Adonias Filho
Academia de Poetas e Prosadores é o título da crônica escrita, em 1984, pelo professor Francolino Neto, e publicada no livro Estante da Academia (p. 27). Diz ele: “Temos recebido comunicações em prosa, além de inúmeras colaborações em versos, muitos dos quais inéditos. Vê-se, pois, que há muita gente nesta Região Cacaueira, cultivando as Letras, esperando, bem se vê, a oportunidade para publicação”. E Adonias Filho, dizem, quando alguém lhe perguntou sobre o que a região produzia, além de cacau, respondeu: escritores. Creio que tinha razão. Pois o cacau está nesta situação de penúria que todos conhecemos, mas os escritores continuam escrevendo, correndo atrás de conseguir publicar seus escritos. Pois, se hoje as coisas estão mais fáceis, por conta do computador, publicar continua sendo difícil.
Já àquela época haviam questionamentos sobre quem poderia se tornar acadêmico. E responde Francolino: “Talvez pelo fato de a A.L.I. surgir sob a égide de Castro Alves, o poema, em estrofe cristalina, como dizia Bilac, tem sido mais presente ao ourive [...]”. E continua afirmando que a Academia de Ilhéus possui, no seu quadro, “prosadores internacionalmente conhecidos, tais como, Jorge Amado, Hélio Pólvora, Adonias Filho, Jorge Calmon e outros”.
O patrono de Jorge Amado era o grande poeta Castro Alves; o de Adonias era prosador, Bernardino José de Souza. Os outros patronos foram: Afonso Costa, Afrânio Peixoto, Almáquio Dias e Aloísio de Carvalho; Clarêncio Baracho, Antonio Pessoa da Costa e Silva, Arlindo Fragoso, Artur de Sales, Carlos Chiachio, Carlos Ribeiro e Carneiro Ribeiro; Ciridião Durval, Domingos Guimarães, Eduardo Ramos, Epaminondas Berbert de Castro, Fernando Caldas, Ferreira da Câmara, Filinto Bastos e Francisco Borges de Barros; Francisco Mangabeira, Gutemberg Berbert de Castro, João Florêncio Gomes, João da Silva Campos, José Bastos, José de Sá Nunes, Junqueira Freire e Manoel Quirino; Marquês de Paranaguá, Napoleão Level, Pethion de Vilar, Rui Penalva, Sá e Oliveira, Simões Filho, Teodoro Sampaio, Vasconcelos de Queiroz, Virgilio de Lemos, Visconde de Cairu e Xavier Marques.
Ficam algumas perguntas. Quem foram esses homens? O que fizeram para serem escolhidos patronos da academia? Para alguns a resposta é evidente, como é o caso de Castro Alves e Rui Barbosa. Alguns ainda são lembrados como o Marquês de Paranaguá, Afrânio Peixoto, Visconde de Cairu… mas, e os outros? Acredito que seria interessante procurarmos conhecê-los, não foi à toa que eles foram escolhidos. Antonio Pessoa da Costa e Silva, o Coronel Pessoa, já foi assunto de matéria nossa; foi intendente, é nome de praça, é mais conhecido; Napoleão Level, também já foi matéria. Foi um dos maiores engenheiros navais do Império, e nasceu em Ilhéus, no ano de 1828.
Aquela praça onde está localizada a rotatória que leva ao Pontal, onde está localizado o prédio da Ceplac e já foi estação do trem, se chama Praça Cairu. Mas, afinal, quem foi o Visconde de Cairu?
Seu nome é José da Silva Lisboa e nasceu em Salvador em 16 de julho de 1756. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de agosto de 1835. Foi economista, historiador, jurista, publicista e um político de grande atividade na época da Independência do Brasil. Ocupou diversos cargos na administração econômica e política do Brasil. Segundo dados retirados da Internet, foi Deputado da Real Junta do Comércio e Desembargador da Casa da Suplicação, quando a corte portuguesa foi instalada na cidade do Rio de Janeiro, em 1808. Foi um homem leal a D. João VI e a D. Pedro I, colaborando diretamente na redação dos decretos que ditaram a abertura dos portos brasileiros e o levantamento da proibição de instalação de manufaturas no Brasil. Por conta de sua atitude favorável ao desenvolvimento econômico da colônia portuguesa, acabou por contribuir para a criação das condições indispensáveis para a independência do Brasil.
No ano de 1832 empenhou-se pela criação de uma Universidade no Rio de Janeiro, o que só foi concretizado cem anos depois com a fundação da UFRJ. O Visconde de Cairu foi patrono da cadeira número 39, cujo fundador e atual ocupante é José Cândido de Carvalho Filho.
O patrono da cadeira número 02 da ALI é o baiano de Lençóis, (Júlio) Afrânio Peixoto, médico legista, político, professor, crítico, ensaísta, romancista e historiador literário. O ilustre baiano nasceu em 14 de dezembro de 1876 e faleceu no Rio de Janeiro em janeiro de 1947. Diplomou-se em Medicina em 1897, como aluno laureado, defendendo a tese Epilepsia e crime. Em 1910 foi eleito para a Cadeira n° 7 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Euclides da Cunha. O fundador desta cadeira foi o advogado criminalista e professor Francolino Neto. Seu atual ocupante é o professor Claudio Silveira.

Afranio Peixoto |
Visconde de Cairu e J. Bonifácio
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