Feeds:
Posts
Comentários

DOE MEDULA ÓSSEA

O hemoba estará em Ilhéus no próximo final de semana. Não custa muito este ato de solidariedade.

hemoba

Anúncios

diz Antonio Nobre

01/11/2014  PAGINA DA IHU- UNIVERSIDADE VALE DOS SINOS- UNISINOS-RS

Antonio Donato Nobre é um dos nossos melhores cientistas, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e um especialista em questões amazônicas. É  mundialmente conhecido como  pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Sustenta que o desmatamento para já, inclusive o permitido por lei sem prejuízo do agronegócio que deve incorporar fatores novos da falta de água e das secas prolongadas. Enfatiza: “A agricultura consciente, se soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas e plantando árvores em sua propriedade”. Publicamos aqui sua entrevista aparecida no IHU de 31 de outubro de 2014, dada a urgência do tema e seus efeitos maléficos notados no Sudeste, especialmente na metrópole de São Paulo.

.

Quanto já desmatamos da Amazônia brasileira?

Só de corte raso, nos últimos 40 anos, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro. A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo. A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estou falando de degradação florestal.

Essa é a “guilhotina de árvores” que o senhor menciona?

Foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto. É o clima que sente cada árvore que é retirada da Amazônia. O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa.

O sr. pode explicar?

Os cientistas que estudam a Amazônia estão preocupados com a percepção de que a floresta é potente e realmente condiciona o clima. É uma usina de serviços ambientais. Ela está sendo desmatada e o clima vai mudar.

A mudança climática…

A mudança climática já chegou. Não é mais previsão de modelo, é observação de noticiário. Os céticos do clima conseguiram uma vitória acachapante, fizeram com que governos não acreditassem mais no aquecimento global. As emissões aumentaram muito e o sistema climático planetário está entrando em falência como previsto, só que mais rápido.

No estudo o sr. relaciona destruição da floresta e clima?

A literatura é abundante, há milhares de artigos escritos, mais de duas dúzias de projetos grandes sendo feitos na Amazônia, com dezenas de cientistas. Li mais de 200 artigos em quatro meses. Nesse estudo quis esclarecer conexões, porque esta discussão é fragmentada. “Temos que desenvolver o agronegócio. Mas e a floresta? Ah, floresta não é assunto meu”. Cada um está envolvido naquilo que faz e a fragmentação tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a síntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situação.

Qual é a situação?

A situação é de realidade, não mais de previsões. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima já mudou. Lá está aumentando a duração da estação seca e diminuindo a duração e volume de chuva. Agricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva não chegou. Ano após ano, na região leste e sul da Amazônia, isso está ocorrendo. A seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amazônia já é realidade. O sistema está ficando em desarranjo.

A seca em São Paulo se relaciona com mudança do clima?

Pegue o noticiário: o que está acontecendo na Califórnia, na América Central, em partes da Colômbia? É mundial. Alguém pode dizer – é mundial, então não tem nada a ver com a Amazônia. É aí que está a incompreensão em relação à mudança climática: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destruição de florestas. A consequência não é só em relação ao CO2 que sai, mas a destruição de floresta destrói o sistema de condicionamento climático local. E isso, com as flutuações planetárias da mudança do clima, faz com que não tenhamos nenhuma almofada.

Almofada?

A floresta é um seguro, um sistema de proteção, uma poupança. Se aparece uma coisa imprevista e você tem algum dinheiro guardado, você se vira. É o que está acontecendo agora, não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a “costa quente” da Amazônia. A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais.

O sr. fala em tapete tecnológico da Amazônia. O que é?

Eu queria mostrar o que significa aquela floresta. Até eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microscópio, a floresta é a hiper abundância de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada. O tapete tecnológico da Amazônia é essa assembleia fantástica de seres vivos que operam no nível de átomos e moléculas, regulando o fluxo de substâncias e de energia e controlando o clima.

