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Archive for the ‘Historia Regional’ Category

O MENINO HANS

 

Maria Luiza Heine

No dia 18 de outubro de 2010 escrevi uma crônica sobre o Chocolate Caseiro de Ilhéus, que dizia o seguinte:

Gostaria de começar esta matéria como um conto de fadas: “Era uma vez um menino que resolveu criar uma fábrica de chocolate na terra do cacau…”

Sim, um conto de fadas que se tornou realidade 60 anos depois que o cacau se tornou a principal fonte de renda do estado da Bahia. Sempre me perguntei por que, com tanto cacau, não se produzia o chocolate? Por qual motivo a fábrica de chocolates Garoto se instalou no Espírito Santo e não aqui? Desde que comecei a estudar a história de Ilhéus, estas eram perguntas que eu me fazia e nunca encontrei respostas.

Mas, eis que, há 25 anos, um menino empreendedor, um ilheense nascido em Salvador, chegou para redimir nossos antigos coronéis (empreendedores); eles ganhavam tanto dinheiro vendendo os caroços secos, e não pensaram que o fim de toda monocultura é melancólico.

Nas palavras do “menino” Hans: A ideia da construção da primeira fábrica de chocolate da Bahia surgiu logo após a inauguração do nosso Ilhéus Praia Hotel, em junho de 1981, quando a cidade comemorava seu centenário. Os turistas que chegavam ao Hotel, vindos principalmente em ônibus do Rio e de São Paulo, nos faziam a pergunta mais óbvia do planeta: “Como a cidade que mais produz cacau no Brasil não tem uma só fábrica de chocolate, quando no Rio Grande do Sul, principalmente na Serra Gaúcha, existem várias e lá não existe o cacau?”

A pergunta foi o desafio que o levou a pesquisar, em viagens a Gramado, a Blumenau e Joinville, e, posteriormente, à Europa (Suíça, Alemanha, Itália e Bélgica), sempre estudando as fábricas existentes, seus métodos e produtos.

Ao voltar da viagem à Europa, Hans já havia traçado o projeto da futura fábrica, iniciando sua construção em 1984, e inaugurando em 1985, após cursos feitos na Chocotec e Ital, em Campinas (SP). O governador do Estado à época, João Durval Carneiro, veio a Ilhéus inaugurar a fábrica, considerando o pioneirismo do empreendimento.

Foi com tristeza que recebi a notícia da partida do menino Hans. Suêde, muito triste, me pediu que escrevesse algo sobre ele, e foi então, que me lembrei desta crônica publicada no Diário de Ilhéus e no meu blog ilheuscomamor.wordpress.com.

Quando a crônica foi publicada Schaeppi me ligou dizendo: Maria Luiza quem está falando é o menino Hans, e deu uma larga risada. Ele ficou feliz com o que escrevi e me agradeceu. Perdi um amigo, um companheiro do turismo, da época que tinha pousada, um confrade da Academia de Letras. Ilhéus perdeu muito mais: um filho nascido em Salvador, mas que amava esta terra como sua, a quem dedicou toda a sua vida.

A triste realidade é que todos seguiremos por este caminho inexorável. Acredito que sua chegada por lá deve ter sido motivo de muita alegria.

Vá em paz, menino Hans! Você cumpriu sua missão.

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Quando os portugueses chegaram a esta região, existia uma aldeia indígena Tupi, no local onde está edificado o prédio da Prefeitura Municipal de Ilhéus, o Palácio Paranaguá. Naquele local foi construído, em 1563, o colégio dos jesuítas, que chegaram a Ilhéus em 1549; em 1565 a igreja ficou pronta e foi consagrada a Nossa Senhora da Assunção. Com a expulsão dos Jesuítas, de Ilhéus, em 1760, todas as suas propriedades foram entregues aos depositários, Manoel Francisco Lima, Amaro Fernandes de Macedo e Francisco Alves dos Reis, sendo depois estas propriedades arrematadas por particulares. Nesta época atribuía-se à Igreja e à casa dos jesuítas o título de Nossa Senhora do Socorro.

Não tendo sede própria, o Conselho Municipal funcionava em casa alugada; os Conselheiros tentaram, por muitos anos, adquirir a antiga casa dos jesuítas para se instalar. Foram realizadas muitas tentativas perante o governo, mas, sem sucesso.

