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SOBRE O TURISMO EM ILHÉUS

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Esta semana encontrei algumas pessoas que me pediram para falar sobre o turismo em Ilhéus, como forma de incentivar as pessoas a se interessarem pelo assunto. Mas, afinal, o que é turismo? Segundo os teóricos são muitas as definições do tema e são muitos os conceitos elaborados para dizer o que é turismo. Segundo McIntosh, por exemplo, “Turismo pode ser definido como a ciência, a arte e a atividade de atrair e transportar visitantes, alojá-los e, cortesmente, satisfazer suas necessidades e desejos”. É de 1977, mas continua valendo. Segundo Beni (2000), há tantas definições de Turismo quantos são os autores que tratam do assunto. Portanto, não há uma unanimidade sobre o que seja turismo, mas ninguém tem dúvida de que seja uma prestação de serviços.

Nos meus arquivos encontrei um texto que retirei da internet e foi publicado no site do SEBRAE. O texto começa com a seguinte afirmativa: “O conjunto dos atrativos naturais e histórico-culturais de Ilhéus outorga a esse município um amplo potencial para o desenvolvimento do turismo. Privilegiado nos seus aspectos naturais, Ilhéus dispõe de aproximadamente 93 km de litoral, permeado por praias de excelente qualidade de banho, rios, lagoas, ilhas e áreas de mata preservadas pela cultura cacaueira”. Diante do exposto e do tempo que trabalhei diretamente ligada ao turismo, fico me questionando: por que não dá certo? O que está faltando?

Na última matéria que escrevi sobre este tema, falei sobre o turismo cultural na cidade; o texto pesquisado fala da sua importância. O pior de tudo é que quero mudar o discurso, falar algo diferente, mas volto ao mesmo ponto. Falta envolvimento da população, como um todo, para que o turismo aconteça.

O turismo é uma das principais alternativas de diversificação da economia no mundo, mas turismo é, basicamente, serviço, prestação de serviço, como já afirmei. Atender bem, procurar fazer mais do que o impossível, para que o visitante saia satisfeito. Será que estamos fazendo isso?

Não resta dúvida de que o turismo assumiu, no município, um caráter empresarial, a partir de investimentos externos à região, mas, sua expansão nessa área resultou, em grande parte, do declínio da economia cacaueira. Aí, talvez, esteja a raiz do problema. No imaginário das pessoas, o cacau representa o “ser servido”, enquanto o turismo significa “servir”; inverter estes papéis é muito complicado na cabeça das pessoas.

A crise da principal atividade econômica regional conduziu à migração do capital, da lavoura do cacau para os serviços turísticos. Em decorrência, houve uma ampliação considerável da infra-estrutura disponível no setor, sobretudo no que se refere à oferta de equipamentos de hospedagem. Muitas pousadas foram construídas, alguns hotéis, mas, a construção de um equipamento hoteleiro não significa, basicamente, estar envolvido por inteiro, na atividade de servir.

Segundo o texto do SEBRAE, publicado em 2003, “a inexistência de um planejamento para a expansão do turismo em Ilhéus levou à evolução dessa atividade, a processar-se com sérias dificuldades”. A primeira delas pode ser computada à falta de união das pessoas da região. Dificilmente as pessoas se unem para lutar juntas. Zé Haroldo, Secretário Geral da CEPLAC por tantos anos, já se queixava deste problema. Cada um quer que a coisa funcione do seu jeito.

“Em que pese a importância da rede de hospedagem local e a presença de outros equipamentos essenciais ao setor, a exemplo das agências de viagem, locadoras de automóveis, aeroporto, porto etc., há ainda uma carência expressiva em relação a uma oferta diversificada de outros elementos de suporte ao turismo, como áreas de lazer não-litorâneo, parques temáticos, parques de diversão, praças e jardins, bares, restaurantes, casas de espetáculo” e muitos outros. Temos uma baía belíssima, sem utilização; as estradas vicinais nem sempre oferecem segurança; os preços praticados por alguns segmentos são como se aquele cliente fosse o único e o último da Terra. A exploração dos recursos naturais e histórico-culturais no município está muito aquém das potencialidades locais.

