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CONVITE

“Apoiar a cultura é tão importante quanto fazê-la”

Esta semana recebi um convite muito especial. Foi Soâny Marry quem enviou.

Diz o convite:

O projeto sócio-cultural Criança Arte-Dança, está presente em Ilhéus desde 2006, atuando em 24 escolas municipais, atendendo a 2000 crianças. E convida para participarmos do espetáculo cultural infantil “Conhecendo o Folclore”.

Será no Teatro Municipal de Ilhéus, no dia 23 de novembro, às 17 horas.

 

PRESTIGIE NOSSAS CRIANÇAS, POIS SABEMOS QUE

DELAS DEPENDE O FUTURO DA NAÇÃO

 

Estas ações precisam contar com nosso apoio. Cuidar de nossas crianças não é só uma opção, mas, obrigação de cada um de nós.

O TURISMO EM ILHÉUS

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O verão está chegando e, com ele a chamada alta temporada do turismo. Duas perguntas ficam no ar: 1) Por que o turismo de Ilhéus não deslancha? 2) Que tipo de turismo se pode fazer aqui?

É óbvio que se eu tivesse a resposta, talvez estivesse ganhando dinheiro com consultoria, talvez estivesse rica…

Que a cidade é bonita, ninguém tem dúvidas, mas, não é só beleza que atrai o turista; que tem muito a oferecer ao turista, também não se pode negar. O que é então que está faltando? Não vou tentar responder, vou deixar a pergunta no ar, para que cada um tire suas conclusões. Vou apenas falar de alguns “produtos” que temos para oferecer ao turista.

Entre os anos de 2002 e 2004 fiz minha pesquisa para o Mestrado, que fala da possibilidade do turismo cultural na cidade de Ilhéus. Na época encontrei um guia turístico publicado pela Bahiatursa, em 1991, edição especial para a Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (ABAV), que tem uma matéria sobre Ilhéus dizendo o seguinte: “Decidida a tornar-se o segundo principal polo turístico da Bahia, depois de Salvador, Ilhéus cresce a passos largos. Dona de uma beleza natural deslumbrante, a cidade exibe um cenário urbano onde o novo e o antigo convivem harmoniosamente” (p. 155). Confesso que fiquei perplexa quando li esta notícia. No meu imaginário, na década de noventa, Porto Seguro já havia deixado nossa cidade para trás.

Naquela época havia uma expectativa maior em relação a Ilhéus, pois a mesma possuía uma boa infra-estrutura com porto, aeroporto, hospitais; hotéis e pousadas estavam sendo construídos, além de todo o suporte necessário para atender ao turista. Porto Seguro, no início dos anos 80, era apenas um vilarejo sem essa organização necessária que requer o turismo.

Não se pode falar em turismo como uma coisa única, fechada em si mesma. Existem segmentos de turismo que podem ser utilizados por uma cidade, dependendo de suas possibilidades. A cidade de Aparecida, em São Paulo, tem como fonte de renda um turismo religioso muito forte. Em Bonito, no Mato Grosso do Sul, a atração está nas belezas naturais, como também na Chapada Diamantina.

O que Ilhéus possui para oferecer ao turista? O maior litoral de praias da Bahia. Esse é um ponto muito forte e, de certa forma, nem precisa ser formatado. Mas precisa de cuidados, de boas barracas que ofereçam bom serviço.

A Baía do Pontal é outro ponto interessante que poderia ser explorado com pequenas embarcações levando e trazendo pessoas; a utilização de jet sky, wind surf, dentre outras práticas náuticas de pequeno porte.

No interior do município as possibilidades são muitas, sendo a Lagoa Encantada a principal delas, com as cachoeiras, o ribeirão das Caldeiras e as lendas que povoam o imaginário popular. O povoado do Rio do Engenho com uma das capelas mais antigas do Brasil, simples, é verdade, mas uma autêntica capela rural do Brasil colonial. O sítio histórico, local onde existiu o Engenho de Santana, que existiu por mais de trezentos anos, o que é considerado um feito empresarial raro, à época.

Entretanto, acredito que nosso maior tesouro é nossa história ligada ao cacau, que foi o que promoveu o desenvolvimento local. Não devemos esquecer nosso patrimônio cultural, como importante vetor para o turismo.

Existem outras modalidades de turismo, o de eventos, que é hoje um ponto forte de qualquer cidade que queira assumir esta vertente. Não é uma ação fácil, mas nada está fácil nos dias atuais. Deve haver uma ação conjunta entre o poder público e a iniciativa privada. A imagem que me vem é a de uma orquestra; para que haja harmonia é preciso que todos toquem a mesma música. Se cada componente tocar uma música diferente, simplesmente não há música.

