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20 DE SETEMBRO DE 2014

 

No último dia 20 de setembro um grupo e pessoas se reuniu em Olivença para limpar as praias da localidade. A iniciativa não é novidade, mas, é sempre bom lembrar desta necessidade, já que, as pessoas acabam esquecendo que, melhor que limpar as praias é não sujá-las.

A iniciativa é baseada em um projeto da ONG Center for Marine Conservation (CMC). A CMC é uma ONG Americana criada em 1972 e realizou seu primeiro dia de limpeza de praias em 1986. Na ocasião 2.800 voluntários participaram da coleta de 124 toneladas de entulho do litoral do Texas, USA. Em 1988 o evento se tornou nacional, com a participação de 47.500 voluntários, e já no ano seguinte se tornava internacional com a participação de voluntários do Canadá e do México. Em 1998 o evento teve a participação de mais de 340.000 voluntários em mais de 75 países, sendo que no Brasil 1.446 pessoas participaram recolhendo 8.169 quilos de lixo em 94,6Km de praias.

Durante este evento, que sempre ocorre no terceiro sábado de setembro, os voluntários vão às praias coletar o lixo lá depositado diretamente pelos usuários locais ou por descargas no mar por navios ou por rios. Cada voluntário além de coletar o lixo anota em um formulário padrão as quantidades recolhidas de cada ítem que compõem o lixo sólido. Estes dados são utilizados pela CMC para fazer estatísticas que retratem o estado de poluição dos oceanos de nosso planeta. Isto é necessário para que se possa fiscalizar se as nações signatárias da Convenção Internacional de Prevenção de Poluição advinda de Navios (International Convention for the Prevention of Pollution from Ships), mais conhecida como MARPOL, estão cumprindo este tratado, que trata do lixo sólido. A Organização das Nações Unidas (ONU) apóia este evento, como instrumento de fiscalização.

(fonte: http://www.praiaseca.com.br/ambiente/cleanday/apresent.htm – acesso em 05 de setembro de 2014)).

O evento contou com o apoio das seguintes instituições:

Escolas Jorge Calmon, Escola Nucleada de Olivença, Centro Cultural de Olivença, COOLimpa, Cabana Canoa, Projetos Escolinha de Surf e Onda da Leitura.

Parabéns aos organizadores e participantes.

 

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Lixão do Itariri Ilhéus

Foto retirada da internet em 03.08.2014 (site aliancaspublicoprivadas.org,br)

Se olharmos nossas cidades com olhos atentos, vamos encontrar por toda parte e com raras exceções, muito lixo. O lixo fede, tem aspecto feio, é fonte de doença e de proliferação de insetos e de pequenos animais nocivos; além disso, diz muito mal da cultura de um povo e de suas práticas.

O lixo é “decorrência da manifesta vocação das sociedades humanas para transformar o meio natural”; é indissociável das atividades desenvolvidas pelo homem, tanto no tempo quanto no espaço. Não é exagero afirmar que, já nos primórdios da humanidade o lixo constituía um foco obrigatório de atenções, diz Waldman (Lixo, 2010).

Tendo constatado isso, verificamos que o Capitulo 1° da Constituição Federal de 1988 diz, no Art. 225, que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo”. Meio ambiente ecologicamente equilibrado não combina nem com lixo, nem com sujeira e poluição.

Desde os anos 1960 existe um movimento mundial, e a mídia tem falado muito sobre o assunto, para que o desenvolvimento possa ser sustentável, isto é, possa continuar acontecendo, porém, em outras bases, sem destruir as reservas do planeta e sem colocar em risco a manutenção da vida sobre ele.

Após a Conferência do Rio realizada em 1992 (Eco 92), foram escritos muitos documentos, dentre eles a Agenda 21. Em 1997 o então prefeito Jabes Ribeiro, assessorado pelo professor Soane Nazaré de Andrade, assinou a criação da Agenda 21 de Ilhéus, um marco na tomada de decisões para que Ilhéus traçasse o caminho do desenvolvimento sustentável.