O sr. fala em cinco segredos da Amazônia. Quais são?

O primeiro é o transporte de umidade continente adentro. O oceano é a fonte primordial de toda a água. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na América do Sul, entra 3.000 km na direção dos Andes com umidade total. O segredo? Os gêiseres da floresta.

Gêiseres da floresta?

É uma metáfora. Uma árvore grande da Amazônia, com dez metros de raio de copa, coloca mais de mil litros de água em um dia, pela transpiração. Fizemos a conta para a bacia Amazônica toda, que tem 5,5 milhões de km2: saem desses gêiseres de madeira 20 bilhões de toneladas de água diárias. O rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a água doce nos oceanos, despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia. Esse fluxo de vapor que sai das árvores da floresta é maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração das árvores e se mantém úmido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa é uma característica das florestas.

É o que faz falta em São Paulo?

Sim, porque aqui acabamos com a Mata Atlântica, não temos mais floresta.

Qual o segundo segredo?

Chove muito na Amazônia e o ar é muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas são muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das árvores. Esses odores vão para atmosfera e quando têm radiação solar e vapor de água, reagem com o oxigênio e precipitam uma poeira finíssima, que atrai o vapor de água. É um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais gás e o sistema se mantém.

E o terceiro segredo?

A floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E na Amazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos.

Como tudo isso se relaciona à seca de São Paulo?

No quarto segredo. Estamos em um quadrilátero da sorte – uma região que vai de Cuiabá a Buenos Aires no Sul, São Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da América do Sul. Se olharmos o mapa mundi, na mesma latitude estão o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Mas aqui, não, essa região era para ser um deserto. E no entanto não é, é irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? A Amazônia exporta umidade. Durante vários meses do ano chega por aqui, através de “rios aéreos”, o vapor que é a fonte da chuva desse quadrilátero.

E o quinto segredo?

Onde tem floresta não tem furacão nem tornado. Ela tem um papel de regularização do clima, atenua os excessos, não deixa que se organizem esses eventos destrutivos. É um seguro.

Qual o impacto do desmatamento então?

O desmatamento leva ao clima inóspito, arrebenta com o sistema de condicionamento climático da floresta. É o mesmo que ter uma bomba que manda água para um prédio, mas eu a destruo, aí não tem mais água na minha torneira. É o que estamos fazendo. Ao desmatar, destruímos os mecanismos que produzem esses benefícios e ficamos expostos à violência geofísica. O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinha que ter parado com o desmatamento há dez anos. E parar agora não resolve mais.

Como não resolve mais?

Parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem. A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade.

E se não fizermos isso?

Veja pela janela o céu que tem em São Paulo – é de deserto. A destruição da Mata Atlântica nos deu a ilusão de que estava tudo bem, e o mesmo com a destruição da Amazônia. Mas isso é até o dia em que se rompe a capacidade de compensação, e é esse nível que estamos atingindo hoje em relação aos serviços ambientais. É muito sério, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.

O que o sr. está dizendo?

Agora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. Não adianta mais dizer “vamos reduzir a taxa de desmatamento anual.” Temos que fazer frente ao passivo, é ele que determina o clima.

Tem quem diga que parte desses campos de futebol viraram campos de soja.

O clima não dá a mínima para a soja, para o clima importa a árvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, não tem dossel, tem raiz curta, não é capaz de bombear água. Os sistemas agrícolas são extremamente dependentes da floresta. Se não chegar chuva ali, a plantação morre.

O que significa tudo isso? Que vai chover cada vez menos?

Significa que todos aqueles serviços ambientais estão sendo dilapidados. É a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu – aí não tem mais eletricidade. É de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amazônia. É essa a dimensão dos serviços que estamos perdendo. Estamos perdendo um serviço que era gratuito que trazia conforto, que fornecia água doce e estabilidade climática. Um estudo feito na Geórgia por uma associação do agronegócio com ONGs ambientalistas mediu os serviços de florestas privadas para áreas urbanas. Encontraram um valor de US$ 37 bilhões. É disso que estamos falando, de uma usina de serviços.

