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Posts Tagged ‘Costruções’

lugar11

Os tempos mudaram bastante ao longo do século XX. Os hábitos mudaram, as festas mudaram e, a velocidade das mudanças, que foi a tônica deste século, foi acompanhada, também, pelo modo de vida das pessoas. Até os anos cinqüenta, tudo era mais tranqüilo e suave. Revendo a história de Ilhéus, encontramos muitas inaugurações realizadas no período do final do ano. Talvez por se tratar de final de mandato, não sei, mas me chamou a atenção a quantidade de inaugurações ocorridas nesta época do ano.

Em 22 de dezembro de 1907 foi inaugurado o Palácio Paranaguá, o Paço Municipal, prédio tombado pelo Instituto de Proteção ao Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). O prédio foi construído pelo intendente, Tenente Coronel Domingos Adami de Sá, no local onde estava localizada a antiga casa dos jesuítas. Estes foram expulsos da cidade em 1763 e, da antiga casa, só restavam as ruínas, que foram inteiramente demolidas, para dar lugar à sede do governo municipal.

A construção foi realizada no período de 1898 a 1907, em pleno florescimento da economia cacaueira. Foi um dos edifícios públicos do Estado mais luxuosos e melhor decorados e mobiliados à época. Na época, era mais do que a sede da Intendência, era um verdadeiro centro administrativo. No pavimento superior funcionavam a sala do Conselho, gabinete do intendente, secretaria, seção de engenharia, salão nobre com pintura mural e salas de audiência. No térreo, funcionavam, as salas dos juízes do cível e do crime, posto médico, quartel e cadeia. Segundo Borges de Barros, sua arquitetura parece ter-se inspirado no Paço dos Governadores, em Salvador, antes de sua última reconstrução, em 1912, e de igual inspiração neoclássica.

No dia 31 de dezembro de 1915 foi inaugurada a primeira escola pública municipal que, mais tarde, passou a se chamar Grupo Escolar General Osório, cujo prédio abriga atualmente, o Arquivo Público João Mangabeira e a Biblioteca Municipal Adonias Filho.

Foi construído pelo Intendente Antonio Pessoa da Costa e Silva, numa época difícil, em que estava em andamento a Primeira Guerra Mundial. A construção lembra as da Belle Époque francesa, estilo muito utilizado na Europa, na segunda metade do Século XIX.

Durante o período da Segunda Grande Guerra, o prédio foi requisitado pelo Exército Brasileiro, para ser utilizado como apoio, e a escola passou um tempo fora da sede.

No dia primeiro de janeiro de 1925, foi inaugurado, na povoação de São João da Barra do Pontal, o prédio escolar Barão de Macaúbas. À época era intendente o Dr. Mário Pessoa da Costa e Silva. A inauguração de uma escola era um fato muito importante para uma cidade pequena como Ilhéus, pois se vivia em uma época de implantação de escolas. No final do século XIX, segundo o Prof. Arléo Barbosa, a cidade só possuía cinco pequenas escolas. O estudo não era obrigatório, não tinha o significado que tem hoje e não era acessível a todos, era para quem tinha vocação, para quem tinha muita vontade, ou para as famílias mais abastadas.

Em primeiro de janeiro de 1927, segundo o Livro de Atas da Prefeitura, aconteceu a inauguração do calçamento da rua Coronel Ernesto Sá, dos melhoramentos da Praça Conselheiro Luis Vianna e da construção do primeiro trecho da Avenida Álvares Cabral. Estes acontecimentos foram, também, no governo do Dr. Mário Pessoa.

No dia 25 de dezembro de 1927, por volta das dezessete horas, foi inaugurado o calçamento a paralelepípedos, com meio-fio de granito e, na presença de uma pequena multidão, a Praça Barão do Rio Branco. No ato, discursaram, além do Intendente, Dr. Mário Pessoa da Costa e Silva, o Juiz de Direito da Vara Criminal, Dr. Theodoro Ferreira Coelho e o engenheiro Durval Olivieri, intendente eleito, que tomaria posse alguns dias após este ato.

No último dia do ano de 1927, o Dr. Mário Pessoa inaugurou, ainda, três importantes rampas em cimento, para acesso às praias, sendo uma delas na enseada das Trincheiras, local onde foi construído, muitas décadas depois, o atual porto da cidade. Neste mesmo dia foi inaugurado o novo ajardinamento da Praça Castro Alves, com “um combustor elétrico de mil velas”, como também a iluminação da Avenida Álvares Cabral, constando de 27 candelabros, com três globos opalinos, cada.

Estas inaugurações, como muitas outras que ocorreram no decorrer dos anos, retratam o crescimento e a urbanização de uma cidade que já foi mais bela, a cidade de São Jorge dos Ilhéus.

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oiteiro

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