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REFLEXÕES SOBRE O PLANETA I

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No ano de 1798, o economista inglês Thomas Malthus publicou uma série de artigos alertando para a necessidade do controle da natalidade. Ele desenvolveu a Teoria Populacional Malthusiana, após observar o crescimento da população humana, entre os anos de 1650 e 1850. Naquele período a população mundial dobrou, como decorrência do aumento da produção de alimentos, da melhoria das condições de vida nas cidades, da preocupação com saneamento básico, do combate às doenças e com os benefícios obtidos com a Revolução Industrial. Esses fatores diminuíram a taxa de mortalidade e a ciência cuidou de aumentar, e muito, a expectativa de vida das pessoas, ampliando assim o crescimento natural. Malthus alertava para o fato de que o crescimento desordenado iria acarretar a falta de recursos alimentícios para a população; a consequência destes fatores seria a fome.

A revista Veja* publica uma matéria, cuja chamada de capa é: Estamos Devorando o Planeta, e cujo título é Fome de ar, água e comida.

Os números são assustadores. Quando Malthus fez esta previsão, que foi (e ainda é), ridicularizada por muitos, a população mundial estava em torno de 600 milhões de pessoas, com expectativa de vida de 20 a 30 anos. Hoje somos 6,8 bilhões de seres humanos espalhados pelos cinco continentes, com expectativa de vida em torno de 67 anos (Veja).

Atualmente podemos afirmar que estamos vivendo um momento de “praga biológica”, ou seja, possuímos alta taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade; o crescimento populacional dos humanos acontece de forma anormal ao ambiente. Somos muitos e estamos por toda parte. Parecemos nuvens de gafanhotos quando entram em uma plantação e destroem tudo. E estamos próximos ao canibalismo. Se ainda não comemos uns aos outros, nossa agressividade recíproca beira a autodestruição.

Se na época do estudo de Malthus, a população do planeta atingiu o primeiro bilhão de habitantes, isso foi em torno do ano de 1850, o segundo bilhão levou 75 anos para ser alcançado. E aí foi cada vez mais rápido, chegando à marca dos cinco para seis bilhões em apenas seis anos. Considero estes dados preocupantes, mas são poucas as pessoas que falam sobre isso.

Nosso governo federal, por exemplo, estimula o crescimento populacional, quando oferece um prêmio (em dinheiro) para a população de baixa renda continuar reproduzindo. Recebem vale gás, bolsa família, e outros incentivos.

Conheci no parque de diversões, uma senhora, aparentemente muito mais nova que eu, e devia ser, com uma criança no colo, dizendo ser seu bisneto. Ao mostrarmos surpresa, apresentou sua filha, a avó do menino, que tem apenas 31 anos. Quando não adotamos planejamento familiar, quando não tratamos os problemas sociais com a seriedade que o mesmo merece, na verdade estamos incentivando a parição precoce. Isto tudo somado aos problemas já abordados, o que teremos em um futuro muito próximo? Pessoas reproduzindo de forma absurda, cada vez mais cedo, com ampla expectativa de vida, formando inúmeras gerações vivas. E o pior, sem emprego, sendo sustentadas pelo dinheiro público, estimuladas a consumirem e nós, que trabalhamos, pagamos impostos, planejamos nossas famílias, ficamos sobrecarregados porque tudo está sobre nossos ombros.

Atualmente, para cada quarenta bebês que nascem, vinte pessoas morrem. “O saldo é a chegada, a cada dez segundos, de vinte novos moradores da Terra, prontos para crescer, estudar, trabalhar, namorar, casar e ter filhos” (Veja, p. 135). Fazendo uma comparação: de 1000 tartarugas que nascem, apenas uma sobrevive, segundo dados do Projeto Tamar. A disparidade é muito grande. A lista de animais ameaçados de extinção é enorme e crescente. O urso polar agoniza por conta de ter o habitat comprometido pelo aquecimento global. As águas dos oceanos estão se tornando mais ácidas. O equilíbrio ecológico do planeta está comprometido. Alguns, que pensem de forma mais simplista, podem até achar que isto não chega a ser um problema. Mas o planeta só se sustenta no equilíbrio. O aumento da população de ratos está diretamente ligado à falta de predadores e à sujeira produzida pelos humanos, e por aí vai.

Em Ilhéus, a situação não é diferente. Os manguezais estão sendo invadidos, falta emprego, existem problemas graves na saúde e na educação.

Os governantes mundiais, que ainda não acordaram para o problema, deixam-se levar pelos interesses particulares ligados ao capitalismo. Veja-se o resultado da COP15. E eu pergunto: para onde caminha a humanidade?

*Veja, edição 2143 de 16/12/2009

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RÉQUIEM PARA UMA AMIGA FIEL

Esta semana, Vane, você partiu, nos deixou para sempre; nosso reencontro só acontecerá quando partirmos, também, para junto do Pai. Tenho estado triste, a me perguntar pelo sentido da vida. A tristeza que sinto, não é uma tristeza comum, de quem foi contrariado por algum motivo, não é frustração. Não, é muito mais que isso, é uma tristeza que vem lá do fundo da alma, que envolve toda a minha existência; é a tristeza de quem já passou dos sessenta e sabe que a vida é curta e a gente perde tempo com coisas bobas.

