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Posts Tagged ‘Educação’

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Há dez anos o Instituto Municipal de Ensino Eusinio Lavigne – IME completou 60 anos de sua inauguração. Naquela época resolvi escrever o livro IME – o sonho de Eusinio Lavigne, que foi publicado pela Editus, e que tem servido de referência para o conhecimento da sua história.

Dez anos se passaram e agora, em 2009, são 70 anos da inauguração. A diretora geral da instituição, Profa. Lidiney Campos de Azevedo mandou celebrar uma missa de ação de graças, para comemorar a data, domingo, 15 de março, na Catedral de São Sebastião.

O IME é uma instituição que deve encher de orgulho cada habitante desta cidade. É uma instituição séria e dedicada à educação, que tem recebido em seus bancos pessoas de todas as classes sociais. Assim é que, pessoas simples tiveram a oportunidade de ascensão social através do conhecimento adquirido na instituição; pessoas consideradas importantes na escala social, também estudaram no IME e chegaram a lugares de destaque em nossa República.

O ginásio municipal foi um sonho de Eusínio Lavigne, prefeito no período de 1930 a 1937, que foi destituído do cargo por motivos políticos. Este sonho só pode ser realizado dois anos depois, em 1939, pelo prefeito Mário Pessoa.

O primeiro diretor da instituição foi o advogado e professor de português, Dr. Heitor Dias, que mais tarde foi prefeito de Salvador e importante senador da República. Foi a primeira escola pública  a oferecer o curso ginasial no interior da Bahia, e foi criado nos moldes do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, e do Colégio da Bahia, em Salvador, ambos colégios modelo. Seus professores foram os melhores que já passaram por Ilhéus e, até a década de 90, foi a escola pública de Ilhéus que mais aprovou em vestibular, pois trabalhava com o ensino médio.

É da maior importância o papel desempenhado pelo Instituto Municipal de Ensino Eusinio Lavigne (IME) na educação e na vida da comunidade ilheense, não só nos dias de hoje, mas no decorrer de toda a sua história.

O jornal “O Diário da Tarde”, em matéria publicada no dia 10 de fevereiro de 1939, inicia um artigo de página inteira dizendo o seguinte: “O ginásio municipal de Ilhéus é uma dessas obras portentosas que valem, por si só, um atestado do progresso, da riqueza e da civilização de uma cidade. Ilhéus muito se deve honrar de o possuir, porque, já pelas suas linhas arquitetônicas originais e imponentes, já pelas suas divisões internas, tecnicamente dispostas, já pela sua finalidade altamente patriótica, constitui o ginásio de Ilhéus, o melhor monumento da cidade e uma das mais belas, das mais grandiosas, das mais respeitáveis realizações públicas em Ilhéus e no Estado”.

PARABÉNS AO IME E À CIDADE DE ILHÉUS!

Alunos do Ginásio de Ilhéus, no terraço da instituição, no ano de 1942. alunos

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Série Vultos Históricos

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O Dia Internacional da Mulher não pode passar em branco. Embora seja verdade que todos os dias devam ser comemorados como tal, é bom relembrar aquelas mulheres que morreram para ajudar a nos libertar de um jugo secular cultural, o da predominância masculina. Ano passado falei de algumas grandes educadoras que nossa cidade conheceu. Recebi sugestões para falar de outras tantas, ainda não houve oportunidade, mas não estou esquecida, o momento chegará, afinal temos todos os sábados para escrever.

Como estou escrevendo a série Vultos Históricos, fui procurar, no passado, uma destas mulheres extraordinárias que nossa história conheceu e buscar equilibrar assim a série, para não ficar parecendo que vultos históricos são apenas homens.

Resolvi falar de uma mulher que veio de longe, com grande determinação, para ajudar a escrever, com letras de ouro, a história da educação em Ilhéus.