A educação deve entrar como fator determinante. Não pode haver desenvolvimento sem educação. É fundamental ensinar às crianças que preservar o acervo cultural do seu grupo social é tarefa de toda a comunidade, pois este é revelador, é referencial para a construção da identidade histórico-cultural de cada membro do grupo. A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, traz em seu texto uma nova preocupação com o patrimônio cultural de todas as regiões do país. Já não deverão ser preservados só os prédios considerados excepcionais, mas todos aqueles que a comunidade julgar importantes. PRESERVAR É NÃO DERRUBAR.

Portanto… vamos à luta!

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PRÓXIMO DE COMPLETAR 101 ANOS DE IDADE

 

Portrait de l'ecrivain Claude Levi Strauss. © Effigie/ Leemage  Noticias:

Estamos lançando um novo espaço com notícias que consideramos importantes

 

  «Se me tornei antropólogo é porque as outras sociedades me interessavam mais do que a minha»

“A sua obra, com uma mensagem humanista e de alcance universal, transformou a nossa visão do Mundo. Interessado em todas as civilizações, ele ensinou-nos a complexidade dos mitos e a diversidade das culturas, assim como sua fragilidade”. As frases são de Koichiro Matsuura, director-geral da Unesco, e foram proferidas durante a homenagem que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura decidiu fazer a Claude Lévi-Strauss. Graças ao antropólogo francês “sabemos que a riqueza da Humanidade reside na sua diversidade e na sua capacidade de sempre reconhecer o lugar do outro”.

O Brasil foi fundamental para a sua obra, diz a Folha de São Paulo.

O antropólogo viveu no Brasil entre 1935 e 1941 e foi um dos professores fundadores da USP, onde ensinou Sociologia.

É considerado um dos maiores antropólogos do mundo.

 

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  Claude Lévi-Strauss em sua expedição para conhecer os índios brasileiros

O COMEÇO DO BRASIL

CURIOSIDADES:

Há alguns dias encontrei um jovem que sorriu ao me cumprimentar e disse: “Gosto muito do que você escreve e quase todos os dias visito seu blog”. Quem não ficaria feliz com tal cumprimento? Isto me deu enorme responsabilidade. E eu pensei cá com meus botões: preciso escrever com mais frequência sobre a história de Ilhéus. Foi então que idealizei este quadro, ao qual dei o nome de “curiosidades”, onde estarei escrevendo pequenos comentários sobre trechos de livros que falam da história de nossa cidade.

Dedico este espaço do meu blog ao jovem José Ricardo e a todos os jovens que amam a história de nossa cidade.

CRÔNICA DA CAPITANIA DE SÃO JORGE DOS ILHÉUS – livro de João da Silva Campos – começa com o seguinte texto:

“O abandono votado pela coroa lusitana às terras da Santa Cruz nos tempos que se seguiram de perto ao descobrimento de Cabral é de uma só maneira explicado por todos os historiadores: Portugal achava-se deslumbrado pelas riquezas da Índia, pela opulência dos seus reinos, pela magnificência das suas cidades, pela abundância dos seus ótimos produtos cuja exploração prometia lucros incalculáveis ao erário real.

Depois de ouvir as informações que sobre a presumida ilha lhe trouxera o capitão da esquadrilha exploradora de 1501, el-rei Dom Manoel concluiu pela não conveniência de distrair recursos aplicáveis na conquista e ocupação das maravilhosas paragens do Oriente remoto para colonizá-la. Mas, não era somente, não lhe convir. Era-lhe também dificílimo fazê-lo, pois a conservação das terras indostânicas estavam a exigir-lhe esforços ingentes e contínuos, tendo nelas empenhados quase todos os seus navios e copiosa gente de guerra, além de numeroso funcionalismo e clerezia, que demasiadamente pesavam sobre sua fazenda. Chegavam as frotas da Índia e Lisboa pojadas de pimenta, cravo, canela, sândalo, âmbar, anil, peles, tapetes, sedas, cambraias e outros panos de preço, marfim, porcelanas, gemas, ouro, pérolas, ébano, cânfora, bórax, almíscar, cera, laca, elefantes, cavalos árabes, e o mais. O que tudo se vendia prontamente e por altíssimos preços. Que lhe oferecia o descoberto cabralino? Pau-brasil, canafístula* e papagaios”.

