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Archive for the ‘História de Ilhéus’ Category

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Quando eu era menina e morava no Rio de Janeiro, passava o ano sonhando com o término das aulas, porque era tempo de sair do Rio e vir para Ilhéus. Naquela época as férias eram mais longas, o que não impedia que aprendêssemos mais do que hoje. Normalmente estudávamos até o final de novembro e, se passássemos sem prova final, já estávamos de férias. E as aulas só recomeçavam em março. Eram três meses de maravilhosas férias. Quando era pequena queria ir para a fazenda de meu avô, caminhar e brincar nas roças de cacau, ao lado dos filhos dos trabalhadores, jogar bola e montar a cavalo. No fundo da casa havia um pomar e eu me deliciava em tirar das fruteiras: carambolas suculentas, laranjas, tangerinas e até jabuticabas.

Depois que me tornei moça, a roça de cacau já não exercia tanto fascínio, era tempo de encontrar os amigos, dos flertes inocentes e de caminhar na avenida para lá e para cá. Pensando bem, além de ser prazeroso caminhar na avenida, era um hábito bastante saudável. Apenas caminhávamos e parávamos para conversar com os amigos. Nada de bares, comidas ou bebidas, sentados e engordando, como se divertem os jovens da atualidade.

Minha avó Maria Luiza e meu avô Nathan moravam na Rua Manoel Vitorino, 181, também chamada de Rua das Quintas. Esta rua começava na Praça Castro Alves e lá já existia o busto em homenagem ao poeta. Ali tínhamos muitos amigos, Silvinha, minha irmã e eu, e brincávamos muito. Podíamos sair sozinhas, caminhar na praça e na rua, não havia perigo. E eu adorava andar de bicicleta, brincar de picula, de esconde-esconde e de polícia e ladrão. Chegávamos em casa cansadas, suadas, prontas para um banho e dormir profundamente. Não havia TV, mas éramos muito felizes.

Mudando o rumo da prosa e chegando ao objetivo destas linhas, quem foi mesmo Manoel Vitorino? E Castro Alves? Felizmente este último, o grande poeta baiano, ainda não foi esquecido, mas sua praça é muito mais conhecida como “do acarajé da Irene”, pelo menos pelos mais jovens. Com todo o respeito que tenho à baiana das mãos de ouro para fazer dos melhores acarajés que já comi, a praça é do poeta, conhecido em todo o país, como um dos grandes que aqui nasceu. Que, apesar de ter vivido tão pouco, deixou uma obra que é admirada por quem gosta e até por quem não gosta de poesia. Irene merece uma praça, uma rua? Claro que sim, mas aquela praça é do poeta. Precisamos ensinar às nossas crianças quem foram nossos poetas, nossos escritores, nossos heróis.

Quem foi Manoel Vitorino? Existe um município baiano com este nome, um hospital em Salvador, muitas ruas pela Bahia que homenageiam esse cidadão. Manuel Vitorino Pereira nasceu em Salvador em 30 de janeiro de 1853 e morreu no Rio de Janeiro em 1902. Era filho de um marceneiro português e teve a infância muito pobre. Formou-se em medicina e era escritor na imprensa baiana. Foi presidente do Estado da Bahia e Senador Federal. Foi vice-presidente da República no mandato de Prudente de Morais e presidente interino do Brasil por quase quatro meses. Durante este período transferiu a sede do Governo do Palácio do Itamaraty para o Palácio do Catete*.

Manoel Vitorino assumiu o governo do Estado da Bahia em 1889 e tinha a pretensão de fazer uma administração inovadora, voltada para o incremento da educação, pois foi diretor do Liceu de Artes e Ofício e professor da Faculdade de Medicina, onde havia realizado uma reforma no sistema de ensino.

Hoje, a rua da minha infância mudou de nome, não é mais Manoel Vitorino. Será que nosso homenageado perdeu seu valor ou caiu no esquecimento? Por que não estudamos a história de vida das pessoas que um dia mereceram a homenagem de ser nome de rua? Por que não mantê-los vivos em nossa história? Segundo a matéria consultada, Vitorino foi o único baiano a ocupar a Presidência da República. E em Ilhéus já perdeu seu posto.

A ideia desta matéria veio de um encontro casual com uma amiga muito querida e, segundo suas palavras, leitora do que escrevo: Sada Bacil. Ela me pediu que escrevesse sobre esta mania que nossos políticos, menos informados têm, de mudar o nome das ruas. É como se um dia disséssemos: “este já pode ser descartado, vamos homenagear outro”. É claro que a história é dinâmica, os tempos mudam, mas a cidade cresce. Então vamos colocar nas novas ruas que vão surgindo, os nomes dos mais novos merecedores da homenagem do povo ilheense, daqueles que fizeram algo pela cidade, que devem ser lembrados pelas mais novas gerações.

Se essa rua fosse minha… eu não mudava seu nome não.

*Informações retiradas da Internet.

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A vila de São Jorge dos Ilhéus foi fundada no século XVI, mas não se tem a data exata da sua fundação. O ano de 1534, que comemoramos, corresponde à data da assinatura da carta de doação da Capitania Hereditária de Ilhéus, feita pelo Rei de Portugal, D. João III, ao fidalgo português, Jorge de Figueiredo Correia.

O dia 28 de junho, dia em que se comemora o aniversário da cidade, corresponde ao dia em que aconteceu a elevação da vila à categoria de cidade.

