Esta semana encontrei algumas pessoas que me pediram para falar sobre o turismo em Ilhéus, como forma de incentivar as pessoas a se interessarem pelo assunto. Mas, afinal, o que é turismo? Segundo os teóricos são muitas as definições do tema e são muitos os conceitos elaborados para dizer o que é turismo. Segundo McIntosh, por exemplo, “Turismo pode ser definido como a ciência, a arte e a atividade de atrair e transportar visitantes, alojá-los e, cortesmente, satisfazer suas necessidades e desejos”. É de 1977, mas continua valendo. Segundo Beni (2000), há tantas definições de Turismo quantos são os autores que tratam do assunto. Portanto, não há uma unanimidade sobre o que seja turismo, mas ninguém tem dúvida de que seja uma prestação de serviços.
Nos meus arquivos encontrei um texto que retirei da internet e foi publicado no site do SEBRAE. O texto começa com a seguinte afirmativa: “O conjunto dos atrativos naturais e histórico-culturais de Ilhéus outorga a esse município um amplo potencial para o desenvolvimento do turismo. Privilegiado nos seus aspectos naturais, Ilhéus dispõe de aproximadamente 93 km de litoral, permeado por praias de excelente qualidade de banho, rios, lagoas, ilhas e áreas de mata preservadas pela cultura cacaueira”. Diante do exposto e do tempo que trabalhei diretamente ligada ao turismo, fico me questionando: por que não dá certo? O que está faltando?
Na última matéria que escrevi sobre este tema, falei sobre o turismo cultural na cidade; o texto pesquisado fala da sua importância. O pior de tudo é que quero mudar o discurso, falar algo diferente, mas volto ao mesmo ponto. Falta envolvimento da população, como um todo, para que o turismo aconteça.
O turismo é uma das principais alternativas de diversificação da economia no mundo, mas turismo é, basicamente, serviço, prestação de serviço, como já afirmei. Atender bem, procurar fazer mais do que o impossível, para que o visitante saia satisfeito. Será que estamos fazendo isso?
Não resta dúvida de que o turismo assumiu, no município, um caráter empresarial, a partir de investimentos externos à região, mas, sua expansão nessa área resultou, em grande parte, do declínio da economia cacaueira. Aí, talvez, esteja a raiz do problema. No imaginário das pessoas, o cacau representa o “ser servido”, enquanto o turismo significa “servir”; inverter estes papéis é muito complicado na cabeça das pessoas.
A crise da principal atividade econômica regional conduziu à migração do capital, da lavoura do cacau para os serviços turísticos. Em decorrência, houve uma ampliação considerável da infra-estrutura disponível no setor, sobretudo no que se refere à oferta de equipamentos de hospedagem. Muitas pousadas foram construídas, alguns hotéis, mas, a construção de um equipamento hoteleiro não significa, basicamente, estar envolvido por inteiro, na atividade de servir.
Segundo o texto do SEBRAE, publicado em 2003, “a inexistência de um planejamento para a expansão do turismo em Ilhéus levou à evolução dessa atividade, a processar-se com sérias dificuldades”. A primeira delas pode ser computada à falta de união das pessoas da região. Dificilmente as pessoas se unem para lutar juntas. Zé Haroldo, Secretário Geral da CEPLAC por tantos anos, já se queixava deste problema. Cada um quer que a coisa funcione do seu jeito.
“Em que pese a importância da rede de hospedagem local e a presença de outros equipamentos essenciais ao setor, a exemplo das agências de viagem, locadoras de automóveis, aeroporto, porto etc., há ainda uma carência expressiva em relação a uma oferta diversificada de outros elementos de suporte ao turismo, como áreas de lazer não-litorâneo, parques temáticos, parques de diversão, praças e jardins, bares, restaurantes, casas de espetáculo” e muitos outros. Temos uma baía belíssima, sem utilização; as estradas vicinais nem sempre oferecem segurança; os preços praticados por alguns segmentos são como se aquele cliente fosse o único e o último da Terra. A exploração dos recursos naturais e histórico-culturais no município está muito aquém das potencialidades locais.
A obra de Jorge Amado, um dos grandes marketings de Ilhéus, não se encontra devidamente aproveitada pela atividade. O segmento ecológico possui ainda um largo campo disponível para a sua utilização. O lazer litorâneo requer um novo sistema de esgotamento, que evite a poluição das praias, aliado a um melhor ordenamento e a uma mais ampla assistência às cabanas situadas ao longo da orla. O transporte coletivo e a limpeza urbana são deficitários; o acesso a pontos de atração apresenta-se em estado precário. A mão-de-obra para o turismo necessita de qualificação.
E a mentalidade das pessoas, que só pode mudar pela educação, continua a mesma, não busca transformar o olhar. A atitude correta deveria ser, segundo meu entendimento, o que podemos fazer para somar? E deveriam estar envolvidos governo, políticos, sociedade civil organizada e TODOS os cidadãos moradores da cidade.
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DIA 10 – LANÇAMENTO DO LIVRO MÚLTIPLOS OLHARES SOBRE A REGIÃO CACAUEIRA DO SUL DA BAHIA, NA ACADEMIA DE LETRAS, ÀS 18:30 h.
ESTÃO TODOS CONVIDADOS.
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