As pessoas em São Paulo estão preocupadas com a seca.

Sim, mas quantos paulistas compraram móveis e construíram casas com madeira da Amazônia e nem perguntaram sobre a procedência? Não estou responsabilizando os paulistas porque existe muita inconsciência sobre a questão. Mas o papel da ciência é trazer o conhecimento. Estamos chegando a um ponto crítico e temos que avisar.

Esse ponto crítico é ficar sem água?

Entre outras coisas. Estamos fazendo a transposição do São Francisco para resolver o problema de uma área onde não chove há três anos. Mas e se não tiver água em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a região que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geográfico e vire deserto? Vamos buscar água no aquífero?

Não é uma opção?

No norte de Pequim, os poços estão já a dois quilômetros de profundidade. Não tem uso indefinido de uma água fóssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. É um estoque, como petróleo. Usa e acaba. Só tem um lugar que não acaba, o oceano, mas é salgado.

O esforço de guerra é para acabar com o desmatamento?

Tinha que ter acabado ontem, tem que acabar hoje e temos que começar a replantar florestas. Esse é o esforço de guerra. Temos nas florestas nosso maior aliado. São uma tecnologia natural que está ao nosso alcance. Não proponho tirar as plantações de soja ou a criação de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as Áreas de Proteção Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. Não só na Amazônia. Aqui em São Paulo, se tivesse floresta, o que eu chamo de paquiderme atmosférico…

Como é?

É a massa de ar quente que “sentou” no Sudeste e não deixa entrar nem a frente fria pelo Sul nem os rios voadores da Amazônia.

O que o governo do Estado deveria fazer?

Programas massivos de replantio de reflorestas. Já. São Paulo tem que erradicar totalmente a tolerância com relação a desmatamento. Segunda coisa: ter um esforço de guerra no replantio de florestas. Não é replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto não tem este papel em relação a ciclo hidrológico, tem que replantar floresta e acabar com o fogo. Poderia começar reconstruindo ecossistemas em áreas degradadas para não competir com a agricultura.

Onde?

Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em áreas íngremes. Em vales onde só tem capim, tem que plantar árvores da Mata Atlântica. O esforço de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais rápida forma possível.

E o desmatamento legal?

Nem pode entrar em cogitação. Uma lei que não levou em consideração a ciência e prejudica a sociedade, que tira água das torneiras, precisa ser mudada.

O que achou de Dilma não ter assinado o compromisso de desmatamento zero em 2030, na reunião da ONU, em Nova York?

Um absurdo sem paralelo. A realidade é que estamos indo para o caos. Já temos carros-pipa na zona metropolitana de São Paulo. Estamos perdendo bilhões de dólares em valores que foram destruídos. Quem é o responsável por isso? Um dia, quando a sociedade se der conta, a Justiça vai receber acusações. Imagine se as grandes áreas urbanas, que ficarem em penúria hídrica, responsabilizarem os grandes lordes do agronegócio pelo desmatamento da Amazônia. Espero que não se chegue a essa situação. Mas a realidade é que a torneira da sua casa está secando.

Quanto a floresta consegue suportar?

Temos uma floresta de mais de 50 milhões de anos. Nesse período é improvável que não tenham acontecido cataclismas, glaciação e aquecimento, e no entanto a Amazônia e a Mata Atlântica ficaram aí. Quando a floresta está intacta, tem capacidade de suportar. É a mesma capacidade do fígado do alcoólatra que, mesmo tomando vários porres, não acontece nada se está intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resiliência que tínhamos, com a floresta, fique perdida.

Aí vem uma flutuação forte ligado à mudança climática global e nós ficamos muito expostos, como é o caso do “paquiderme atmosférico” que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, não aconteceria, porque a floresta resfria a superfície e evapora quantidade de água que ajuda a formar chuva.