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Portugal achava-se tão deslumbrado pelas riquezas encontradas nas Índias, que não deu nenhuma importância às terras do Brasil. Tudo naquele lugar exercia enorme atração sobre os portugueses, principalmente as especiarias que se transformavam em dinheiro na Europa. Quanto ao Brasil, parecia ser uma ilha que só possuía pau-brasil, árvores ornamentais e papagaios. As ditas especiarias eram muito variadas e valiosas.

*Designação de várias espécies ornamentais e cultivadas do gênero Cassia, da família das leguminosas. São árvores providas de belas flores amarelas ou róseas e ordenadas em grandes cachos (Aurélio).

Adonias Filho

Adonias_Filho1 Academia de Poetas e Prosadores é o título da crônica escrita, em 1984, pelo professor Francolino Neto, e publicada no livro Estante da Academia (p. 27). Diz ele: “Temos recebido comunicações em prosa, além de inúmeras colaborações em versos, muitos dos quais inéditos. Vê-se, pois, que há muita gente nesta Região Cacaueira, cultivando as Letras, esperando, bem se vê, a oportunidade para publicação”. E Adonias Filho, dizem, quando alguém lhe perguntou sobre o que a região produzia, além de cacau, respondeu: escritores. Creio que tinha razão. Pois o cacau está nesta situação de penúria que todos conhecemos, mas os escritores continuam escrevendo, correndo atrás de conseguir publicar seus escritos. Pois, se hoje as coisas estão mais fáceis, por conta do computador, publicar continua sendo difícil.

Já àquela época haviam questionamentos sobre quem poderia se tornar acadêmico. E responde Francolino: “Talvez pelo fato de a A.L.I. surgir sob a égide de Castro Alves, o poema, em estrofe cristalina, como dizia Bilac, tem sido mais presente ao ourive [...]”. E continua afirmando que a Academia de Ilhéus possui, no seu quadro, “prosadores internacionalmente conhecidos, tais como, Jorge Amado, Hélio Pólvora, Adonias Filho, Jorge Calmon e outros”.

O patrono de Jorge Amado era o grande poeta Castro Alves; o de Adonias era prosador, Bernardino José de Souza. Os outros patronos foram: Afonso Costa, Afrânio Peixoto, Almáquio Dias e Aloísio de Carvalho; Clarêncio Baracho, Antonio Pessoa da Costa e Silva, Arlindo Fragoso, Artur de Sales, Carlos Chiachio, Carlos Ribeiro e Carneiro Ribeiro; Ciridião Durval, Domingos Guimarães, Eduardo Ramos, Epaminondas Berbert de Castro, Fernando Caldas, Ferreira da Câmara, Filinto Bastos e Francisco Borges de Barros; Francisco Mangabeira, Gutemberg Berbert de Castro, João Florêncio Gomes, João da Silva Campos, José Bastos, José de Sá Nunes, Junqueira Freire e Manoel Quirino; Marquês de Paranaguá, Napoleão Level, Pethion de Vilar, Rui Penalva, Sá e Oliveira, Simões Filho, Teodoro Sampaio, Vasconcelos de Queiroz, Virgilio de Lemos, Visconde de Cairu e Xavier Marques.

Ficam algumas perguntas. Quem foram esses homens? O que fizeram para serem escolhidos patronos da academia? Para alguns a resposta é evidente, como é o caso de Castro Alves e Rui Barbosa. Alguns ainda são lembrados como o Marquês de Paranaguá, Afrânio Peixoto, Visconde de Cairu… mas, e os outros? Acredito que seria interessante procurarmos conhecê-los, não foi à toa que eles foram escolhidos. Antonio Pessoa da Costa e Silva, o Coronel Pessoa, já foi assunto de matéria nossa; foi intendente, é nome de praça, é mais conhecido; Napoleão Level, também já foi matéria. Foi um dos maiores engenheiros navais do Império, e nasceu em Ilhéus, no ano de 1828.

Aquela praça onde está localizada a rotatória que leva ao Pontal, onde está localizado o prédio da Ceplac e já foi estação do trem, se chama Praça Cairu. Mas, afinal, quem foi o Visconde de Cairu?

Seu nome é José da Silva Lisboa e nasceu em Salvador em 16 de julho de 1756. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de agosto de 1835. Foi economista, historiador, jurista, publicista e um político de grande atividade na época da Independência do Brasil. Ocupou diversos cargos na administração econômica e política do Brasil. Segundo dados retirados da Internet, foi Deputado da Real Junta do Comércio e Desembargador da Casa da Suplicação, quando a corte portuguesa foi instalada na cidade do Rio de Janeiro, em 1808. Foi um homem leal a D. João VI e a D. Pedro I, colaborando diretamente na redação dos decretos que ditaram a abertura dos portos brasileiros e o levantamento da proibição de instalação de manufaturas no Brasil. Por conta de sua atitude favorável ao desenvolvimento econômico da colônia portuguesa, acabou por contribuir para a criação das condições indispensáveis para a independência do Brasil.