De acordo com o livro Noticia Histórica de Ilhéus, do professor Arleo Barbosa, “no dia 4 de junho de 1881 o deputado cônego Manuel Teodolindo Ferreira apresentou à Augusta Assembléia Legislativa Provincial da Bahia o projeto de lei datado de 3 de junho, que elevava a Vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade. Subscreveram o documento os deputados Paranhos Almeida, Vigário Batista, Virgilio de Carvalho, E. Baraúna, Reguião, Áppio Cláudio e Carneiro da Rocha.”

O projeto foi para a Assembléia Legislativa, para ser discutido três vezes como mandava a lei. Ela foi discutida entre os dias 7 e 14 de junho e tomou o número 604. As sessões foram presididas pelo deputado João dos Reis de Souza Dantas. No dia 28 de junho de 1881, através da Lei Provincial nº 2.187, a Assembléia Legislativa Provincial enviou ao Presidente da Província, anexo a um memorando, a Resolução que elevava a Vila de São Jorge dos Ilhéus, à categoria de cidade. A vila permaneceu com o mesmo nome. A Resolução foi assinada por João Lustosa da Cunha Paranaguá, mais tarde, Marquês de Paranaguá.

Quando sabemos desses dados, podemos entender porque o Palácio da Prefeitura se chama Palácio Paranaguá, a Câmara de Vereadores tem o nome de Manuel Teodolindo Ferreira e porque Ilhéus tem uma particularidade que muitas outras cidade não têm: em Ilhéus não houve emancipação política, mas elevação à categoria de cidade, que nunca mudou de nome, apenas de status, passando de vila a cidade.

O Marquês foi “Conselheiro de Estado, senador do Império, Dignatário da Ordem da Rosa, Comendador de São Gregório Magno, Desembargador e Presidente da Província da Bahia”. O cargo de Presidente da Província corresponde ao atual Governador do Estado.

Segundo Silva Campos (p. 262), naquela época, as edificações já se estendiam pela margem ocidental do rio, as vias públicas possuíam largura regular e uniforme, com casas assoalhadas, havendo diversas de gosto moderno, bonitas e de construção bastante sólida. Nesta época já haviam sido construídos alguns sobrados. A população era de pouco mais de mil habitantes. A cidade contava com três igrejas (São Jorge, Vitória e a capela de São Sebastião), duas fontes públicas, 120 casas comerciais e duas farmácias. Naquela época só havia duas escolas primárias na cidade.

Sem a implantação da cacauicultura, Ilhéus certamente não teria se consolidado como cidade, pois até o começo do século XIX, não passava de um pequeno povoado com poucas construções. Mesmo no começo do século XX, a cidade não tinha grande importância, pois quando já havia prosperidade, os primeiros plantadores de cacau moravam nas fazendas, mudando para a cidade só a partir do início dos anos de 1910, quando a cidade se desenvolveu de forma acentuada e foi construído todo o Patrimônio Histórico e Cultural, em que parte permanece até os nossos dias e parte considerável já foi destruído.

O primeiro Intendente da cidade de São Jorge dos Ilhéus, após a elevação à categoria de cidade, foi João Batista de Sá Oliveira, que governou de 1890 até 1892, seguido de Joaquim Ferreira de Paiva, até 1896. Os intendentes que deixaram seus nomes para nossa lembrança são Domingos Adami de Sá, que construiu o Palácio Paranaguá, João Mangabeira, Antonio Pessoa da Costa e Silva, o Coronel Pessoa, Misael Tavares e Mário Pessoa da Costa e Silva. Os intendentes citados são mais conhecidos, o que não significa que tenham sido os melhores; tenho constatado que nossa memória histórica é muito falha. Outro grande governante que tivemos foi Eusinio Gaston Lavigne, começou seu governo como intendente e terminou como prefeito. Outros prefeitos que ficaram na memória histórica foram Arthur Leite da Silveira, Pedro Catalão, Herval Soledade, Henrique Cardoso, Ariston Cardoso, Antonio Olimpio, por duas vezes e Jabes Ribeiro, que chegou neste ano de 2012 ao quarto mandato. Numa próxima matéria citaremos os nomes dos intendentes e prefeitos que omiti nesta.

Quando somos convidados para uma festa de aniversário desejamos tudo de melhor ao aniversariante. Nós, que amamos Ilhéus, desejamos uma cidade mais bonita, mais arrumada, com seu patrimônio histórico reconhecido e valorizado. Desejamos uma cidade melhor para as pessoas que escolheram morar aqui; uma cidade construída pelos governantes, com ampla participação da sociedade.

PARABÉNS ILHÉUS!

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Depois de três semanas de merecidas férias(?), estou de volta (Obs.: as férias são merecidas porque este ano completo 10 anos do Caderno de Cultura & Lazer). Estou de volta para falar, de novo, sobre o patrimônio histórico e cultural de nossa cidade. Este patrimônio importante, cujo valor maior está em informar sobre nosso povo e nossa história, mas que não tem sido valorizado como deveria, pois a cada ano que passa, ele vai sendo diminuído pela sua destruição. Desde que comecei a escrever sobre sua importância, há quase 20 anos, quantos prédios já perdemos.