Minha tristeza, Vane, começa ainda na minha infância, quando éramos pequenas e eu tirava você do serviço na casa da minha avó, para brincarmos de boneca e de picula. Você fazia tudo ligeiro, eu lhe ajudava, e, rapidamente, podíamos fazer as brincadeiras que tanto nos alegrava. Nossas brigas deste tempo? Que importância tem, se foram apagadas da memória?

Depois veio a adolescência e nossos rumos se separaram, mas foi só por uns tempos. Quando já casada, e Rui construiu a casa da praia do sul, de novo precisei de você e de seu Amadeu, àquela altura já com quatro filhos. A vocês entregamos nossa casa e nossos caminhos se juntaram de novo. Foi lá que nasceu Jorge, seu quinto filho e meu afilhado.

Depois me separei de Rui, mas carreguei você com marido e filhos para minha nova casa. Nessa época você já cuidava de Lu, era sua segunda mãe, fazia-lhe todas as vontades e chorava e ficava zangada comigo quando eu reclamava com a pequena dengosa. Ela cresceu Vane, é uma mulher, mas continua dengosa e chorona. Acredito que nós duas somos as culpadas.

Mais tarde nossos rumos mudaram, mas não se separaram. Você foi, com os meninos para a casa do Malhado, mas quase toda a sua família, aí incluindo alguns filhos adultos, e sua irmã Marli, trabalharam comigo, quando construí a pousada.

Foi nessa época, lá pelos anos noventa que sua saúde começou a falhar, a apresentar os problemas que lhe impediriam de continuar trabalhando. Você, que começou a trabalhar ainda criança, pois naquela época os costumes permitiam isso, também muito cedo se afastou da vida de trabalhadora. Você ficou sem saúde, mas jamais perdeu a alegria e a vontade de viver. Você foi uma vencedora.

Vitória, esta filha abençoada que Deus lhe deu, levou você para São Paulo, mas, nem assim nos separamos. Não é a distância que afasta os grandes amigos. Sempre nos falávamos. E, quando Jorge partiu daquela forma estúpida, foi por telefone que choramos juntas. E eu lhe disse, quando não foi possível a sua vinda: ele não está sem mãe, porque eu estou aqui no seu lugar.

Agora foi sua vez de partir e deixar nossa vida mais pobre. Um amigo que parte, nos deixa empobrecidos, pessoas não substituem pessoas. Você continuará viva em nossa lembrança para sempre, porque seus filhos e netos serão a riqueza que você deixou na Terra. Fica em paz, Naninha!

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No dia 10 de dezembro lancei meu último livro, Múltiplos Olhares sobre a Região Cacaueira do Sul da Bahia. Um trabalho escrito a muitas mãos, com vários olhares, sobre esta região, que necessita de um olhar mais apurado dos seus habitantes.

Em determinado momento, aproximou-se de mim, um jovem rapaz, o paulista Gustavo Felicíssimo e me deu de presente seu livro. Semelhante ao meu, uma coletânea, só que escrita por poetas, ousaria dizer, o que há de melhor da nova poesia grapiúna. Diálogos – panorama da nova poesia grapiúna, é o seu título.

Vários blogs já comentaram sobre o livro e sobre sua qualidade. Gustavo é editor do blog Sopa de Poesia. Bendita internet, que proporciona aos escritores, a oportunidade de publicar, na mesma velocidade que move o mundo do século vinte e um. O blog Spirituals do Orvalho comenta sobre o livro em questão: “a poesia fervilha, GRANDE E FORTE, irisando este mundão. E Gustavo tem tomado como ofício, também, divulgar o que se tem escrito pelas bandas grapiúnas e adjacências brasilis, ele, que vive bem próximo de Salvador-BA desde 1993. Mulheres e homens desfiando seus versos, em profundeza”.

O jornal Bahia OnLine e o Agora publicaram um relise falando sobre o livro. Diz a matéria: “Organizado por Gustavo Felicíssimo, poeta e ensaísta, estudioso da poesia grapiúna, em uma co-edição da Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Via Litterarum, foi recentemente lançado, na Academia de Letras de Ilhéus e na Biblioteca Plínio de Almeida, em Itabuna, o livro Diálogos – Panorama da nova poesia grapiúna, obra que reúne poemas de dez dos melhores poetas e poetisas da novíssima geração da região”.

O organizador da obra busca conhecer e entender a poesia feita pelos poetas desta região, ao longo dos últimos anos. Felicíssimo afirma que: “Tivemos acesso à obra édita e inédita de mais de uma centena deles, desde aqueles que fundaram a poesia grapiúna no início do século XX, até encontrarmos a poesia dos novos que fazem parte deste compêndio”.

Os autores que fazem parte da coletânea são, basicamente de Ilhéus e Itabuna, nascidos ou radicados aqui.

De Ilhéus são: Edson Cruz, escritor, editor, revisor, preparador de textos e estudante de Letras na USP. Seu campo de trabalho é a internet; fundou e edita sites, voltados para a literatura na internet. Foi palestrante em eventos literários no Uruguai e na Argentina, sempre falando sobre poesia, literatura na internet e literatura e novas mídias.

