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A QUESTÃO AMBIENTAL

Terra

Esta semana, como não houve edição do Diário de Ilhéus por causa da Semana Santa, resolvi buscar em meus arquivos uma matéria que falasse de algo que considero importante – a questão ambiental, que está colocando em risco a vida e a qualidade de vida no planeta. Em Ilhéus a degradação ambiental está presente na devastação da Mata Atlântica, na invasão dos manguesais, no lixão, na ocupação das encostas, na poluição dos rios.

O homem do século XXI encontra-se diante de uma encruzilhada. Conseguiu um avanço científico espetacular, mas descobriu que a relação que estabeleceu com o planeta pode levá-lo ao colapso e ao extermínio da vida.

Desde que começou a se destacar pela capacidade de pensar e de se adaptar a novas situações, o ser humano começou a deixar sua marca sobre o planeta Terra. Aquilo que chamamos de evolução não aconteceu de uma hora para outra, mas foi se formando lentamente com o passar do tempo. Tudo que acreditamos saber, nos foi dado pelas descobertas científicas dos últimos séculos, quando a ciência se tornou capaz de datar fósseis, movimentos tectônicos e quando especula o universo em busca de novos conhecimentos.

O planeta não é um objeto estático, mas incrivelmente dinâmico e tem se modificado ao longo do tempo por bilhões de anos. Ele está vivo e em atividade. Se compararmos a existência humana com a do planeta, veremos que o homem existe há um tempo insignificante.

A ciência ainda não tem certeza de como teria surgido a vida inteligente no planeta, mas já podemos afirmar muitas coisas, conscientes de não estarmos utilizando a “intuição mítica” dos pré-socráticos ou a “verdade” dogmática das religiões. Pelas descobertas científicas realizadas ao longo do século XX, como a datação dos fósseis através do carbono 14, sabemos que existem hominídeos há mais de quatro milhões de anos; que, destes, algumas espécies desapareceram, e que, o “homo sapiens”, espécie da qual fazemos parte, todas a raças existentes, existe há mais de cem mil anos.

Sabemos também que houve uma evolução, e o quanto foi duro para os cientistas ocidentais enfrentarem os dogmas da religião católica, para que esta teoria pudesse ser aceita. Pensamos que estudar esta evolução acontecida no planeta com os seres vivos e, principalmente, com os humanos, é uma experiência apaixonante. Certamente, o homo sapiens sobreviveu porque conseguiu superar as dificuldades que encontrou pela frente, adaptando-se às novas condições de clima, de localização ou de condições, as mais variadas possíveis. Pensamos que, apesar de todos os defeitos que possui, o homem é um ser incrivelmente fascinante: sem possuir um aparato físico apropriado, conseguiu sobreviver nas zonas polares; se adaptar às mais diversas localidades do planeta, como desertos, montanhas, florestas, ou em grandes planícies. Aprendeu a dominar a natureza e a utilizá-la a seu favor, de tal forma que, passou a se achar capaz de criar a vida, de sobrepujar a natureza, está a se confundir com deus.

A grande qualidade da espécie humana foi a de romper com suas próprias limitações: um animal frágil, provido de insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. Sem asas, dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias conquistou os mares. Tudo isso porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura.

A evolução humana não aconteceu de uma hora para outra, tudo aconteceu muito lentamente. Os primeiros humanos viviam em acordo com a natureza. Sobreviviam da coleta e caça como qualquer animal. Mas, ao contrário do que se pensava, este homem não preservava a natureza e já praticava a mesma “devastação” que caracteriza os tempos atuais. O que torna diferente a ação do homem primitivo para o atual é a velocidade com que as mudanças ocorrem, a densidade populacional e a tecnologia, que amplia demais a ação humana.

Entendemos que é fascinante estudar as rotas percorridas pelo homem, ao longo dos séculos; como foi migrando, passando de um lugar a outro, descobrindo novas terras, novas paisagens. O fazer humano implica numa grande ambigüidade do ponto de vista axiológico: tudo que o homem faz, pode ser bom e pode ser ruim. Somos condenados a ter que suportar uma eterna crise de consciência, já que somos capazes de julgar nossos atos e, um dia passamos a atribuir valores a todas as coisas. Assim sendo, só é possível compreendermos a trajetória humana, a partir das descobertas da Ciência.

A maior crise que passamos no momento presente é saber que temos a capacidade e, não só isso, a possibilidade de acabar com o planeta e tudo que nele existe, não só através de uma bomba atômica, mas, lentamente, acabando com as matas, as florestas, as reservas de água potável e um dia, quem sabe bem menos longínquo do que imaginamos, a superfície da Terra poderá ser como a que Marte apresenta-se hoje aos nossos sentidos. Para que isso não aconteça temos que pensar em nossas ações hoje, é do que fizermos no presente que depende nosso futuro.

A Educação Ambiental, como prática de vida e como disciplina, nasceu da necessidade de regular o modo de vida do homo sapiens e sua relação com o planeta, a nossa casa. A única que temos, e que provavelmente teremos nos próximos anos, sabe-se lá quantos.

Atualmente fala-se muito neste assunto e são inúmeras as instituições voltadas para esta prática e preocupadas em implantá-la: nas escolas, nos bairros, ligadas ao modo de vida e, no bojo das instituições não governamentais que proliferam. Ela é necessária e pode representar uma das poucas saídas que temos para mudar nosso comportamento e nossa relação com o planeta.

Esperamos que cada vez mais pessoas, grupos de pessoas, organizações se preocupem com a vida no planeta e com a disseminação das boas idéias que transformarão a terra dos homens em um local ainda mais bonito e agradável para se viver.

(Escrita em 28/10/2004)

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Fonte: Faria Filho e Araújo in

http://ceplac.gov.br/agrotropica

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