O esforço terá resultado?

Isso não é garantido, porque existem as mudanças climáticas globais, mas reconstruir ecossistemas é a melhor opção que temos. Quem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harmônica, de serviços agroecossistêmicos. Não tem nenhuma razão para o antagonismo entre agricultura e conservação ambiental. Ao contrário. A agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas. E, por iniciativa própria, replantaria a floresta nas suas propriedades.

Depoimentos do cientista Antonio Nobre, em video

** Antóniio Nobre TED X Amazônia: www.youtube.com/watch?v=HYcY5erxTYs

**Antônio Nobre: a tecnologia da floresta é insubstituível” : https://www.youtube.com/watch?v=26HRlaxDqkw

 

A DENÚNCIA É MUITO GRAVE E PRECISAMOS NOS POSICIONAR, SE NÃO FOR PENSANDO EM NÓS MESMOS, PENSANDO NAS CRIANÇAS QUE ESTÃO AÍ E NAS QUE ESTÃO NASCENDO.

FELIZ NATAL!

POEMA DE NATAL

Marcos Luedy

Disse-me a fada madrinha

ao recortar as asas

do meu trenó estrelado:

– Vai, Noel, desce

àquele cruel descampado

e cumpra a sua sina

torna seu corpo, pesado

beija essa terra de insanos

sofra como eles sofrem

e anda como eles andam…

 

E eu, tão acostumado

aos voos interplanetários

tomei das suas mãos, minhas penas

e mergulhando-as em lágrimas

desci e tinturei de cores

e brilhos e risos e poemas

e presenteei de amores

– uma vez, a cada ano –

a noite de todos os homens.

 

Faz tempo que não escrevo, nem para o blog, nem para o jornal. Alguma coisa se transformou e, embora sinta vontade de escrever, as palavras ficam dentro de mim. Grandes mudanças estão acontecendo em meu ser.

Hoje tive vontade de desejar a todos vocês um Natal Feliz, um ano melhor, mas minha desesperança em nossos governantes me impede de fazê-lo.

Perdi a crença em nossos políticos. Acredito que eles só queiram tirar vantagem na relação que têm com o povo. E pegar muito dinheiro… Mas, deixa eles prá lá.

Desejo tudo de melhor para todos vocês.

Pensem em construir um mundo melhor, pensem que podemos ajudar as pessoas e fazer deste mundo um lugar melhor para se viver.

Assim estaremos construindo um FELIZ NATAL!

20 DE SETEMBRO DE 2014

 

No último dia 20 de setembro um grupo e pessoas se reuniu em Olivença para limpar as praias da localidade. A iniciativa não é novidade, mas, é sempre bom lembrar desta necessidade, já que, as pessoas acabam esquecendo que, melhor que limpar as praias é não sujá-las.

A iniciativa é baseada em um projeto da ONG Center for Marine Conservation (CMC). A CMC é uma ONG Americana criada em 1972 e realizou seu primeiro dia de limpeza de praias em 1986. Na ocasião 2.800 voluntários participaram da coleta de 124 toneladas de entulho do litoral do Texas, USA. Em 1988 o evento se tornou nacional, com a participação de 47.500 voluntários, e já no ano seguinte se tornava internacional com a participação de voluntários do Canadá e do México. Em 1998 o evento teve a participação de mais de 340.000 voluntários em mais de 75 países, sendo que no Brasil 1.446 pessoas participaram recolhendo 8.169 quilos de lixo em 94,6Km de praias.