A obra de Jorge Amado, um dos grandes marketings de Ilhéus, não se encontra devidamente aproveitada pela atividade. O segmento ecológico possui ainda um largo campo disponível para a sua utilização. O lazer litorâneo requer um novo sistema de esgotamento, que evite a poluição das praias, aliado a um melhor ordenamento e a uma mais ampla assistência às cabanas situadas ao longo da orla. O transporte coletivo e a limpeza urbana são deficitários; o acesso a pontos de atração apresenta-se em estado precário. A mão-de-obra para o turismo necessita de qualificação.

E a mentalidade das pessoas, que só pode mudar pela educação, continua a mesma, não busca transformar o olhar. A atitude correta deveria ser, segundo meu entendimento, o que podemos fazer para somar? E deveriam estar envolvidos governo, políticos, sociedade civil organizada e TODOS os cidadãos moradores da cidade.

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DIA 10 – LANÇAMENTO DO LIVRO MÚLTIPLOS OLHARES SOBRE A REGIÃO CACAUEIRA DO SUL DA BAHIA, NA ACADEMIA DE LETRAS, ÀS 18:30 h.

ESTÃO TODOS CONVIDADOS.

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UMA DAMA POUCO EDUCADA

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Meus alunos de Gestão Ambiental da Faculdade de Ilhéus apresentaram trabalhos acadêmicos, como complementação de suas avaliações. Foi então, que me veio o assunto desta semana. O trabalho apresentado pelo aluno Marcelo Silveira, sobre a baronesa (também chamada de aguapé ou dama do lago), a planta que invade nossos rios e represas e, no verão, depois das chuvas fortes, vem morrer em nossas praias.

Diz o acadêmico Marcelo que, a planta aquática conhecida como Aguapé é o que poderíamos chamar de "vegetal-água", pois 95% da planta é composto de água. A planta possui raízes longas e a parte que fica fora da água, pode atingir a altura que varia, desde alguns centímetros, até um metro. A planta, que polui as águas dos nossos rios, tem como principal função, purificar a água, além de ser planta ornamental. Ela é utilizada em reservatórios poluídos ou que precisem regular o ph da água.

É uma planta de reprodução muito rápida e, se não houver controle, transforma-se em praga. A planta não precisa ter contato com o solo para se desenvolver, pois suas raízes são aquáticas, e os principais locais de reprodução são nascentes, lagos e açudes. O clima do verão e suas fortes chuvas, nas nascentes, propiciam o êxodo da planta para a foz. A Baronesa pode impedir a renovação da água corrente do rio devido à quantidade de detritos e materiais orgânicos em decomposição existente, aumentando o nível de poluição do rio.

As populações ribeirinhas e rurais podem perder o fornecimento de água corrente propiciando o aumento do nível de doenças transmitidas pela água e seus organismos, tanto como acidentes, devido à quantidade e diversidade de detritos. As praias de Ilhéus recebem a maior parte da carga fluvial do rio Cachoeira, com isso nas épocas de chuva nossas praias sofrem com a poluição trazida pelas baronesas

A Prefeitura de Ilhéus trabalha na limpeza das principais praias, retirando as baronesas com auxilio de tratores, mas, a prática não é totalmente eficaz; com isso, a beleza e a saúde de nossas praias vão se deteriorando com o ciclo do Aguapé.

Este texto é parte do trabalho de Marcelo Silveira. Foi então que me lembrei de algo que havia lido em Silva Campos, sobre o assunto.

Diz Silva Campos: “A navegabilidade dos rios Itaípe e Almada vinha se tornando cada vez mais precária, com grave prejuízo do desenvolvimento da zona, devido à multiplicação prodigiosa da ninfacea conhecida por baronesa, dama do lago, e também capim Amazonas. Esses dois cursos d’água desconheciam tal praga. Aconteceu, porém, que uma senhora, achando a planta bonita, trouxe-a de Camamu para o tanque do seu engenho ou olaria, em Almada. Transbordando a represa, certa feita, o vegetal propagou-se nos citados rios. Chegou a ser tão grave o embaraço oposto por esta planta aquática ao tráfego das embarcações, que em 1875 os lavradores ribeirinhos bradaram aos poderes públicos pelo necessário remédio”.