Heitor Brasileiro Filho é natural de Jacobina, mas está radicado na região desde 1994. É licenciado em Letras e pós-graduado em Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa, pela UESC. É ensaísta, cronista e poeta com destacada participação em concursos literários, além de conferencista sobre a obra de Sosígenes Costa.

Rita Santana, poeta, contista e atriz, graduou-se em Letras e especializou-se em História Social e Cultura Afro-Brasileira. Atuou em peças teatrais, em novelas da Rede Globo e em vários filmes. Publicou o livro de contos Tramela, com o prêmio Braskem de Literatura, em 2004, para autores inéditos. Participou da antologia “Mão Cheia”, em 2005 e publicou o livro de poesias “Tratado das Veias”. Também Fabrício Brandão, poeta e prosador, que edita a Revista Eletrônica “Diversos Afins”.

Geraldo Lavigne, que nasceu em Itabuna, mas é filho do acadêmico já falecido Tom Lavigne, ilheense muito querido. O estudante de Direito é poeta e publica seus poemas em jornais locais. Promoveu uma exposição de poemas no Teatro Municipal e no museu do Instituto Nossa Senhora da Piedade, como programação do Ano Ibero-Americano de Museus.

De Itabuna, o organizador apresenta: Noélia Estrela, bacharela em Direito e licenciada em Letras; pós-graduada em Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa, pela UESC. Também Lourival Piligra, Mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba, professor da UESC, que publicou a obra “Fractais” em 1996. Daniela Galdino, que é graduada em Letras, mestre em Literatura e Diversidade Cultural, professora da UNEB, e publicou a obra “Vinte Poemas Caleidoscópicos”. Mither Amorim, poeta, músico e letrista.

Por fim, George Pellegrini, que nasceu em Mascote, mas reside em Itabuna; licenciado em Letras e doutorando em Literatura e Comunicação pela Universidad de Sevilla (Espanha). Recebeu vários prêmios em poesia e conto, entre eles o Jorge Amado da UESB e o Castro Alves, em Salvador.

 

Ilhéus (Rita Santana)

Retorno.

Ponho os pés na fineza de sua areia

E me lambuzo de saudades. Volto a cavar buracos

E encontrar tesouros.

Ainda vejo vida nos meus, sorrio aliviada.

 

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TURISMO E CULTURA

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  Prédio pertencente ao patrimônio histórico da cidade que necessita de restauração.  

Hoje é um daqueles dias que tenho dificuldades para encontrar o assunto a escrever. Alguns problemas pessoais às vezes interferem, provocando aquilo que se dá o nome de “ruído”, em comunicação.

Há mais de quinze anos tenho me dedicado ao estudo da história de Ilhéus. À medida que o tempo foi passando, cresceu meu interesse pelo assunto, e foram vários os livros publicados. Conhecer a história da região é fator da maior importância para o desenvolvimento do turismo local. A atividade turística está diretamente ligada à cultura e, muitas vezes as pessoas não se dão conta de que, por falta de conhecimento, elas deixam de interferir positivamente no desenvolvimento turístico de nossa cidade. Isto que afirmo é dito por teóricos do turismo, como por exemplo, o professor doutor da USP, Mário Carlos Beni, dentre outros. Ele disse, em um encontro sobre turismo realizado na UESC, o seguinte: “enquanto a população local não se envolver, o turismo não acontece em uma localidade”. Portanto, não é esta simples professora de filosofia e aprendiz de escritora, a autora da idéia.

Já disse muitas vezes, e repito, que meu tempo de só criticar, já passou. Estou mais preocupada em perguntar, “o que posso fazer para ajudar”? Nada mais fácil do que descobrir erros e apontá-los. E nessa filosofia de fazer a minha parte tenho trabalhado nos últimos anos. Realizei inúmeras pesquisas, as primeiras, por conta própria, a maioria, com apoio da UESC. Publiquei livros, promovi seminários, cursos, palestras e, onde fui convidada, lá estava eu, presente, informando para os que me ouviam o que havia aprendido, pois entendo que o conhecimento que adquirimos, não deve ser guardado, mas multiplicado para o maior número possível, de pessoas.

São muitos anos de trabalho dedicados à pesquisa, buscando saber cada vez mais, e assim, entender o momento presente, pois é no conhecimento do passado que se compreende o presente. Tenho passado também por momentos de tristeza e decepção, quando vejo o que foi feito com a bela casa construída por D. Alina Carvalho e seu esposo, o suíço Robert Durand, mas, sobretudo quando vejo nosso centro histórico sendo, aos poucos, desfigurado, de tal forma que, se não tomarmos uma atitude urgente, vai se acabar. Aos poucos o patrimônio histórico da cidade está sendo substituído por construções modernas e, às vezes, de gosto duvidoso.

Posso justificar minha angústia contando um caso que me aconteceu há algum tempo, quando, passando pelo Bataclan, Sérgio, o guia mirim, me chamou e me apresentou a duas turistas paulistas. Conversamos bastante e elas afirmaram que vieram para Ilhéus, não em busca de praia, mas de sua história, e não estavam encontrando o que queriam porque ninguém fala dos acontecimentos históricos da região. Aliás, o que motivou meu interesse para estudar essa história, nasceu com a curiosidade dos turistas, quando construí minha pousada.