Hoje quero falar sobre um ponto muito pitoresco e diferente, que, como tudo o mais, não tem recebido o devido cuidado, nem da população, nem de diversos governos. Hoje vamos refletir um pouco sobre o calçamento da rua Antonio Lavigne de Lemos, e do patrimônio edificado que ainda está lá e vem sendo preservado.

O calçamento daquela rua é muito diferente de tudo que conhecemos, tanto pelo formato como pela cor da pedras. Sempre que olho para aquelas pedras, lembro-me dos telhados europeus feitos de uma pedra chamada pelos franceses de ardoise, que suponho possa ser traduzido por ardósia.

Os guias de turismo contam a história de que estas pedras foram mandadas buscar na Europa para calçar a rua, na época do casamento da filha do coronel. Bem, pela localização da rua, imagino que o coronel seja Misael Tavares, cuja residência está ali localizada, exatamente onde começa o calçamento. Não sei de onde surgiu esta história, mas, como pesquisadora, fui buscar o que poderia ser a versão verdadeira. Conversei longamente com o memorialista Raimundo Sá Barreto, que me narrou uma versão bem diferente daquela contada pelos guias, afirmando o que relato a seguir.

As pedras vieram da Europa como lastro de um navio que vinha buscar cacau, e tinham como destino o Mercado de São Sebastião, no Rio de Janeiro. Na saída da barra o navio encalhou e o prefeito municipal comprou as pedras, transformando-as em calçamento, o que fez com que a rua passasse a fazer parte do nosso patrimônio histórico. Existem muitas versões sobre a origem das pedras, mas, segundo Sá Barreto, as pedras são inglesas, foram compradas pelo prefeito João Mangabeira que contou esta versão pessoalmente ao nosso entrevistado.

A rua foi calçada no período do seu mandato (1908 a 1911) e o Palacete Misael Tavares foi construído entre 1914 e 1922, quando foi inaugurado, portanto não seria possível relacionar o casamento da filha do cacauicultor, cuja moradia seria no palacete ainda não construído. Outro fator que me leva a duvidar da “versão turística” é que a principal igreja daquela época era a de São Jorge e não a catedral, que foi construída muito depois.

A residência edificada pelo coronel Misael, o palacete, é um belo exemplar do nosso patrimônio histórico. Após o falecimento do coronel, ocorrido em 1939, com a partilha dos bens, o Palacete passou a pertencer às famílias Berbert Tavares e Silveira Dórea. Os novos donos resolveram colocar o prédio à venda. Em 1960 o prefeito Herval Soledade mostrou-se interessado em adquiri-lo para a Prefeitura de Ilhéus, mas não foi possível realizar a transação. Foi então que os maçons da Loja Maçônica Regeneração Sul Baiano se reuniram sob o comando de Álvaro de Melo Vieira para comprá-lo. Formaram o “Condomínio Palacete Misael Tavares”, constituído de vinte maçons que conseguiram levantar a importância correspondente ao preço da aquisição do Palacete.

Infelizmente nos dias atuais não temos mais o dinheiro gerado pelo cacau, que produziu a construção deste patrimônio da nossa cidade. Hoje a prefeitura passa por maus momentos financeiros, como acontece na maioria das cidades brasileiras e os coronéis do cacau fazem parte do passado e da nossa história.

Ainda falando sobre a rua Lavigne de Lemos, acho-a uma das mais belas de nossa cidade, pelas casas ainda preservadas. É uma das poucas que ainda guarda nossos casarões como foram construídos. São belas casas que poderiam ser mais valorizadas, para que seus proprietários sintam-se recompensados em mantê-las para preservar nossa história e mostrar aos turistas nosso patrimônio histórico. Espero que elas não sejam trocadas pelos novos espigões que surgem por toda parte. Nada contra os prédios, que podem ser construídos em qualquer terreno que esteja disponível e permita que nossos casarões continuem a falar de nossa história.

MPessoa

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GEN OSORIO

Embora medidas para proteção do prédio General Osório venham sendo tomadas desde janeiro, enquanto a Prefeitura tenta conseguir os recursos necessários para a completa reforma do histórico equipamento público, a nova ocorrência desta madrugada da quarta-feira, dia 29, com o registro de um princípio de incêndio, levou a administração municipal a intensificar as ações para evitar novos danos. Além da conclusão do trabalho de implantação de tapumes ao redor de todo o prédio, a Guarda Municipal passará a dar proteção 24 horas ao local e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) vai começar o mais rápido possível a realização de uma operação de limpeza, com retirada de todo o entulho acumulado nas dependências, e uma pequena reforma de espaços que serão ocupados por guardas municipais, num posto de ação permanente.

As medidas foram anunciadas pelo secretário de Administração, Ricardo Machado, ao fazer uma visita ao prédio do General Osório, na manhã desta quarta-feira, acompanhado do secretário de Comunicação Social, Paixão Barbosa, do comandante da Guarda Municipal, coronel Valmir Santos Silva e do chefe de operações da corporação, César Cardozo da Silva. Durante a visita, eles percorreram todas as dependências, inclusive a área onde um usuário de substâncias psicoativas provocou um incêndio, provavelmente ao atear fogo a papéis velhos. O Corpo de Bombeiros atuou rapidamente, impedindo que o fogo se proliferasse por todo o prédio, atingindo apenas pequena parte do assoalho de madeira do primeiro andar. Uma equipe do SAMU foi chamada para socorrer o dependente químico, que desmaiou ao inalar fumaça, levando-o para o Hospital Regional Luiz Viana Filho.