No ano seguinte, o presidente da Província mandou um engenheiro estudar o assunto, sendo orçado em 28:800$000 o custo da remoção do lençol de hidrófitas que revestia a superfície daquelas vias fluviais. Mas nada se empreendeu. Em 1878, outro técnico foi designado para proceder ao mesmo estudo, avaliando a despesa a efetuar-se em 35:286$000”. Posto o serviço em concorrência pública, nenhum licitante se apresentou. E a situação agravando-se sempre. No ano de 1881, os prejudicados fizeram uma representação à edilidade insistindo por que se procedesse à destruição do maldito nenúfar. Transmitida ao presidente da Província a justa postulação, este, por sua vez, fê-la presente ao ministério da agricultura, que declarou não dispor de verba para executar o serviço, assegurando, porém, que ia solicitá-la da assembléia no ano seguinte. (Silva Campos, p. 260-1).

Por esse tempo, conforme o testemunho de Durval Vieira de Aguiar, para as canoas transitarem naqueles rios de Ilhéus era preciso, às vezes, destruir o matupá ininterrupto que tomava a face da corrente, a foice e até a machado. De acordo com a letra dum relatório oficial de 1888, ainda neste ano a dama do lago proibia totalmente a navegação do Itaípe e do Almada. Quando Borges de Barros escreveu a sua Memória, publicada em 1915, o serviço de desobstrução do segundo dos citados rios, único então infestado pela planta, era permanente, e custeado pelos cofres municipais com “insignificante dispêndio”. Mas até agora a praga não foi extinta, diz o autor.

Pois é… a planta aquática que se acumula no Rio Cachoeira, na parte que banha a cidade de Itabuna, e tira o sono dos ilheenses que ocupam o Palácio Paranaguá, e aqueles ligados ao turismo, não é nativa, foi trazida como planta ornamental. Porque perdeu-se o seu controle, transformou-se em grande e histórico problema, em uma dama pouco educada.

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Esta semana recebi uma mensagem de Waldimiro de Souza, que está sempre me informando sobre trabalhos realizados a respeito do grande geógrafo Milton Santos.

A matéria é do jornalista João Tavares.

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira, dia 1º de dezembro, às 14 horas, no Plenário 10 do Anexo II da Casa, um Seminário para debater a obra do geógrafo Milton Santos. A autora do requerimento é a Deputada Lídice da Mata (PSB/BA), com o apoio e a subscrição das Deputadas Maria do Rosário (PT/RS) e Alice Portugal (PcdoB/BA) e dos Deputados Emiliano José (PT/BA) e Ruy Pauletti (PSDB/RS).

Eis a programação do Seminário:

Expositores e temas:

1 – Professor Aldo Dantas – UFRN

Milton Santos – Teoria Geográfica, Globalização e Terceiro Mundo

2 – Professor Fernando Conceição – UFBA

Milton Santos – Negro e Intelectual

3 – Professora Amália Inêz Geraiges de Lemos – USP

A Obra Revolucionária de Milton Santos

4 – Professor Edilson Nabarro – UFRGS

Milton Santos e a Negritude.

Perfil:

Apesar de graduado em Direito, Milton Santos é considerado o mais importante geógrafo brasileiro, reconhecimento este que se estende às suas qualidades de intelectual que vão além das fronteiras nacionais.

Natural do município baiano de Brotas de Macaúbas, Milton Santos, aos 13 anos já dava aulas de matemática no ginásio em que estudava, o Instituto Baiano de Ensino. Aos 15, passou a lecionar geografia. Ingressou na faculdade de Direito e atuou no movimento estudantil, chegando a ser eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Em 1948, formou-se pela Universidade Federal da Bahia, mas não deixou de se interessar pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático no Ginásio Municipal de Ilhéus com o objetivo de lecionar esta disciplina.