Somente em 1888, nos termos da Lei nº 2.672, de 28 de outubro de 1875, foi que o município ficou com o direito de aforar os terrenos de marinha e os pertencentes às extintas aldeias indígenas.

Em 20 de janeiro de 1898 foi lançada a pedra fundamental do Paço Municipal, pelo Coronel Ernesto Sá Bittencourt Câmara. O que restava da antiga casa dos Jesuítas foi inteiramente demolido, dando início à construção do novo Palácio em estilo neoclássico, decorado pelo pintor italiano Oreste Sarcelli, que recebeu o nome de “Palácio dos Grifos”*, por causa dos grifos que se encontram nos quatro cantos de sua parte superior. O Palácio dos Grifos foi inaugurado nove anos depois, em 1907, na gestão do Coronel Domingos Adami de Sá.

À sua inauguração, realizada em 22 de dezembro, à uma hora da tarde, com grande concentração popular, tomaram parte o Cel. Domingos Adami de Sá, Intendente do Município, o Cel. Henrique Alves dos Reis, Presidente do Conselho Municipal, Dr. João Mangabeira, Deputado Estadual e futuro Intendente do Município. Pela parte popular discursou o Dr. Ruy Penalva de Oliveira e o Dr. Virgílio Sá, advogado de Itabuna. À noite houve o baile de inauguração, regado a champagne e regido pela Filarmônica Guarani, em que discursou o Dr. Arthur Affonso de Carvalho.

Segundo descrição do IPAC (1988, p. 225), o prédio é: “Edifício de relevante interesse arquitetônico, construído para sede Municipal. Possui planta retangular, desenvolvida em dois pavimentos, em torno de um grande vestíbulo central, onde está localizada a escadaria, tipo imperial”. O prédio sofreu várias reformas ao longo dos seus quase cem anos de existência. Entre os anos de 1912 e 1916, o edifício passou por uma grande obra de reforma, no governo do intendente Cel. Antonio Pessoa, como colocação de aparelhos sanitários e ampliação e reparo do mobiliário.

No ano de 1919, o prédio ameaçava ruir. Por esse motivo a Prefeitura foi transferida para o edifício do Grupo Escolar General Osório, na Praça Castro Alves. Em 1921 o Intendente Eustáquio Bastos resolveu reconstruir o Palácio dos Grifos conservando a mesma arquitetura, ficando o edifício com o aspecto que ainda hoje conserva.

Em 1943 o Prefeito Mário Pessoa determinou importantes obras de remodelação no Palácio, sendo a Prefeitura Municipal transferida provisoriamente para o prédio n.º 15 da Rua Santos Dumont.

Todo o edifício se achava condenado, indicando um desabamento próximo. A velha escada, toda de madeira, tinha os degraus com 0,22 cm de piso com 0,22 cm de espelho, tornando-se desconforme e contra indicada pelos códigos de construção, constituindo o seu acesso um verdadeiro suplício.

Diante do exposto a reconstrução e restauração do prédio se empunham e foram feitos obedecendo ao seguinte critério:

a) Todas as paredes internas foram erguidas em concreto armado, com bases apropriadas para suportarem o esforço de toda a carga do andar superior e do telhado;

b) Nos lugares onde não existiam paredes e de acordo com a melhor conveniência para distribuição de cargas, foram levantadas pilastras de concreto encimadas por vigas do mesmo material;

c) O telhado foi reconstruído, em todas as seções, com distribuição mais racional do espaço, tendo sido colocado novo forro, nos dois pavimentos;

d) Foi trocado todo o assoalho;

e) Parte das janelas e portas foi trocada, assim como as ferragens das mesmas.

Mais que um prédio, o palácio era um Centro Administrativo, pois lá funcionava o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, além da cadeia e posto médico. Na parte superior funcionava a administração pública; na parte térrea funcionava o Fórum, e na parte de trás, a cadeia pública.

“Nas minhas pesquisas até o ano de 1949 não encontrei nenhuma referência ao Palácio Municipal como ‘Palácio Paranaguá’. Mas foi em homenagem a João Lustosa da Cunha Paranaguá, Visconde e Marquês de Paranaguá, Presidente e Conselheiro da Província da Bahia, que, na data de 28 de junho de 1881, elevou a Vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade, através da lei Provincial nº. 2.187, que foi dado ao ‘Palácio dos Grifos’ o nome de ‘Palácio Paranaguá”.