No ano de 1832 empenhou-se pela criação de uma Universidade no Rio de Janeiro, o que só foi concretizado cem anos depois com a fundação da UFRJ. O Visconde de Cairu foi patrono da cadeira número 39, cujo fundador e atual ocupante é José Cândido de Carvalho Filho.

O patrono da cadeira número 02 da ALI é o baiano de Lençóis, (Júlio) Afrânio Peixoto, médico legista, político, professor, crítico, ensaísta, romancista e historiador literário. O ilustre baiano nasceu em 14 de dezembro de 1876 e faleceu no Rio de Janeiro em janeiro de 1947. Diplomou-se em Medicina em 1897, como aluno laureado, defendendo a tese Epilepsia e crime. Em 1910 foi eleito para a Cadeira n° 7 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Euclides da Cunha. O fundador desta cadeira foi o advogado criminalista e professor Francolino Neto. Seu atual ocupante é o professor Claudio Silveira.

Afranio-Peixoto1
Afranio Peixoto
Visconde de Cairu e José Binifacio       

 

           

 

 

 

 

                      Visconde de Cairu e J. Bonifácio

A VINGANÇA DE GAIA

Terra

Se me pedissem para mencionar a data mais importante da História e Pré-história da raça humana, eu responderia sem a mínima hesitação: o dia 6 de agosto de 1945. A razão é simples. Desde o alvorecer da consciência até o dia 6 de agosto de 1945, o homem precisou conviver com a perspectiva de sua morte como indivíduo. A partir do dia em que a primeira bomba atômica sobrepujou o brilho do Sol em Hiroshima, a humanidade, como um todo, deve conviver com a perspectiva de sua extinção como espécie. (Arthur Koestler).

Há algum tempo, não lembro quanto, abri uma revista que publicava uma entrevista com o cientista inglês James Lovelock, que estava no Brasil. Como o assunto me interessou – questões ambientais – li a entrevista e mandei buscar o livro que dá título a esta matéria: A Vingança de Gaia.

O livro é de leitura fascinante; daqueles que temos dificuldade de largar. É a constatação de que o homem, ao buscar dominar a natureza, o que está conseguindo é enfurecê-la e torná-la passível de vingança. Não uma vingança consciente e com requintes de maldade. Mas uma vingança natural, daquela que Newton já previu no século XVIII: a cada ação, corresponde uma reação de igual intensidade, de mesma direção e de sentido contrário – a chamada terceira Lei de Newton, que vale não só para a física, mas para muitas outras coisas que fazemos na vida.

Diz Lovelock: “Durante milênios, a humanidade vem explorando a Terra sem ligar para o custo. Agora, com o aquecimento do mundo e a drástica mudança dos padrões climáticos, a Terra está começando a reagir”. James Lovelock é considerado um dos grandes nomes do pensamento ambiental, e escreveu este livro aos 86 anos de idade, após uma vida dedicada à ciência.

No final do século XVIII, o economista britânico Thomas Robert Malthus se tornou famoso por conta dos seus estudos sobre a população. Ele afirmava que o excesso populacional era a causa de todos os males da sociedade; e que a população cresce em progressão geométrica, enquanto a oferta de alimentos cresce em progressão aritmética, ou seja, a população cresce muito mais que a oferta de alimentos. Malthus opunha-se à distribuição de alimentos a todos aqueles que não fossem miseráveis, pois acreditava que a ajuda humanitária poderia significar um estímulo para o nascimento de mais crianças pobres. Na contramão da história, o governo brasileiro adotou esta prática assistencialista como regra a ser seguida, estimulando a “parição” de qualquer forma, sem planejamento e sem responsabilidade.

Por outro lado, em 1957, o brasileiro Josué de Castro escreveu “O Livro Negro da Fome”. Naquele momento a situação relacionada aos alimentos, no mundo, era muito preocupante. “Tratava-se de um documento de cerca de 30 páginas apenas, no qual procuramos com rigorosa objetividade apresentar a situação alimentar do mundo, com suas graves implicações políticas e sociais”; era importante recomendar a necessidade de que fosse coordenado um movimento de fatores que determinaram a existência da fome universal como a mais típica e a mais trágica manifestação. O objetivo principal é demonstrar que fome e subdesenvolvimento são uma coisa só e que a única forma de escapar da fome passa, necessariamente, pela emancipação econômica.