Nesta cidade dedicou-se à atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda. Retornou para Salvador e tornou-se professor na Faculdade Católica de Filosofia e foi editorialista do "A Tarde", onde publicou diversos artigos de geografia. Em 1958, concluiu doutorado (com a tese "O Centro da Cidade de Salvador") na Universidade de Estrasburgo (França).

Tendo viajado pela Europa e pela África, publicou em 1960 o estudo "Mariana em Preto e Branco". Defendeu com brilhantismo a tese "Os Estudos Regionais e o Futuro da Geografia" na Universidade Federal da Bahia, da qual foi um dos fundadores do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais.

Com o golpe militar de 1964, Milton Santos foi preso e depois exilado. Como professor convidado lecionou durante três anos na Universidade de Toulouse (França). Na década de 1970 estudou e trabalhou em universidades no Peru, na Venezuela e nos EUA, onde foi pesquisador no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Retornou ao Brasil em 1977, trazendo consigo a obra "Por uma Geografia Nova". Anos depois galga o posto de professor titular da Universidade de São Paulo (USP). Recebeu, em 1994, o Prêmio Vautrim Lud, considerado "o Nobel da Geografia". Foi consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Milton Santos acrescentou importantes discussões na geografia, como a retomada da leitura de autores clássicos, além de ter sido um dos expoentes do movimento de renovação crítica da disciplina numa perspectiva holística.

Debater e estudar a obra deste que é um dos mais importantes intelectuais do Brasil, homem que não só superou preconceitos de cor e de classe social, mas que também foi pioneiro na análise crítica da globalização e suas consequências desiguais para grande parcela da população mundial, é um dever da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados que, com essa iniciativa, visa resgatar e difundir uma obra tão importante e grandiosa.

A CIDADE DE SÃO JORGE DOS ILHÉUS

TEM UMA DÍVIDA COM O PROFESSOR MILTON SANTOS

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EM DEZEMBRO ESTAREMOS LANÇANDO MAIS UM LIVRO

Múltiplos Olhares sobre a Região Cacaueira do Sul da Bahia

Com artigos escritos por:

Arléo Barbosa

André Ribeiro

Eliana Albuquerque

Juliana Menezes

Maria Luiza Heine

Maria Luiza Silva Santos

Marlúcia Rocha

Silmara Oliveira

QUER LER? EU DEIXO!

PARTICIPE DOS 4 ANOS DO BLOG DE ANABEL MASCARENHAS

RECEBI ESTA MENSAGEM DE ANABEL E REPASSO PARA VOCÊS.

Dessa vez, no 4º aniversário, resolvi planejar um Concurso Cultural. Seguinte: Vou dar de presente 4 (tem que ser, né? são 4 anos!) livros, “O conto em 25 baianos”, livro de contos de autores da minha terra, publicado pela Editus, editora da UESC. Explico: o nome do blog é “Quer ler? Eu deixo!”, então a promoção tinha que ser sobre leitura e o prêmio, tinha que ser livro. Mas vamos às regras:

QUER CONHECER AS REGRAS?

VISITE O BLOG: QUER LER? EU DEIXO!

deixoler.blogspot.com

A POBREZA E A GLOBALIZAÇÃO

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Quando a Terra era habitada por grupos diferentes, que nem se conheciam, porque isolados uns dos outros, quando os homens ainda viviam buscando o que a natureza oferecia, para se alimentar, eles começaram a busca pela compreensão das questões da existência; naquele tempo, a oferta de alimentos era muito restrita e escassa. Este é um assunto que acho muito interessante. Devem existir, embora eu não tenha conhecimento, livros publicados, que contem a história dos alimentos; como foram inventados, como migraram pelo mundo, chegando a toda parte. Desde criança, fico pensando como terá sido inventado o bolo, por exemplo. Você mistura alguns ingredientes, que se transformam em uma massa quase líquida, coloca no forno e, sob o efeito do calor, ele se transforma naquela coisa tão maravilhosa e “engordativa”, que é o bolo.