* Segundo o Aurélio, Grifo é um animal fabuloso, com cabeça de águia e garras de leão.

Pesquisa realizada por Alfredo Amorim da Silveira

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Igreja de Santana – Ilhéus   Igreja de Nossa Senhora da Escada – Salvador

O “A Tarde”, importante jornal editado em Salvador, no último dia sete de agosto, apresenta uma matéria com a manchete “Igreja do século XVI pode desabar”. Trata-se da Igreja de Nossa Senhora da Escada, primeira igreja erguida com pedras, na Bahia, e que está localizada no subúrbio ferroviário de Salvador.

A matéria chamou minha atenção pela foto da igreja. Ela é muito parecida com a nossa igreja de Santana, erguida no Engenho de mesmo nome, construído por Mem de Sá na década de 1540, no atual Rio do Engenho e doado aos jesuítas. Diz a matéria que o estilo da igreja é jesuítico “e que foi refúgio do padre José de Anchieta, em 1566”. Ela é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), desde 1962, como a nossa também é. A de Salvador corre sérios riscos de desabamento e a finalidade da matéria é sensibilizar para que os órgãos públicos realizem as obras que impeçam o patrimônio de desaparecer. O pouco que tem sido realizado tem sido feito por interferência da população local. A nossa está em melhor situação, embora já tenha corrido o risco de desaparecer.

Na descrição do monumento diz a matéria: “a igreja é de estilo jesuítico, com uma entrada principal cercada por muretas baixas”. Diz ainda que, a Igreja de Nossa Senhora da Escada, em Salvador, possui características únicas, e que o alpendre (espécie de varanda colonial), era comum nas construções rurais dos primeiros séculos da colonização brasileira. É dito que a mesma assemelha-se a outras construções jesuíticas feitas na Bahia, “como as igrejas de São José do Jenipapo, no município de Castro Alves, de Nossa Senhora da Ajuda, em Cachoeira, e de Santo Antonio dos Velasques, na Ilha de Itaparica”. Interessante! Sobre a Igreja de Santana, de Ilhéus, nem uma palavra. Mais uma vez fica comprovado que a história que se escreve “na Bahia”, exclui o que não seja Salvador e Recôncavo.

A capitania dos Ilhéus foi doada pelo rei de Portugal, D. João III, a Jorge de Figueiredo Corrêa, escrivão da Fazenda Real, homem de muitas posses, que nunca veio conhecer suas terras. Segundo diversos autores, os capitães donatários tinham como obrigação fundar vilas, implantar fazendas, tornar as terras produtivas. Vendo que não era uma tarefa fácil, o donatário criou as subdonatarias, denominadas sesmarias, e as doaram a homens ricos que, ao realizar investimentos, o ajudaria a cumprir as tarefas impostas pela carta de doação. Jorge de Figueiredo doou uma sesmaria a Fernão Álvares de Andrade (donatário da Capitania do Maranhão), outra a Lucas Giraldes, rico comerciante cuja família se tornara abastada com o tráfico de especiarias do Oriente e a terceira a Mem de Sá, que se tornaria o terceiro Governador Geral do Brasil.

Segundo Luis Walter Coelho Filho, no livro A Capitania de São Jorge e a Década do Açúcar, os três sesmeiros citados no parágrafo acima, constituíram, em 1547, um consórcio empresarial para exportar o açúcar produzido pelos engenhos que fundaram em suas propriedades. Esta iniciativa seria algo incomum na época, constituindo-se em um empreendimento capitalista, coisa que ainda não existia por estas plagas.

De acordo com o brasilianista Stuart Schwartz, o engenho de Santana foi um engenho atípico, diferente daqueles instalados no entorno de Salvador, mas nem por isso teve menor importância, pois permaneceu em atividade por quase trezentos anos, certamente um fato empresarial pouco comum. Em seu livro Segredos Internos, o americano apresenta dados de que em 1572 consta o registro de 109 índios escravos, como também de 130 escravos negros. O aumento do consumo de açúcar na Europa justificava a busca de mão de obra para aumentar a produção e a quantidade de mão de obra empregada demonstra o tamanho do engenho.