Esta grande mulher se chamava Maria Thaís do Sagrado Coração Paillart. Ela veio para o Brasil para ocupar o cargo de Provincial da Ordem das ursulinas no Brasil. Logo que ela chegou da Europa, resolveu que deveria fundar um colégio para meninas. Numa viagem que fez a Salvador, nosso bispo, D. Manoel de Paiva, convenceu-a de que a cidade deveria ser Ilhéus.

A madre chegou a esta cidade em 1916, a bordo do vapor Jequitinhonha e, durante sua viagem, teve tempo suficiente para refletir sobre o empreendimento que iria fazer, pois não possuíam nada, nem terreno, nem recursos financeiros.

O colégio iniciou suas atividades à rua Conselheiro Saraiva, atual Antonio Lavigne de Lemos, nas instalações da diocese, contando apenas com 16 alunas. Nessa época, o casal Adelaide e José das Neves César Brasil havia doado um terreno no alto das Quintas, atual alto da Piedade, para que lá fosse construído o prédio do Palácio Episcopal, que teria como destino a moradia do bispo diocesano. O bispo cedeu parte do terreno para que a freira iniciasse seu empreendimento educacional.

O começo da vida do colégio foi muito precário. Faltava água, luz, e a subida era feita por uma ladeira íngreme, que quando chovia ficava intransitável, mesmo a pé. O projeto do prédio é de Salomão da Silveira que, apesar de não ser engenheiro formado, esteve à frente do projeto e, em 16 de julho de 1917, o colégio Nossa Senhora da Piedade transferiu-se para sua sede própria. No ano de 1921, o Colégio foi reconhecido como de utilidade pública, no ano seguinte foi equiparado à Escola Normal do Estado.

Para entender o significado e a importância de uma escola deste porte na época em que ela foi concebida e construída, é preciso entender a própria História da Educação nesta região, em particular, e no Brasil como um todo. Estudar não era obrigatório, mulher não precisava ir à escola, e ainda não tinha direito a voto. A escola e, conseqüentemente, o saber, eram para um pequeno grupo de privilegiados que podiam pagar o deslocamento para centros maiores, e possuía família para bancar o longo período de estada nestes centros. Só os ricos estavam aptos, ou alguns poucos obstinados que, mesmo sendo pobres, conseguiam superar todas as dificuldades e conseguiam concluir o curso superior. O Colégio Nossa Senhora da Piedade significou a possibilidade da chegada do conhecimento às filhas dos fazendeiros que não permitiriam jamais que suas filhas se deslocassem para Salvador ou Rio de Janeiro, como acontecia com os homens; e para as meninas de famílias pobres que queriam ascender na escala social através do conhecimento.

Em 1927, foi iniciada a construção da capela, um belíssimo exemplar da arquitetura neogótica. O construtor Salomão da Silveira fez uma adaptação da planta encomendada, na França, por Madre Thaís, e a obra ficou pronta em 1929. O ponto alto da capela é o seu altar-mor, com a Imagem da Dor, imagem de Nossa Senhora da Piedade, aos pés da cruz, aconchegando ao colo o Cristo morto. A capela possui belos vitrais, que proporcionam uma perfeita iluminação do templo, e retratam as “Sete Dores de Maria”.

Madre Thaís foi uma mulher obstinada em realizar seu sonho de fundar um colégio, a altura de qualquer cidade grande; encontrou em seu caminho, pessoas que a ajudaram bastante para que ela pudesse realizá-lo. A obra pode ser realizada porque contou com a participação da sociedade local, a quem muito agradecia a Madre Thaís. Foi também uma mulher humilde e desprovida de vaidade, que recebeu do governo francês o título de “Officier d’Academie” pelos serviços prestados à educação em Ilhéus. Madre Thaís faleceu no dia 5 de junho de 1955, aos 67 anos de idade.

Obs.: algumas informações foram retiradas do site do Colégio N. Sra. da Piedade

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(Série Vultos Históricos)

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Quem foi Milton Santos?

Será que as gerações mais novas sabem alguma coisa a respeito deste baiano, negro e geógrafo, conhecido em muitas partes do mundo?