Durante este evento, que sempre ocorre no terceiro sábado de setembro, os voluntários vão às praias coletar o lixo lá depositado diretamente pelos usuários locais ou por descargas no mar por navios ou por rios. Cada voluntário além de coletar o lixo anota em um formulário padrão as quantidades recolhidas de cada ítem que compõem o lixo sólido. Estes dados são utilizados pela CMC para fazer estatísticas que retratem o estado de poluição dos oceanos de nosso planeta. Isto é necessário para que se possa fiscalizar se as nações signatárias da Convenção Internacional de Prevenção de Poluição advinda de Navios (International Convention for the Prevention of Pollution from Ships), mais conhecida como MARPOL, estão cumprindo este tratado, que trata do lixo sólido. A Organização das Nações Unidas (ONU) apóia este evento, como instrumento de fiscalização.

(fonte: http://www.praiaseca.com.br/ambiente/cleanday/apresent.htm – acesso em 05 de setembro de 2014)).

O evento contou com o apoio das seguintes instituições:

Escolas Jorge Calmon, Escola Nucleada de Olivença, Centro Cultural de Olivença, COOLimpa, Cabana Canoa, Projetos Escolinha de Surf e Onda da Leitura.

Parabéns aos organizadores e participantes.

 

lixão ilheus3

Lixão do Itariri Ilhéus

Foto retirada da internet em 03.08.2014 (site aliancaspublicoprivadas.org,br)

Se olharmos nossas cidades com olhos atentos, vamos encontrar por toda parte e com raras exceções, muito lixo. O lixo fede, tem aspecto feio, é fonte de doença e de proliferação de insetos e de pequenos animais nocivos; além disso, diz muito mal da cultura de um povo e de suas práticas.

O lixo é “decorrência da manifesta vocação das sociedades humanas para transformar o meio natural”; é indissociável das atividades desenvolvidas pelo homem, tanto no tempo quanto no espaço. Não é exagero afirmar que, já nos primórdios da humanidade o lixo constituía um foco obrigatório de atenções, diz Waldman (Lixo, 2010).

Tendo constatado isso, verificamos que o Capitulo 1° da Constituição Federal de 1988 diz, no Art. 225, que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo”. Meio ambiente ecologicamente equilibrado não combina nem com lixo, nem com sujeira e poluição.

Desde os anos 1960 existe um movimento mundial, e a mídia tem falado muito sobre o assunto, para que o desenvolvimento possa ser sustentável, isto é, possa continuar acontecendo, porém, em outras bases, sem destruir as reservas do planeta e sem colocar em risco a manutenção da vida sobre ele.

Após a Conferência do Rio realizada em 1992 (Eco 92), foram escritos muitos documentos, dentre eles a Agenda 21. Em 1997 o então prefeito Jabes Ribeiro, assessorado pelo professor Soane Nazaré de Andrade, assinou a criação da Agenda 21 de Ilhéus, um marco na tomada de decisões para que Ilhéus traçasse o caminho do desenvolvimento sustentável.

No dia 21 de setembro de 1998 foi constituída a Comissão Coordenadora da Agenda 21 Ilhéus, formada por diversos segmentos da sociedade e do poder público, coordenados por Soane Nazaré e Adeum Sauer. Esta Comissão foi instituída pelo Decreto n° 010/98, assinada no dia 6 de janeiro de 1998, pelo prefeito municipal. Na apresentação do documento está posto que o Governo Municipal, preocupado com a necessidade de desencadear um processo de ações adequadas, em especial em relação à dimensão ambiental “deve permear todas as ações de desenvolvimento, especialmente para realizar as potencialidades de sua vocação turística, como opção econômica, em função do patrimônio natural de seu ecossistema”. Nessa época foi criada a Universidade Livre do Mar e da Mata – MARAMATA – que representa um passo importante para a ação coletiva e organizada, sobretudo no processo de educação como construtora e propagadora do referencial de desenvolvimento humano de nosso tempo (AGENDA 21, p. 12).

Talvez muitas pessoas não compreendam o tamanho do problema que existe no lixo. Por conta disso, no dia 2 de agosto de 2010 foi promulgada a Lei N° 12.305, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cujo prazo para efetivar as mudanças, acabando com os lixões, terminaria quatro anos depois, em 2 de agosto de 2014. Este dia chegou trazendo uma realidade muito diferente do que preconiza a Lei.