No dia 21 de setembro de 1998 foi constituída a Comissão Coordenadora da Agenda 21 Ilhéus, formada por diversos segmentos da sociedade e do poder público, coordenados por Soane Nazaré e Adeum Sauer. Esta Comissão foi instituída pelo Decreto n° 010/98, assinada no dia 6 de janeiro de 1998, pelo prefeito municipal. Na apresentação do documento está posto que o Governo Municipal, preocupado com a necessidade de desencadear um processo de ações adequadas, em especial em relação à dimensão ambiental “deve permear todas as ações de desenvolvimento, especialmente para realizar as potencialidades de sua vocação turística, como opção econômica, em função do patrimônio natural de seu ecossistema”. Nessa época foi criada a Universidade Livre do Mar e da Mata – MARAMATA – que representa um passo importante para a ação coletiva e organizada, sobretudo no processo de educação como construtora e propagadora do referencial de desenvolvimento humano de nosso tempo (AGENDA 21, p. 12).

Talvez muitas pessoas não compreendam o tamanho do problema que existe no lixo. Por conta disso, no dia 2 de agosto de 2010 foi promulgada a Lei N° 12.305, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cujo prazo para efetivar as mudanças, acabando com os lixões, terminaria quatro anos depois, em 2 de agosto de 2014. Este dia chegou trazendo uma realidade muito diferente do que preconiza a Lei.

Os objetivos da PNRS estão voltados para questões de saúde pública e qualidade ambiental, não geração, redução e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, estímulo de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços, adoção e desenvolvimento de tecnologias limpas e redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos; também incentivar a indústria da reciclagem, a gestão integrada de resíduos sólidos, bem como a capacitação técnica continuada nessa área.

O artigo 7° trata da responsabilidade com a “integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis”, assunto que muito interessa a Ilhéus, com relação à Educação Ambiental. O assunto é urgente, não pode esperar e os catadores estão passando dificuldades. A geração de resíduos no Brasil aumentou seis vezes mais do que o aumento da população, no ano de 2010.

Para finalizar podemos dizer que, em Ilhéus, a questão está sendo tratada desde 2008, envolvendo a Conder, o Ibam, algumas ONGs e associações de moradores; conta com a “marcação” atuante do Instituto Nossa Ilhéus, com apoio de muitas empresas privadas e, o mais importante, com a criação da Coolimpa (cooperativa de catadores); os catadores foram transformados em “agentes ambientais” e retirados do lixão, mas… tudo continua como antes, nada mudou. Muitos catadores retornaram para o lixão, a Coolimpa continua sem galpão de triagem e sem caminhão e contando apenas com o sonho da muito guerreira D. Deizimeire e de alguns companheiros.

A coleta seletiva em Ilhéus e o Aterro Sanitário do Itariri estão depositados na mesma prateleira em que colocaram a nova ponte, a duplicação da rodovia Jorge Amado, a construção do novo aeroporto e do Porto Sul e de muitas outras obras necessárias.

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Reunião do Grupo de Trabalho (GT) no Instituto Nossa Ilhéus com D. Deizimeire

 

TUDO MENTIRA…

A mídia afirmou que temos o melhor futebol do mundo…

Cantamos, em prosa e verso, que chegaríamos lá…

“Vai que dá, Brasil hexacampeão…

Eu sei que vou, vou do jeito que eu sei… de gol em gol…

Com o coração batendo a mil… é taça na raça, Brasil!”

Que raça? Que taça? O Brasil amarelou. O técnico amarelou… Tudo que fez foi juntar um monte de meninos emocionalmente inexperientes e incapazes de esboçar qualquer reação.

Ele pensou o que? Que ainda se joga aquele futebol de antigamente? O que se viu neste mundial foi muito time bom, que saiu porque somente um podia ficar.

O que se criou em torno da seleção brasileira até parecia conversa de político, uma mentira atrás da outra.