Bem, tudo isso é para dizer que “sou brasileira e não desisto nunca”. Vou continuar minha cruzada na luta pela divulgação da história de Ilhéus, vou continuar lutando para que as pessoas entendam que precisam, nem que seja para resolver seus problemas financeiros, por conta dos problemas da cacauicultura, aprender alguma coisa para contar ao turista interessado. Cada cidadão ilheense precisa estar convencido, se quiser que a cidade alcance um desenvolvimento turístico relevante, de que precisa se envolver na atividade, ainda que ele não seja pousadeiro, hoteleiro, taxista, ou seja, ligado diretamente à atividade turística.

Foi por causa da vontade de difundir o conhecimento da nossa história que um dia apresentei um projeto para o amigo Hamilton Fontes, proprietário da rádio Santa Cruz, de apresentar um programa cultural. Durante um bom tempo, diariamente, interagi com a população ilheense através do rádio. Depois o tempo foi ficando escasso e tive que deixar o programa, mas, ainda hoje, encontro pessoas na rua que dizem sentir falta de ouvir sobre nossa história. No final do ano passado o radialista Gil Gomes me convidou a participar do seu programa falando sobre nossa história. Estou vendo de que forma posso organizar meu tempo para atender ao seu convite.

Esta semana a coluna Sinal Fechado, sob o título Mau Exemplo, reclama dos artifícios que estão sendo usados para enganar os turistas que descem do navio e querem ver as fazendas de cacau. Ilhéus continua sendo a terra do cacau; é preciso apenas modificar a forma de mostrar isto ao turista. É preciso que haja planejamento para mostrar, de forma verdadeira, as atrações que devem ser trabalhadas na cidade. Por que não construímos uma pequena fazenda próxima à cidade que possa ser mostrada ao turista? Ou aproveitar alguma que esteja perto. A maior riqueza de um povo certamente está em seu patrimônio cultural. Mesmo que o cacau deixe de existir, Ilhéus sempre será a cidade do cacau.

 

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  Palácio Episcopal – belo exemplar do nosso patrimônio que pede socorro – daria um belo museu  

 

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  A ocupação humana em Ilhéus em 1900 estava apenas na ilha. Fonte: Lapa (2001)  

A cidade de Ilhéus passou de 130 mil habitantes em 1982, para 250 mil em 1998, caindo para 220 mil habitantes no ano 2000 (de acordo com o IBGE). A cidade, que foi indicada pela revista Veja como uma das dez melhores em qualidade de vida viu sua população crescer rapidamente, sem condições razoáveis de habitabilidade. Os bairros mais populosos, como o Teotônio Vilela e o Nossa Senhora da Vitória, dentre outros, apresentaram um crescimento muito grande, tendo em vista a diminuição de produção de cacau na região Sul e a crise dela decorrente. A população, que vivia na área rural, mudou-se para a periferia das cidades maiores em busca de emprego.

Esta ocupação rápida e desordenada junto aos manguezais tem produzido uma enorme degradação ao meio ambiente, que, se não for corrigida, poderá provocar danos irreversíveis. Faz-se necessário estar alerta para o problema e tomar atitudes. Esta tarefa não deve partir somente do poder público, mas da população como um todo.

Esta matéria foi escrita com bases na teoria neo-malthusiana, pois considera que os problemas ambientais são decorrentes da pressão demográfica sobre os recursos naturais. “A lógica neo-malthusiana é de que o crescimento e a densidade populacionais geram insuficiência de terra, provocando intensificação no seu uso e forçando a busca de terras marginais” (TREVIZAN, 2000, p. 25).

A ocupação das terras do sul da Bahia, hoje designadas como microrregião Ilhéus/Itabuna é anterior à chegada dos portugueses ao Brasil, pois estes encontraram ameríndios que viviam aqui, certamente, há alguns milhares de anos. A ciência moderna admite que qualquer ocupação humana causa impacto ambiental e já refuta a ideia do “bom selvagem” que vivia em perfeita sintonia com a natureza.

A vila de São Jorge não teve crescimento considerável antes do plantio do cacaueiro como produto ligado à economia, mas é comum encontrar-se registros, ao longo de sua história, de viajantes famosos que por aqui estiveram, quando passavam pela costa, em direção ao Rio de Janeiro. Na década de 1820, várias famílias alemãs vieram se instalar na região, pois o governo brasileiro incentivava a ocupação das terras brasileiras, não só dessa, mas também de outras regiões. A Europa já enfrentava dificuldades, por excesso de população e dificuldade de emprego.

Alguns estudiosos afirmam que a plantação de cacau na Bahia começou a crescer economicamente, a partir de 1822, com a chegada dos alemães chefiados por Pedro Weyll, os “Solitários do Almada”.

No decorrer do século XX, a lavoura cacaueira do sul da Bahia atraiu milhares de pessoas que vinham em busca de emprego, os retirantes da seca nordestina, ou em busca de investimentos lucrativos, os capitalistas, que compravam fazendas de cacau em produção, ou para montarem empresas exportadoras.

A região teve um expressivo aumento populacional, por conta da necessidade de mão-de-obra exigida pela lavoura cacaueira. A queda desta lavoura gerou um caos na economia da região, deixando as pessoas sem emprego, migrando de uma cidade para outra, buscando melhores condições de vida.