“Em 1789, os escravos do Engenho de Santana se rebelaram, sob a liderança de ‘um cabra’ chamado Gregório Luis. Mataram o feitor e ocuparam o engenho, paralisando a produção por dois anos” (SCHWARTZ, 1988).

Embora na ótica dos historiadores baianos não haja referência à História de Ilhéus, faz-se necessário inseri-la, pois desde o século XVI, lá ela está incluída e muito tem contribuído para o enriquecimento da economia e da História da Bahia.

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OBS.: Esta matéria foi escrita em 2005. Pela foto atual, retirada da internet, a igreja foi devidamente recuperada.

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No decorrer do ano de 2010, em conversa com Haydée Sá de Figueiredo, esposa de meu primo Bebeto, falei-lhe da vontade que tinha de escrever sobre seu pai, Dr. Hernane. Pedi-lhe então, que me conseguisse os dados para que eu pudesse realizar o que me propunha. Aliás, é bom que se diga, muitas vezes tenho vontade de escrever sobre pessoas que ajudaram a escrever nossa história, e só não o faço por falta de material. Seria muito bom se vocês que me lêem me ajudassem a escrever esta matéria semanal, enviando material e ideias. Fica o apelo.

Foi com surpresa que, na semana passada, me deparei com a matéria do confrade Josevandro Nascimento falando do centenário de Dr. Hernane. Fiquei feliz porque entendo que precisamos homenagear sempre as pessoas que dignificam a história de Ilhéus, para conhecimento das novas gerações.

Apesar de ter conhecido pouco Dr. Hernane, tenho por ele, pelo médico, grande admiração. Lembro-me muito bem de que, quando estava com 14 anos, passei mal, e ele, prontamente veio até a casa de meus avós me atender. Eu sentia muita dor e ele me curou, numa época em que não era tão fácil o atendimento médico.

Josevandro já falou um pouco sobre nosso homenageado, mas consegui com Haydée mais alguns dados.

Hernane Lopes de Sá era filho de Maria Amália Calmon de Sá e de Antonio Lopes de Sá, advogado, filólogo, poeta e escritor, autor de dois discursos famosos: o primeiro deles sem utilizar a letra “A”, quando da sua posse no Instituto Histórico da Bahia, em 1915; o outro sem colocar um só verbo, proferido em 1918, quando voltou à tribuna daquele instituto.

Foi o segundo filho de uma família de quatro irmãos e nasceu antes do tempo previsto, numa fazenda no Banco da Vitória, no dia 24 de janeiro de 1911. Seus pais residiam em Salvador e vieram à região visitar amigos. Aos 12 anos perdeu o pai; aos 16 já aplicava injeção para ajudar no sustento da família.

Colou grau em Medicina pela Universidade da Bahia, aos 21 anos de idade, e foi trabalhar em Itapira, atual Ubaitaba, nas margens do Rio de Contas, cortada pela BR 101. Trabalhou lá por 12 anos. Casou-se com dona Lycia Adami de Sá, descendente do coronel Domingos Adami de Sá, intendente de Ilhéus no período de 1904 a 1907, que construiu o prédio da Prefeitura Municipal e a atual Casa dos Artistas, onde residiu sua família. Na cidade de Ubaitaba nasceram cinco dos seus 10 filhos.

De lá se mudou para Ilhéus, onde viveu toda a sua vida, dedicando-se a servir à população com dedicação, sem discriminar classe social, independente da hora ou atividade que estivesse fazendo, mesmo em detrimento de sua vida pessoal.

Segundo Haydée, sua filha, “falar de sua bondade é dar real testemunho de um pai amoroso, enérgico, honesto, cujo exemplo de vida tornou-se lei para seus descendentes”.

Convidado para exercer cargo político sempre recusou, apesar de ser popular e querido pelas pessoas a quem atendia. Acreditava que sua missão estava na medicina.

Foi médico do Batalhão, da Marinha e do Instituto de Cacau da Bahia (ICB), tendo recebido medalha de “Honra ao Mérito” da Marinha do Brasil pelos serviços prestados.

