive em Ilhéus no início de janeiro, passei poucos dias, fui ver minha tia querida. Foi muito rápido, mas não deixei de passar no Bataclan, queria adquirir o livro, queria ver o resultado do meu trabalho. Gostei. Ficou muito bonito o trabalho gráfico da Via Literarum. E linda a capa de Goca Moreno.

Sobre o Bataclan escrevi o seguinte em janeiro de 2012: “Portanto, o espaço destinado a exposições, o quarto idealizado por Jorge Maron, e o que mais lá tiver, estão em perfeita harmonia com um espaço turístico moderno e bem aparelhado, que veio enriquecer em muito nosso equipamento destinado ao turismo cultural. Além disso, parece que ele veio também para mexer com nossas frustrações referentes ao declínio da cultura cacaueira e, mexendo com isso, nos ajudar a recuperar nossa autoestima”.

O livro tem cerca de 50 páginas e conta um pouco sobre o que apuramos de sua enigmática história. O restante, encontramos no livro Navegação de Cabotagem, de Jorge Amado. Ele conta diversas passagens acontecidas no espaço.

A esta altura do campeonato, não importa se o Bataclan existiu ou não, importa que ele exista e seja bem cuidado para enriquecer o patrimônio cultural de Ilhéus.

Está pronto o livro do Vesúvio, esperando vir a ser publicado. Não sei se o será, mas, acredito que, sobre a história de Ilhéus, não sairá mais nada. Meu blog, “Ilhéus com amor” não sairá do ar, continuarei respondendo às perguntas feitas pelos leitores, mas deixarei de alimentá-lo com matérias. E continuará a ser útil a quem quiser conhecer Ilhéus, a Terra do Sem Fim de Jorge Amado.

Estou começando minha história em Aracaju, com novos temas, novos assuntos e já está no ar um novo blog: Educação, Cidadania e Meio Ambiente, onde publicarei meus novos trabalhos.

Todos estão convidados a acessá-lo no site mlheine.com.br.

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Lixão do Itariri Ilhéus

Foto retirada da internet em 03.08.2014 (site aliancaspublicoprivadas.org,br)

Se olharmos nossas cidades com olhos atentos, vamos encontrar por toda parte e com raras exceções, muito lixo. O lixo fede, tem aspecto feio, é fonte de doença e de proliferação de insetos e de pequenos animais nocivos; além disso, diz muito mal da cultura de um povo e de suas práticas.

O lixo é “decorrência da manifesta vocação das sociedades humanas para transformar o meio natural”; é indissociável das atividades desenvolvidas pelo homem, tanto no tempo quanto no espaço. Não é exagero afirmar que, já nos primórdios da humanidade o lixo constituía um foco obrigatório de atenções, diz Waldman (Lixo, 2010).

Tendo constatado isso, verificamos que o Capitulo 1° da Constituição Federal de 1988 diz, no Art. 225, que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo”. Meio ambiente ecologicamente equilibrado não combina nem com lixo, nem com sujeira e poluição.

Desde os anos 1960 existe um movimento mundial, e a mídia tem falado muito sobre o assunto, para que o desenvolvimento possa ser sustentável, isto é, possa continuar acontecendo, porém, em outras bases, sem destruir as reservas do planeta e sem colocar em risco a manutenção da vida sobre ele.

Após a Conferência do Rio realizada em 1992 (Eco 92), foram escritos muitos documentos, dentre eles a Agenda 21. Em 1997 o então prefeito Jabes Ribeiro, assessorado pelo professor Soane Nazaré de Andrade, assinou a criação da Agenda 21 de Ilhéus, um marco na tomada de decisões para que Ilhéus traçasse o caminho do desenvolvimento sustentável.

No dia 21 de setembro de 1998 foi constituída a Comissão Coordenadora da Agenda 21 Ilhéus, formada por diversos segmentos da sociedade e do poder público, coordenados por Soane Nazaré e Adeum Sauer. Esta Comissão foi instituída pelo Decreto n° 010/98, assinada no dia 6 de janeiro de 1998, pelo prefeito municipal. Na apresentação do documento está posto que o Governo Municipal, preocupado com a necessidade de desencadear um processo de ações adequadas, em especial em relação à dimensão ambiental “deve permear todas as ações de desenvolvimento, especialmente para realizar as potencialidades de sua vocação turística, como opção econômica, em função do patrimônio natural de seu ecossistema”. Nessa época foi criada a Universidade Livre do Mar e da Mata – MARAMATA – que representa um passo importante para a ação coletiva e organizada, sobretudo no processo de educação como construtora e propagadora do referencial de desenvolvimento humano de nosso tempo (AGENDA 21, p. 12).