Durante todo o século XX, até o início da crise, o cacau foi uma cultura que bem ou mal, ajudou na preservação da Mata Atlântica. O plantio inicial, e até a década de 1970, era feito em forma de cabruca, ou seja, a mata original era raleada, mas era mantida, pois o cacau necessita de sombra, calor e umidade. Só eram utilizadas as terras férteis, o que também ajudava a manter a mata. Com a aplicação dos estudos realizados pelo CEPEC, o manejo mudou bastante. Passou-se a fazer a derruba total para realizar o plantio, passou-se a plantar em solos considerados pobres, o número de pés por hectare foi adensado, criou-se uma nova mentalidade visando a uma maior produtividade. Segundo os técnicos, este fator também contribuiu para a instalação do fungo da vassoura de bruxa.

Por outro lado, nas três últimas décadas do século vinte, as pessoas foram descobrindo verdades assustadoras: aquilo que pensávamos que eram bens duradouros como a água, o petróleo, as terras para agricultura, a ciência comprovou que são finitos.

A preocupação com o extraordinário aumento da população, no chamado Terceiro Mundo e as consequências que poderão advir, do fato de os recursos naturais estarem muito próximos do limite do seu aproveitamento, são fatores que nos pegaram de surpresa. Muita gente ainda acredita que isto é conversa de um grupo radical, mas o tempo tem demonstrado que não é bem assim. No entanto, medidas que tenham como objetivo impedir a degradação física do meio ambiente costumam ter um custo elevado e não claramente ressarcível. E ainda são olhadas com desconfiança.

Esta região poderá ser muito próspera, ser economicamente viável e apresentar uma sustentabilidade garantida, não só para a atual população, mas para as gerações futuras. Para tanto, é preciso que a população e seus governantes estejam conscientes dessa realidade. Para que a vida da população melhore é necessário que todos desejem um mundo melhor; todos mesmo, governantes e população. É necessário que sejam traçadas metas viáveis, possíveis, mas que contemplem todos os habitantes da Terra. O problema não é local, é global.

 

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Na forma atual de ocupação do solo as casas são colocadas “umas sobre as outras”.

(Esta matéria foi retirada, em parte, do livro “Múltiplos Olhares sobre a Região Cacaueira do Sul da Bahia”.)

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Esta semana, o distrito de Olivença comemora, como faz todo ano, a festa da Puxada do Mastro de São Sebastião. Atualmente é mais uma festa pagã do que religiosa, mas não perde seu valor em manter a tradição. Esta é, sem dúvida, a tradição cultural mais antiga da cidade de Ilhéus.

Quem foi este santo da Igreja Católica? Sebastião nasceu na Itália, por volta do século III da era cristã, de acordo com Santo Ambrósio. Nasceu em uma família cristã, tendo sido batizado ainda criança, o que não o impediu de engajar-se nas fileiras romanas, chegando a ser considerado um dos oficiais prediletos do Imperador Diocleciano. Entre os romanos não deixou de acreditar no seu Deus, procurando ser sempre um soldado de Cristo, revelando-o como Deus verdadeiro, aos soldados e aos prisioneiros. Secretamente, Sebastião conseguiu converter muitos pagãos ao cristianismo. Até mesmo o governador de Roma, Cromácio, e seu filho, Tibúrcio, foram convertidos por ele.

Mas, entre os companheiros, alguém o denunciou como alguém que traia seus deveres de oficial da lei. Foi chamado pelo Imperador para dar satisfação do seu comportamento e acusado de traição. Diante do Imperador, Sebastião não negou sua fé e foi condenado à morte, sem direito à apelação. Amarrado a um tronco, foi varado por flechas, na presença da guarda pretoriana. No entanto, uma viúva chamada Irene retirou as flechas do peito de Sebastião e o tratou. Assim que se recuperou, demonstrando muita coragem, se apresentou novamente diante do Imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-o de inimigo do Estado. Perplexo com tamanha ousadia, Diocleciano ordenou que os guardas o açoitassem até a morte. O fato ocorreu no dia 20 de janeiro do ano de 288.

A figura de São Sebastião amarrado a um tronco e cheio de flechas é cultuada pela Igreja Católica até os nossos dias. E é uma figura muito ligada ao Brasil, por causa de Portugal.

D. João III, aquele que dividiu o Brasil em Capitanias Hereditárias, teve 10 filhos legítimos e 1 bastardo; todos morreram, só o príncipe D. João, que nasceu em 1537, chegou à adolescência. Por isso, quando completou 15 anos seu pai o casou com D. Joana, filha de Carlos V. O príncipe D. João faleceu a 2 de Janeiro de 1554, deixando sua esposa grávida. O neto de D. João III era esperado com muita ansiedade, porque a coroa achava-se ameaçada de ficar sem sucessão; havia uma cláusula muito forte nas condições do casamento da infanta D. Maria de Portugal com o príncipe D. Filipe de Castela, que atribuía aos filhos deste matrimônio, a herança da coroa portuguesa, no caso de faltarem herdeiros diretos. Após a morte de D. João, nasceu o herdeiro do trono português que recebeu o nome de Sebastião.