No dia 23 de agosto de 1976 estava reunido com a família em sua fazenda no distrito de Castelo Novo, para comemorar o aniversário de sua esposa Lycia, quando foi surpreendido por uma crise de edema pulmonar, vindo a falecer, prematuramente, aos 65 anos de idade. Deixou a família desolada e enorme lacuna na saúde e na sociedade ilheense. Ao seu sepultamento compareceu um número muito grande de pessoas, que perderam o amigo e o médico.

Alguns descendentes seguiram seus passos profissionais. O filho Guilherme é médico em nossa cidade; as netas Paula Christina, Flávia, Fernanda e a bisneta Larissa também escolheram a medicina.

Como bem disse Josevandro Nascimento, “Ilhéus homenageia dr. Hernane Lopes de Sá, pelo grande médico que foi, exemplo para as gerações do futuro”. Ele não será esquecido, pois, por indicação da Câmara Municipal de Ilhéus, um dos bairros da zona Sul de nossa cidade, muito merecidamente, recebeu o seu nome.

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O administrador Edjan Dantas Santana apresentando seu artigo

Concluí minha graduação em Filosofia no ano de 1980. Naquela época os alunos concluintes de qualquer curso, simplesmente cumpriam a carga horária obrigatória e colavam grau. Não era necessário escrever monografia. Aqueles que optavam por uma licenciatura deveriam cursar a disciplina Estágio Supervisionado e só.

Atualmente, em todos os cursos, é necessário escrever uma monografia para poder colar grau. Na verdade esta prática não é novidade, pois no final do Século Dezenove e até certo ponto do Século Vinte, para que o estudante de Medicina pudesse concluir seu curso deveria escrever a “tese de doutoramento”, daí o título de doutor. É comum, ao pesquisarmos a história dos nossos antepassados, em sendo médico, encontrarmos o título de suas teses.

Atualmente não se faz tese, mas a produção de uma monografia de final de curso é obrigatória. É interessante distinguir que escrever um trabalho chamado “científico” não é tão simples, mas não está ligado ao dom de se expressar através das letras. Nem sempre quem escreve bem, sabe escrever uma monografia, ou mesmo um artigo. Existem regras que devem ser seguidas, que são estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Estas regras dependem de aprendizado.

No final do ano de 2008, a professora Sandra Milanesi, diretora acadêmica da Faculdade de Ilhéus, me incumbiu de fazer a coordenação para a seleção de artigos e assim, publicarmos nossa revista, que era um anseio dos professores e diretores.

Fiquei encarregada de escrever a apresentação da mesma e lá, afirmo que:

“A Faculdade de Ilhéus tem buscado, sempre, imprimir um ritmo moderno, atual, criando, no decorrer deste tempo, alternativas que complementem a ação educacional, com atividades extracurriculares como o Seminário Interdisciplinar e a Feira de Negócios, trazendo palestrantes nas diversas áreas e participando do Projeto Rondon, por diversas vezes. Em 2005 foi criado o Núcleo de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão (NUPEX). Alguns professores da instituição insistiam em que a Faculdade investisse em uma revista científica, que pudesse servir como meio para publicação de professores e alunos, não só da instituição, mas também de outras instituições de ensino superior”.

Pois bem, no último dia 28 de outubro, a Faculdade de Ilhéus teve, como momento de grande expressão acadêmica, o lançamento do número 1 de sua revista. Nela estão publicados sete artigos, escritos por alunos e professores. O lançamento foi acompanhado por alunos, professores e pessoas de representatividade da sociedade ilheense. Estavam presentes: o presidente da Fundação Cultural de Ilhéus, Mauricio Corso, além de Givaldo Sobrinho, Antonio Carlos Bahiense, Eliane Sabóia Ribeiro e Jailson Teles (diretor do Colégio Estadual de Ilhéus); a professora Miriam Araújo, representou a secretária de Educação, Iolando Souza, representou a 6ª Dires, e a professora Tiane Oliveira, o Proler/UESC.

O primeiro artigo da publicação, Eticidade e dignidade humana: uma reflexão à luz da ética levinasiana, de minha autoria, trata de uma reflexão ética (sob a ótica de Lévinas), de problemas relacionados ao bairro Nossa Senhora da Vitória, localizado na zona sul, bairro de periferia, com todos os problemas que um local dessa ordem possui.

