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Posts Tagged ‘Cultura’

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No ano de 1959, alguns homens, idealistas e sonhadores, imaginaram que Ilhéus poderia ter uma Academia de Letras, já que possuía escritores de primeira linha como Jorge Amado, Adonias Filho e Jorge Medauar, dentre outros. Naquela época nosso Amado Jorge (como gosto de chamá-lo), recebia para uma turnê pelo Brasil, nada menos que Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, o célebre casal francês de escritores existencialistas. Aquele foi o ano da construção de Brasília, foi uma época de grandes mudanças em nosso país.

Os homens que idealizaram a Academia de Letras de Ilhéus – ALI – se chamavam Abel Pereira, o bispo diocesano, D. Caetano, Nelson Schaun, Plínio de Almeida, Wilde de Oliveira Lima e Nilo Pinto. As reuniões eram realizadas na casa de Nelson Schaun, teoricamente, primeira sede da ALI. Aos primeiros se juntaram Francolino Neto, Halil Medauar, e Leopoldo Campos Monteiro, dentre outros.

Segundo o acadêmico, advogado criminalista e brilhante professor Francolino Neto, “o momento histórico vivido no final da década de 50 dos anos novecentos, informava haver, em todos os quadrantes desta Nação Cacaueira, uma profunda disposição para a decolagem cultural” (Estante da Academia).

Ainda de acordo com o mesmo confrade, o grupo de intelectuais de Ilhéus e Itabuna que idealizaram a instituição, tinha como objetivo recolher a produção dos escritores e poetas nascidos ou radicados na região para publicá-los em jornais e em livros. O povo de Ilhéus, os plantadores de cacau disseminaram na sua cultura o gosto pelo belo, pelas artes, pela poesia e literatura.

Durante mais de quarenta anos a Academia de Letras de Ilhéus, a Casa de Abel Pereira se manteve firme, com seu quadro renovado, toda vez que um membro partia para outra dimensão. A Academia se manteve por causa da persistência dos seus membros que, mesmo sem possuir uma sede própria, reunindo-se de “favor”, ora aqui, ora ali, não deixaram que ela se acabasse. E o sonho da sede própria nunca deixou esses homens que, além de escrever, sabiam sonhar.

Eis que entrou no governo o prefeito Jabes Ribeiro, para mais um mandato. E um dos persistentes integrantes da ALI, o ex-prefeito Ariston Cardoso, e então presidente da instituição, entendeu de pedir ao prefeito a sede da Academia. Confesso que imaginei uma pequena sala, talvez um pedaço de uma casa, não sei o que pensei, mas, certamente nenhum de nós teve capacidade para imaginar o que estava por vir. O tempo foi passando e parecia que o sonho não se transformaria em realidade.

Dia 14 de março de 2004, dia da poesia, data de nascimento do grande Castro Alves, a sede da Academia foi entregue aos seus membros, mas principalmente à cidade de Ilhéus. Para quem pensou que ela estava destinada apenas aos acadêmicos, pode mudar de idéia. Esta é mais uma casa a serviço da cultura de Ilhéus, que tem recebido visitas diariamente de pessoas curiosas de ver como ficou, e todos saiam de lá encantados. Os eventos começaram a acontecer, como lançamento de livros, palestras e encontros, e as pessoas saíam encantadas com a certeza de que voltariam, porque a casa das letras pertence ao povo de Ilhéus e está completando cinco anos de existência.

Aconteceram muitos saraus literários que deverão retornar. Pessoas de todas as idades se encontram para ler e declamar poesias.

“O mundo cultural brasileiro passou o drama estampado em Maria Bonita, (1914); soube dos ‘caxixes’ praticados nas matas cortadas pelo Rio de Contas, através dos Rincões dos frutos de ouro, (1928); pasmou-se com a perfeição estética de Sosígenes Costa; o aljofrar romântico de José Bastos e as narrativas de Jorge Amado e Adonias Filho. A criação da Academia de Letras de Ilhéus, estava, pois, justificada, a fim de abrigar autores regionalmente conhecidos, todos trabalhando com a Literatura” (Francolino Neto, 2001).