Os objetivos da PNRS estão voltados para questões de saúde pública e qualidade ambiental, não geração, redução e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, estímulo de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços, adoção e desenvolvimento de tecnologias limpas e redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos; também incentivar a indústria da reciclagem, a gestão integrada de resíduos sólidos, bem como a capacitação técnica continuada nessa área.

O artigo 7° trata da responsabilidade com a “integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis”, assunto que muito interessa a Ilhéus, com relação à Educação Ambiental. O assunto é urgente, não pode esperar e os catadores estão passando dificuldades. A geração de resíduos no Brasil aumentou seis vezes mais do que o aumento da população, no ano de 2010.

Para finalizar podemos dizer que, em Ilhéus, a questão está sendo tratada desde 2008, envolvendo a Conder, o Ibam, algumas ONGs e associações de moradores; conta com a “marcação” atuante do Instituto Nossa Ilhéus, com apoio de muitas empresas privadas e, o mais importante, com a criação da Coolimpa (cooperativa de catadores); os catadores foram transformados em “agentes ambientais” e retirados do lixão, mas… tudo continua como antes, nada mudou. Muitos catadores retornaram para o lixão, a Coolimpa continua sem galpão de triagem e sem caminhão e contando apenas com o sonho da muito guerreira D. Deizimeire e de alguns companheiros.

A coleta seletiva em Ilhéus e o Aterro Sanitário do Itariri estão depositados na mesma prateleira em que colocaram a nova ponte, a duplicação da rodovia Jorge Amado, a construção do novo aeroporto e do Porto Sul e de muitas outras obras necessárias.

lixão ilheus2

Reunião do Grupo de Trabalho (GT) no Instituto Nossa Ilhéus com D. Deizimeire

 

TUDO MENTIRA…

A mídia afirmou que temos o melhor futebol do mundo…

Cantamos, em prosa e verso, que chegaríamos lá…

“Vai que dá, Brasil hexacampeão…

Eu sei que vou, vou do jeito que eu sei… de gol em gol…

Com o coração batendo a mil… é taça na raça, Brasil!”

Que raça? Que taça? O Brasil amarelou. O técnico amarelou… Tudo que fez foi juntar um monte de meninos emocionalmente inexperientes e incapazes de esboçar qualquer reação.

Ele pensou o que? Que ainda se joga aquele futebol de antigamente? O que se viu neste mundial foi muito time bom, que saiu porque somente um podia ficar.

O que se criou em torno da seleção brasileira até parecia conversa de político, uma mentira atrás da outra.

Não seria melhor que o gol do Chile, aquele que, no último minuto bateu na trave, não seria melhor que tivesse entrado? A vergonha seria muito menor, poderia ser atribuída à falta de sorte e o vexame deixaria de acontecer.

Trazendo o assunto para a política e para nossa cidade, alguém acredita em Papai Noel, Lobisomem, Saci Pererê? Pois é… tem gente que acredita que a ordem de serviço que foi assinada pelo governador no dia da cidade, autorizando a duplicação da rodovia Jorge Amado é verdade. E que a nova ponte já começou a ser construída. É tudo igual à Copa, pura mentira.

Na reeleição do governador, em 2010 também uma ordem da duplicação havia sido assinada. E deu em quê?

 

ISSO É VERDADE

alemanha2

A copa do Brasil foi muito bonita, a torcida e o povo deram exemplo de como se deve receber os visitantes. Mas seria melhor que não tivesse acontecido e que o dinheiro tivesse sido aplicado em saúde, educação e segurança pública.

Infelizmente a escolha foi essa. Esperavam que o time do Felipão ganhasse, mas esqueceram de combinar com os alemães.

Estes sim, deram uma grande lição: de futebol, de humildade, de civilidade.

Ganharam os melhores – o esporte pode ser justo.

alemanha1

Parabéns Alemanha! Tetra campeã do mundo na Copa do Brasil. 

