Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Tradições’

Apesar dos mais de 400 anos de existência, o município de Ilhéus não tem suas tradições mantidas, não preserva um patrimônio cultural proporcional ao seu tempo de existência. A impressão que temos é de que a junção de culturas diferentes impediu a formação de uma cultura própria.

Uma das festas mais tradicionais e mais antigas, mantida pela população é a Festa da Puxada do Mastro, realizada em Olivença, ano após ano, independentemente de quem esteja ocupando o poder, seja na Prefeitura, seja no Estado. Sobre esta festa, a Professora Doutora da Universidade Federal da Bahia, Edilece Souza Couto realizou uma pesquisa que se transformou em trabalho monográfico na sua especialização em História Regional pela UESC. Este trabalho venceu o concurso Prêmio Capitania dos Ilhéus, da Fundação Cultural de Ilhéus, tendo sido publicado pela Prefeitura local.

Quando lancei a segunda edição do meu livro Passeio Histórico por São Jorge dos Ilhéus, pedi-lhe que escrevesse sobre a festa da Puxada do Mastro, de Olivença. O texto que segue foi retirado desta publicação.

“Hoje é festa em Olivença
Todo mundo vem prá cá
O Mastro de São Sebastião
Todo mundo quer buscar”.

A Puxada do Mastro de São Sebastião é uma festa tradicional no município de Ilhéus e é realizada todos os anos na primeira semana de janeiro, no distrito de Olivença, em homenagem a São Sebastião.

A antiga vila de Olivença – distrito de Ilhéus desde 1911- foi organizada através de uma missão jesuítica no período colonial. Tudo indica que a festa é o resultado da cristianização de um ritual indígena. Assim os jesuítas atraíam os “selvagens” para a fé cristã.

Os índios, ágeis serradores de madeira, dirigiam-se à floresta, escolhiam, cortavam e descascavam uma árvore com a qual preparavam um grande mastro. Este mastro, amarrado por uma corda comprida e resistente, era arrastado até a vila, e colocado em pé, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Escada. A corda era solenemente depositada no altar, aos pés da Santa.

A tradição da preparação e realização da festa é mantida pelos descendentes dos índios e caboclos que, com fé e orgulho, transmitem às novas gerações os costumes e as crenças de seus ancestrais.

No dia que antecede a festa, os machadeiros – como são chamados os cortadores de madeira – dirigem-se à floresta, distante de Olivença, para escolherem a árvore que será transformada no mastro. Quando encontram uma árvore de grande porte, os homens cantam músicas características da festa, dançam e soltam foguetes, anunciando que a madeira está escolhida e que a festa está começando.

Os homens retornam a Olivença. Na praça principal do povoado, ternos de reis, afoxés e grupos de zabumba cantam, bebem e dançam até altas horas da madrugada. Nesta mesma noite um grupo de machadeiros, cantando e tocando sino, percorre várias ruas, fazendo pequenas paradas nas casas dos amigos e nos estabelecimentos comerciais, para pedir uma contribuição para a festa. Estas são feitas em dinheiro, alimentos ou bebidas.

Ao nascer do dia, os homens reunem-se em frente à Igreja. Após a celebração da missa, o grupo segue para a floresta, tocando o sino e levando, nas costas, as cordas e os machados. A caminhada é animada pela música e pelos versos criados pelos machadeiros:
“Vamos todos à floresta
Com toda satisfação
Vamos puxar o Mastro
De São Sebastião”.

A chegada ao local onde o mastro vai ser preparado é anunciada com fogos. É preciso avisar à comunidade que o ritual está começando. A madeira é descascada para que fique totalmente lisa e mais fácil de ser puxada. Uma grande corda, que será puxada pela população, é amarrada no mastro.

Todos querem ajudar a puxar o mastro de São Sebastião, acreditando que assim serão protegidos de todos os males. O grupo segue cantando:

“Ajuê Dan! Ajuê Dan Dão!
Puxa, puxa, leva, leva
O Mastro que é
De São Sebastião”.

A caminhada continua pela praia até chegar a Olivença. O mastro é recebido com festa por aqueles que o esperavam em frente à Igreja. A festa se renova a cada ano atraindo centenas de pessoas que vem de todo lado.

CC09

Igreja de Nossa Senhora da Escada

Read Full Post »