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Ética e Política

Há mais de vinte séculos, o filósofo grego Aristóteles, escreveu um tratado, Ética a Nicômaco, onde um dos principais temas é a virtude. Segundo Rita Foelker , a palavra “virtude” no sentido ético, pode ser entendida como uma qualidade moral ou intelectual positiva do ser humano, que o leva a agir visando ao bem.

Ainda segundo esta autora, a felicidade é o fim último da virtude, não como objetivo do indivíduo, mas da pólis, razão pela qual se pode dizer que, para Aristóteles, a ética está subordinada à política, e que a virtude do Estado é, de acordo com a virtude de seus cidadãos. Por tudo que disse, em uma época tão distante, Aristóteles é considerado um sábio.

Pois bem, depois de tantos anos passados e de toda evolução tecnológica, não parece que o ser humano caminhou muito nas questões éticas.

Certa vez, recebi uma mensagem pela Internet, que fala sobre ética. Achei muito bonita, além de simples, e a tenho utilizado em muitas oportunidades. Ela conta a história de um menino que foi pescar com o pai em um lago, cuja pesca era regulamentada e, somente algumas espécies poderiam ser pescadas. Em um determinado momento, duas horas antes de abrir a temporada, o menino pescou um peixe muito grande. O pai olhou para o relógio e disse-lhe para devolver o peixe à água. O menino choramingou, tentou negociar, mas o pai foi irredutível – tem que devolver, cumprir as regras.

Nunca mais o menino pescou outro peixe igual, ele já desconfiava disso. Mas, quando adulto, em sua carreira profissional, nunca esqueceu aquela pescaria. Pautou-se naquela simples decisão de entender o que é certo e errado, para tomar suas decisões. A ética aprende-se pela educação.

Quando entro em contato com acontecimentos políticos recentes, envolvendo a falta de ética, ponho-me a refletir e a pensar: o que dizer aos meus alunos nas aulas de ética? Fazemos reflexões, falo de liberdade e dou minha opinião: de que vale a pena ser ético, apesar das circunstâncias.

Mas sinto-me envergonhada, enquanto ser humano que tem noção de universalidade, e que entende que, quando alguém macula a ética, todos e cada um de nós, fomos atingidos.

Para escrever esta matéria, lembrei-me do fato de que, no início do século XX, quando a eleição era a bico de pena, dois candidatos, os coronéis Antonio Pessoa e Domingos Adami de Sá, foram proclamados vencedores da mesma. A decisão ficou com o governo do Estado e, segundo o relacionamento político, foi proclamado vencedor o correligionário do Presidente da Província. Pode-se concluir que a política, nem sempre, anda de braços dados com a ética. E continuamos a abrir os jornais e a nos depararmos com a falta de respeito à coisa pública, ao outro.

Entendo que acaba até sendo muito simples o raciocínio. Se agimos com ética, podemos exigir o mesmo dos outros. Se não, somos iguais a todo mundo. Não dá para ser meio ético, não dá para querer ser privilegiado pela lei, pelo “jeitinho”.

De acordo com o consultor de empresas, Francisco Gomes de Matos, o sucesso ou fracasso de uma organização, nos dias atuais, está diretamente ligado ao seu comportamento ético. Ele diz que “ser ético não é mais opção […], é questão de sobrevivência”. Traduzindo – para que a empresa tenha sucesso no mercado, o público consumidor exige que ela seja ética. Não é possível vender um produto e entregar outro.

Por que a ética é necessária e importante? A ética tem sido o principal regulador do desenvolvimento histórico-cultural da humanidade. Sem ética, ou seja, sem a referência a princípios humanitários fundamentais, comuns a todos os povos, nações, religiões etc, a humanidade já teria se despedaçado até à autodestruição.

Pois bem, refletir a ética e tomar posição, é fundamental, se queremos que o país mude. Não dá para querer levar vantagem e ver as pessoas mudarem. A ética existe como uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo tal que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana.

Precisamos ser mais rigorosos e exigentes com nossos políticos. Meus aplausos à população de Itabuna, que deu a resposta nas urnas. Na democracia deve ser assim.

in Revista Filosofia, ano 2 n° 11

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