Talvez muitas pessoas não compreendam o tamanho do problema que existe no lixo. Por conta disso, no dia 2 de agosto de 2010 foi promulgada a Lei N° 12.305, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cujo prazo para efetivar as mudanças, acabando com os lixões, terminaria quatro anos depois, em 2 de agosto de 2014. Este dia chegou trazendo uma realidade muito diferente do que preconiza a Lei.

Os objetivos da PNRS estão voltados para questões de saúde pública e qualidade ambiental, não geração, redução e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, estímulo de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços, adoção e desenvolvimento de tecnologias limpas e redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos; também incentivar a indústria da reciclagem, a gestão integrada de resíduos sólidos, bem como a capacitação técnica continuada nessa área.

O artigo 7° trata da responsabilidade com a “integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis”, assunto que muito interessa a Ilhéus, com relação à Educação Ambiental. O assunto é urgente, não pode esperar e os catadores estão passando dificuldades. A geração de resíduos no Brasil aumentou seis vezes mais do que o aumento da população, no ano de 2010.

Para finalizar podemos dizer que, em Ilhéus, a questão está sendo tratada desde 2008, envolvendo a Conder, o Ibam, algumas ONGs e associações de moradores; conta com a “marcação” atuante do Instituto Nossa Ilhéus, com apoio de muitas empresas privadas e, o mais importante, com a criação da Coolimpa (cooperativa de catadores); os catadores foram transformados em “agentes ambientais” e retirados do lixão, mas… tudo continua como antes, nada mudou. Muitos catadores retornaram para o lixão, a Coolimpa continua sem galpão de triagem e sem caminhão e contando apenas com o sonho da muito guerreira D. Deizimeire e de alguns companheiros.

A coleta seletiva em Ilhéus e o Aterro Sanitário do Itariri estão depositados na mesma prateleira em que colocaram a nova ponte, a duplicação da rodovia Jorge Amado, a construção do novo aeroporto e do Porto Sul e de muitas outras obras necessárias.

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Reunião do Grupo de Trabalho (GT) no Instituto Nossa Ilhéus com D. Deizimeire

 

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Livro está em fase final de produção na editora - Foto Divulgação (2)

 

Encontra-se em fase final de produção, na editora, o livro ‘Pontal, entre o agora e o passado’, produzido pelo aerofotógrafo e cartógrafo José Rezende Mendonça, que busca resgatar e principalmente eternizar a história de um dos bairros mais tradicionais do município de Ilhéus.  Na obra, é possível encontrar histórias que vão desde a chegada dos marinheiros, por volta de 1870, até os dias de hoje, passando por histórias sobre os nomes de ruas, praças, casas noturnas e restaurantes, com contos muitas vezes vivenciados pelo próprio autor.

Segundo José Resende, o livro traz uma linguagem popular e simples. “Se eu usasse uma linguagem literária, as pessoas de idade, pessoas comuns que são os principais alvos do livro, poderiam ter dificuldades para entender, por isso uso uma linguagem bem simples, como se eu estivesse conversando com a pessoa, algo bem natural” relata Mendonça. Conforme ressalta o autor, o conteúdo do livro foi produzido através da história oral. “Não existe nenhum outro livro que conte a história do Pontal, então tudo que escrevi foi contado por moradores do bairro, amigos mais velhos, pessoas que trazem a história do Pontal dentro de si” relata.

Este é o terceiro livro que José Rezende publica, com 42 capítulos, contendo histórias de publicações anteriores atualizadas e mais detalhadas, bem como novos contos sugeridos por leitores das obras anteriores. Também são usadas fotografias, tanto coloridas quanto em preto e branco, para ampliar e ilustrar as informações.  “É um acervo de coisas em 392 páginas, com 400 fotografias coloridas e mais de 120 em preto e branco, que contam a história, o lado comercial, folclórico, popular e turístico do Pontal” conclui.

Informações da SECOM

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No último dia 20 de janeiro os católicos do mundo inteiro homenagearam São Sebastião. Em Ilhéus, como sempre, teve procissão. O santo mártir tem uma longa admiração da população ilheense, tendo sido eleito o padroeiro dos estivadores e da cidade, juntamente com São Jorge e Nossa Senhora da Vitória.

