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Posts Tagged ‘Mulheres de Ilhéus’

Série Vultos Históricos

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O Dia Internacional da Mulher não pode passar em branco. Embora seja verdade que todos os dias devam ser comemorados como tal, é bom relembrar aquelas mulheres que morreram para ajudar a nos libertar de um jugo secular cultural, o da predominância masculina. Ano passado falei de algumas grandes educadoras que nossa cidade conheceu. Recebi sugestões para falar de outras tantas, ainda não houve oportunidade, mas não estou esquecida, o momento chegará, afinal temos todos os sábados para escrever.

Como estou escrevendo a série Vultos Históricos, fui procurar, no passado, uma destas mulheres extraordinárias que nossa história conheceu e buscar equilibrar assim a série, para não ficar parecendo que vultos históricos são apenas homens.

Resolvi falar de uma mulher que veio de longe, com grande determinação, para ajudar a escrever, com letras de ouro, a história da educação em Ilhéus.

Esta grande mulher se chamava Maria Thaís do Sagrado Coração Paillart. Ela veio para o Brasil para ocupar o cargo de Provincial da Ordem das ursulinas no Brasil. Logo que ela chegou da Europa, resolveu que deveria fundar um colégio para meninas. Numa viagem que fez a Salvador, nosso bispo, D. Manoel de Paiva, convenceu-a de que a cidade deveria ser Ilhéus.

A madre chegou a esta cidade em 1916, a bordo do vapor Jequitinhonha e, durante sua viagem, teve tempo suficiente para refletir sobre o empreendimento que iria fazer, pois não possuíam nada, nem terreno, nem recursos financeiros.

O colégio iniciou suas atividades à rua Conselheiro Saraiva, atual Antonio Lavigne de Lemos, nas instalações da diocese, contando apenas com 16 alunas. Nessa época, o casal Adelaide e José das Neves César Brasil havia doado um terreno no alto das Quintas, atual alto da Piedade, para que lá fosse construído o prédio do Palácio Episcopal, que teria como destino a moradia do bispo diocesano. O bispo cedeu parte do terreno para que a freira iniciasse seu empreendimento educacional.

O começo da vida do colégio foi muito precário. Faltava água, luz, e a subida era feita por uma ladeira íngreme, que quando chovia ficava intransitável, mesmo a pé. O projeto do prédio é de Salomão da Silveira que, apesar de não ser engenheiro formado, esteve à frente do projeto e, em 16 de julho de 1917, o colégio Nossa Senhora da Piedade transferiu-se para sua sede própria. No ano de 1921, o Colégio foi reconhecido como de utilidade pública, no ano seguinte foi equiparado à Escola Normal do Estado.

Para entender o significado e a importância de uma escola deste porte na época em que ela foi concebida e construída, é preciso entender a própria História da Educação nesta região, em particular, e no Brasil como um todo. Estudar não era obrigatório, mulher não precisava ir à escola, e ainda não tinha direito a voto. A escola e, conseqüentemente, o saber, eram para um pequeno grupo de privilegiados que podiam pagar o deslocamento para centros maiores, e possuía família para bancar o longo período de estada nestes centros. Só os ricos estavam aptos, ou alguns poucos obstinados que, mesmo sendo pobres, conseguiam superar todas as dificuldades e conseguiam concluir o curso superior. O Colégio Nossa Senhora da Piedade significou a possibilidade da chegada do conhecimento às filhas dos fazendeiros que não permitiriam jamais que suas filhas se deslocassem para Salvador ou Rio de Janeiro, como acontecia com os homens; e para as meninas de famílias pobres que queriam ascender na escala social através do conhecimento.

Em 1927, foi iniciada a construção da capela, um belíssimo exemplar da arquitetura neogótica. O construtor Salomão da Silveira fez uma adaptação da planta encomendada, na França, por Madre Thaís, e a obra ficou pronta em 1929. O ponto alto da capela é o seu altar-mor, com a Imagem da Dor, imagem de Nossa Senhora da Piedade, aos pés da cruz, aconchegando ao colo o Cristo morto. A capela possui belos vitrais, que proporcionam uma perfeita iluminação do templo, e retratam as “Sete Dores de Maria”.

Madre Thaís foi uma mulher obstinada em realizar seu sonho de fundar um colégio, a altura de qualquer cidade grande; encontrou em seu caminho, pessoas que a ajudaram bastante para que ela pudesse realizá-lo. A obra pode ser realizada porque contou com a participação da sociedade local, a quem muito agradecia a Madre Thaís. Foi também uma mulher humilde e desprovida de vaidade, que recebeu do governo francês o título de “Officier d’Academie” pelos serviços prestados à educação em Ilhéus. Madre Thaís faleceu no dia 5 de junho de 1955, aos 67 anos de idade.

Obs.: algumas informações foram retiradas do site do Colégio N. Sra. da Piedade

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