Não seria melhor que o gol do Chile, aquele que, no último minuto bateu na trave, não seria melhor que tivesse entrado? A vergonha seria muito menor, poderia ser atribuída à falta de sorte e o vexame deixaria de acontecer.

Trazendo o assunto para a política e para nossa cidade, alguém acredita em Papai Noel, Lobisomem, Saci Pererê? Pois é… tem gente que acredita que a ordem de serviço que foi assinada pelo governador no dia da cidade, autorizando a duplicação da rodovia Jorge Amado é verdade. E que a nova ponte já começou a ser construída. É tudo igual à Copa, pura mentira.

Na reeleição do governador, em 2010 também uma ordem da duplicação havia sido assinada. E deu em quê?

 

ISSO É VERDADE

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A copa do Brasil foi muito bonita, a torcida e o povo deram exemplo de como se deve receber os visitantes. Mas seria melhor que não tivesse acontecido e que o dinheiro tivesse sido aplicado em saúde, educação e segurança pública.

Infelizmente a escolha foi essa. Esperavam que o time do Felipão ganhasse, mas esqueceram de combinar com os alemães.

Estes sim, deram uma grande lição: de futebol, de humildade, de civilidade.

Ganharam os melhores – o esporte pode ser justo.

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Parabéns Alemanha! Tetra campeã do mundo na Copa do Brasil. 

 

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Não tenho acompanhado a Copa do Mundo. Assisti a alguns jogos, mas sem nenhum interesse, sem torcer. Sinto-me cansada de tanta inversão de valores, de tanta mentira e hipocrisia. Estamos vivendo em um mundo onde é valorizada a aparência física, a riqueza e o faz de conta. Os verdadeiros valores, como ética, verdade, amor próprio e “vergonha na cara”, são deixados de lado.

Assisti ao jogo do Uruguai, em que o jogador Luis Suárez, no apagar das luzes, marcou um belo gol para seu time, seus país. Meu interesse é tanto que não fixei o nome do adversário daquela partida, mas fiquei impressionada com a história do jogador, que após uma cirurgia no joelho, e a ameaça de não jogar, conseguiu se superar, enchendo de esperança seus compatriotas. Gosto muito de pessoas que superam seus obstáculos, que demonstram toda a capacidade de superação do ser humano. Passei a me interessar por aquele, até então, ilustre desconhecido (para mim).

Melhor não o tivesse conhecido. Preferia continuar ignorando essa pessoa que se tornou completamente incompreensível para meus parâmetros de valores; que me deixou muito mais impressionada com a capacidade que os seres humanos têm de fazer e desfazer, com a mesma rapidez; que constroem, destroem e fica tudo bem. É como se nada tivesse acontecido.

Ao ver a cena da mordida que o jogador aplicou no colega italiano, tentei até achar que era exagero do jogador “mordido”. Afinal, jogo de futebol é um palco cheio de artistas que fingem o tempo todo. Confesso que não acreditei, no primeiro momento, que fosse possível alguém, no caso Suárez, conseguir dar um salto e morder as costas de um ser humano cheio de fortes músculos. Depois, vendo e revendo a cena e sabendo dos seus antecedentes, pude compreender que o sujeito, o indivíduo, sei lá o que, já possuía este estranho costume, que o ser humano possui nos primeiros anos de vida, mas que, ao crescer, logo perde.

No primeiro momento lamentei a perda de tão importante jogador. A Copa do Mundo ficaria empobrecida sem a sua presença. E fiquei pensando na trajetória humana, que constrói e destrói com a mesma facilidade. E pensei em nossas escolhas, e que a vida é repleta de escolhas, o tempo todo. Lembrei do professor Dorival, que um dia me disse “quando escolhemos alguma coisa, renunciamos a todas as outras”. Suárez renunciou a ser o melhor jogador da copa, a quem sabe repetir o “maracanasso”, a dar um novo estímulo ao seu povo. E, pela punição que recebeu, pode ter renunciado a uma bela carreira no futebol.