No local onde foi erguida a Catedral de São Sebastião, símbolo da cidade, existia uma capela centenária, também em homenagem ao santo. Esta capela foi demolida no ano de 1927 para que ali fosse construída a nobre e imponente catedral, projetada pelo construtor Salomão da Silveira.

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O Diário da Tarde (22 jan.1934) apresenta uma matéria narrando a festa comemorativa de São Sebastião, onde o Bispo Diocesano, D. Eduardo, “produziu eloquente sermão sobre o padroeiro da Diocese e a necessidade da construção de sua nova catedral em Ilhéus”. É possível encontrar muitas matérias no Diário sobre a construção do majestoso templo. Este imponente templo da igreja católica representou o sonho da comunidade ilheense por mais de trinta anos. Ela representa o sonho do bispo que iniciou as obras, D. Eduardo, que foi sepultado na própria igreja e é até hoje motivo de idolatria, sendo considerado santo por muitos fiéis.

O tamanho da igreja impressiona. Ela tem, em sua abóbada principal, 48 metros de altura, é mais alta que o hotel de seis andares que fica na mesma praça e à sua frente e está presente na maioria das fotos da cidade.

Em que pese não poder ser considerada um primor de arquitetura, tem um enorme valor cultural, pelo que representa para a sociedade local e para a atividade turística do município. A catedral foi inaugurada em 21 de setembro de 1967, e seu construtor, Salomão da Silveira, construiu muitos prédios locais e tem como característica principal utilizar um estilo arquitetônico bastante eclético, mas igualmente grandioso, com predominância do clássico grego.

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Minha tia Tirma Figueiredo veio morar em Ilhéus em 1948, acompanhando de perto a construção da Catedral. Ela afirma que a igreja era utilizada enquanto a construção acontecia e que as missas eram celebradas nos altares laterais, que o chão era de cimento e bancos rústicos. Mas a “maravilha das maravilhas foi a sua inauguração”. Naquele dia a cidade foi invadida por bispos e cardeais. Até o representante do papa, o Núncio Apostólico, D. Sebastião Baggio veio para a inauguração. E o coral da professora Maria de Lurdes Abreu cantou O Messias, de Haendel. “Eu tive esta honra de fazer parte deste coral e cantar na inauguração da Catedral”.

A umidade da região, com chuvas fortes e constantes, causa deterioração no prédio, exigindo constantes reformas. As inúmeras festas de carnaval realizadas ao lado da igreja com os trios elétricos estourando em decibéis, também provocaram muitos danos, inclusive quebrando os belíssimos vitrais que a ornamentam.

No ano de 2003 o Diário de Ilhéus, edição de 27 de maio, apresenta uma notícia na primeira página dizendo que o pároco da Catedral de São Sebastião tem uma audiência marcada com o governador do Estado para pedir ajuda na reforma da igreja. A obra foi orçada em um milhão de reais. O jornal diz que, após 36 anos de construída, a catedral apresenta ferrugem na parte de ferro, rachadura no piso e nas paredes e desgaste devido ao som estrondoso dos trios elétricos em época de carnaval e outras festas. De tempos em tempos, novas reformas devem ser realizadas.

Sebastião foi morto no ano 286 da era cristã, no reinado do imperador romano Diocleciano. A catedral de São Sebastião é, sem dúvida, o símbolo da cidade de São Jorge dos Ilhéus, ponto de atração turística dos mais importantes e uma homenagem do povo ilheense ao santo mártir.

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5ª EDIÇÃO

Na última quinta-feira, a Editora Via Literarum, a Academia de Letras de Ilhéus e o Colégio Fênix promoveram o lançamento da 5ª edição do livro Notícia Histórica de Ilhéus do professor Carlos Roberto Arléo Barbosa, o professor Arléo.

Este livro, que contém os principais fatos relativos à história de Ilhéus, tem grande importância, não só para o conhecimento desta história, mas também, para os pesquisadores que procuram se aprofundar neste conhecimento. Quando escrevi meu livro Passeio por São Jorge dos Ilhéus, por exemplo, a leitura da obra Ilhéus foi de fundamental importância para a concretização do meu trabalho.

