Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Cultura afro’

São Jorge

Alguns autores afirmam que a vila capital da Capitania dos Ilhéus recebeu o nome de São Jorge dos Ilhéus em homenagem ao donatário Jorge de Figueiredo Correia. Eu também, enquanto pesquisadora, o afirmo. Mas, às vezes, me vem uma grande dúvida. Será que os portugueses não chegaram por aqui num dia 23 de abril, já que era comum dar às localidades o nome do santo do dia?

Afinal, não importa o motivo, mas a verdade é que a cidade homenageia, ano após ano, o seu padroeiro, como também presta homenagens a Nossa Senhora das Vitórias, a outra padroeira. Quem foi São Jorge? Acho que deveríamos saber todas estas informações ligadas à nossa história, como deveríamos ensiná-las às nossas crianças.

Diz a história que, no século III, quando o imperador de Roma era Diocleciano, havia nos domínios daquele Império, um jovem soldado chamado Jorge. Era filho de pais cristãos, que o ensinaram desde cedo a crer em Jesus Cristo como seu salvador e a ser temente a Deus.

Ele nasceu na antiga Capadócia, região onde hoje está a Turquia. De lá, após a morte do pai, mudou-se para a Palestina com sua mãe, onde foi promovido a capitão do exército romano, por conta da sua dedicação e habilidades. O imperador lhe conferiu o título de conde. Aos 23 anos se mudou para a corte imperial, em Roma, exercendo altas funções.

Foi nesta época que o imperador Diocleciano elaborou um plano para matar os cristãos, que já eram muitos e começavam a incomodar. Foi marcado, então, um dia para o senado confirmar o decreto imperial. Jorge levantou-se no meio da reunião, declarando-se surpreso com a decisão, afirmando que os ídolos adorados nos templos pagãos, eram falsos deuses.

Causou espanto à assembléia as palavras proferidas por um importante membro da suprema corte romana. Jorge defendeu com veemência e ousadia a fé que devotava a Jesus Cristo, “como Senhor e salvador dos homens”. Esta afirmativa gerou discussão, e um cônsul o indagou sobre a causa desta ousadia. Jorge então lhe respondeu: “Por causa da Verdade. A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo. A quem vós perseguis, e de quem eu sou servo”.

O fato de ter-se mantido fiel a Jesus provocou a ira do imperador, que fez de tudo para vê-lo desistir da fé. Foi submetido a torturas de várias formas. Após cada sessão de tortura era levado diante do imperador, que perguntava se ele renegaria Jesus para adorar os ídolos. Jorge mantinha-se firme na sua resposta: “Não, imperador! Eu sou servo de um Deus vivo! Somente a Ele eu temerei e adorarei”. Por causa desta fé inabalável, diz o texto, muitas pessoas passaram a crer e a confiar em Jesus, numa época em que a igreja de Cristo era perseguida e os cristãos castigados e mortos por defenderem a sua fé.

Diocleciano, então, não conseguindo demovê-lo de sua fidelidade, mandou degolar o jovem e fiel servo de Cristo, no dia 23 de abril do ano 303. Rapidamente criou-se uma devoção ao soldado romano que se transformou em soldado de Cristo. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das cruzadas, penetrou no Ocidente. Segundo a tradição, ele venceu grandes batalhas contra Satanás, por isso sua imagem mais conhecida é a de um jovem guerreiro montado em um cavalo branco, vencendo um grande dragão.

Na igreja matriz de São Jorge, uma obra do século XVI, segundo o IPAC, existe uma imagem do santo guerreiro sem o cavalo. Imagem não muito comum, pois estamos acostumados a vê-lo sempre, montado em seu cavalo branco e lutando contra o dragão. Quando era criança me ensinaram a vê-lo na lua. Ainda hoje posso vê-lo nas noites de lua cheia.

São Jorge é o santo patrono dos seguintes países e cidades: Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, Moscou e, mais recentemente, da cidade e do estado do Rio de Janeiro, além, é claro, da nossa São Jorge dos Ilhéus. É o padroeiro dos escoteiros e do Corinthias, clube de futebol. Tem uma semelhança, também, com a figura de Sigurd, o caçador de dragões da mitologia nórdica. No sincretismo religioso recebe o nome de Oxóssi.

(Informações retiradas da Internet)

Read Full Post »

zumbi

No próximo dia 20 de novembro, a nação brasileira comemora o “Dia Nacional da Consciência Negra”. A data foi estabelecida pelo projeto de lei número 10.639, tendo sido promulgado  no dia 9 de janeiro de 2003. A escolha da data se deve ao fato da morte do grande líder negro, Zumbi dos Palmares, ter ocorrido neste dia, no ano de 1695, no famoso Quilombo dos Palmares, estado de Alagoas.