Reforma – Desde que assumiu a administração, o prefeito Jabes Ribeiro tem demonstrado muita preocupação com o estado de abandono do prédio do General Osório, equipamento que ele reformou no ano de 2002 e destinou para o funcionamento da Biblioteca Municipal e do Arquivo Público. Além de providenciar a transferência do acervo da biblioteca e do arquivo público, para evitar que fossem danificados de forma irremediável, o prefeito deu início ao trabalho de buscar recursos para a realização de uma nova reforma do prédio. Está em elaboração o projeto de recuperação do prédio, com o objetivo de dar a ele toda a importância que merece, pelo seu passado histórico e cultural.

Um laudo da vistoria realizada por técnicos das secretarias de Cultura, Desenvolvimento Urbano (Sedur) e de Meio Ambiente e Urbanismo (Semau), além de agentes da Guarda Municipal, orientou para a completa interdição do prédio, que se encontra completamente degradado e vulnerável à invasão de vândalos e usuários de drogas. Além de transferir os documentos do arquivo e da biblioteca, a prefeitura instituiu, por meio do Decreto 034/2013, a Comissão Permanente de Avaliação de Documentos da Prefeitura de Ilhéus com o objetivo de coordenar o processo de análise, ação e seleção da documentação produzida e acumulada no âmbito da administração pública municipal e assegurar sua conservação em local adequado.

Secretaria de Comunicação Social (Secom)

Ilhéus – 29.05.2013

 
Lamento cada vez mais o estado de abandono deste prédio, como, aliás, de todo o nosso patrimônio. Por isso tenho me afastado desta área. Notícias como esta só me fazem sofrer.
 

POVO QUE NÃO PRESERVA SUA MEMÓRIA, QUE NÃO AMA SUA HISTÓRIA É UM POVO MUITO POBRE.

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O segundo templo católico rural mais antigo do Brasil, a Igreja de Nossa Senhora de Santana, localizada no Rio de Engenho, a 30 km do centro de Ilhéus, no sul da Bahia, está totalmente recuperada. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou intervenções nas instalações elétricas e hidráulicas, pintura geral, recuperação do piso e do telhado, entre outras ações de conservação.

Além da estrutura física, as imagens foram restauradas. “As imagens estavam em péssimo estado de conservação”, destacou o coordenador da igreja, Ednilson do Nascimento Araújo. “Com a reforma, além da estrutura física da nossa igreja, recuperamos também a história de Ilhéus e do Brasil”, completou.

Conforme o coordenador, no próximo domingo, dia 02, será celebrada uma missa na igreja, às 10 horas, com a participação de padres de diversas paróquias vinculadas à diocese de Ilhéus, em ação de graças pela recuperação do templo.

O santuário, considerado de grande valor cultural e arquitetônico, foi tombado pelo Iphan e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), em 1984. Erguida no século XVI, a capela é o monumento mais antigo de Ilhéus que pertenceu à família de Mem de Sá, o terceiro governador-geral do Brasil.

capela de santana

Secretaria de Comunicação Social (Secom)

CURIOSIDADES SOBRE A IGREJA DE SANTANA:

O estilo da igreja é jesuítico, com arquitetura típica da zona rural; existem outras quatro na Bahia construídas com a mesma planta:  a de Nossa Senhora da Escada, no subúrbio ferroviário de Salvador, “que foi refúgio do padre José de Anchieta, em 1566”, as igrejas de São José do Jenipapo, no município de Castro Alves, de Nossa Senhora da Ajuda, em Cachoeira, e de Santo Antonio dos Velasques, na Ilha de Itaparica.

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Esta semana Makalé, responsável pelo Caderno de Cultura do Diário de Ilhéus, me ligou, perguntando sobre o que eu achava de escrevermos uma matéria sobre o grupo “RM”. Achei muito boa a ideia, já que grande parte dos componentes do grupo considero como amigos e porque, são ilheenses com serviços prestados e merecem nosso respeito e admiração, além de possuírem um humor invejável. Ultimamente tenho refletido bastante sobre a velhice; a grande vantagem de ficar velho é que, só não o fica, quem morre cedo. Tem outras, claro, mas tem um bocado de coisa desagradável, principalmente as limitações. E eles fazem humor.

Assim foi formado o grupo. Na década de 90, mais precisamente no ano de 1995, um grupo de empresários, aposentados e pessoas da maior idade: Raildo, Renildo, Cel. Jamil, Altino, Esmeraldo Lins, Jair Garcia, Leonel Cristo, Zequinha, Feliz, Everaldo, Hans Schaeppi, Gileno, Claudio Silveira, Gildo e outros de menor idade, que estão sempre presentes. Tendo como objetivo a descontração, começou a se reunir, às sextas e sábados, no extinto bar “Sanchopança”, de propriedade do empresário Secondino Carbalhal.

Diz Raildo: com o fechamento do referido bar, ficamos órfãos, até que o Bruno, dono da Barrakítica, resolveu nos adotar – bom pra ele, ótimo para nós, que começamos a nos reunir com mais frequência, aos sábados, a partir do meio dia. Percebendo que estava faltando algo – a boa música popular brasileira, principalmente no Reinado de Momo, surgiu a ideia de realizarmos um carnaval diferente… como o Gileno Araújo (Ponto Chic) é detentor de grande quantidade de LPs, CDs, K7, ficou fácil. Música antiga para todos os gostos é o que fazemos anualmente, com o título de Carnaval dos Carnavais, o qual é dividido em duas partes: a primeira contenta os mais antigos que viveram grandes sucessos, como a Jardineira, Alá-lá-ô, Eu brinco, Confete, e tantos outros sucessos. A segunda parte visa contentar os mais jovens, com as mesmas músicas, porém em forma de pout-pourri, com qualidade excelente, o que faz a grande loucura dos foliões.