A professora Eliana Albuquerque, da UESC, jornalista que possui muitas publicações e participações em congressos, nos brinda com Coronelismo, Jornalismo e Relações de poder no sul da Bahia.

Do curso de Ciências Contábeis foi selecionado o artigo do bacharel Silvio Souza dos Reis, abordando Os Fatores que determinam a não aplicação do Princípio da Entidade pelos empresários das Micro e Pequenas Empresas na cidade de Ilhéus-Bahia. A princípio pode parecer que os artigos produzidos pelos contadores só interessam às pessoas ligadas ao assunto. Mas, no Brasil, é muito comum pessoas abrirem empresas pequenas. A maioria não ultrapassa os três anos de existência, justamente por não respeitar o Princípio da Entidade; portanto, a leitura deste artigo é fundamental para todos aqueles que já tiveram uma pequena empresa, ou desejam criar uma.

Dos relatórios produzidos pelos alunos da Faculdade de Ilhéus, dois foram escolhidos pela relevância do tema. O primeiro, escrito pelo bacharel em Administração Edjan Dantas Santana, trata sobre A Vulnerabilidade às DST’s – Doenças Sexualmente Transmissíveis, e o Alcoolismo na Aldeia Itapoã, em Olivença, que trata de questões ligadas à saúde indígena e a vulnerabilidade a que os mesmos estão sujeitos.

O outro foi da administradora Jamile Benjamin Cabral, cujo tema foi A Beleza Estética e a Construção da Auto-estima nas mulheres carentes do Bairro Nossa Senhora da Vitória em Ilhéus-Bahia. A autora tem um centro de estética há muitos anos e sabe, na prática, a importância do se sentir bela na construção da identidade feminina.

Desta forma, a Revista da Faculdade de Ilhéus não se apresenta apenas como uma publicação acadêmica para “enfeitar” nossas estantes, mas como expressão da atividade de uma Instituição de Ensino Superior que deseja muito mais que formar profissionais, mas formá-los inseridos na comunidade ajudando a construir a história das Terras do Sem Fim.

Revista6Contador  Silvio de Souza Reis

Fotos  gentilmente cedidas por Ed Ferreira

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Gostaria de começar esta matéria como um conto de fadas: “Era uma vez um menino que resolveu criar uma fábrica de chocolate na terra do cacau…”

Sim, um conto de fadas que se tornou realidade 60 anos depois que o cacau se tornou a principal fonte de renda do estado da Bahia. Sempre me perguntei por que, com tanto cacau, não se produzia o chocolate? Por qual motivo a fábrica de chocolates Garoto se instalou no Espírito Santo e não aqui? Desde que comecei a estudar a história de Ilhéus, estas eram perguntas que eu me fazia e nunca encontrei respostas.

Mas, eis que, há 25 anos, um menino empreendedor, um ilheense nascido em Salvador, chegou para redimir nossos antigos coronéis (empreendedores); eles ganhavam tanto dinheiro vendendo os caroços secos, e não pensaram que o fim de toda monocultura é melancólico.

Nas palavras do “menino” Hans: A idéia da construção da primeira fábrica de chocolate da Bahia surgiu logo após a inauguração do nosso Ilhéus Praia Hotel, em junho de 1981, quando a cidade comemorava seu centenário. Os turistas que chegavam ao Hotel, vindos principalmente em ônibus do Rio e de São Paulo, nos faziam a pergunta mais óbvia do planeta: “Como a cidade que mais produz cacau no Brasil não tem uma só fábrica de chocolate, quando no Rio Grande do Sul, principalmente na Serra Gaúcha, existem várias e lá não existe o cacau?”

A pergunta foi o desafio que o levou a pesquisar, em viagens a Gramado, a Blumenau e Joinville, e, posteriormente, à Europa (Suíça, Alemanha, Itália e Bélgica), sempre estudando as fábricas existentes, seus métodos e produtos.

Ao voltar da viagem à Europa, Hans já havia traçado o projeto da futura fábrica, iniciando sua construção em 1984, e inaugurando em 1985, após cursos feitos na Chocotec e Ital, em Campinas (SP). O governador do Estado à época, João Durval Carneiro, veio a Ilhéus inaugurar a fábrica, considerando o pioneirismo do empreendimento.