Apesar de conhecê-lo pela fama alcançada, foi com surpresa que fiquei sabendo de sua passagem por Ilhéus, quando fiz minha pesquisa sobre o IME. Mas afinal, quem foi Milton Santos? Por que homenageá-lo, qual a sua importância?

Para falar um pouco sobre este brasileiro cidadão no mundo, fui buscar socorro na Internet. Os sites se multiplicam, existe muita informação sobre ele. Mas escolhi aquelas passadas pelo professor Wagner Costa Ribeiro, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Diz o professor Ribeiro que: “Discutir a obra de um intelectual com as qualidades de Milton Santos exige um esforço coletivo e abrangente. Coletivo dada a diversidade de disciplinas que fazem uso de suas idéias. Abrangente graças aos diversos aspectos que ele abordou durante uma carreira que alcançou mais de 50 anos”.

Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, em 03 de maio de 1926, e ganhou o mundo. Porém, soube manter seus olhos nos arranjos sociais contemporâneos para construir uma teoria original que serve à interpretação do mundo que parte da geografia, do território, envolvendo os habitantes dos lugares. Concluiu o curso de Direito em 1948, mas veio para Ilhéus ministrar aulas de Geografia no ensino médio. Daí seu interesse pela disciplina que o lançou ao mundo das idéias e da reflexão política.

Em 1958 obteve o título de Doutor em Geografia, na Universidade de Strasbourg (França), passando a ensinar na Universidade Católica de Salvador e, depois, na Universidade Federal da Bahia, na década de 1960. Sua habilidade com as palavras e seu texto vigoroso rendeu-lhe a participação em jornais, como A Tarde, em Salvador na década de 1960 e na Folha de São Paulo, em 1990.

Homem de ação política, aceitou o convite para participar de governos no início da década de 1960 que culminou com sua prisão em 1964 por ocasião do golpe de estado implementado pelos militares ao Brasil. Foram 3 meses difíceis. Ao sair da prisão carregava consigo uma decisão: era preciso partir. O geógrafo ganhava o mundo.

O começo de sua carreira internacional forçada ocorreu na França, onde trabalhou em diversas universidades, como as de Toulouse (1964-1967), de Bourdeaux (1967-1968) e de Paris (1968-1971). Durante esses anos realizou estudos sobre a geografia urbana dos países pobres e produziu vários livros como Dix essais sur les villes des pays-sous-dévelopés (1970), Les villes du Tiers Monde (1971) e L’espace partagé (1975, traduzido como O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana, em 1978). Este último marca a expressão de uma de suas idéias originais: a existência de dois circuitos da economia. O primeiro constituído pelas empresas, pelos bancos e firmas de seguros, ao qual chamava de rico. O segundo expressado pela economia informal, por meio do comércio ambulante e dos demais circuitos pobres da economia.

Da França partiu para vários outros países, vivendo de maneira itinerante e como professor convidado. Atuou em centros universitários, da América do Norte (Canadá, University of Toronto – 1972-1973; Estados Unidos, Massachusetts Institute of Technology, Cambridge – 1971-1972 e Columbia University, Nova York – 1976-1977), da América Latina (Peru, Universidad Politécnica de Lima – 1973; Venezuela, Universidad Central de Caracas – 1975-1976) e da África (Tanzânia, University of Dar-es-Salaam – 1974-1976).

Seu retorno ao Brasil decorreu de um acontecimento especial ao geógrafo baiano: a gravidez de sua segunda esposa, Marie Hélene Santos. Milton queria que seu segundo filho, Rafael dos Santos, nascesse baiano, como seu primogênito, o economista Milton Santos Filho, que faleceu poucos anos antes que o pai.

Em 1978 estava de volta à vida universitária brasileira. Mas trazia na bagagem uma obra que marcou sobretudo aos geógrafos marxistas do país:Por uma geografia nova, que foi traduzida para vários idiomas em diversos países. Neste trabalho Milton Santos preconiza uma geografia voltada para as questões sociais.