Se alguém chegou a pensar que seria perda de tempo criar o espaço da Academia de Letras, pode mudar de pensamento. É promovendo a cultura e a arte que teremos escritores, poetas e artistas. E, graças a Deus, São Jorge dos Ilhéus tem a bênção de produzir, entre outras coisas, como já dizia Adonias, escritores.

 

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Esta matéria deveria ter saído na semana passada. Lamentavelmente, tivemos que deixá-la para hoje, por causa da morte do presidente do Instituto Histórico, o acadêmico Manoel Carlos Amorim de Almeida. Tudo que não gostaríamos de fazer era ter que homenageá-lo da forma que aconteceu.

Esta semana aconteceu a folia momesca, um momento de diversão, de descontração, de jogar para fora tudo aquilo que nos oprime o ano inteiro. O carnaval é uma festa pagã ligada à Igreja Católica. O carnaval é considerado uma das festas populares mais representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde as pessoas jogavam, uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma, e significava liberdade. Ainda hoje permanece este sentido de busca da liberdade, onde as pessoas esquecem os compromissos, os costumes, ficando, cada vez mais, “escravos desta liberdade” sem limites.

O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII, tendo sido influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. O carnaval de Veneza é famoso, mas não tem nenhuma ligação com o nosso. Em países como Itália e França, o carnaval acontecia em forma de desfiles, onde os participantes usavam máscaras e fantasias. Ainda hoje permanece esta forma de apresentação, seja no desfile das Escolas de Samba do Rio e de São Paulo, dos trios elétricos da Bahia ou do frevo pernambucano. Personagens como Pierrô, Colombina e Arlequim, de origem européia, foram incorporados ao carnaval brasileiro.

Em cada local a festa do carnaval tomou seu rumo próprio. É possível perceber como é diferente o carnaval do Rio, da Bahia, de Pernambuco ou do Amazonas. Cada um tem as características e a identidade do seu povo.

No final do século XIX começaram a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os “corsos”, que se tornaram mais populares no começo do século XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e desfilavam em grupos, pelas ruas da cidade, dando origem aos carros alegóricos.

No decorrer do século XX surgiram as marchinhas carnavalescas, que deram maior animação ao evento. Ao longo do decorrer daquele século, a festa foi se tornando mais e mais popular, com uma participação, cada vez maior, de pessoas.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca Ismael Silva e, anos mais tarde, se transformou na escola de samba Estácio de Sá.

Em Ilhéus também existiram as escolas de samba. A do Outeiro de São Sebastião era famosa e desfilou em muitos carnavais. As pessoas se reuniam para vê-la “descer o morro”, ao som da bateria. Alguns carnavalescos eram famosos, como Mundinho Campos que, a cada ano, inovava em suas fantasias, ora de gladiador romano, ora de imperador, dentre outras. Leo era um sucesso, também Neneo. Haviam outros, mas foram estes que me vieram à memória.

Uma das características dos carnavais daquela época é que as pessoas podiam sair à rua sem medo de serem agredidas, podiam brincar com suas famílias e havia respeito.

Jamais passei um carnaval no Rio, para mim seria um castigo. Carnaval bom mesmo era o daqui de Ilhéus. Nas férias vínhamos de vários lugares, amigos e primos, buscando a diversão em conjunto. Era muito bom e lembro com muita saudade.

Pierrô

Denise e eu no Clube Social

colombina

Silvinha, minha irmã de colombina

(Detalhe do lança-perfume que era permitido)

História do carnaval encontrada em http://www.suapesquisa.com/carnaval/

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Apesar dos mais de 400 anos de existência, o município de Ilhéus não tem suas tradições mantidas, não preserva um patrimônio cultural proporcional ao seu tempo de existência. A impressão que temos é de que a junção de culturas diferentes impediu a formação de uma cultura própria.

Uma das festas mais tradicionais e mais antigas, mantida pela população é a Festa da Puxada do Mastro, realizada em Olivença, ano após ano, independentemente de quem esteja ocupando o poder, seja na Prefeitura, seja no Estado. Sobre esta festa, a Professora Doutora da Universidade Federal da Bahia, Edilece Souza Couto realizou uma pesquisa que se transformou em trabalho monográfico na sua especialização em História Regional pela UESC. Este trabalho venceu o concurso Prêmio Capitania dos Ilhéus, da Fundação Cultural de Ilhéus, tendo sido publicado pela Prefeitura local.