Professor Arléo é como todos o conhecemos. Sua prática no magistério vem de longas datas, e sua esposa Cláudia afirma que Arléo é professor por vocação, pois sempre sonhou em exercer esta atividade. Para atuar como professor foi iniciado por Dr. Diógenes Vinhais, “grande mestre nos anos cinquenta e sessenta”, que o fez discípulo, mostrando-lhe “o caminho de mestre escola”, dando-lhe aula de didática, ensinando-o em como tratar os educandos, o que ele aprendeu muito bem. Já ouvi de muitos de seus alunos e ex-alunos que uma aula sua é como uma viagem no tempo e na história, sem dúvida, sua grande paixão.

Em 1959, Arléo com apenas 20 anos iniciou sua carreira em sala de aula, no Ginásio 7 de setembro atual Colégio Diógenes Vinhais, em Itajuípe. Pouco tempo depois, fez o curso da CADES, em Salvador e foi aprovado, o que lhe deu direito ao registro definitivo no Ministério da Educação, na disciplina História do Brasil.

Arléo nasceu em Jequié, mas mora em Ilhéus desde a adolescência. Tem enormes serviços prestados a nossa cidade, como professor, mas também pelo tempo em que trabalhou no Banco do Brasil, com formação de pessoal como instrutor de Relações Humanas durante muitos anos, de onde se aposentou.

Nosso amigo, motivo desta crônica, é professor especialista em História Regional, em História Contemporânea e em Educação Brasileira e Mestre em Educação, na linha de História e Cultura. A cidade que o ama e admira não foi ingrata, mas reconhece a qualidade do seu trabalho. Por isso outorgou-lhe sua principal honraria, a Comenda de São Jorge dos Ilhéus e o Título de Cidadão Ilheense, por serviços prestados à cidade. Ele é membro da Academia de Letras de Ilhéus e do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus. É professor aposentado como titular de História da Bahia e de História Regional, da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.

Como historiador e escritor, é autor das seguintes obras: “Monaquismo e Educação” (1972); “Nhoesembé” (1973); “Ilhéus” em parceria com Horizontina Conceição (1976); “Notícia Histórica de Ilhéus” (1981), edição comemorativa do Centenário da Cidade, atualmente na 5ª edição; como resultado do mestrado em educação, escreveu “A Rede Pública de Ensino Médio em Ilhéus: análise de um trajeto histórico” (2000); participou do livro “Múltiplos Olhares sobre a região cacaueira do sul da Bahia”, organizado por mim e publicado em 2010, e do livro “Mejigã e o contexto da escravidão” organizado pelo Prof. Ruy do Carmo Póvoas.

Foi presidente da Fundação Cultural de Ilhéus e do Conselho Municipal de Cultura; atualmente é Diretor do Colégio Fênix/Objetivo, em Ilhéus.

A quinta edição do livro Notícia Histórica de Ilhéus é dedicada aos seus entes mais queridos, aqueles que já partiram: seus pais, sua irmã, um dos filhos e uma neta; e aos que têm a alegria de conviverem com ele: seus cinco filhos, netos e um bisneto, além da esposa Cláudia.

Na introdução à quarta edição o autor coloca o pensamento de Lucien Febvre que, ao comentar a obra de Marc Bloc, diz: “O tempo não se detém e que os compêndios de história precisam ser discutidos, saqueados, contraditos e continuamente revistos. O conhecimento histórico é mutável e sempre provisório”.

E eu, em minha humilde opinião, costumo dizer que tudo muda, inclusive a história, pois muda nosso olhar sobre ela.

Assim, essa contínua revisão e ampliação da obra Notícia Histórica de Ilhéus, realizada pelo seu autor Carlos Roberto Arléo Barbosa, segue a mais pura orientação dos maiores escritores de história da atualidade. Parabéns ao editor, Agenor Gaspareto, pelo presente com que nos brinda, em mais uma bela edição, de um grande livro.

 

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A ideia desta crônica surgiu das minhas reflexões, quando assisti, esta semana, a uma matéria na TV sobre a implosão do elevado da Avenida Perimetral, na cidade onde nasci e cresci – o Rio de Janeiro.

Quando chegamos a certa idade, as lembranças passam a fazer parte das nossas vidas e de nossas reflexões. Lembramos de nossa infância, da adolescência, das história que vivemos, daqueles que já partiram. É tudo muito forte e muito presente. Pois bem, o Rio da década de 1960 é muito presente na minha memória.

Para escrever estas linhas contei com a colaboração do grande aliado que temos nos dias atuais – a internet. É impressionante, mas quase tudo encontramos ao nosso dispor, com um único click.

