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Posts Tagged ‘Cacau’

OS CAMINHOS DO CACAU

A vila de São Jorge dos Ilhéus foi fundada quando os portugueses resolveram ocupar definitivamente as terras do Brasil, com a instituição do sistema de capitanias hereditárias, na década de 1530. Em todas as pesquisas que realizei, nunca encontrei a data da fundação da vila, embora saibamos que a mesma foi fundada pelo representante do donatário Jorge de Figueiredo Correia, o loco-tenente Francisco Romero. A vila teve grande importância no século XVI, mas, apesar da cana-de-açúcar e dos oito ou nove engenhos, a verdadeira riqueza da região foi plantada juntamente com os cacauais, que tomaram conta das terras férteis, protegidas pela exuberante Mata Atlântica.

O nome científico do cacaueiro é “Theobroma Cacao” que significa “cacau, manjar dos deuses”. É uma planta da família Sterculacae e recebeu este nome do naturalista sueco Carolus Linneu,que classificou as plantas. No Brasil, o cacau é nativo da Amazônia, tendo constituído por muito tempo um produto do seu extrativismo.

O cacaueiro é planta nativa nas bacias dos rios Orinoco e Amazonas; das Américas Central e do Sul, e antes de Cristo já era cultivado pelas grandes civilizações indígenas do Continente, principalmente pelos maias e astecas. A notícia mais antiga que se tem do cacau trata da árvore “kakawa”, utilizada pelos Olmec, povo que habitava o litoral do Golfo do México que construiu a primeira das grandes civilizações mesoamericanas.

Entre os anos 450 e 500 surgem vasos de cerâmica para chocolate entre os objetos encontrados nos túmulos da nobreza Maia. Os Maias bebiam o chocolate como um líquido espumoso, quase sempre temperado com pimenta e outros condimentos. O consumo do chocolate é um importante símbolo de status. As sementes de cacau também foram utilizadas como objetos de troca, como moeda. Montezuma, imperador asteca, tomava diariamente inúmeras doses de chocolate, mas, nem todos tinham acesso à bebida, só os nobres e os mais abastados.

Os índios torravam e trituravam o cacau entre duas pedras, ferviam em água aromatizada com baunilha, canela, pimenta ou suco de aveia até que ficasse pastosa, quando era servido em taças.

O cacau foi levado para várias partes do mundo. Em 1565 chegavam as primeiras amêndoas a Sevilha. Em 1560 tem-se o primeiro registro do cacau na Ásia, quando foi levado de Caracas, na Venezuela, para Sulawesi na Indonésia. É provável que o cacau tenha chegado à África em 1590, quando levaram uma árvore a Fernando Pó (hoje Bioko), uma ilha no litoral dos Camarões.

Em 1657 é inaugurada a primeira casa de chocolate em Londres, e no começo do século XIX, estas casas, os cafés e tavernas se tornaram centros de lazer, negócios e debates políticos. Em 1765 começa a produção de chocolate na América do Norte, com a implantação de uma fábrica de moagem em Massachusets. Em 1879 na Suíça, o químico Henri Nestlé e o fabricante de chocolate Daniel Peter, encontram uma forma de misturar o chocolate ao leite – um objetivo que havia frustrado os aficionadas do chocolate, durante séculos, e o chocolate ao leite se torna um sucesso de vendas.

O cacau foi introduzido na região sul da Bahia em 1746 quando foram trazidas as primeiras sementes, plantadas em Canavieiras, na fazenda Cubículo, mas o cacau só começou a aparecer como produto gerador de riquezas a partir da década de 1830. As primeiras plantações foram realizadas por estrangeiros, que foram substituindo a cultura da cana-de-açúcar pela do cacau.

Alguns estudiosos afirmam que a plantação de cacau na Bahia sobreviveu a partir de 1822 com a chegada de um grupo de imigrantes alemães chefiados por Pedro Weyll, os “Solitários do Almada” e que a cultura nasceu ao lado dos engenhos de açúcar.
A partir da década de 1890, aconteceu a expansão da lavoura, quando os nordestinos fugidos da seca vinham em busca do eldorado, do dinheiro fácil e abundante, e foi aí que tomou impulso e cresceu de forma definitiva a lavoura cacaueira.

Os rendimentos gerados pelo produto, só começaram a ganhar expressão na segunda metade do século XIX. O mercado internacional estimulava o crescimento da lavoura e, a cultura aumentou a sua contribuição às exportações baianas. A quantidade de cacau exportado elevou-se de mil arrobas em 1851-52 para 2.677 em 1888-89. A partir daí o crescimento foi se acentuando, até atingir seu auge na década de 1920. A produção cresceu de pouco mais de 3 toneladas no final do século XIX para mais de 50 mil toneladas em 1920. A partir de 1904 o produto assumiu a liderança da pauta estadual, posição que conseguiu manter até o final da República Velha.
Os primeiros vinte anos do século XX representaram a consolidação da lavoura cacaueira. Com a acumulação do capital foi construído o patrimônio edificado das cidades produtoras do fruto dourado, que precisa ser conservado.

O que se perdeu é para ser lamentado, mas deve servir de exemplo para que se conserve o que ainda resta. É um patrimônio que vai enriquecer o turismo local.

casa 23

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