Homenageamos, ‘in memoriam”, anualmente uma pessoa que tenha se destacado no cenário carnavalesco. O primeiro (2004) foi Walter Manchinha, o slogan foi “O folião nº 1”. O segundo, em 2005, foi o ex-prefeito Herval Soledade com o slogan: “o maior carnavalesco de todos os tempos”. O terceiro foi o Tony Neto (2006) com o slogan: “o pioneiro do trio elétrico em Ilhéus”. O quarto (2007) foi o Teo (Manoel Teotônio Neto) com o slogan “O campeão da boemia”. O quinto (2008) foi Renildo Vieira do Nascimento, cujo slogan foi “O eterno Rei Momo”. Em 2009 foi o Carlos de Oliveira Gomes, fundador do diário de ilhéus, com o slogan “Uma vida dedicada ao jornalismo”. Naquele ano Damiana, esposa de Carlos e diretora do Diário de Ilhéus, me convidou para dizer umas palavras homenageando Carlos, pessoa por quem eu tinha grande apreço.

Em 2010 não houve a participação do grupo no carnaval. Em 2011 e 2012, o grupo voltou a participar do carnaval, porém não houve a homenagem “in memoriam”, o mesmo acontecendo no ano em curso.

Com esta matéria, em meu nome e do Diário de Ilhéus, queremos homenagear os rapazes do Grupo “RM” (cujo significado é impublicável). Um grupo que tem amor à vida, que se reúne com a finalidade de comer, beber e conversar, três coisas muito boas do ser humano.

FELIZ CARNAVAL PARA TODOS!

OBS.: As informações são de Raildo Vieira do Nascimento.

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 um homem que exerceu a paternidade através do exemplo

Por Margaret Vitória de Castro

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Nasci no dia 1º de maio de 1956 (ou seja, há cinquenta e seis anos) e posso garantir que na minha família filho tinha voz, fosse ele menino ou menina, o que era totalmente incomum e rompia com as marcas culturais da época. Pois, nunca apanhei (ou tomei uma palmada), nunca tive que fazer nada imposto, nunca menti ou omiti nada de meu pai. Tive o privilégio de ser educada por um homem único, à frente do seu tempo (apesar de ter 43 anos de idade, quando nasci) que vivenciava na sua plenitude um amor imortal por São Jorge dos Ilhéus. Assim, diferente da educação dos anos 60, pautada no discurso e no falso moralismo, onde o genitor assumia o papel de “ditador afetivo”, MEU PAI EXERCIA A PATERNIDADE ATRAVÉS DO EXEMPLO:

O Cidadão que produzia e panfletava o seu jornal “um ilheense a serviço da sua terra e da sua região”, jornal este financiado com o seu próprio dinheiro; que pesquisava todos os endereços de políticos (presidentes, ministros, senadores, deputados, governadores…) e, todos os dias, remetia centenas de cartas com teor igual (reivindicação para Ilhéus e região) para os seus diferentes endereços (presidência, ministério, senado, câmara de Deputados, local de moradia, casa de veraneio…) e assim, foi se fazendo conhecido e respeitado como militante e idealista, sempre movido por um ideal: a ponte Ilhéus – Pontal, o porto do malhado, a rodovia Ilhéus Buerarema… Que subia (a qualquer dia, ou hora) em tamboretes, caminhões, escadarias de prédios para discursar (com o seu vozeirão) e exercitando a sua cidadania defendia os interesses da sua terra e da sua região.

Um Cidadão Exemplar, que foi eleito vereador quando ainda não se recebia salários. Que, embora reiteradas vezes convidado, negava-se a assumir cargos públicos e/ou a indicar parentes para exercê-los (apenas foi diretor administrativo do Instituto de Cacau da Bahia). Um filho de coronel que não tinha sedução pelo “poder” (ou falso poder), e, portanto, um pai com conduta anticapitalista.

Uma pessoa simples que quando era tratado de Doutor, respondia: “eu sou apenas bacharel em Direito, me chame de Demostinho”. E que, inclusive, nunca guardou o seu próprio diploma, quem o fez foi o seu amigo Raimundo Pacheco Sá Barreto. Sem perder de vista que, à época, um diploma de bacharel em direito era visto como sinônimo de “poder”, e, após ser colocado numa moldura, virava “quadro precioso” na sala e escritórios das famílias.

Um homem íntegro, que não corrompia, nem se deixava corromper, que quando candidato a deputado estadual e procurado por pessoas que tentavam negociar o voto por dinheiro ou favores pessoais, indignado, respondia: “o seu voto não me serve”. Apesar de ter sido o candidato mais votado na região, ele não foi eleito, pois, não fazia campanha em outras cidades. Dizia: “só quero ser eleito por minha terra”.