Segundo o site consultado, o início da construção do elevado aconteceu nos anos 1950, mas a abertura do primeiro trecho foi em 1960. Deste eu me lembro muito bem. Achei o máximo passar pela nova via expressa e, muitas vezes, já nos anos 70, a utilizava quando pegava a ponte Rio-Niterói para pegar a BR-101 nas minhas viagens para Ilhéus. E o trânsito fluía, coisa difícil nos dias atuais.

Bem, se era feio ou não se harmonizava com a paisagem, isto é outra história. Pessoalmente nunca achei, pelo contrário, achava uma obra arrojada de engenharia. O elevado era elo de ligação da Zona Sul com a Zona Norte, com a ponte, com todas as saídas da “Cidade Maravilhosa”. Para o problema viário, parece que encontraram uma nova solução, mas não é isso que interessa. É a facilidade com que se joga no lixo milhões (ou bilhões) de reais em dinheiro público. Público significa que é nosso, que custou o suor do nosso trabalho transformado em impostos, não é dos políticos (maus) gestores.

O Brasil é um país pobre. É pobre sim, pois tem a saúde deficiente, a educação que não transforma ninguém, onde nos sentimos cada vez mais inseguros nas questões de segurança pública.

O texto da internet diz que “o viaduto costuma ser criticado por ter mudado consideravelmente a estética do Cais do Porto e por bloquear a vista”. Pois é, isto me deixa completamente indignada. Digamos que esta discussão poderia ter lugar se fosse antes da sua construção, mas agora, quando já está sendo utilizado, depois de tudo que foi gasto…

A questão da demolição do elevado tem sido discutida há cerca de 20 anos, por políticos e urbanistas, “pois o mesmo não se harmonizaria com a zona portuária”. As obras de demolição faziam parte do projeto Porto Maravilha e estavam previstas para começar entre 2011 e 2013; já começaram e, em questão de segundos, a explosão da dinamite some com tudo, concreto e aço.

O que mais lamento é que este é só um fato. Existem inúmeros outros que me provocam indignação. O caso dos estádios para a Copa – que horror! Bilhões de reais jogados no lixo para reformar o Maracanã da minha infância (é saudosismo sim!), a Fonte Nova e tantos outros que, se estavam com problemas, foi porque não receberam a manutenção devida. Sem contar a construção de estádios em cidades que nem dão tanta importância ao futebol.

CC10

Em Ilhéus, infelizmente não tem sido diferente. Em 1927 demoliram a capela de São Sebastião para a construção da Catedral. A voz que se levantou contra esta heresia cultural foi a do grande prefeito Eusínio Lavigne, que queria erguê-la em outro local, mas foi voto vencido. Quantas casas que faziam parte do nosso patrimônio cultural, em nome do progresso foram demolidas para construções mais novas, que agora serão demolidas para construção de prédios. Sou contra estes? Claro que não, mas sou contra esta cultura da demolição, do desperdício, do jogar dinheiro fora, de transformar dinheiro e suor em entulho que não é reaproveitado nem mesmo pensando ecologicamente; para ser reaproveitado como brita, por exemplo.

Aí eu fico lembrando das casas bonitas que foram para o chão e sumiram: o belíssimo chalé de D. Alina Carvalho, que virou Disbave, que virou G. Barbosa. A maternidade Santa Isabel, construída pelo amor de Dr. Pacheco e das Senhoras de Caridade, foi vendida aos trambiqueiros que foram presos como estelionatários. A primeira fábrica de chocolate, demolida pela metade, está lá em ruínas esperando o “tiro de misericórdia”.

É triste constatar que um povo que não preserva sua história é um povo sem memória.

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O plenário da Câmara Municipal ficou lotado para aplaudir a entrega do título de Cidadão Ilheense ao educador e protagonista de muitas imprtantes ações em favor do desenvolvimento de Ilhéus e da região cacaueira.