A continuação da história parece desmentir a teoria do inglês Malthus e do nosso Josué de Castro. A revolução verde dos anos sessenta mostrou a capacidade do homem de reescrever sua história. Com o desenvolvimento da produtividade o homem viu crescer a possibilidade de produção de uma forma espetacular. Com a descoberta de novas formas de cereais modificados geneticamente, ou não, apenas escolhendo-se as espécies mais produtivas, o homem aumentou a possibilidade de alimentar a si mesmo e a todos os outros. Em nenhum outro tempo, na história da humanidade, conheceu-se tanta fartura e diversidade. A conseqüência, contraditoriamente, foi um grande contingente de pessoas obesas.

Se em cada localidade a alimentação era a que oferecia a natureza daquele lugar, as pessoas com menos de trinta anos no final do século vinte, não tem noção de como era viver em outra época; ninguém pode imaginar que, no final dos anos sessenta, na cidade do Rio de Janeiro, local onde eu morava, faltava carne, açúcar e até água nas torneiras.

Hoje é possível, no Brasil, comer, em uma mesma refeição, feijão brasileiro, arroz tailandês e carne argentina, além de muitas outras coisas; tudo acompanhado de vinho chileno, azeite grego, e água mineral francesa.

Mas, lamentavelmente, não se pode afirmar até quando a fartura vai permanecer. A África da segunda metade do século vinte jamais conheceu a abundância da revolução verde. A National Geographic de junho de 2009 publicou uma matéria, cujo título “A fartura acabou” é muito clara. Grande parte da população do mundo já experimenta a escassez de alimentos; além de enfatizar que o abismo entre pobres e ricos aumenta a cada dia.

Voltando a Lovelock, “não apenas a humanidade está na iminência de destruir a si e à Terra, mas a maioria das soluções alternativas que tem sido propostas, ou já adotadas, são também equivocadas. Precisamos tomar uma ação drástica agora para salvaguardar o futuro da vida humana. Gaia, a Terra viva e auto-reguladora, se defenderá como sempre. É muita pretensão nossa achar que não”.

Nossa esperança é que o ser humano acorde a tempo, ou que estejamos equivocados…

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  A CHEGADA DAS MULHERES  

O professor Francolino Neto, em seu livro Estante da Academia, tem uma crônica intitulada “Mulheres provocam tarde de soneto” (p. 48). Nela diz o escritor acadêmico: “Assunto que vem provocando hilariantes polêmicas nas Academias de Letras, no Brasil, tem sido o ingresso de pessoas do sexo feminino como Membro Efetivo”. Com todo o respeito que tenho pelo homem, professor, advogado e acadêmico Francolino Neto, encontro certo desconforto em sua afirmativa; resquício de machismo, onde existiam papéis diferentes por gênero? Esta pergunta vai ficar sem resposta, mas a expressão “hilariantes polêmicas”, não consigo entender. Mais adiante ele afirma que a ABL evitou a presença de mulheres. É bom que fique claro que não estou criticando meu professor de Português, mas analisando a questão do machismo, ainda num passado recente.

Ele conta que, em 1959, quando da fundação da ALI o assunto foi discutido. E diz: “Entretanto, sob sugestão da maioria dos Fundadores da entidade, o mesmo foi transferido para época posterior, aguardando, por certo, decisões de ambientes semelhantes mais antigos. E a espera foi longa”. Podemos afirmar aqui que, se a Academia Brasileira não possuía mulheres em seus quadros, como a de Ilhéus ousaria ter?

Foi Plínio de Almeida o primeiro a cobrar da ALI a decisão de abrir as portas para as mulheres. Os que aprovaram a decisão foram chamados pelo professor Francolino de “vanguardeiros” e, a primeira mulher a ingressar na Academia de Ilhéus foi Janete Badaró como “POETA, e não mais poetisa” (sic), diz ele. O acadêmico Amilton Ignácio de Castro foi um dos que aprovou a medida e, na tarde de sonetos, “provocada pelas mulheres”, declamou um poema que diz:

  Pode-se agora imaginar a enchente

Quando cada imortal tiver ao lado

Em maxi, mini ou short bem pra frente

A confreira a mantê-lo motivado.

 

O fato foi tão importante que o jornal Diário da Tarde registrou o episódio, relatando sobre os acadêmicos presentes que dedicaram à mulher o poema que recitavam. O Prof. Francolino não data a entrada de Janete Badaró, mas pode ter sido em 1984.