Por essa época, década de 1550, foi feita a ocupação da região de Ilhéus, quando os primeiros jesuítas chegaram à Bahia, após a fundação da cidade do Salvador. Os jesuítas se instalaram em Ilhéus naquela década.

A Festa da Puxada do Mastro de São Sebastião é muito antiga, acontece desde o período colonial. A versão mais divulgada sobre sua origem remete ao tempo dos jesuítas, os quais teriam “inventado” este rito partindo de rituais presentes entre os povos tupis da região, a exemplo da corrida de toras. O sacrifício para São Sebastião, na forma da derrubada e da puxada da tora até a frente de igrejinha, culminando com seu levantamento, seria uma forma de expiação dos pecados. Esta versão, no entanto, carece de respaldo documental. Nem mesmo os historiadores de ofício que promoveram tal versão apresentaram documentos que a respaldam. O documento oficial mais rico em informações sobre a antiga missão, um relatório de 1768 – poucos anos após a expulsão dos jesuítas -, inquiria sobre vários aspectos do cotidiano local, inclusive sobre as festas e os santos que se homenageavam. Havia festas para N. S. da Escada, S. André, S. Miguel e Sant’Ana, cujas despesas, informava o autor do relatório, eram das custas dos índios. Não se fazia festa para São Sebastião.

O rito que originou a Festa é, na verdade, a sacralização dos gestos que envolviam o trabalho cotidiano de boa parte dos índios de Olivença na segunda metade do século XVIII e início do XIX: o trabalho de cortar, amarrar e puxar as toras de madeira que se extraiam daquelas matas para serem usadas na construção naval. Era chamada de “puxada do mastro” porque as madeiras que se extraíam das matas ao redor de Olivença, eram o jequitibá, o jacarandá e o potumuju, que eram empregadas na confecção de peças para a mastreação das embarcações.

São Sebastião é o protetor da Humanidade contra a fome, a peste e a guerra, e o padroeiro dos estivadores de Ilhéus.

Fonte: internet

UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA(?)

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Comecei o ano de 2010 em estado de choque. A tragédia em Angra dos Reis me abalou profundamente, apesar de não conhecer ninguém que more lá. Afinal, como afirmou John Donne “nenhum homem é uma ilha isolada. A morte de cada homem me diminui, porque sou parte da humanidade”.

Olhando as fotos publicadas na internet fiquei horrorizada. O local pode ser, e é belíssimo, mas é muito frágil. Não conheço Ilha Grande, mas, pelas fotos não havia percebido como a ilha é verdadeiramente grande. As fotos mostram as construções espremidas entre a montanha e o mar, cuja aparência é de que são pequenas e frágeis. Que seres somos nós que amamos o perigo, a dificuldade, a insegurança?

Há algumas semanas, lendo a revista Veja (edição de 16/12/2009), encontrei eco naquilo que penso e a cada dia tenho mais certeza: a questão da superpopulação no planeta. A revista teve a coragem de falar sobre um assunto que me intriga, mas que não vejo ser defendida por nenhuma corrente científica, que é a necessidade de haver controle populacional. E as religiões não se deram conta de que não podem continuar pregando o “crescei e multiplicai-vos”.

Hoje somos muitos e estamos por toda parte. Olhar as cidades grandes do alto é algo que não se pode compreender. As casas se amontoam umas sobre as outras parecendo um quebra-cabeça mal arrumado. E produzimos cada vez mais lixo; de toda ordem: do alimento que ingerimos e dos (inúmeros) objetos que compramos, na maioria das vezes desnecessariamente. Criando a sociedade de consumo, criamos um verdadeiro monstro que precisa ser alimentado, cada dia mais. O próprio sistema se incumbe de criar as necessidades. O computador, que, em minha opinião, é uma grande maravilha, associado à internet, nos coloca em sintonia com o mundo, em tempo real; mas é algo extremamente efêmero, pois rapidamente é transformado em lixo, já que todo dia aparece algo que precisa de mais memória e de outros equipamentos e necessita (?) ser trocado.

Em Angra dos Reis, no ano de 2002 já havia ocorrido algo semelhante, com chuvas muito acima da média, deslizamento de encostas e muitos mortos, feridos e desabrigados. A secretária ambiental da cidade, que tem mestrado na área de geologia, afirmou que a região apresenta fragilidades na questão geológica. E possui muita inclinação. Ora, encharcada de água, o caminho só pode ser o desmoronamento. Mas ninguém pensa nessa possibilidade quando vai construir.

Os depoimentos dos que se salvaram são dramáticos e comoventes. O que ia e desistiu, o que foi, mas escapou. Mas o trauma fica, mesmo em quem não estava lá, em quem não conhecia ninguém, mas que sofre as dores da humanidade; seja no Brasil ou em outro país qualquer.