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O “menino” empreendedor se chama Hans Tosta Schaeppi, nasceu em Salvador, é casado com D. Clarice e tem cinco filhos. Graduou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia. E aí seu currículo é extenso: foi diretor da Federação das Indústrias do Estado da Bahia – FIEB, Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Bahia (SINDUSCON), Diretor de Obras Públicas da Prefeitura de Salvador, Conselheiro Regional do SENAI, Membro do Conselho de Representantes da Confederação Nacional das Indústrias, Responsável Técnico e Superintendente de Obras da Construtora Norberto Odebrecht, Conselheiro Executivo e Diretor Regional da ABIH–BA, construtor da Chocolate Caseiro Bahia, do Ilhéus Praia Hotel, Membro do Conselho de Ética da ABIH–BA, dentre outras. Além disso, é Jornalista, Agricultor, Pecuarista, Artista Plástico (Premiado), Compositor e Teatrólogo (Premiado). Membro da Academia de Letras de Ilhéus.

Não dá para colocar todo o seu currículo, mas não podemos deixar de mencionar que Schaeppi, como o chamamos, recebeu o título de Cidadão Ilheense, a Comenda da Ordem do Mérito de São Jorge dos Ilhéus, o Troféu “Leão de Ouro”, pelo Lions Clube de Ilhéus Centro, o XI Troféu Imprensa do Cacau, dentre outros.

Em Ilhéus, Schaeppi atuou como engenheiro, construindo o Ed. Santa Clara, cujo cinema era, na época, o melhor da Bahia. Construiu, ainda, os edifícios Souza, Kaufmann e Marquês de Paranaguá, além da nova Ponte do Fundão, a Estação Rodoviária de Itabuna e o Teatro-Restaurante Cabanas do Mirante, palco de muitas reuniões e eventos, cuja finalidade era preencher a necessidade de uma maior infra-estrutura turística para a cidade.

O homem simples que conhecemos, que caminha despretensiosamente pelas nossas ruas, realizou muitas outras coisas, também como jornalista, pois, durante vinte anos escreveu no jornal A TARDE, de circulação nacional, a coluna “Hotelaria e Turismo”; escreve, ainda, a coluna “Turismo” no jornal regional AGORA, no Jornal da Abrajet e na Gazeta do Turismo, de circulação nacional, sempre defendendo o crescimento da atividade turística da Bahia e do município de Ilhéus. Sua luta pela construção do Centro de Convenções de Ilhéus, inaugurado no ano 2000, é reconhecida por todos.

A fábrica de Chocolate Caseiro Ilhéus é um patrimônio cultural de nossa cidade; foi a primeira fábrica de chocolates artesanais da Bahia e do Norte/Nordeste do País.

Finalizo a matéria com as palavras do nosso homenageado de hoje: “Deus me ajudou, que nosso chocolate agradou, graças ao esmero em sua fabricação, inovações a cada ano, recheios e formatos especiais. Hoje temos seis lojas, sendo três em Ilhéus, uma em Itabuna, uma no Aeroporto Internacional de Salvador e outra no Aeroporto Internacional de Recife. Apesar de não gostarmos muito de franquias, estaremos brevemente abrindo uma em Vitória da Conquista e talvez outra em Feira de Santana, devido à insistência dos interessados”.

Pedimos a Deus que abençoe SEMPRE o grande homem Hans Schaeppi, por todas as obras realizadas na construção desta cidade de São Jorge do Ilhéus.

 

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O lançamento do documentário ‘Cultura e Turismo: Jorge Amado por Zélia Gattai’, de autoria da jornalista Renata Smith, aconteceu no dia 13 de agosto  no auditório da Fundação Cultural de Ilhéus. O vídeo revela o pensamento da escritora e da filha, Paloma Jorge Amado, sobre aspectos da vida e obra de Jorge. “Zélia fala de amor, memória, cotidiano, carreira e turismo; um vídeo ideal para quem se interessa em conhecer mais sobre o homem/escritor que representa o principal ícone local”, explica a jornalista que também destaca a finalidade do documentário que não será comercializado, mas distribuído para uso educacional.