Quando lancei a segunda edição do meu livro Passeio Histórico por São Jorge dos Ilhéus, pedi-lhe que escrevesse sobre a festa da Puxada do Mastro, de Olivença. O texto que segue foi retirado desta publicação.

“Hoje é festa em Olivença
Todo mundo vem prá cá
O Mastro de São Sebastião
Todo mundo quer buscar”.

A Puxada do Mastro de São Sebastião é uma festa tradicional no município de Ilhéus e é realizada todos os anos na primeira semana de janeiro, no distrito de Olivença, em homenagem a São Sebastião.

A antiga vila de Olivença – distrito de Ilhéus desde 1911- foi organizada através de uma missão jesuítica no período colonial. Tudo indica que a festa é o resultado da cristianização de um ritual indígena. Assim os jesuítas atraíam os “selvagens” para a fé cristã.

Os índios, ágeis serradores de madeira, dirigiam-se à floresta, escolhiam, cortavam e descascavam uma árvore com a qual preparavam um grande mastro. Este mastro, amarrado por uma corda comprida e resistente, era arrastado até a vila, e colocado em pé, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Escada. A corda era solenemente depositada no altar, aos pés da Santa.

A tradição da preparação e realização da festa é mantida pelos descendentes dos índios e caboclos que, com fé e orgulho, transmitem às novas gerações os costumes e as crenças de seus ancestrais.

No dia que antecede a festa, os machadeiros – como são chamados os cortadores de madeira – dirigem-se à floresta, distante de Olivença, para escolherem a árvore que será transformada no mastro. Quando encontram uma árvore de grande porte, os homens cantam músicas características da festa, dançam e soltam foguetes, anunciando que a madeira está escolhida e que a festa está começando.

Os homens retornam a Olivença. Na praça principal do povoado, ternos de reis, afoxés e grupos de zabumba cantam, bebem e dançam até altas horas da madrugada. Nesta mesma noite um grupo de machadeiros, cantando e tocando sino, percorre várias ruas, fazendo pequenas paradas nas casas dos amigos e nos estabelecimentos comerciais, para pedir uma contribuição para a festa. Estas são feitas em dinheiro, alimentos ou bebidas.

Ao nascer do dia, os homens reunem-se em frente à Igreja. Após a celebração da missa, o grupo segue para a floresta, tocando o sino e levando, nas costas, as cordas e os machados. A caminhada é animada pela música e pelos versos criados pelos machadeiros:
“Vamos todos à floresta
Com toda satisfação
Vamos puxar o Mastro
De São Sebastião”.

A chegada ao local onde o mastro vai ser preparado é anunciada com fogos. É preciso avisar à comunidade que o ritual está começando. A madeira é descascada para que fique totalmente lisa e mais fácil de ser puxada. Uma grande corda, que será puxada pela população, é amarrada no mastro.

Todos querem ajudar a puxar o mastro de São Sebastião, acreditando que assim serão protegidos de todos os males. O grupo segue cantando:

“Ajuê Dan! Ajuê Dan Dão!
Puxa, puxa, leva, leva
O Mastro que é
De São Sebastião”.

A caminhada continua pela praia até chegar a Olivença. O mastro é recebido com festa por aqueles que o esperavam em frente à Igreja. A festa se renova a cada ano atraindo centenas de pessoas que vem de todo lado.

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Igreja de Nossa Senhora da Escada

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O ser humano criou a Cultura – hábitos e costumes, transformação da natureza. A cultura existe a partir do grupo e difere de um grupo para outro, porque os grupos sociais têm hábitos diferentes e vivem circunstâncias diferentes. Assim, a cultura dos povos que habitam locais frios é diferente daquela das regiões tropicais. Mas seja qual for o grupo social, pobre ou rico, habitante de zona temperada, da Groelândia, ou do deserto de Saara, a cultura é o grande bem que o grupo possui, pois ela é reflexo do seu modo de pensar e agir. Assim, nossa cultura é a soma da cultura dos diversos grupos sociais que deram origem ao povo ilheense: índios, negros e brancos, vindos de diversos locais diferentes, como suíços, alemães, franceses, turcos, sírios, libaneses, espanhóis, além, evidentemente, de portugueses. Os negros também vieram de grupos diferentes. Houve também uma migração interna, dos quais os principais protagonistas foram os sergipanos.