Na Antiguidade, cada povo se alimentava do que lhe disponibilizava a natureza ao seu redor. Assim, só se alimentava de peixe, quem vivia próximo ao mar, ou aos rios. As frutas, verduras e raízes, ou qualquer outro alimento, eram as produzidas naquela localidade. Os maravilhosos azeites de oliva, produzidos há milênios, pelos povos do sul da Europa, só são possíveis de existir, por causa das oliveiras, que vicejam nos terrenos inóspitos ao longo do Mar Mediterrâneo.

A história que conhecemos mais profundamente é a dos brancos europeus, porque foi o que nos ensinaram na escola. Sabemos que antes da era da navegação, quando os portugueses inventaram as caravelas e saíram descobrindo os mares, levaram para a Europa, as tão famosas especiarias que encantaram os europeus. Antes de se temperar a comida, o que se usava era a carne, apenas assada no fogo. O pão também é muito antigo. Aquela velha história, que conhecemos tão bem, que diz que, no século XV, os turcos impediram o comércio da Europa com o Oriente, e aí veio a busca de um caminho marítimo para as Índias, e os portugueses chegaram ao Brasil; como eram essas viagens? Gastavam-se fortunas para ir buscar as ditas especiarias, investiam-se enormes quantias, em dinheiro, para trazer estas mercadorias, perdiam-se homens e embarcações, no afã de gerar riqueza. E como gerava…

Seria interessante conhecer os caminhos dos alimentos, que hoje chegam, com tanta facilidade, à nossa mesa. Qualquer hora dessas vou em busca desta informação. Deverá ser semelhante aos caminhos do cacau, deve ter acontecido da mesma forma, neste ir e vir, que caracteriza o ser humano inquieto e nômade.

O cacau é natural da Amazônia e da América Central. Foram encontrados vasos de cerâmica para chocolate, entre os objetos encontrados, nos túmulos da nobreza Maia, por volta do ano 450, da era cristã. Este povo bebia o chocolate, como um líquido espumoso, quase sempre temperado com pimenta e outros condimentos. Os índios torravam e trituravam o cacau entre duas pedras, ferviam em água aromatizada com baunilha, canela, pimenta ou suco de aveia até que ficasse pastosa, quando era servido em taças.

Em 1565 chegavam as primeiras amêndoas a Sevilha. Em 1560 tem-se o primeiro registro do cacau na Ásia, quando foi levado de Caracas na Venezuela, para Sulawesi, na Indonésia. É provável que o cacau tenha chegado à África em 1590, quando levaram uma árvore a Fernando Pó (hoje Bioko), uma ilha no litoral dos Camarões. Em 1657 foi inaugurada a primeira casa de chocolate, em Londres. Em 1879, na Suíça, o químico Henri Nestlé e o fabricante de chocolate Daniel Peter, encontraram uma forma de misturar o chocolate ao leite. Toda esta movimentação fez o cacau chegar ao sul da Bahia, provavelmente em 1746, e gerar enorme riqueza, por mais de cem anos. Depois a mesma globalização trouxe uma bruxa, montada em sua vassoura, e acabou com a riqueza e com a esperança deste povo, que se encontra atônito e, aparentemente sem perspectiva; além de órfão.

A oferta de alimentos aumentou no mundo, com a descoberta de novas tecnologias. Com a globalização, podemos comer qualquer alimento, de qualquer parte do mundo, e por preços bastante acessíveis. Mas, apesar disso, mais de um terço da população do mundo, não tem acesso a alimento algum.

Tenho observado com muita angústia, o aumento dos moradores de rua, que chegam à nossa cidade. Digo que chegam, porque os moradores de sempre, estes todos nós conhecemos. Tenho visto estas pessoas abrindo sacos de lixo para comer. O que já não serve para nós e jogamos fora, vai matar a fome de alguém e encher sua barriga de verminose.