Ainda na oportunidade será feito o relançamento do livro ‘Documentário e Turismo Cultural, um olhar sobre Jorge Amado’, também de autoria de Renata. Os dois trabalhos tiveram apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), União Metropolitana de Educação e Cultura (Unime-Itabuna), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) através do projeto ‘Expressões Culturais, Literatura e Turismo (ECULT) do grupo de pesquisa Identidade Cultural e Expressões Regionais (ICER), coordenado pela Doutora Maria de Lourdes Netto Simões.

Crédito da foto de Zélia Gattai: acervo virtual da Fundação Casa de Jorge Amado

 

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NO ÚLTIMO DIA 10 DE AGOSTO A ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS HOMENAGEOU A ACADÊMICA ZÉLIA GATTAI NA SESSÃO DA SAUDADE. A SAUDAÇÃO FOI FEITA PELA ACADÊMICA ELIANE DE SABÓIA RIBEIRO.

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No próximo final de semana, dias 15 e 16 de maio, a escola Clave de Sol estará se apresentando no Teatro Municipal de Ilhéus. Esta escola que já se tornou patrimônio cultural da região, com 40 anos de atividade, estará homenageando o compositor e cantor, no espetáculo “Clave de Sol canta Caetano Veloso”.

São diversas as gerações que passaram por esta escola que já tem filhos de ex-alunos se apresentando para um público fiel, que dá o devido valor ao belíssimo trabalho de Mariângela Montalvão. Hoje o trabalho é realizado por uma equipe, pois a escola cresceu ao longo desses anos todos.

O espetáculo a ser apresentado conta com a participação de 60 integrantes, entre jovens, crianças e adultos e, ainda, com a participação especial de Jan Costa, Jailton Alves, Coral Amigos da Clave de Sol e do Grupo Encantarte.

A Direção Musical do espetáculo, os arranjos e a regência são da fundadora da escola, Mariângela Montalvão. A Coordenação Geral é de Indira Vita Pessoa, que começou a tocar ainda criança e, hoje, trabalha lado a lado com a ex-mestra.

O espetáculo atrai público de todas as idades; é recomendado para pessoas entre quatro a oitenta anos, sendo bom para o espírito e para quebrar o estresse e a correria do dia-a-dia. Em todos esses anos a escola tem primado pela qualidade do repertório que apresenta. Outra característica dos espetáculos da Clave de Sol é a pontualidade de suas apresentações. Não adianta chegar mais tarde “porque aqui nada começa na hora marcada”; vai perder o início do espetáculo, chegar com as luzes apagadas e correr o risco de não encontrar um bom lugar. O início do espetáculo está marcado para as 19 horas.

Este ano as músicas são de Caetano Veloso; já teve as de Altamiro Carrilho e Chico Buarque, mas durante a apresentação será feita uma homenagem a Roberto Carlos, pelos 50 anos de carreira.

Dentro da programação dos 40 anos da Escola estão a gravação de um CD com a participação dos alunos e o lançamento de dois CDs específicos de Musicalização para Bebês, com canções compostas pela professora Mariângela Montalvão, que estarão à disposição do público a partir de Outubro de 2010. Um encontro com ex-alunos também está previsto para este ano de comemorações.

A Escola atualmente oferece cursos de Musicalização para Bebês, Iniciação Musical, Flauta Doce, Flauta Transversal, Violão, Guitarra, Saxofone, Clarinete, Violino, Piano, Teclado, Bateria, Técnica Vocal e Coral.

Fazem parte da equipe os seguintes professores: Mariângela Montalvão (Flauta Doce, Musicalização para Bebês e Coral); Indira Vita Pessoa (Flauta Transversal, Piano e Teclado); Jaqueline Oliveira (Iniciação Musical, Teclado e Piano); Claudenilson Chaves (Violão e Guitarra); Sabará e Damião (Bateria); Wallace Alves (Violino); Cláudio Cerqueira (Técnica Vocal); Gilsomar Moura (Saxofone) e Vilobaldo da Conceição (Clarinete, Trompete).

Vale à pena conferir e prestigiar esta escola de música tão nossa, nosso patrimônio. Garanto que quem for não vai se arrepender; e vai sair de lá vendo o mundo menos amargo e a vida mais bonita.

CS5   CS4

 

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Música com amor

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Clave de Sol canta Caetano - cartaz final

 

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Música com amor

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