O líder Zumbi dos Palmares personifica a luta do negro contra a escravidão, marco vergonhoso de nossa história colonial. E representa, também, com a formação dos quilombos, uma forma coletiva, que o negro brasileiro encontrou, para manter suas raízes e suas tradições. Zumbi morreu em combate. Lutou até a morte pelo direito à liberdade para o seu povo.

A partir de sua criação, esta data é utilizada como um dia de conscientização e reflexão, sobre a importância da cultura africana na construção da nação brasileira. Na construção da História do Brasil, o negro africano tem importante papel, em diversos aspectos: culturais, políticos, sociais, gastronômicos e religiosos.

Os negros chegaram ao Brasil assim que Portugal iniciou sua ocupação de forma definitiva, já que, nos primeiros trinta anos vieram apenas expedições exploratórias. Posteriormente, foi criado o sistema de Capitanias Hereditárias, que também não deu certo. Foi o plantio da cana-de-açúcar que, verdadeiramente, possibilitou a ocupação destas terras, que dão ao nosso país uma dimensão continental.

Segundo Coelho Filho (2000, p. 132),  “No dia 29 de março de 1559, exatamente dez anos depois do desembarque de Tomé de Souza no Brasil, três importantes alvarás foram assinados. O primeiro proibiu o embarque de degredados para o Brasil contra a vontade dos mestres, senhores e pilotos dos navios. O segundo autorizou o resgate no rio do Congo, África, de escravos, até o limite de 120 peças, destinados aos engenhos de açúcar do Brasil. Esse ato é reputado como o marco inicial do comércio de escravos negros para a Costa do Brasil”.

O trabalho com o açúcar demandava mão-de-obra considerável, num tipo de atividade agrícola e manufatureira intensa. A grande plantação requeria a constituição de nova forma de organização do trabalho, sem parâmetros na Europa. A única maneira de garantir trabalhadores na intensidade e na quantidade exigida pelo fabrico do açúcar era a compulsão, fosse pela servidão, fosse pela escravidão, segundo a Dra. Vera Ferlini.

Com a construção do Engenho de Santana, na localidade do Rio do Engenho, eles também vieram para a região. Existem muitos marcos da presença negra na antiga Vila de São Jorge dos Ilhéus.

No Engenho de Santana eles se revoltaram e formaram um quilombo, dizem alguns estudiosos. No ano de 1789 fizeram uma rebelião, fugiram e escreveram uma carta exigindo negociação para o retorno ao trabalho. Eles reivindicavam os dias de sexta e sábado para o trabalho próprio, poder plantar em terras apropriadas e uma barca grande para que pudessem transportar seus produtos até a Bahia (Salvador), sem pagar frete. Este documento tem uma importância muito grande, pois representa a primeira representação trabalhista efetuada pelos negros. As negociações duraram dois anos e, quando chegou ao fim, seus líderes foram mortos. Mas eles resistiram, pois sempre foram fortes.

Atualmente, muitos dos seus descendentes fazem parte da sociedade ilheense, na política, no magistério, no seio da população, prestando serviços relevantes, onde quer que estejam. Muitos grupos estudam a cultura africana dos seus antepassados.

Um deles já foi motivo de matéria escrita por nós, não faz muito tempo. O Unzó de Matamba Tombenci Neto, terreiro de candomblé de nação angola, que tem uma longa tradição nesta cidade de Ilhéus. Dirigido hoje por Mameto Mukalê (Ilza Rodrigues), a casa já possui 123 anos. Sua história teve início ainda no século XIX, mais precisamente no ano de 1885, quando Tiodolina Félix Rodrigues, a Nêngua de Inkice Iyá Tidú, avó de Mameto Mukalê, fundou o Terreiro Aldeia de Angorô.

O Terreiro se firmou, cresceu e criou raízes. Os descendentes dos seus fundadores continuam trabalhando para manter viva esta rica cultura.

A Associação Beneficente e Cultural Matamba Tombenci Neto, a Organização Gongombira e o Grupo Cultural Dilazenze apresentam a 1ª Mostra de Vídeos Étnico–Raciais de Ilhéus, como parte da programação do NOVEMBRO NEGRO. Será desenvolvido um conjunto de atividades destinadas à comunidade e aos estudantes das escolas públicas e particulares de Ilhéus, em comemoração ao dia 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.

Desejamos muito sucesso!

acarajé

Read Full Post »