Em 1983 ingressou no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. A produção intensa desenvolvida no Departamento de Geografia da USP resultou na indicação para receber o prêmio Vautrin Lud, que é considerado o Prêmio Nobel no âmbito da Geografia. Em 1994 Milton Santos foi o primeiro intelectual de um país pobre e o primeiro que não tinha o inglês como língua pátria agraciado com tal distinção.

Considero que a cidade de São Jorge dos Ilhéus tem uma grande dívida com este professor que viveu em nossa cidade, como professor catedrático de Geografia, no Ginásio de Ilhéus (atual IME), na década de 1940.

Informações obtidas no site http://www.ub.es/geocrit

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Antes da chegada dos portugueses e dos jesuítas ao Brasil, a educação dos indígenas era informal, imitativa e rústica. Não havia entre os indígenas, como até hoje na cultura tribal, a educação formal, que conhecemos no mundo sob a influência européia.

Em Ilhéus, a história da educação formal está ligada aos jesuítas, e segundo o Prof. Arléo Barbosa “pode-se afirmar que o primeiro professor de Ilhéus foi o Padre Diogo Jácome que, em 1549, veio acompanhado do Pe. Leonardo Nunes e ensinou as primeiras letras e religião”.

Ainda segundo o professor Arléo Barbosa: “Quando em 1881, Ilhéus foi elevada à categoria de cidade, de acordo com o testemunho do Coronel Antonio Pessoa, a cidade possuía duas escolas primárias para os dois sexos, que funcionavam deficientemente em conseqüência da instabilidade do professor que ‘tomava férias’ desordenadas e várias vezes ao ano. Dez anos depois, isto é, em 1891, Ilhéus possuía cinco escolas sendo três do sexo masculino”.

Da mesma forma que a cidade cresceu e se desenvolveu rapidamente, o mesmo aconteceu com a educação. Em 1915 foi inaugurada a primeira escola pública municipal, o General Osório. Se no início do século passado a educação não tinha tanta importância, passados os primeiros anos, com a mudança das pessoas da roça para a cidade, começou a haver interesse na busca pelo conhecimento.

Em 1917 começou a construção do Colégio Nossa Senhora da Piedade, com a finalidade de proporcionar o conhecimento formal às filhas dos cacauicultores e, em 1923, formou-se a primeira turma de professoras daquela instituição.

Nas minhas pesquisas, na busca que tenho realizado, ao longo desses anos para conhecer a história de Ilhéus, deparei-me com um livro que é um grande tesouro. Na minha passagem pela Fundação Cultural de Ilhéus, descobri um livro de atas da Prefeitura, datado de 1925, cuja página de abertura está assinada pelo Intendente Dr. Mário Pessoa da Costa e Silva. São atas que falam do dia-a-dia das obras da prefeitura.

Diz a primeira ata:

Acta da inauguração do prédio escolar “Barão de Macahubas”, sito na povoação de S. João da Barra do Pontal.

Ao primeiro dia do mês de Janeiro de mil novecentos e vinte e cinco, nesta povoação do Pontal, sede do sexto distrito de paz deste Município, numa das salas do prédio escolar, que se acaba de construir à rua Coronel Misael, onde se achava o Exmo. Sr. Intendente, Dr. Mario Pessoa da Costa e Silva, e, com ele, numerosa assistência, composta de excelentíssimas senhoras, conselheiros municipais, autoridades e funcionários do Estado e do Município, representantes de S. Excia. Reverendíssima, o Sr. Bispo Diocesano, da Associação Comercial de Ilhéus e das demais associações locais…

No discurso proferido pelo Intendente Municipal ele louva a operosidade do seu antecessor, o Coronel Eustáquio Bastos, “a quem se deve a iniciativa da obra”. O contrato para a construção do educandário foi assinado em 3 de dezembro de 1923.

Atualmente o Colégio Barão de Macaúbas pertence à rede estadual de ensino e continua prestando relevantes serviços à comunidade.

Ata B. de Macaubas

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