A construção das cidades é lenta, vai acontecendo aos poucos; primeiro uma casa, ou um barraco, ou um estabelecimento comercial, não importa. Juntando-se a estes, outros vão surgindo, sendo erguidos, aos poucos. Aí, um dia, sem mais nem menos, acontece a tragédia. Tem sido assim por toda parte. Não só no Brasil, mas também no exterior. Quantos povos erguem suas casas no sopé de um vulcão…

Um relatório divulgado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) alerta para o equívoco de se desprezar o aumento populacional. As pessoas produzem gás carbônico, os animais também. As questões ligadas à alimentação estão diretamente ligadas a este fator, de produção de CO2, mas, de formas diferentes. Um habitante de um país avançado tecnologicamente produz, em média, 19 toneladas de gás carbônico anualmente. Aqueles que moram no campo, de forma mais simples, produzem menos. O simples ato de comer carne de boi gera uma tremenda instabilidade na vida do planeta. O rebanho bovino no Brasil, cuja população é igual ao número de pessoas, produz enorme quantidade de gás carbônico, necessita de pasto para viver (diga-se área roubada às florestas) e come grãos que poderiam ser destinados ao consumo humano.

Se no final do século vinte havia, no mundo, comida suficiente para cada pessoa que nascia, dez anos depois, no final da primeira década do século vinte e um, a defasagem já chega a 2,5%. Revistas como Veja, Superinteressante, Época e National Geographic já publicaram matérias sobre a escassez de alimento e de água no planeta.

É prudente que pensemos neste assunto.

O PRESÉPIO DE JÓ

“Naquele esquecido Ilhéus de outros tempos, antes do cacau, estabelecia-se entre as famílias verdadeira emulação para ver qual apresentaria mais belo, completo e rico presépio pelo Natal. O Natal europeu com Papai Noel em carro de renas, vestido para a neve e para o frio, trazendo presentes para as crianças, não existia em Ilhéus. Era o Natal dos presépios, das visitas às casas de mesa posta, das ceias após a missa do galo, do início dos folguedos populares, dos reisados, dos ternos de pastorinhas, dos bumba-meu-boi, do vaqueiro e da caapora” (Jorge Amado. Gabriela, cravo e canela, p. 75, 1958).

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a literatura é uma boa fonte para a história. Nela, os autores expressam os hábitos e costumes do povo retratado. Jorge Amado escreveu cinco romances cuja trama acontece nesta região cacaueira do sul da Bahia. Muita coisa que foi perdida pela história pode ser encontrada nas linhas destes romances.

O trecho transcrito no primeiro parágrafo mostra como aconteciam os festejos de Natal na cidade de Ilhéus. Uma festa bem diferente dos tempos atuais, americanizada, capitalista, baseada apenas no consumo, em que a principal atração é um Papai Noel chegado do friorento Polo Norte, trazido por um veículo desconhecido, o trenó, arrastado por animais que não fazem parte da nossa fauna, as renas. E aquele que deveria ser o principal convidado, o aniversariante, Jesus Cristo, fica de lado, quase esquecido.

De acordo com o site http://www.presentedenatal.com.br/presepio_natal.htm, ao lado do pinheirinho e dos presentes, o presépio é talvez uma das mais antigas formas de caracterização do Natal. A palavra presépio significa “um lugar onde se recolhe o gado; curral, estábulo”. Porém, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo.

Os cristãos já celebravam a memória do nascimento de Jesus desde finais do séc. III, mas a tradição do presépio, na sua forma atual, tem as suas origens no século XVI. Antes dessa época, o nascimento e a adoração ao Menino Jesus eram representadas de outras maneiras. As primeiras imagens do que hoje conhecemos como presépio de natal foram criadas em mosaicos no interior de igrejas e templos no século VI e, no século seguinte; a primeira réplica da gruta no Ocidente foi construída em Roma.

Este ano, a CDL de Ilhéus, através de seu presidente, o empresário e professor Marcelo Oliveira, organizou e promoveu, juntamente com as empresas associadas, a exposição de um presépio em tamanho natural, na Praça Dom Eduardo. O presépio é um trabalho artesanal do artista plástico Joferson Ferreira, também conhecido como Jó.

Jó nasceu na vizinha cidade de Buerarema, berço de muitos artistas conhecidos e de muita arte, região lindamente cantada por Marcelo Ganem. Segundo Pawlo Cidade, o interesse de Jó pela arte nasceu, quando criança, ao visitar as Feiras de Arte daquele município, promovidas pelo Grupo de Arte Macuco. Sua opção é, no mínimo, sui generis; seu trabalho é realizado em papel, usando a reciclagem como meio de promover – como ele mesmo diz: “uma arte diferenciada”. Jó percebeu que com o papel podia fazer o que desejasse, desde pequenos souvenirs, a móveis domésticos. Praticamente não há limite para o que sugere sua imaginação.

Sua arte cria interface com a Educação Ambiental, produzindo animais da mata atlântica, do serrado e da caatinga, mas também abusa da criatividade quando nos brinda com suas produções pedagógicas, a exemplo dos jogos educativos que vão desde quebra-cabeças a peças de xadrez. Jó também já concebeu inúmeros cenários para diversos espetáculos de teatro e dança da região, como “O Contador de Histórias Grapiúnas”, de José Delmo e “Arapuca” de Pawlo Cidade.

Em quase vinte anos de dedicação à arte de criar, seu trabalho já percorreu exposições em Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista, Viçosa, Camacã, Itabuna e Ilhéus. Sua mais nova criação, o presépio em tamanho natural é uma obra que merece nossos aplausos.