No site http://www.academia.org.br/abl, o escritor Alberto Venancio Filho publicou uma monografia intitulada “As mulheres na Academia”, onde afirma que, o ingresso das mulheres na Academia percorreu um longo caminho. Mas, desde a fundação da ABL, em 1897, o tema foi apreciado.

Antes disso, na década de 1860, o jovem Machado de Assis escrevia ressaltando o valor das escritoras femininas. No Diário do Rio de Janeiro louvava o talento dramático de Maria Ribeiro, autora de peças teatrais abolicionistas e de Dionísia Gonçalves Pinto, que escrevia com o pseudônimo de Nísia Floresta. Esta escritora nasceu no Rio Grande do Norte, dirigiu vários colégios de moças no Recife, mas depois foi para a Europa e viveu na França, na Itália e na Alemanha. Foi na Europa que publicou grande parte da sua obra, em francês e italiano.

Muito interessante as informações dadas pelo autor sobre a grande e até, ferrenha luta, para se conseguir abrir uma vaga para as mulheres na ABL; foram quase 80 anos. A primeira mulher recebida na Academia Brasileira de Letras foi Rachel de Queiróz, que foi saudada no dia 4 de novembro de 1977 pelo nosso Adonias Filho. Afirma o autor citado: “mas em nenhum dos dois discursos se fez referência à controvérsia”.

Hoje muitas mulheres ocupam estas cadeiras, tanto na ABL como na ALI. Na academia de Ilhéus, depois de Janete Badaró, vieram: Neuza Maria Kerner Vieira, Maria Luiza Heine, Maria Luiza Nora de Andrade, Maria Schaun, Zélia Gattai e Eliane Sabóia. Zélia ocupou a vaga do seu marido, Jorge Amado, na ABL, na ALI e também na Academia Baiana, localizada em Salvador.

É sempre bom lembrarmos, de vez em quando que, apesar de tudo, a mulher ainda tem muito a conquistar.

nkerner   Zelia

Dando continuidade a estes nossos escritos, vamos abordar hoje a formação da Academia de Letras de Ilhéus. Quantos membros ela tem? Quem pode se candidatar? Qual o modelo utilizado?

A palavra vem do grego akademía e do latim academia; segundo o Aurélio, foi uma escola criada por Platão no ano de 387 a.C. e estava localizada nos jardins consagrados ao herói ateniense Academus. Oficialmente a finalidade da escola era cultuar as musas, mas teve intensa atividade filosófica. Por extensão passou a significar escola de qualquer filósofo e, posteriormente, estabelecimento de ensino superior de ciência e arte; significa também, sociedade ou agremiação, particular ou oficial, com caráter científico, literário ou artístico.

Diz o ilustre acadêmico e saudoso professor, Francolino Neto: “a Academia de Letras de Ilhéus tomou como paradigma a Academia Brasileira de Letras, passando a ter, apenas, quarenta fundadores.” Por sua vez a ABL tomou como modelo a Academia Francesa.

A ALI tem, pois, 40 “cadeiras”. Este é o nome dado às vagas que existem para serem ocupadas. Cada cadeira possui um fundador, um patrono e um ocupante. Patrono é o “padrinho” da cadeira, fundador, o que ocupou a cadeira na época da sua fundação e ocupante, o que a ocupa no momento, o que é eleito ao longo do tempo quando a cadeira fica vaga. A cadeira só é desocupada quando o ocupante passa para o andar de cima.

Os fundadores da Academia de Letras de Ilhéus foram, em ordem pela numeração, de 1 a 40: Carlos Monteiro, Francolino Neto, Fernando Diniz Gonçalves, Wilde Oliveira Lima, Clarêncio Baracho, Leones da Fonseca, Flávio Jarbas, Sosígenes Costa, Adonias Filho, Camilo de Jesus Lima, Washington Landulfo, Nelson Schaun, Jorge Amado, Abel Pereira, Gileno Amado, Nilo Pinto, Raimundo Brito, Joaquim Lopes Filho, Eusinio Lavigne, Jorge Fialho, Paulo Cardoso Pinto, João Mangabeira, Ramiro Berbert de Castro, Otávio Moura, Plinio de Almeida, José Nunes de Aquino, Heitor Dias, Orlando Gomes, Caetano Antonio Lima dos Santos, Leopoldo Campos Monteiro, Amilton Ignácio de Castro, Flavo de Paula, Francisco Paulo Teixeira, Carlos Pereira Filho, Milton Santos, Halil Francisco Medauar, Nathan Coutinho, Nestor Passos, José Cândido de Carvalho Filho e Osvaldo Ramos.