Soane Nazaré

Em solenidade marcada por muitos momentos de emoção, a Câmara Municipal de Ilhéus entregou ao professor Soane Nazaré de Andrade o título de Cidadão Ilheense, numa forma de reconhecimento por tudo o que o homenageado tem feito ao longo de sua vida em favor da comunidade do município,especialmente na área da educação. O ato de entrega do título, na noite da última quinta-feira, dia 14, contou com a participação de dezenas de amigos e admiradores do professor Soane e de sua família, além de autoridades, a exemplo do prefeito Jabes Ribeiro, do vice-prefeito Carlos Machado (Cacá), vereadores, representantes da Marinha, do Exército e da Polícia Militar, secretários municipais, professores e dois ex-reitores da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Joaquim Bastos (também secretário municipal de Planejamento) e Renée Albagli, que lotaram o plenário da Câmara e ficaram emocionados com a sequência de discursos destacando as qualidades humanas e as características de empreendedor e de transformador do novo cidadão de Ilhéus.

A começar pelo propositor da outorga do título, o vereador Alzimário Belmonte, o Professor Gurita, que fez um emocionado pronunciamento, quando afirmou que, naquele instante estava se escrevendo uma das mais belas páginas da história de Ilhéus e descreveu o homenageado como um grande educador, mas principalmente como um visionário e realizador, citando como exemplos a criação da Faculdade de Direito de Ilhéus, da Federação das Escolas Superiores de Itabuna e Ilhéus (Fespi) – embrião da UESC-, da Universidade Livre do Mar e da Mata (Maramata) e de iniciativas de resgate da história ilheense, como a Cavalgada de Magali (que voltou a ser realizada justamente nesta sexta-feira, dia 15) e da Canoagem Rumo ao Mato Virgem, entre outras da maior importância. Um momento muito especial foi protagonizado pela advogada Juliana Cavalcante, neta de Soane Nazaré, que fez uma saudação ao avô, em nome de toda a família, levando várias pessoas da plateia às lágrimas.

O prefeito Jabes Ribeiro que, além de amigo pessoal, foi aluno do novo Cidadão Ilheense, lembrou, num breve discurso,a importância de Soane Nazaré para toda a Bahia, qualificando-o como um desbravador, "ao semear os frutos do saber" e elogiou os vereadores de Ilhéus pela outorga do título, afirmando que o gesto se constituía num reconhecimento a tudo o que ele tem feito "e pelo que representa para a nossa história", comparando as ações do novo cidadão Ilheense às de um "transformador de sonhos". O prefeito fez uma homenagem especial à esposa de Soane Nazaré, Heloísa, a quem atribuiu grande parte dos êxitos obtidos ao longo da vida pelo educador. A primeira dama de Ilhéus,Adriana Ribeiro, entregou a dona Heloísa um buquê de flores, como parte das homenagens do municípioa Soane Nazaré e à sua família.

Para culminar a noite de emoções, que foi conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, o vereador Josevaldo Machado,  Dr. Jó, o professor Soane Nazaré optou por não fazer um discurso tradicional, limitando-se a usar a tribuna para uma série de agradecimentos, interrompida pelas lágrimas em alguns momentos, e demonstrar sua esperança no futuro de Ilhéus e da região cacaueira.

Soane Nazaré de Andrade nasceu em Uruçuca, em cinco de agosto de 1933 (quando o município ainda era o distrito de Água Preta) e mudou-se para Ilhéus aos seis anos de idade. Estudou na Escola Afonso de Carvalho e no Instituto Municipal de Educação (IME). Em Salvador, foi aluno do Colégio da Bahia e graduou-se na Faculdade de Direito da Bahia, em 1953. Foi professor no IME, diretor da Penitenciária do Estado da Bahia, chefe de Gabinete do Ministro das Comunicações, Carlos Simas, de 1968 a 1969, e Delegado do Brasil na Conferência das Comunicações Via Satélite em Genebra, Suíça, em 1969.

Fundador e primeiro diretor da FESPI, atuou de forma dinâmica para o desenvolvimento do ensino superior na região Sul da Bahia, o que levou à escolha do seu nome para denominar o campus da UESC. Em 25 de junho de 1981, tornou-se membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI). Idealizador e primeiro diretor da Fundação Universidade do Mar e da Mata (Maramata) e criador do Museu do Mar da Capitania, foi também secretário municipal de Governo no terceiro mandato do prefeito Jabes Ribeiro e candidato a Prefeito de Ilhéus na eleição de 2004. Filho de Adjovânio Andrade e Selika Nazaré Andrade, casou-se com Heloisa Cavalcante Andrade, com quem teve quatro filhos: Ana Virgínia, Luis Frederico (atual diretor da Fundação Maramata), Soane Jr. e Maria Valéria.

Secretaria de Comunicação Social (Secom)

Ilhéus – 15.11.2013

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