Parabéns à diretoria da CDL pela iniciativa de retomar uma tradição cultural de nossa cidade, bem como por valorizar um artista local, que não mede esforços na sua caminhada, para nos presentear com o que há de melhor!

EUSÍNIO GASTON LAVIGNE

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No dia 18 de dezembro tivemos o lançamento do livro “Eusinio Lavigne – paradigma de caráter e honradez”, escrito pelo Dr. José Léo Lavigne, pai dos amigos Eusinio Lavigne Neto, e José Léo, e filho do prefeito Eusinio Lavigne. Conheci Dr. Léo há mais de dez anos, quando estava escrevendo o livro sobre os 60 anos do Instituto Municipal de Ensino (IME), em 1998. Àquela época fiz uma entrevista com ele querendo saber das obras de seu pai, da sua vida, como ele era.*

Uma coisa me chamou atenção e eu nunca esqueci. Foi quando ele disse que seu pai saiu mais pobre da prefeitura, ou seja, quando entrou possuía quatro fazendas, quando saiu havia vendido duas. Eusinio foi Intendente de Ilhéus e depois Prefeito. Ele pegou a mudança de nome – de Intendente para Prefeito. Entrou em 1930 e saiu deposto em 1937, pelo governo Vargas.

Do Dr. José Léo recebi uma pequena carta, que muito me emocionou. Tomo a ousadia de transcrevê-la, sem pedir licença. Diz ele:

 

 

Professora Maria Luiza Heine,

Saudações.

Quando a senhora teve a gentileza de me procurar, em Salvador, para coletar dados sobre a vida de meu pai, eu não tinha em mente, naquele momento, nenhum fato relevante para relatar. No entanto, sugeri que a senhora procurasse o Dr. Orlando Lavigne de Souza, que foi a fonte principal de que me servi ao resolver escrever esta biografia. Resolução que sobreveio somente depois que li o seu valioso e prazeroso livro: “IME – o sonho de Eusinio Lavigne”, e que é comentado neste livro do convite, que segue em anexo. De modo que, a rigor, a senhora foi um dos responsáveis por eu ter escrito esta obra literária.

Com os protestos de consideração e estima, subscrevo-me, atenciosamente, José Léo Lavigne.

 

Dados pessoais do autor: José Léo Lavigne nasceu na cidade do Salvador, no dia 3 de janeiro de 1922, filho de Eusinio Gaston Lavigne (advogado) e Odília Teixeira Lavigne (médica). Viveu a infância em Ilhéus até os 13 anos, juntamente com seu irmão caçula Gastão Luiz Lavigne, agrônomo já falecido, quando foi estudar em Salvador no ginásio Americano.

Formou-se em Medicina, em 1948 pela Faculdade de Medicina da Bahia. Clinicou nos municípios de Amargosa e Tucano, no Jorro, estância hidromineral. Foi médico da Petrobrás e cirurgião geral do Serviço de Urgência do Hospital Getúlio Vargas, em Salvador, por cerca de 20 anos. Aposentou-se no final da década de setenta.

Nosso escritor se casou em 1953 com a prima Josephina Teixeira Lavigne, com quem teve quatro filhos: Eusinio e André Luis, médicos e José Léo e Marcus, advogados.

No ano de 2003, quando sua esposa faleceu, Dr. Léo se mudou para Ilhéus. Hoje, aos 87 anos de idade, está lúcido, ativo e vibrante; escreve artigos sobre o cacau e sobre assuntos políticos nacionais no jornal “Agora”.

Sobre o livro em questão, podemos dizer que é uma obra de “peso”, robusta; são 500 páginas, onde o autor trata de assuntos variados. Fala do seu pai com imenso amor, realçando, sobretudo, seu caráter e honestidade. Conta da chegada do primeiro Lavigne (Louis Gaston, seu avô), fugido da França por perseguição política. Seus pais, Luiz e Leonina, eram agricultores, proprietários da Fazenda Ponta Grossa, às margens da Lagoa Encantada.

Dr José Léo Lavigne, com a edição deste livro, nos dá uma grande lição – nunca é tarde para começar um ofício. Mesmo aproximando-se dos 90 anos foi capaz de se dedicar com afinco a escrever uma obra para lembrar e homenagear aquele que foi um grande prefeito de Ilhéus, seu pai, Eusinio Lavigne.

José Léo Mario Pessoa

*Na foto, da esquerda para a direita: Dr. André Rosa, Dr. Mário de Castro Pessoa (filho de Mário Pessoa) e o autor Dr. José Léo Lavigne (filho de Eusinio Lavigne), por ocasião do lançamento do livro Múltiplos olhares…

FELIZ NATAL A TODOS!

Amigos leitores,

Estive ausente por uma semana, pois estava viajando. Agora estou de volta e retomarei minhas atividades.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos os leitores deste site, um…

FELIZ NATAL

E

UM 2010 CHEIO DE PAZ, AMOR, SAÚDE

E TUDO DE BOM.

E QUE OS SERES HUMANOS ENCONTREM O ENTENDIMENTO

PARA CONSTRUIR

UM PLANETA MELHOR!

O NATAL DEVE SER UM TEMPO

DE REFLEXÃO SOBRE A MENSAGEM DE AMOR

DEIXADA POR

JESUS CRISTO

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