Um ser humano sensível, que protegia e defendia todas as formas de vida. Certa feita, no trajeto do ramal para a fazenda Paraíso, local onde morávamos, um pássaro bateu com força no vidro do jipe e morreu, ele chorou. Noutra ocasião, Nena, o motorista, gritou: “vejam que cobra enorme passando na estrada, vou passar por cima” e ele disse: “pare o carro, deixa a cobra passar”. Um defensor de vidas que não permitia o uso de “badogue” na fazenda, instrumento muito utilizado na caça de passarinhos.

Um pai que, quando hospitalizado em Salvador com problemas no coração, recebeu a visita do “poderoso” Francelino Pereira (então presidente nacional da Arena) que solicitou que ele não permitisse que sua filha (no caso, eu) apoiasse ou participasse da campanha do candidato a prefeito pelo MDB. Ele respondeu: “eu não posso impedir, minha filha é livre para fazer as suas escolhas”.

Um pai que respeitava a individualidade dos filhos e que aprendeu a os conhecer. Certa feita, ainda adolescente, fui para uma festa e retornei para casa quando amanheceu. Questionada onde estava até aquele horário, respondi que, após a festa, tinha ido ver o sol nascer na Praia do Cristo, na companhia de amigos. Ele disse: “Meu Deus, Ilhéus inteira vai dizer que a filha de Demostinho é ‘programista’”. De imediato, retruquei: “fique tranquilo, caso eu decida ser ‘programista’ o senhor será o primeiro a saber”. Acho que a partir deste momento ganhei definitivamente a sua confiança, pois ele passou a não ter nenhuma preocupação com o julgamento dos outros, o que realmente importava era o que eu era, e ele me via transparente. Características estas bem diferentes da cultura da época, pois a relação pai e filho (principalmente filha) era distanciada e eles não se conheciam como pessoas.

Algumas vezes refletindo, contestei a sua afirmação: “Ilhéus não é um cemitério de consciências, nem um covil de ingratos”, pois considerava que, por questões políticas que não vale a pena mencionar no momento, varreram da história da cidade a sua trajetória de vida, exemplo de amor imortal a São Jorge dos Ilhéus. Entretanto, no meu trabalho cotidiano como assistente social, me deparei com pessoas que, sem saber que eu era sua filha, derrubaram a minha tese ao citá-lo como exemplo de cidadão e de homem público. Desde então, passei a não ter dúvida que a chama dos ideais de Demóstenes Berbert de Castro permanece (e permanecerá) sempre acesa no desejo de todos (as) aqueles (as) que amam e creem em ti, nossa amada Ilhéus.

A você, Demósthenes Berbert de Castro, o meu muito obrigada por ter sido meu pai!

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Demosthenes Berbert de Castro nasceu em 27 de janeiro de 1913, numa das casas da Pimenta, hoje rua Ramiro Castro. Era o caçula e sétimo filho do Coronel Ramiro Idelfonso de Araújo Castro e de dona Libuça Berbert de Castro.

Foi casado em primeiras núpcias com Nilza Muricy Souza, tendo nascido desta união seu filho Ronald Souza Berbert de Castro. Do seu segundo casamento com Vitória Lima Berbert de Castro teve sete filhos, todos ilheenses, Elizabeth, Margaret, Ana Vitória, Demosthenes, Mary, Gutenberg e Ramiro, que lhe deram nove netos.

Aprendeu a ler aos 5 anos, assistindo aos filmes de Buck James e Tom Mix, dentre outros. Fez os cursos primário e secundário nos colégios Carneiro Ribeiro e Ipiranga, em Salvador. Na Faculdade de Direito de Salvador foi líder estudantil e orador da turma, tendo-se formado em 07 de dezembro de 1935, aos 22 anos.

Foi um homem de grandes feitos. Ainda estudante, combateu com veemência o governo de Juracy Magalhães, cearense imposto aos baianos pela revolução de 1930. Em 1933 foi em caravana composta por diversos estudantes, dentre os quais, Emílio Diniz, Nelson Carneiro, Antônio Viana Dias da Silva e Rômulo Almeida a São Paulo para as comemorações da Revolução Constitucionalista de 1932; foram recebidos como heróis e foi ele quem saudou o governador Pedro Tolêdo.

Em 1942, na Segunda Guerra, foi um dos oradores do movimento antinazista em Ilhéus, conclamando o povo à luta, juntamente com Heitor Dias e Mário Alves.

Foi cronista desportivo, tendo acompanhado por todo o país, o Bahia Futebol Clube, time pelo qual era apaixonado. Também lutou para a construção do estádio Fonte Nova, através de uma carta publicada no semanário “Vida Esportiva”, em 17 de abril de 1949, dirigida ao então governador Otávio Mangabeira.

Foi autor do artigo intitulado “Século Nacional de Brasília e Juscelino Kubistchek”, publicado no “A Tarde” e transcrito pelo “Diário da Tarde”. Transformado em boletim, o artigo foi distribuído em Brasília, na sua inauguração.

Recepcionou e ciceroneou Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir em 1961, durante a visita a Ilhéus. Foi eleito para a cadeira 23 da Academia de Letras de Ilhéus, que tem como patrono seu irmão Gutenberg Berbert de Castro, mas não chegou a tomar posse.

Em 1963 foi eleito Vereador com apoio maciço dos estivadores, e, no governo de Luiz Viana Filho, foi diretor do Instituto de Cacau da Bahia (ICB).