Ontem fiquei extremamente chocada, ao ver, em frente à banca de revista da Praça Cel. Pessoa, um ser humano, igual a nós, bebendo água e se lavando na água imunda da poça que a chuva deixou.

Fica uma pergunta cruel: de que adianta tanto avanço tecnológico e científico se não servem para tirar a fome das pessoas e dar-lhes dignidade?

(Escrita em julho de 2007)

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Com um mês inteiro dedicado à exaltação da cultura africana, a Casa dos Artistas de Ilhéus celebra o Dia Nacional da Consciência Negra com um sarau literomusical. A partir das 18 horas desta sexta-feira (20), o público poderá conferir, gratuitamente, improvisações e experimentações de atores, músicos de Ilhéus em homenagem ao povo negro.

Para realização do sarau, o grupo residente da Casa dos Artistas, Improviso Nordestino, convidou algumas bandas alternativas da cidade, como O Quadro, Jah Bless e Quinzila. Diversos atores também farão participações, com declamação de poesias e esquetes. As apresentações acontecerão no palco do Teatro Pedro Mattos.

Além do sarau literomusical em homenagem à comemoração do Dia da Consciência Negra, a Casa dos Artistas continua com a exposição “Todos Negros” até o dia 30 de novembro. De segunda a sexta-feira, das 14h30min às 18h30min, estão disponíveis para apreciação do público o acervo histórico do terreiro Matamba Tombenci Neto, esculturas de Souza e fotografias de Daniel Lordelo, Maurício Maron, Julay e Cris Passos.

Exposição Todos Negros - foto Felipe de Paula (3)

  Foto Felipe de Paula  

Notícia enviada por Karoline Vidal

NOVEMBRO NEGRO

PROJETO CINEMA NA PRAÇA

2ª MOSTRA DE FILMES ÉTNICOS RACIAIS DE ILHÉUS

DIAS 07- 14 – 21 E 28 DE NOVEMBRO

LOCAL: PRAÇA D. RÔXA NA AV. BRASIL – ALTO DA CONQUISTA NO TERREIRO TOMBENCI NETO

PROGRAMAÇÃO DE SÁBADO DIA 14 DE NOVEMBRO

18:00h: KIRIKOU 2; OS ANIMAIS SELVAGENS

O avô de Kirikou (Pierre-Ndoffé Sarr) conta as desventuras do garoto, cuja altura não alcança nem o joelho de uma pessoa normal. Entre elas o avô conta como Kirikou aprendeu a ser jardineiro, detetive, artesão, doutor, comerciante e viajante, percorrendo os diversos recantos da África.

Distribuição de Lanches para a Criançada.

20:00h: MENSAGEIRO ENTRE DOIS MUNDOS

Narrado e apresentado por Gilberto Gil, Pierre Verger – Mensageiro entre Dois Mundos foi filmado na África, na França e na Bahia e aborda a trajetória do grande fotógrafo e etnógrafo francês que se radicou no Brasil. O premiado documentário, dirigido por Lula Buarque de Hollanda, inclui a última entrevista de Verger (filmada um dia antes de seu falecimento, em 1996), extenso material fotográfico, textos de Verger e depoimentos de amigos como Jorge Amado, Zélia Gattai, Mãe Stella, Pai Agenor e o historiador Cid Teixeira.

ENTRADA GRATUITA

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Reunindo o acervo histórico do terreiro de Matamba Tombenci Neto, esculturas de Souza e fotografias de Daniel Lordelo, Maurício Maron, Julay e Cris Passos, a exposição “Todos Negros” convida o público a passear pelo universo afro-brasileiro. A iniciativa integra as celebrações do mês da Consciência Negra. A exposição fica aberta ao público até o dia 30 de novembro, na galeria Hans Koella na Casa dos Artistas de Ilhéus, com visitação das 14 às 18h. Entrada franca.