Esta cultura nos faz comer “quibe no tabuleiro da baiana”, conforme a professora Maria Luiza Santos, da UESC. Esta cultura é muito importante porque é nossa. É ela que nos confere identidade. Portanto, é muito importante que tenhamos consciência de sua existência e passemos a transmitir estes ensinamentos aos nossos jovens.

A importância de conservar nossas tradições, transmitindo-as às nossas crianças, é, pois, fundamental, para que eles permaneçam. A transmissão da cultura acontece pela educação, pois educar é, também, ensinar a criar hábitos.

Existem coisas muito interessantes que, nem sempre, nos damos conta. É sabido, é falado, que o brasileiro é um povo limpo que gosta de tomar banho. Isto é cultural e foi herdado dos indígenas. O europeu não partilhava destes hábitos, foi seu encontro com o índio brasileiro, certamente “calorento”, que gerou esta cultura do banho, da limpeza. As tradições culturais e a cultura imaterial são muito importantes e precisam ser transmitidas para as gerações que nos sucedem.

Conservar nosso patrimônio imaterial é preservar nosso patrimônio cultural. Alguns autores já colocam até a natureza como parte do patrimônio cultural, pois é o ser humano que lhe confere significado. E, como nas sociedades simples, são os mais velhos que transmitem para crianças e jovens a importância do patrimônio.

Segundo a historiadora Ecléa Bosi, “o passado não é o antecedente do presente, é a sua fonte”. Historicamente são poucos os povos que criaram o hábito de conservar a produção cultural de seu povo, pois era comum se valorizar a história e o patrimônio ligado aos grupos de elite, mas o popular era considerado sem importância e, por isso mesmo, se perdia no tempo. Do ponto de vista da história é relativamente recente a importância que se dá à cultura vinda do povo; começou na década de trinta do século passado, com o movimento que teve início na França, denominado Ecole des Analles.

Atualmente, com a mentalidade surgida na França e introduzida no Brasil nos anos sessenta, já não se concebe que o patrimônio histórico e cultural de um povo seja destruído, seja ele qual for. Um grupo de idealistas e sonhadores, dentre os quais me incluo, vem lutando, primeiro para fazer nosso patrimônio conhecido, já que, nem isso ele era… ou é. Depois, o que é mais difícil e importante, para que ele seja preservado. Assim, temos lutado e falado e divulgado da importância dessa preservação, até mesmo para desenvolver a atividade turística.

Recentemente, um jovem de oitenta anos, Manoel Carlos Amorim de Almeida, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus criou, elaborou os estatutos e tornou legal, a Sociedade de Defesa do Patrimônio Histórico de Ilhéus, a SDPHI. Nele pode ser incluído, patrimônio histórico e cultural, pois um não existe sem o outro.

Precisamos ampliar a abrangência do nosso trabalho, incluindo nas grades curriculares de nossas escolas, como disciplina transversal, o amor pelo patrimônio edificado e pelas práticas culturais de nosso povo.

E gostaria de encerrar estes comentários, fazendo minhas as palavras de Mário de Andrade, grande responsável pela manutenção de nosso patrimônio cultural: “O ensino primário é imprescindível, mas não basta ensinar o analfabeto a ler. É preciso dar-lhe contemporaneamente o elemento em que possa exercer a faculdade que adquiriu. Defender nosso patrimônio histórico e artístico é alfabetização”.

O carnaval faz parte do nosso patrimônio cultural

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No próximo dia 20 de novembro, a nação brasileira comemora o “Dia Nacional da Consciência Negra”. A data foi estabelecida pelo projeto de lei número 10.639, tendo sido promulgado  no dia 9 de janeiro de 2003. A escolha da data se deve ao fato da morte do grande líder negro, Zumbi dos Palmares, ter ocorrido neste dia, no ano de 1695, no famoso Quilombo dos Palmares, estado de Alagoas.