Era escritor, colaborador e correspondente de diversos jornais, dentre eles, “A Gazeta” (São Paulo), “A Tarde” e “Tribuna da Bahia”, de Salvador, e o “Diário da Tarde”, de Ilhéus. Também foi Diretor da Associação Bahiana de Imprensa – ABI. Em 1971 publicou o livro “O Porto do Malhado” relatando a história de sua construção.

Como cidadão consciente criou um boletim intitulado “Creio em Ti meu São Jorge dos Ilhéus”, onde ele próprio escrevia, levava para a tipografia, acompanhava a impressão e distribuía. Fez das ruas e praças públicas sua tribuna, para defender as causas de Ilhéus. Segundo suas palavras no livro Porto do Malhado: “[…] na luta por Ilhéus não sou subalterno a ninguém. Sinto-me autossuficiente para lutar pelo meu povo, e pela minha terra, que tanto amo!”. Dentre essas lutas se destacam a construção das estradas do Pontal para Buerarema e para Canavieiras, e a de Vitória da Conquista para o Porto de Ilhéus; também a transformação do porto fluvial em Porto Pesqueiro. Das diversas lutas, duas se destacam: a construção da ponte Ilhéus-Pontal e do Porto do Malhado. Foi autor do discurso saudando o presidente Castelo Branco e o governador Lomanto Júnior, na inauguração da ponte.

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Sua trajetória de vida inspirou o filme de curta metragem “Creio em Ti meu São Jorge dos Ilhéus”, patrocinado por seu filho Ronald Berbert de Castro e produzido pelo cineasta baiano Agnaldo Siri Azevedo.

Ao longo da vida foi agraciado com inúmeras homenagens, tais como: Amigo da Marinha, Amigo da Estiva, Amigo do Porto; recebeu o Título de Cidadão de Itabuna. Foi homenageado pela Associação Comercial de Ilhéus em 1977, quando esta comemorava 65 anos de fundação e pela Codeba. Também recebeu honrarias de diversos homens públicos, tais como os Governadores Lomanto Júnior, Roberto Santos, Waldir Pires e Luiz Viana Filho, bem como de Deputados Federais e Senadores, dentre os quais Heitor Dias, Josafah Marinho e Mário Covas.

Entretanto, de todas as homenagens recebidas, considerou uma das mais honrosas a que Jorge Amado (seu amigo de infância) lhe prestou; quando o próprio Jorge Amado ao tomar conhecimento que seria homenageado nos festejos do centenário de Ilhéus, declarou: "irei para receber homenagem, mas que seja simultânea para mim e para um homem que considero seja o próprio símbolo do patriotismo e do amor a Ilhéus: Demosthenes Berbert de Castro”.

Demostinho, como era chamado, faleceu em 13 de dezembro de 1987, deixando como legado um amor imortal por São Jorge dos Ilhéus.

 

As informações são de Vitória Berbert de Castro.

As fotos são do acervo da família.

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Demostinho homenageado por José Moura Costa

OBS: por coincidência as casas da Fazenda Pimenta estão na matéria abaixo.

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– Mais de 162 mil acessos em pouco mais de 4 anos.

– 1.130 comentários aprovados, vindos de toda parte, do Brasil e do mundo; dos Estados Unidos, de Portugal, França, Itália, Austrália e até da Rússia, além de outros.

– 373 posts

Este blog nasceu da sugestão de uma ex-aluna, formada em Comunicação Social, Anabel Mascarenhas, que o administra, através de sua empresa, a Consultic.

Através dele tenho tido muitas alegrias. Sempre tive como meta falar o que pudesse ser considerado bonito, agradável e construtivo. O que é ruim, deixa para outros falarem. Estou numa fase de minha vida em que só quero falar e escrever, pelo menos no blog, de coisas boas.

Em todo este tempo e com tantas mensagens recebidas, somente uma foi apagada e impedida sua publicação, mais por pura infantilidade de quem a escreveu, do que mesmo, por conter conteúdo reprovável.

Tenho recebido inúmeras consultas sobre a história de Ilhéus, a principal finalidade destas 39 páginas, em sua grande maioria escritas por mim. Só coloco matéria de outros autores, quando as considero de grande relevância e que esteja em consonância com sua finalidade.

Esta semana recebi o e-mail de uma pessoa que visitou Ilhéus, com a seguinte dúvida sobre o Palácio Paranaguá, sede da prefeitura municipal.

“Me falaram que este prédio é uma replica do Palácio do Catete no Rio de Janeiro. Que um Coronel foi proibido de entrar nele e chegando aqui em Ilhéus mandou construir um igual ao Palácio e construiu 7 casas (uma casa para cada filho atrás do palácio ) queria saber se isso é verdade.”

Bem, esta história eu já ouvi, mas não sei se é verdadeira ou não. Ilhéus é uma cidade privilegiada pois teve a honra de ter sido cantada para o mundo, por um dos maiores e mais populares romancistas deste país, o cidadão do mundo, Jorge Amado. Daí, nas asas de sua imaginação e das suas fantasias, as pessoas “embarcaram” e criaram muitas outras.

Mas, verdade ou não, o que sei e, de certa forma é confirmado pela própria pergunta, é que o prédio semelhante ao Palácio do Catete, do Rio, é o chamado, Solar dos Pimentais, que fica na sede da antiga fazenda Pimenta, onde hoje está localizado o Terminal Rodoviário urbano.