E como complemento de tudo de ruim que aconteceu, hoje, dia 27 de junho de 2014, abro a internet e vejo as seguintes notícias: “presidente do Uruguai presta solidariedade a Luis Suárez e diz que vai ao aeroporto recebê-lo” e “zagueiro italiano diz que punição a Suárez foi pesada”. Aí foi que não entendi nada mesmo.

Ora, se ele mordeu e tem este estranho hábito, deve receber uma punição. Não podemos relativizar o comportamento humano e passar a mão na cabeça. Mas se não houve mordida, o italiano inventou? Criou aquela imagem que mostrou ao mundo inteiro? Então quem deve ser punido é ele.

O que sei é que não me agrada o que estou presenciando, nem no futebol, nem nas relações entre as pessoas. Mentiras, invenções, valorização de jogadores que vão para o campo mostrando a cueca para fazer propaganda da marca que o patrocina, do português que está mais para modelo do que para jogador de futebol, pessoas que não dignificam a raça humana, porque os valores não estão nem na ponta da chuteira, nem em um belo físico.

Afinal, o que é o belo? Não é um conceito subjetivo e relativo?

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por José Rezende Mendonça

 

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Tem coisas por mais simples que pareçam, e essa é uma delas, nos deixam inquietos.

Graxa-de-estudante ou simplesmente “graxa” é como conhecemos popularmente o Hibiscus rosa-sinensis, originário da Ásia tropical e do Havaí onde é considerada a flor nacional e possui mais de 5000 variedades. Muito difundido no mundo pelas propriedades ornamentais, possui diversas variedades e formas, com flores grandes ou pequenas, com  pétalas lisas ou crespas. Muito cultivado no Brasil com vários híbridos e variedades, é utilizado com muito sucesso na arborização urbana, além de enfeitar jardins, praças e servir de cerca viva.

Pois é, por tudo isso é que não entendemos como uma planta que pode ser cultivada de diversas formas, onde suas flores, que embora não nasçam em grande número, são presentes durante todo o ano, bem chamativas e versáteis, que se adaptam às mais diversas funções paisagísticas, seja maltratada desta forma aqui em Ilhéus.

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E cometem este absurdo, para não dizer criminoso, deixando a paisagem feia e sem vida, simplesmente por não terem o bom senso em consultar quem de fato entende de parques e jardins. Aprendemos nos velhos tempos que existem dois tipos de podas: a poda de LIMPEZA, que consiste na eliminação dos galhos secos, doentes, “chupões”, brotos, etc., e a poda de FORMAÇÃO, que é aquela que realizamos na planta para que ela se desenvolva obedecendo a um planejamento, ou seja, com a finalidade de uma copa baixa ou alta, expansões laterais, ou até mesmo de forma decorativa como cerca viva.

Mas, o que lá está e em outras áreas da cidade, é uma poda de “PELAÇÃO” ou “APELAÇÃO”, e tudo por falta de conhecimento e bom senso.

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Esta encosta é para ser toda arborizada com este tipo de vegetal e deixá-la em paz, que ela mesma resiste a tudo, apenas a cada seis meses, uma poda de limpeza, que vocês verão uma paisagem florida o ano todo completando a beleza natural desta cidade.

 

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Parabenizamos o cidadão José Rezende Mendonça pela bela observação.

Realmente não dá para entender o significado daquelas plantas, naquele local, daquela forma e completamente sem flores.

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Múltiplos olhares sobre a Região Cacaueira do sul da Bahia foi o livro escolhido para retratar um pouco da história da cidade de Ilhéus, em seminário que acontece no Hotel Boulevard, na cidade de São Paulo.

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Nossos agradecimentos a Professora e historiadora Maria Luiza Heine, pela cortesia de alguns exemplares doados, que foram distribuídos aos participantes. Elias Reis abordou a história da cidade, destacando o capítulo especifico que trata da imprensa na região cacaueira, de autoria da Professora Nane Albuquerque.