O líder Zumbi dos Palmares personifica a luta do negro contra a escravidão, marco vergonhoso de nossa história colonial. E representa, também, com a formação dos quilombos, uma forma coletiva, que o negro brasileiro encontrou, para manter suas raízes e suas tradições. Zumbi morreu em combate. Lutou até a morte pelo direito à liberdade para o seu povo.

A partir de sua criação, esta data é utilizada como um dia de conscientização e reflexão, sobre a importância da cultura africana na construção da nação brasileira. Na construção da História do Brasil, o negro africano tem importante papel, em diversos aspectos: culturais, políticos, sociais, gastronômicos e religiosos.

Os negros chegaram ao Brasil assim que Portugal iniciou sua ocupação de forma definitiva, já que, nos primeiros trinta anos vieram apenas expedições exploratórias. Posteriormente, foi criado o sistema de Capitanias Hereditárias, que também não deu certo. Foi o plantio da cana-de-açúcar que, verdadeiramente, possibilitou a ocupação destas terras, que dão ao nosso país uma dimensão continental.

Segundo Coelho Filho (2000, p. 132),  “No dia 29 de março de 1559, exatamente dez anos depois do desembarque de Tomé de Souza no Brasil, três importantes alvarás foram assinados. O primeiro proibiu o embarque de degredados para o Brasil contra a vontade dos mestres, senhores e pilotos dos navios. O segundo autorizou o resgate no rio do Congo, África, de escravos, até o limite de 120 peças, destinados aos engenhos de açúcar do Brasil. Esse ato é reputado como o marco inicial do comércio de escravos negros para a Costa do Brasil”.

O trabalho com o açúcar demandava mão-de-obra considerável, num tipo de atividade agrícola e manufatureira intensa. A grande plantação requeria a constituição de nova forma de organização do trabalho, sem parâmetros na Europa. A única maneira de garantir trabalhadores na intensidade e na quantidade exigida pelo fabrico do açúcar era a compulsão, fosse pela servidão, fosse pela escravidão, segundo a Dra. Vera Ferlini.

Com a construção do Engenho de Santana, na localidade do Rio do Engenho, eles também vieram para a região. Existem muitos marcos da presença negra na antiga Vila de São Jorge dos Ilhéus.

No Engenho de Santana eles se revoltaram e formaram um quilombo, dizem alguns estudiosos. No ano de 1789 fizeram uma rebelião, fugiram e escreveram uma carta exigindo negociação para o retorno ao trabalho. Eles reivindicavam os dias de sexta e sábado para o trabalho próprio, poder plantar em terras apropriadas e uma barca grande para que pudessem transportar seus produtos até a Bahia (Salvador), sem pagar frete. Este documento tem uma importância muito grande, pois representa a primeira representação trabalhista efetuada pelos negros. As negociações duraram dois anos e, quando chegou ao fim, seus líderes foram mortos. Mas eles resistiram, pois sempre foram fortes.

Atualmente, muitos dos seus descendentes fazem parte da sociedade ilheense, na política, no magistério, no seio da população, prestando serviços relevantes, onde quer que estejam. Muitos grupos estudam a cultura africana dos seus antepassados.

Um deles já foi motivo de matéria escrita por nós, não faz muito tempo. O Unzó de Matamba Tombenci Neto, terreiro de candomblé de nação angola, que tem uma longa tradição nesta cidade de Ilhéus. Dirigido hoje por Mameto Mukalê (Ilza Rodrigues), a casa já possui 123 anos. Sua história teve início ainda no século XIX, mais precisamente no ano de 1885, quando Tiodolina Félix Rodrigues, a Nêngua de Inkice Iyá Tidú, avó de Mameto Mukalê, fundou o Terreiro Aldeia de Angorô.

O Terreiro se firmou, cresceu e criou raízes. Os descendentes dos seus fundadores continuam trabalhando para manter viva esta rica cultura.

A Associação Beneficente e Cultural Matamba Tombenci Neto, a Organização Gongombira e o Grupo Cultural Dilazenze apresentam a 1ª Mostra de Vídeos Étnico–Raciais de Ilhéus, como parte da programação do NOVEMBRO NEGRO. Será desenvolvido um conjunto de atividades destinadas à comunidade e aos estudantes das escolas públicas e particulares de Ilhéus, em comemoração ao dia 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.

Desejamos muito sucesso!

acarajé

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