A consulta feita pelo leitor é sobre o Palácio Paranaguá, sede da prefeitura municipal. A seguir coloco a foto dos dois prédios.

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Foto antiga e atual do Palácio Paranaguá

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Foto do Solar dos Pimentais, com as casinhas ao lado, dos filhos do coronel. Hoje está tudo desfigurado, pois aqui não se tem a prática de preservar nosso patrimônio.

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No último mês de agosto tive uma conversa com o escritor José Rezende Mendonça sobre nossa cidade. Ele é fã incondicional do prefeito Jabes Ribeiro e tem catalogadas, todas as suas obras. Coloquei à sua disposição esta página que me cabe escrever semanalmente. Na época, por causa da eleição que se aproximava, não foi possível publicá-la.

Não é possível, em uma página de jornal, relacionar todas as obras realizadas por Jabes, ao longo dos seus três mandatos.

A cidade de São Jorge dos Ilhéus, que foi fundada no início da colonização do Brasil, só se desenvolveu economicamente a partir da implantação da lavoura cacaueira.

Nos primeiros anos do século XX seus governantes a transformaram na “Princesinha do Sul”, quando a enfeitaram, construíram belas praças e avenidas, e grandiosos casarões. A cidade que as fotografias mostram era muito bonita, mas aos poucos, foi perdendo sua beleza.

Enquanto a região produziu cacau havia muito dinheiro. No final dos anos oitenta, a bruxa da vassoura levou o dinheiro e os sonhos dos ilheenses. Tudo ficou mais difícil.

Nos últimos trinta anos, diversos equipamentos culturais foram construídos ou criados, mas, muitos foram destruídos. Essa destruição não combina com o perfil da Ilhéus que queremos. Se quisermos verificar a veracidade das informações que coloco a seguir, é só buscarmos nos arquivos da imprensa de modo geral, todas as intervenções que foram feitas pelos diversos prefeitos que passaram pela cidade.

GG10Sobre o nosso patrimônio cultural podemos evidenciar o seguinte: nos anos oitenta, após a doação do terreno onde havia a fachada e as ruínas do antigo glamoroso Teatro Municipal, foi reconstruído o novo, considerado pelos artistas globais que lá se apresentam, como um dos melhores do interior do Nordeste do Brasil. A Casa dos Artistas sempre recebeu apoio tendo sido restaurada. O prédio de um Bataclan em ruínas foi restaurado pelo prefeito Jabes Ribeiro, em parceria com a Petrobrás. Foi criada a Universidade Livre do Mar e da Mata, a Maramata, uma iniciativa pioneira, cujo objetivo maior era cuidar dos problemas ambientais; a Casa de Cultura Jorge Amado foi restaurada, foi criado o Espaço Cultural de Olivença e o Memorial da Cultura Negra.

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A Fundação Cultural de Ilhéus foi revitalizada, passando a ter importante papel administrativo-cultural. Estava sob seu comando além da Casa de Jorge Amado, o Teatro, a Biblioteca e o Arquivo Públicos, prestando importante papel em questões relacionadas à pesquisa, fosse histórica ou funcional; a reivindicação da população afro-descendente foi atendida, com a criação do memorial da Cultura Negra; havia o Circo Folias de Gabriela, espaço cultural alternativo, local em que pudemos assistir grandes shows e eventos. Todos estes equipamentos, construídos por Jabes, eram administrados pela Fundaci, além dos eventos culturais. A parceria com a Viação Águia Branca gerou o ônibus Águia da Cultura, que levava cultura e arte aos mais distantes locais do município.

Do patrimônio imaterial, muita coisa pode ser citada, como o Projeto Seis e Meia, a Canoagem Rumo ao Mato Virgem, relembrando a chegada de Maximiliano da Áustria a Ilhéus; seminários políticos, que contaram com a presença em Ilhéus de figuras notáveis como: Severo Gomes, Waldir Pires, Rômulo Almeida e Edivaldo Brito, além de outros.

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Aconteceu o I Encontro de Profissionais da Imprensa do Sul da Bahia, muitos shows com artistas dos mais diversos locais, além da valorização do artista regional. Muitas outras coisas foram realizadas, de infraestrutura, nos bairros, nos morros, na saúde, que está sucateada; o espaço é pequeno para a quantidade de obras a relacionar.

Infelizmente, a cidade vem perdendo, do ponto de vista econômico e cultural. Tantas coisas já tivemos, e foram destruídas. A contar pela maior delas: o Grupo Escolar General Osório, que, próximo de completar 100 anos, corre o risco de não fazê-lo, pois, em que pese a determinação do Ministério Público, nada acontece para reverter o quadro que se apresenta.

Precisamos de pessoas que amem esta cidade e queiram retomar sua construção. De pessoas que queiram “governar ao lado do povo, na defesa inarredável dos seus interesses, ouvindo-lhe os reclamos e as sugestões”.

Por amor a esta terra, elegemos Jabes Ribeiro mais uma vez, pois precisamos retomar o desenvolvimento com responsabilidade. Sozinho ele não pode fazer muito – precisa de nossa ajuda, já que não vai começar do zero, ou retomar de onde deixou. Muita coisa que havia sido feita, deverá ser refeita.

 

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(A reforma do Palácio foi realizada no seu governo)

Desejamos ao prefeito Jabes Ribeiro todo sucesso! E à nossa cidade e à sua população, um futuro muito melhor.

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