Estão aí, quarenta homens ligados às letras que decidiram fundar a Academia de Letras de Ilhéus. Dos quais, metade são desconhecidos para mim, do que fizeram para estar entre o seleto grupo. Gostaria muito de saber um pouco de cada um. Dos fundadores apenas dois permanecem entre nós: Caetano Antonio Lima dos Santos e José Cândido de Carvalho Filho; o primeiro foi bispo desta diocese e largou a batina para se casar – hoje é professor e reside em Belo Horizonte. O outro está sempre em contato conosco e, recentemente, foi homenageado pela Justiça Federal de Ilhéus, quando foi dado o seu nome ao prédio da instituição nesta cidade.

A outra pergunta “quem pode se candidatar?” é interessante, pois a maioria das pessoas pensa que só escritores com livros publicados podem fazê-lo. Não é bem assim. A academia, não só a de Ilhéus, mas a brasileira, que fica no Rio de Janeiro, tem entre os seus membros pessoas que nunca publicaram nem uma linha. Mas são pessoas ligadas à cultura e à arte, que tenham obras merecedoras de homenagem. Jornalistas, literatos, pessoas cujo trabalho mostre seu amor ou dedicação pela expressão cultural, erudita ou popular.

Outro ponto interessante a ser abordado é a questão de se permitir, ou não, o ingresso de mulheres na academia. Inicialmente o grupo era formado somente por homens, seguindo a tradição da ABL. Esta não permitiu, durante longo tempo, o ingresso de mulheres. Sobre isso diz o professor Francolino: “Desde o seu início, quando o presidente do silogeu era Machado de Assis, a mulher não conseguiu assinar termo e tomar posse no mesmo”.

Os tempos mudaram. As mulheres escrevem, publicam, e já estão presentes, na ABL e na Academia de Ilhéus.

Semana que vem tem mais.

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  Os acadêmicos reunidos em 1998. Mário de Castro Pessoa, João Hygino Filho, Francolino Neto, Maria Luiza Heine, Jabes Ribeiro, Hélio Pólvora e Antonio Lopes.  

Hoje é palavra de ordem a questão ambiental. Todos falam, muitos opinam, mas poucos estão conscientes, esta é a verdade. Cheguei a esta conclusão a partir das opiniões que escuto. É muito grande o número de pessoas que afirma: é verdade que o problema existe, mas há muito exagero. Pessoalmente acredito que ainda se fala muito pouco e as ações ainda são pontuais.

A opção ainda é pelo desenvolvimento a qualquer preço. Na ânsia de resolver as questões econômicas, que são graves, as pessoas acreditam que a solução é o desenvolvimento.

A meta das empresas é crescer, aumentar as vendas, se possível “enxugando” o quadro de pessoal. Ou seja, enquanto a população do mundo aumenta, as empresas querem vender mais, empregando menos. No meu pouco conhecimento sobre a matemática, esta é uma equação que não fecha. As empresas querem o crescimento das vendas, aumentar os lucros e o número de clientes, mas o que vemos aumentar mesmo, é uma população carente que não tem dinheiro, nem para comprar comida.

A miséria humana também é parte das questões ambientais e, a meu ver, o contingente populacional humano, existente no mundo é um fator preocupante. Ao final da Segunda Guerra, quando da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), os países participantes daquela reunião histórica concordaram que a paz dependia da harmonia entre os povos e, que esta, só poderia ser conseguida através da diminuição das desigualdades existentes no planeta. De lá para cá pouco mudou.

No início do século XX, a população mundial contava dois bilhões de habitantes; segundo a ONU, antes daquele século terminar, ultrapassamos a marca dos seis bilhões de habitantes, dos quais mais de dois bilhões abaixo da linha de pobreza. A projeção é chegarmos ao incrível número de nove bilhões de habitantes no ano de 2050.

Estas pessoas devem comer. A agricultura, que promoveu um “verdadeiro milagre” na segunda metade século XX, para continuar crescendo, precisa de mais terra – mais transtorno para o meio ambiente. As florestas, que regulam o sistema de chuvas, continuam a ser derrubadas.

Nem todos sabem que o norte da África se transformou em deserto há cerca de 7 mil anos, apenas. A região da antiga Mesopotâmia, atual Iraque, também foi desertificada.

Se o Brasil possui hoje a maior reserva de água doce do planeta, nada nos garante que esta situação vai continuar por muito tempo. O Aquífero Guarani que contém uma quantidade imensa de água mineral, após poucos anos de uso, cada vez mais freqüente, já tem seu volume diminuído.