 

aesportes_13071925_gd

 

luissuarez_ap_15

Não tenho acompanhado a Copa do Mundo. Assisti a alguns jogos, mas sem nenhum interesse, sem torcer. Sinto-me cansada de tanta inversão de valores, de tanta mentira e hipocrisia. Estamos vivendo em um mundo onde é valorizada a aparência física, a riqueza e o faz de conta. Os verdadeiros valores, como ética, verdade, amor próprio e “vergonha na cara”, são deixados de lado.

Assisti ao jogo do Uruguai, em que o jogador Luis Suárez, no apagar das luzes, marcou um belo gol para seu time, seus país. Meu interesse é tanto que não fixei o nome do adversário daquela partida, mas fiquei impressionada com a história do jogador, que após uma cirurgia no joelho, e a ameaça de não jogar, conseguiu se superar, enchendo de esperança seus compatriotas. Gosto muito de pessoas que superam seus obstáculos, que demonstram toda a capacidade de superação do ser humano. Passei a me interessar por aquele, até então, ilustre desconhecido (para mim).

Melhor não o tivesse conhecido. Preferia continuar ignorando essa pessoa que se tornou completamente incompreensível para meus parâmetros de valores; que me deixou muito mais impressionada com a capacidade que os seres humanos têm de fazer e desfazer, com a mesma rapidez; que constroem, destroem e fica tudo bem. É como se nada tivesse acontecido.

Ao ver a cena da mordida que o jogador aplicou no colega italiano, tentei até achar que era exagero do jogador “mordido”. Afinal, jogo de futebol é um palco cheio de artistas que fingem o tempo todo. Confesso que não acreditei, no primeiro momento, que fosse possível alguém, no caso Suárez, conseguir dar um salto e morder as costas de um ser humano cheio de fortes músculos. Depois, vendo e revendo a cena e sabendo dos seus antecedentes, pude compreender que o sujeito, o indivíduo, sei lá o que, já possuía este estranho costume, que o ser humano possui nos primeiros anos de vida, mas que, ao crescer, logo perde.

No primeiro momento lamentei a perda de tão importante jogador. A Copa do Mundo ficaria empobrecida sem a sua presença. E fiquei pensando na trajetória humana, que constrói e destrói com a mesma facilidade. E pensei em nossas escolhas, e que a vida é repleta de escolhas, o tempo todo. Lembrei do professor Dorival, que um dia me disse “quando escolhemos alguma coisa, renunciamos a todas as outras”. Suárez renunciou a ser o melhor jogador da copa, a quem sabe repetir o “maracanasso”, a dar um novo estímulo ao seu povo. E, pela punição que recebeu, pode ter renunciado a uma bela carreira no futebol.

E como complemento de tudo de ruim que aconteceu, hoje, dia 27 de junho de 2014, abro a internet e vejo as seguintes notícias: “presidente do Uruguai presta solidariedade a Luis Suárez e diz que vai ao aeroporto recebê-lo” e “zagueiro italiano diz que punição a Suárez foi pesada”. Aí foi que não entendi nada mesmo.

Ora, se ele mordeu e tem este estranho hábito, deve receber uma punição. Não podemos relativizar o comportamento humano e passar a mão na cabeça. Mas se não houve mordida, o italiano inventou? Criou aquela imagem que mostrou ao mundo inteiro? Então quem deve ser punido é ele.

O que sei é que não me agrada o que estou presenciando, nem no futebol, nem nas relações entre as pessoas. Mentiras, invenções, valorização de jogadores que vão para o campo mostrando a cueca para fazer propaganda da marca que o patrocina, do português que está mais para modelo do que para jogador de futebol, pessoas que não dignificam a raça humana, porque os valores não estão nem na ponta da chuteira, nem em um belo físico.

Afinal, o que é o belo? Não é um conceito subjetivo e relativo?

images