Esta semana recebi um e-mail de Paulo Paiva falando do trabalho de Henrique Berbert, que faleceu esta semana, aos 50 anos. Foi uma perda lamentável para aqueles que acreditam que é preciso lutar pela preservação das florestas do planeta.

O título da matéria é “A lição de futuro do rei da floresta do século XXI”, que tomei a ousadia de mudar.

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Quem disse que um índio não pode ser louro e ter olhos azuis? Aqui em Ilhéus posso imaginar que tivemos um índio assim, pois pensar em Henrique Berbert de Carvalho é pensar em alguém com a floresta no sangue, no nome e na história de vida.

Voltando a 1860, seu bisavô, o imigrante Henrique Berbert, de quem herdara o nome e a bravura, guiava o príncipe da Áustria, Maximiliano da Habsburgo em sua visita a Ilhéus para conhecer e descrever nossas florestas para o velho mundo. O jovem príncipe escreveu que o Berbert era um grande conhecedor das matas, e o chamou de o Rei da Floresta.

Um século depois, no berço da civilização cacaueira, dois bisnetos ousam reassumir o sonho de conhecer e proteger a floresta. O mais velho, André Mauricio de Carvalho, resgatou o sonho de Maximiliano, produzindo um inestimável patrimônio científico sobre nossas florestas, para o mundo. E, nessa trilha, surge Henrique, como um homem do futuro, um realizador de sonhos.

Agrônomo e Mestre em Meio Ambiente, Henrique aproveitou a crise do cacau, para transformar a fazenda de cacau de sua família em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), e assim definir sua missão: ajudar a sociedade a proteger as florestas.

Mudaram-se para a reserva, Henrique e sua esposa, a bióloga Lucélia Berbert, junto com seus dois filhos Joel e Aldo, e compartilharam esse sonho, recebendo visitantes, estudantes e pesquisadores na acolhida mais especial que se possa imaginar. O trabalho cuidadoso de conhecimento e o intercâmbio científico proporcionado resultou em pesquisas que revelaram novas espécies da fauna e da flora, e na promoção da Mata Atlântica do sul da Bahia.

Henrique Berbert de Carvalho entra para a história como exemplo e ícone da proteção da Mata Atlântica, e deixa um legado para a sociedade de extrema importância para o futuro. Sua principal mensagem, ele mesmo pôs em prática, ao mostrar para a sociedade, a importância da proteção das florestas em propriedades privadas.

Sua iniciativa tornou-se referência e exemplo, e sua colaboração e conhecimentos foram fundamentais para a criação de várias reservas particulares e públicas na Bahia e em outros estados. Em sua militância, tornou-se liderança na área de conservação florestal, atuando como Presidente da Associação de RPPN’s da Bahia e Sergipe – PRESERVA, e Vice-Presidente da Confederação Nacional de RPPN’s – CRNPPN. Nos últimos meses, dedicava-se à coordenação de um projeto de adequação ambiental de assentamentos rurais do Corredor Central da Mata Atlântica pelo Instituto Floresta Viva.

Henrique Berbert não parou de sonhar e acreditar em seu sonho um só instante; Ele e sua família se transformaram em novos defensores das florestas.

Depositamos a saudade junto com os sonhos na perenidade de uns dos jequitibás mais antigos do Brasil, que Henrique Berbert de Carvalho nos ensinou a valorizar e a cuidar na Serra do Teimoso. As teimosas sementes da majestosa árvore continuarão a ser como as suas, boas para a floresta e para as pessoas.

 (Texto de Paulo Paiva)

Esta é nossa homenagem a Henrique Berbert, um “Jequitibá do Teimoso”.

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No dia 14 de novembro, comemora-se a data de nascimento do poeta Sosígenes Costa. Ele nasceu em Belmonte, no ano de 1901 e faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de novembro de 1968. Em sua cidade natal fez o curso primário e foi mestre-escola.

Segundo Valdomiro Santana, que assina a “orelha” do livro Poesia Completa, publicado pela Fundação Cultural no governo Jabes Ribeiro, “era um homem de temperamento retraído – o que contrasta com sua aparência de dândi, segundo o testemunho de James Amado”.