Enviado por Elias Reis

A RIQUEZA DO PROFESSOR

Se em muitos países o professor tem enorme valor cultural e social, no nosso isso não acontece, a não ser com honrosas exceções. O professor brasileiro tem sido vilipendiado, humilhado e desrespeitado por muitos alunos, pelos pais desses alunos, pela justiça, que entende que pode se meter na prática pedagógica e até decidir se um aluno deve ou não ser reprovado, como também pelas instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas.

Esta constatação, no entanto, não significa que eu tenha arrependimento da profissão que segui. Pelo contrário, apesar de saber desta incômoda verdade, posso dizer que tenho muitos motivos para me sentir feliz por ter escolhido o magistério, pois acima destas constatações está a consciência de que construí algo muito sólido ao longo de mais de trinta anos de carreira.

Comecei meu trabalho como professora, ainda estudante de filosofia, ministrando aulas de religião no Instituto Nossa Senhora da Piedade; posteriormente trabalhei no Afonso de Carvalho, Colégio Vitória (fui uma das fundadoras) e na Fespi (atual UESC). No ano de 1979 ingressei no Instituto Municipal de Ensino (IME), onde trabalhei até me aposentar; trabalhei também no Instituto Municipal do Pontal, no ginásio da Ponta da Tulha e no Colégio Status. Em tantos anos de trabalho, não sei fazer a conta de quantos alunos passaram pelas minhas salas, pois, apesar de aposentada, continuo trabalhando. Estou há quase dez anos no ensino superior, sendo nove na Faculdade de Ilhéus.

O que posso relatar dessa minha experiência? Existiram experiências desagradáveis, momentos difíceis? É claro que sim, mas nunca me senti ameaçada, como tantos colegas, inclusive na região. Eu poderia dizer que não chega a 5% o que considero negativo em toda esta minha jornada.

Foram muitas as coisas boas que prefiro lembrar, o respeito que tenho das pessoas com quem trabalhei, mas, sobretudo, o carinho dos meus (sempre queridos) alunos. Foi por conta de um fato ocorrido recentemente que resolvi escrever esta crônica.

Embora já tenha concluído o doutorado, ainda tenho compromissos “morais” com a UNEB e, vez ou outra sou chamada para realizar alguma atividade em Salvador. Numa dessas idas, ao saltar do avião e me dirigir ao sanitário, ouvi uma pessoa me chamar: “professora Luiza!…”. Voltei para olhar; vi um rapaz forte, bonito, os cabelos ligeiramente grisalhos, não o reconheci. Depois de trocarmos algumas palavras reconheci o aluno, um menino magro, ainda na adolescência, bem diferente do homem que se encontrava em frente a mim. Ronaldo Mororó foi meu aluno no IMP em 1992 e me contou que não esquecia certas coisas que eu havia dito nas aulas de filosofia. Ele cursou Relações Internacionais, mora na Hungria e está muito bem, casado e com um filho. Dei-lhe um abraço muito apertado e me emocionei ao encontrar alguém que ajudei a formar e afirmou não ter esquecido de mim. Existe riqueza maior do que essa?

Foi ali que comecei a pensar nesta crônica. Pensei em Raquel, aluna da minha primeira turma na Piedade que, quando me encontrou no Hotel Jardim Atlântico, levantou da mesa e me abraçou, dizendo “minha professora querida!”. Lembrei-me de Áurea, que ao me encontrar um dia na padaria, me disse que havia cursado filosofia por conta das aulas que teve comigo. E pensei também em meus alunos da fase mais recente na Faculdade de Ilhéus, o carinho que demonstram, a amizade, e a forma como me recebem quando os encontro na rua, nos bancos, em seus locais de trabalho, onde recebo sempre, tratamento VIP. Meus alunos de ética sempre me fazem lembrar que minha função não é introduzi-los na teoria somente, mas, fazer com que compreendam a necessidade de sermos cidadãos éticos.

Este é o grande tesouro que tenho acumulado ao longo de 37 anos de magistério. Minha maior riqueza são os meus alunos.