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Posts Tagged ‘Ponte Lomanto Júnior’

Desde o dia 8 de setembro deste ano, nós moradores do Pontal, estamos sofrendo com a reforma, diga-se de passagem, necessária, da ponte que liga Ilhéus ao Pontal, a ponte Lomanto Júnior. Com a reforma da ponte, tenho evitado ir ao centro, vou somente quando necessário, pois, de vez em quando somos surpreendidos com insuportáveis engarrafamentos.

Esta semana, quando eu voltava da Faculdade de Ilhéus, meu local de trabalho, tive que dar uma volta, andar pelas ruas internas do bairro, para poder chegar em casa. Deveria ir ao centro, mas, imediatamente mudei de idéia, a fila de carros estava no Opaba, chegando à AABB. Passei parte do dia pensando na ponte, na sua importância e, logo, logo, ela se transformou em matéria.

Lembrei-me, então, do tempo de criança, lá pelos idos da década de cinqüenta, quando morava no Rio e vínhamos para Ilhéus, de avião, nos famosos DC-3 da Cruzeiro do Sul. A BR-101 ainda não existia e a BR-116, que passa por Vitória da Conquista, ainda não era asfaltada. O mais viável era o avião, apesar das muitas horas de viagem, e de todas as escalas. Nosso aeroporto era importante e valorizado, bem mais do que hoje, quando estamos passando pelo vexame que está aí.

Uma vez em terra, tínhamos que atravessar nas lanchas ou besouros, porque ainda não havia a ponte, a tão sonhada ponte do Pontal. Minha avó Maria Luiza não tinha coragem de atravessar na lanchinha, que para nós, crianças, representava uma grande aventura. Para ela era um pesadelo. Lembro-me perfeitamente do seu nervosismo e angústia, pois a baía era bem mais larga e profunda do que hoje; ainda não havia o espigão de pedra do porto do Malhado, que trouxe a enorme quantidade de areia que aí está.

Outra lembrança que me vem à memória eram as viagens para Olivença, para o veraneio, que começavam na travessia da baía. Destas, vovó não escapava, mas era com muita agonia e chamando por Jesus e todos os santos. Depois embarcávamos na carroceria de um caminhão, utilizando as areias da praia do sul como estrada, e subindo na altura do rio Cururupe, para atravessar a ponte, que foi inaugurada em 29 de maio de 1932, pelo prefeito Eusinio Lavigne, segundo o livro de Atas da Prefeitura. Na boléia do caminhão iam meus avós. A carroceria ficava para os adultos, crianças e agregados. Era uma “farra” e, apesar da pouca idade, lembro de tudo com saudade.

Segundo José Nazal (p.138)*, “em agosto de 1966, no dia 15, a cidade viveu uma das suas maiores festas com a inauguração da ponte Ilhéus-Pontal, reivindicação de mais de cinqüenta anos, finalmente transformada em realidade. Desde a véspera as ruas estavam engalanadas, numa antevisão das grandes festas que iriam assinalar a conquista sonhada por tantas gerações”.

Existem algumas obras nesta cidade que marcaram a vida de muitas pessoas e o imaginário das crianças. A ponte foi uma delas.

Outras obras que, também foram sonhadas por toda a população, durante muito tempo, foram o antigo porto, na década de 1920 e o porto do Malhado, quando o outro começou a mostrar problemas, como a ponte do Pontal está mostrando agora; apesar de ter gerado muito dinheiro para o estado da Bahia, as coisas nunca foram muito fáceis para esta região, certamente pela carência de lideranças políticas de peso nacional. A Catedral de São Sebastião foi um sonho que levou 36 anos para ser realizado. Nosso aeroporto que já foi sonho, que já foi realizado, que tornou a se transformar em sonho, com a possível ampliação, está se transformando em pesadelo.

A inauguração da ponte Lomanto Júnior contou com a presença do Presidente da República, o Marechal Castelo Branco, do Gen. Ernesto Geisel, Chefe da Casa Militar, Luis Viana Filho, Chefe da Casa Civil e do Governador Lomanto Júnior, dentre muitas outras autoridades.

Nazal, em seu livro “Minha Ilhéus”, narra a inauguração da ponte, contando muitos detalhes da festa, mas o mais importante deles, é que “a população festejava nas ruas, num autêntico carnaval, o grande acontecimento”.

A ponte Ilhéus-Pontal está aí, servindo de união entre a ilha e o continente 42 anos depois de inaugurada; agora se reinicia o processo, exigindo das autoridades, mais que uma reforma, uma nova ponte para lhe fazer companhia, onde o elevado número de pessoas que trafegam para lá e para cá, possam fazê-lo com maior segurança.

*Informação retirada do livro Estórias da História de Ilhéus, de Brandão e Rosário (1970).

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