Sosígenes morou em Ilhéus grande parte da sua vida, e foi onde escreveu a maior parte da sua obra. Aqui trabalhou como telegrafista do Departamento dos Correios e Telégrafos e como secretário da Associação Comercial de Ilhéus. Mas, mesmo morando distante, ligou-se a um grupo boêmio-literário, a Academia dos Rebeldes, na cidade do Salvador, de 1927 a 1931. Era amigo de Jorge Amado e frequentava a casa do coronel João Amado, localizada na antiga rua 28 de Junho.

Em vida publicou apenas o livro Obra Poética, pela Editora Leitura, do Rio de Janeiro, em 1959, depois de muita insistência dos amigos. A segunda edição deste livro foi publicada em 1978 pela Cultrix, de São Paulo, em convênio com o Instituto Nacional do Livro. A edição foi revista e ampliada pelo ensaísta José Paulo Paes. No ano seguinte, foi publicada, também pela Cultrix, a Iararana, “um longo poema que cria um mito de origem para o cacau sul baiano”, com prefácio de Jorge Amado e ilustrações e capa de Aldemir Martins.

De acordo com o crítico José Paulo Paes, “a ter como certas as datas de composição das peças enfeixadas na primeira parte da Obra Poética, quando ainda andava acesa a campanha dos modernistas contra o soneto em prol da institucionalização do verso livre, entretinha-se o poeta a escrever seus ‘Sonetos Pavônicos’, todos rigorosamente rimados e metrificados, nos quais são perceptíveis traços parnasianos e, sobretudo, simbolistas, ainda que tais sonetos nada tenham de passadistas, caracterizando-se antes por uma modernidade que se patenteia, como a de Quintana, na exploração criativa das possibilidades expressionais dessa forma fixa, então esclerosada pela prática mecânica e abusiva.”

Segundo Santana, percebe-se extremo apuro na criação poética de Sosígenes Costa: “nos sonetos pavônicos, em que, dada a profusão de imagens-símbolos, esplende o remoto passado oriental; no tratamento paródico de episódios e personagens do estilo bíblicos, bem como grandiloquente de Castro Alves”. Diz ele ainda que o poeta, na evocação da infância, sempre vem à tona o nonsense e o humor; nos poemas descritivos de um Brasil antigo e da vida popular da Bahia de seu tempo, é possível encontrar a presença tão marcante do candomblé. Ainda segundo o prefaciador, no lirismo político e social, não acolhe a demagogia nem qualquer indução ideológica; na singular percepção de mitos, que anima e transforma em sua imaginação – porém de tal modo que o real e o fantástico, embora sempre distintos, ficam indiscerníveis.

A obra de Sosígenes, na opinião dos especialistas, é intencionalmente sutil, como toda obra de arte, lembrando o jogo de espelhos refletidos.

O poeta grapiúna legou-nos uma obra poética que ainda hoje perturba e se impõe pelo arrojo com que soube criar o seu verbo próprio e inconfundível. É ele a história de uma alma que sofria por coisas estranhas e requintadas, sobretudo pela tão estranha sensibilidade, só poderia dar-nos versos estranhos e, antes de tudo, impressionantemente belos. (Gilfrancisco)

 

Duas festas no mar (1934)

Uma sereia encontrou
um livro de Freud no mar.
Ficou sabendo de coisas
que o rei do mar nem sonhava.

Quando a sereia leu Freud
sobre uma estrela do mar,
tirou o pano de prata
que usava para esconder
a sua cauda de peixe.
E o mar então deu uma festa.

E no outro dia a sereia
achou um livro de Marx
dentro de um búzio do mar.
Quando a sereia leu Marx
ficou sabendo de coisas
que o rei do mar nem sonhava
nem a rainha do mar.

Tirou então a coroa
que usava para dizer
que não era igual aos peixinhos.
Quebrou na pedra a coroa.

E houve outra festa no mar.

In: Poesia completa (2001)

 

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