É verdade que já havia uma tendência natural para mudanças no planeta, afinal ele é um organismo vivo, dinâmico e não estático, cristalizado.

As notícias de alerta, que acendem o sinal vermelho, são muitas. Os tsunamis na Ásia estão cada vez mais freqüentes; as camadas de gelo nas calotas polares diminuem a uma velocidade cada vez maior; no sul do país estão ocorrendo furacões, o que era impensável há muito pouco tempo; as mudanças do regime de chuvas, a diminuição da camada de ozônio, as questões ligadas ao lixo, cada vez mais volumoso, são questões que não podemos deixar de levar em consideração.

Esta semana vimos uma notícia publicada na internet que demonstra o quanto a situação é crítica: na Jordânia, próximo à capital Amã, aconteceu um repentino aumento de temperatura que chegou a 400 graus centígrados. Não errei no número não, é isso mesmo – 400 graus Celsius. A causa ainda está sendo investigada, mas o fenômeno ocorreu quando algumas ovelhas, que pastavam na região da província de Balga, ao entrarem no terreno, enquanto pastavam, “foram completamente queimadas e desapareceram”.

Estes são apenas alguns pontos. Muito mais coisa poderia ser levantada. E ainda se diz que a questão ambiental não é séria?

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RUI BARBOSA

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. *

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Na semana passada falamos sobre Castro Alves, um dos patronos da Academia de Letras; o outro patrono é Rui Barbosa, jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador.

Rui Barbosa de Oliveira nasceu em Salvador no dia 5 de novembro de 1849, na rua dos Capitães, freguesia da Sé, cidade do Salvador, Província da Bahia. Atualmente é chamada de rua Rui Barbosa.

Nosso Rui era tão inteligente que, aos cinco anos de idade aprendeu análise gramatical, aprendeu a distinguir orações e a conjugar os verbos regulares. Seu professor afirmou que “foi o maior talento que já vira”.

Quando estava com onze anos, em 1861, estudava no Ginásio Baiano, de propriedade de Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, que empresta seu nome ao colégio do Pontal; o Sr. Borges disse ao seu pai que não tinha mais nada para lhe ensinar. No ginásio foi colega de Castro Alves. Concluiu o curso ginasial em 1864, mas não pode ingressar na Universidade porque era muito jovem. No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito de Olinda, mas concluiu o curso em São Paulo, em 1870.

No ano de 1872 iniciou sua vida de jornalista, escrevendo para o Diário da Bahia, onde assumiu a direção no ano seguinte. Neste mesmo ano teve sua primeira paixão; era uma “senhorinha” que morava no bairro de Itapagipe, se chamava Brasília e o levou à sua primeira crise amorosa. Sobre sua forma de falar escreveu seu pai: “dizem-me que é superior a José Bonifácio e sustentam que certamente hoje não se fala melhor do que ele”.

No início da carreira, ainda na Bahia, engajou-se numa campanha em defesa da abolição da escravatura.

Foi um relevante político na República Velha; ganhou projeção internacional durante a Conferência da Paz, em Haia, na Holanda, em 1907, onde recebeu a alcunha de “A Águia de Haia”, por ter defendido com brilho a teoria brasileira de igualdade entre as nações. Foi eleito deputado provincial, depois geral, atuando na elaboração da reforma eleitoral, na reforma do ensino, na emancipação dos escravos, no apoio ao federalismo e na nova Constituição.

Rui Barbosa possuía enorme prestígio. Por conta disso candidatou-se duas vezes ao cargo de Presidente da República; nas eleições de 1910, contra Hermes da Fonseca e em 1919, contra Epitácio Pessoa. Foi derrotado nas duas campanhas. A primeira delas foi o marco inicial de sua Campanha Civilista.

Escreveu para diversos jornais, como A Imprensa, Jornal do Brasil e Diário de Notícias. Este último foi presidido por ele.

Sua bibliografia está recolhida em mais de 100 volumes, reunindo artigos, discursos e conferências. Sua biblioteca possui mais de 50.000 títulos e pertence hoje à Fundação Casa de Rui Barbosa, no local onde foi sua residência, no bairro de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro.

Foi sócio fundador da Academia Brasileira de Letras, escolheu Evaristo da Veiga como patrono, na Cadeira n. 10 e sucedeu a Machado de Assis na presidência da casa. O grande Rui, exemplo de integridade moral, faleceu em Petrópolis, em 1923.

"Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!" (Rui Barbosa)

“Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade. (Rui Barbosa Coletânea Literária, 211).

*(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

Fonte: Internet – http://www.paralerepensar.com.br/rbarbosa.htm

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